Como imitar é uma forma de homenagear (assim como facada é uma forma de carinho) e todas as boas idéias já foram tidas (não tem uma gramática aqui perto, eu não sei se essa frase fez sentido), vou “pegar emprestada” a idéia do Atila e vou publicar enigmas moleculares para entreter os fins-de-semana dos leitores e para cobrir os buracos no meu calendário, agora que diminui a frequência de postagens.
As regras são simples: vejam a molécula e digam, nos comentários, o seu nome e de onde ela vem.
Vou começar com uma bem fácil, bastante espalhada pelo Lablogs:
E aí, conseguem identificar ou precisam acordar antes?
Resposta segunda-feira bem cedo.
Dia desses, num noticiário local da minha cidade, eu fiquei sabendo que badminton é o segundo esporte mais praticado do mundo (depois de futebol, claro).
Sabiam disso?
Sabem ao menos o que é badminton?
Uma mistura de vôlei, tênis e frescobol envolvendo uma peteca.
Para se praticar esse esporte faz-se necessário uma rede, o mínimo de delineações de uma quadra, uma peteca e pelo menos duas pessoas, cada uma munida de uma raquete.
A rede tem que ser alta, como numa quadra de vôlei, senão é apenas tênis.
Sem rede é frescobol.
Se não houver peteca, uma bola não faz um bom substituto pois é muito rápida.
Sem raquetes é um jogo de peteca.
Sem um parceiro, é pouco mais divertido que paddleball e bem menos desafiante que um bilboquê.
Posso estar sendo ingênuo e desconhecedor de dados estatísticos, mas caminhada me parece um esporte bem menos exigente em termos de equipamentos e bem mais fácil de ser praticado por qualquer pessoa a qualquer hora.
Precisa nem de bola.
Corrida exige pelo menos um tênis, eu acho.
Natação pressupõe um corpo d’água.
Ciclismo também me parece razoável para estar perto do topo da lista.
Poderia continuar, mas acho que já me fiz entender.
Qualquer esporte individual é mais praticável que um que exija cooperação ou que necessite de oponentes.
A repórter que deu a notícia deveria estar querendo “engrossar o caldo” para não apresentar uma matéria rala e apareceu com esse dado.
Que pode ser encontrado muito facilmente no verbete do wikipédia sobre o jogo, logo abaixo do aviso “carece de fontes“.
Em várias listas de esportes coletivos, nenhuma delas confiáveis, eu encontrei futebol sempre como o mais praticado, seguido ou de rugby, ou de cricket ou de vôleibol e beisebol em seguida.
Os esportes coletivos mais difundidos no mundo são esses (apesar de ninguém que eu conheço neste país saber do que se trata cricket, um espécie de beisebol bidimensional) pelo simples fato de serem praticados nos países com o maior número de pessoas.
O nosso futebol é praticado em todos os países do mundo (carece de citação), rugby tem uma liga imensa, englobando quase todos os países “ocidentais”, sendo muito popular e tão fácil de ser jogado quanto o ludopédio, cricket é jogado em muitos países e é extremamente popular na Índia (um bilhão de potenciais jogadores), enquanto vôlei e beisebol são muito comuns na China (outro bilhão e pouco).
Badminton, por outro lado, aparecia em apenas uma das listas por mim consultadas.
Mas eu vou fazer o quê? Discutir com a TV?
Desulforudis audaxviator
Encontrados a uma profundidade de quase três quilômetros numa amostra de água extraída do fundo de uma mina na África do Sul, esses microorganismos (também chamado de extremófilos, por fazer parte do grupo de seres que vivem em condições que chamaríamos de extremas, como ao redor de jatos de água superaquecida no fundo do mar ou no gelo eterno dos pólos) vivem num ambiente privado de oxigênio e que alcança temperaturas de até 60 graus centígrados.
Num exemplo de (possível) evolução, acredita-se que essas bactérias se formaram na superfície e migraram para dentro da terra, alguns milhões de anos atrás, onde nada mais há senão eles mesmos.
Eles tiram sua energia do hidrôgenio e sulfato produzido pelo caimento radioativo do urânio (que é um elemento que, através desse processo de caimento, ajuda a aquecer o planeta, evitando que nossa bola de pedra se solidifique de uma vez por todas) e constróem eles mesmos suas moléculas orgânicas, utilizando água, carbono inorgânico e nitrogênio, proveniente de amônia encontrada nas redondezas e que é um tanto quanto tóxico para nós. Mas também nós não somos extremófilos…
Aliás, oxigênio é tóxico para essas criaturas. Sinal de que não tem contato com tal gás há muitos milhares de séculos.
Nada vivo havia sido encontrado a uma profundidade grande assim e, de acordo com o sequenciador de genoma ambiental (um aparelho que conta os genes de tudo que houver numa amostra e diz a porcentagem de cada) dos pesquisadores, essa microfauna é composta exclusivamente desse tipo de organismo (99,99%, sendo o resto apenas detrito de coisas vindas mais de cima).
