Não vou falar sobre aerodinâmica, mas sobre o melhor avião de papel que já voei.

Há muito, num tempo em que Internet não tinha muito atrativos (for o mIRC), estava eu a procurar algo para me distrair e eis que acho essa pretensiosa frase: Build the best paper airplane in the world! How to build it, how to fly it. (Faça o melhor avião de papel no mundo! Como fazê-lo, como voá-lo.)

aviãozinho

Aparentemente esse desenho sempre existiu (o autor da página, Michael O’Reilly, conta que o aprendeu em 1950) mas nunca adentrou as portas da minha escola, onde só existia a flecha voadora clássica, mais um dardo que voa torto que um aviãozinho.

Quando descobri a página, dobrei o danado e joguei da minha janela (7º andar, o pior de todos os andares para gatos) e lá foi ele, em linha reta, até o outro lado da rua que faz esquina com a minha.

Alguns anos mais tarde, já numa Internet com YouTube, tentei o mesmo, mas do alto do trigésimo sexto andar e, ainda um pouco surpreso, lá se foi o avião rumo ao horizonte.

Pois bem, agora compartilho com todos vocês o melhor aviãozinho de papel de mundo!
Link para as imagens originais.
Link para o vídeo instrutivo.

É tudo em inglês, mas as imagens são autossuficientes.

A NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, em inglês) já tem um canal de TV há algum tempo, que funciona o dia todo, mostrando programas educativos e mostrando algumas coisas legais em tempo real, como o lançamento dos foguetes e consertos nas naves e blá blá blá…
Não comecei a escrever para falar da NTV, mas de uma câmera na Estação Espacial Internacional que virou webcam.

Eu gostaria de ter visto para acompanhar a movimentação da estação sobre a Terra, mas o computador que estou usando começou a suar, ficou esbaforido, com o rosto vermelho e segurando o braço esquerdo, aí eu achei melhor fechar a página, mas vocês podem acompanhar aqui toda a adrenalina que é ver, por um ângulo inédito, o mundo passar.
Literalmente.

Eu queria mesmo era tentar ver Antenor passando.

[dica do Atila, via Wired]

Irei a todo custo evitar rimas neste artigo.

Na região amazônica, dois peixes fazem parte da pletora de pesadelos: a piranha e o candiru.
O primeiro é carnívoro predador, atraído por sangue e tem dentes bastante afiados, como mini-tubarões fluviais, enquanto o segundo é um parasita, atraído por uréia e tem um anzol na cabeça.
Unra!

As piranhas matam da maneira clássica, mascando a sua carne até que nada mais sobre a não ser ossos mais ou menos limpos e um cardume de peixes temporariamente satisfeitos.

O Candiru, por sua vez, mata de uma maneira inovadora: agonia.
Não o tipo de agonia que se sente quando Emílio Santiago rima “macho dengoso” com “tá delícia, tá gostoso”, mas algo um pouco maior.

Esse peixe, que é mais grosso do que deveria, se aloja na uretra dos incautos que se aliviam nas águas daquela região.

E por que esse bicho faz essa malvadeza tão grande?
Ele não faz, isso é um acidente. Nem de uretra ele gosta.
O Candiru é um parasita eventual e se liga a peixes para se alimentar de sangue (por alguns minutos por vez apenas). Esses peixes excretam amônia pelas guelras atraindo o pseudovampiro que se liga, usando o seu ferrão/arpão, a uma artéria e tem o sangue prontamente bombeado para dentro de si usando a pressão sanguínea do parasitado. Clever, ay?

Ele faz isso ao sentir o cheiro da amônia dissolvida, assim como as piranhas farejam o sangue e meu cachorro fareja medo (amônia é convertida em uréia nas pessoas e o cheiro deve ser semelhante, mas eu não saberia).

Quando eu disse que nem de uretra ele gosta foi com base no dado da ligação com a artéria. Ele não sabe chupar como um mosquito. Se não houver uma pressão positiva empurrando-lhe sangue goela abaixo, ele não tem como se alimentar. Logo a uretra humana é o prato de sopa para a cegonha.

Não conseguindo beber, o peixe relaxa e tenta sair, mas aí o dono do canal excretor já está correndo louco pela floresta, com seu apêndice seguramente acoplado entre as mãos e chorando.

Se essa imagem não o impedir de mijar na bacia amazônica, eu não sei o que impedirá.

(Faz sentido para mim (e talvez só para mim) que o peixe ache o alvo usando o olfato como os urubus o fazem.
Explico: urubus sentem cheiro de carniça enquanto estão voando numa certa direção. Se o cheiro aumentar, continuam em frente, se diminuir, dão meia-volta. Enquanto estão indo em frente, fazem uma curva para um lado e o processo se repete; se o cheiro aumentar, continuam praquele lado, se diminuir, voltam para o outro.
Eles vão fazendo isso, corrigindo a trajetória aos poucos até que, de repente, estão voando em círculos cada vez menores, sentindo que o cheiro está ali meio para a esquerda e que todos aqueles outros urubus voando na mesma área do mesmo jeito não podem estar errados.
Mas isso demora e ele precisa ser mais rápido. “Ele” que eu digo é o Candiru.
Uma ruma de carniça não vai se mover tão rápido tão cedo, mas o alvo do peixe é móvel e está engajado numa atividade curta e intercalada com vários momentos de não-excreção.)

E quanto à rima?
Por não enxergar muito bem, o peixe entra no primeiro buraco que encontra perto da fonte de uréia.
Às vezes o Candiru entra no buraco errado.

A triste verdade sobre os cientistas loucos.

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Retirado do Cowbirds in Love.