Agora imaginem que o planeta é apagado superficialmente, incluindo aí evaporação dos oceanos, transformando a Terra numa Vênus 2.0, mas retem (ainda leva acento?) sua integridade física.
Essas bactérias subterrâneas seriam as únicas coisas a sobreviver, porque a temperatura exterior não as atingiriam de imediato e as mudanças seriam lentas o suficiente que possibilitariam adaptação por parte dos sulferides.
Com o passar dos milênios, elas seriam o único traço de vida presente no mundo.
Mas seriam indetectáveis para um observador externo ou que mandasse sondas que não perfuram suficientemente fundo!
Vida é razoavelmente fácil de aparecer e se estabelecer, pois vai lutar até a morte para se manter viva.
Nem que tenha que descer para as profundas para respirar nitrogênio e comer urânio!
A descoberta de seres assim aumenta as esperanças/possibilidades de encontrarmos vida fora daqui.
Basta uma colônia de bactérias dormentes num pedaço de rocha atingida por um meteoro e lançada ao espaço (evento inacreditavelmente comum!) encontrar um local razoável para despertar e pronto. A semente está plantada!
Outra notícia relacionada; 10% da biomassa terrestre reside debaixo da superfície dos oceanos.
Vida alienígena, extraterrestre, não precisa ser verde, jogar baralho nem dar descarga. Sequer precisa se feita de silício ou titânio.
Precisa nem estar vivo!
Se contiver DNA e vier de outro planeta, é o suficiente.
Apóiem o SETI (eles têm um ótimo podcast).
Antigamente (até ontem, eu acho), existia um teste, feito nas futuras mães, para se saber se o feto era portador da síndrome de Down.
O teste consistia em se enfiar uma agulha na barriga grávida da mulher para colher uma quantidade de líquido amniótico (que envolve o feto dentro da placenta) e testar os genes da futura criança.
Além de altamente incômodo e ATERRORIZANTEMENTE ASSUSTADOR para a mãe, o procedimento introduzia o risco de dano ao semibebê.
Agora, cientistas da Universidade de Stanford, EUA, desenvolveram um novo método que depende da colheita apenas do sangue da prenha em questão.
Depois do sangue num vidrinho, basta contar e comparar genes, separando os da criança em desenvolvimento e verificando se eles são alterados.
Um teste do pezinho antes de um pé estar disponível!
Mas e depois?
Leiam o resto clicando aqui.
Da série “eu já sabia!”, li uma notícia (New Scientist, via BBC) que diz que o cheiro do café já é suficiente para acordar o cérebro.
Um teste foi feito em ratos deixados sem dormir por um dia inteiro. Ao fim da maratona de alerta, os animais foram expostos ao aroma de café e os cientistas registraram altos níveis de atividade em genes funcionais que indicam que o cérebro está “disposto”.
Uma resposta parecida com a registrada quando os ratos ingeriram cafeína.
“Eu já sabia!” porque sempre que passo pela seção de café do supermercado e sinto a lufada de trimeteilxantina eu preciso parar por um segundo para apreciar enquanto meu cérebro liga o turbo.
Duas observações, no entanto, são pertinentes:
1 - os testes nos roedores podem não traduzir bem para humanos, pois os genes são diferentes, e;
2 - o que eu sinto no mercado, obviamente, é prazer por estar sentindo o cheiro de algo em que sou (quasi) viciado.
Se fico mais alerta é pela antecipação de encostar os lábios uma xícara cheia do meu ópio negro.
Numa notícia relacionada (pela própria BBC), café descafeinado aumenta o risco de doenças coronárias.
Eu acho é pouco!
Beber café sem cafeína é um absurdo, uma bizarrice, um atentado à natureza!
Café sem cafeína é o mesmo que x-salada sem salada!
É como um leite sem lactose (como se o desnatado já não fosse uma afronta grande o suficiente), goiabada sem goiaba ou água seca!
Pessoas que bebem café descafeinado são as mesmas (pelo menos para mim) que fazem churrasco vegetariano (urgh!).
Não come carne? Não faça churrasco!
Não gosta de cafeína? Beba guaraná (porque ninguém merece tomar chá)…
O artigo a seguir foi originalmente publicado por mim no meu outro blogue, no dia 27 de abril de 2008.
Hoje é domingo, cachimbeiro dourado, que inicia uma reação em cadeia, envolvendo militares e insetos coleópteros, que finda na destruição do planeta pelo poder da rima.
Por isso (e por ter passado a noite tomando vinho ouvindo várias línguas serem faladas ao mesmo tempo) o tópico de hoje é mais simples e mais prático.
Não, na verdade nem é. Mas é interessante.
Grafite é feito de carbono. 100% átomos de carbono.
Existem três outras coisas que são feitas de nada além de carbono; carvão mineral (quase a mesma coisa, mas grafite não queima fácil), diamante e fulereno (o nome todo é buckminsterfulereno, uma estrutura artificial, responsável pela formação de nanotubos, um material extremamente versátil e revolucionário que será descrito aqui mais tarde).
O Brasil é o segundo maior produtor de grafita no mundo, sendo deixado para trás pela China (que produz quase dez vezes mais que nós).
Grafite, ou plumbagina, conduz eletricidade (e conduz com gosto; um risco grosso num papel é suficiente para transmitir corrente, portanto não enfiem seus lápis em tomadas) e é um superlubrificante (usando o mesmo princípio físico que possibilita a escrita). Essas duas propriedades fazem com que a grafite (é feminino mesmo, pode procurar no dicionário) não seja recomendada como lubrificante entre metais diferentes, pois a condutividade dos materiais envolvidos causa corrosão galvânica. Tipo uma pilha, mas diferente. Li agora que é especialmente corrosivo em alumínio; até uma marca de lápis numa placa de alumínio pode iniciar o processo de oxidação! Química é massa demais!
Em 1789, um mineralogista alemão chamado Abraham G. Werner (o “G” é de Gottlob, um dos nomes mais legais de falar que já passaram pela minha boca) batizou esse material de “Graphit”, corruptela de “gráphos”, palavra grega que significa “escrever”.
Finalmente me trazendo ao ponto sobre o qual queria escrever.
Lápis.
O que tem dentro de um lápis não é somente grafite, assim como o que tem fora não é um pedaço maciço de madeira.
Grafite em sua forma pura é muito frágil e quebradiço e o processo de transformar pedaços de madeira em lápis sólidos é muito dispendioso (como referência, vide Pica-Pau vs. Lenhador).
Depois de extraído das minas (essa etapa é muito importante, pois fazer e usar lápis dentro das pedras é muito difícil), a grafite é moída junto com argila. Depois que ambas viram pó, água é adicionada e a mistura é batida por um certo tempo (três dias parece ser o padrão). Depois disso a água é retirada, a massa que sobra é secada até endurecer, triturada novamente (mas desta vez já um material diferente do original) e água é reintroduzida até formar uma pasta, que é espremida através de um tubo de metal (como pasta de dentes) e pedaços cortados já no formato adequado. O chumbo-negro (como é chamado o material de dentro de um lápis) é então aquecido até mais ou menos mil graus centígrados para endurecer e ficar uniforme.
A proporção entre grafite e argila muda a “dureza” (marcada por um número + letra escritos no lado dos lápis) da ponta. Quanto mais argila, mais dura a ponta (1H, 2H, 3H, etc.), pois menos grafite está saindo no papel. Quanto menos argila, mais grafite sai, mais macio é o lápis (1B, 2B, 3B, etc.).
E como é que o lápis funciona, afinal?
As moléculas de grafite são achatadas e ficam empilhadas umas sobre as outras. Como pratos guardados.
Quando nós passamos o chumbo-negro num papel, que é mais áspero e mais duro, camadas do material são arrancadas e vão se depositando, formando as letras, desenhos e afins.
Isso só é possível graças à propriedade citada acima, a superlubrificação, que faz com que as camadas escorreguem facilmente umas nas outras. Como uma pilha de pratos lambuzados com óleo sendo passados numa mesa com cola. A cola segura o prato de baixo, que escorrega da pilha, deixando exposto o próximo, e repetindo o processo (analogia um tanto bizarra, eu sei, mas já é hora de almoço e meu olho tá doendo).
Um lápis que risque linhas paralelas horizontais a cada meio milímetro (a média de espessura do traço de um lápis 2H) numa folha de papel A4 (210 por 297 milímetros), de cima a baixo, frente e verso, terá percorrido um quarto de quilômetro!
Eu não sei quanto de um lápis isso gastaria, pois como já disse, meu olho está doendo e eu não estou com humor para experimentar.
E borracha?
A borracha é molecularmente mais pegajosa que o papel, atraindo as moléculas de grafite., mas também é frágil e vai se desmanchando a medida em que é usada.
Borracha foi inventada bem depois do lápis. Antigamente usavam pão seco para apagar os erros (alguns artistas ainda usam essa técnica, pelo que me disseram) mas depois da descoberta da Seringueira, a seiva da planta substituiu a farinha de trigo assada como método favorito de limpar páginas borradas.
Depois, Charles Goodyear (o do pneu) inventou a vulcanização (processo que esquenta a borracha acima de uma certa temperatura, deixando-a mais resistente, similar ao que ocorre com vidro blindex e aço temperado) e melhorou a resistência das borrachas, que ainda eram muito moles e quebradiças
E é por isso que eu só escrevo de caneta…


