Grandes idéias são raras? Quem cria essas idéias? Só os gênios, os jovens, os privilegiados? Têm certeza de que você sabe a resposta para essas perguntas?
Malcom Gladwell dedica artigos imensos e livros inteiros a essas questões e sobre como ganhar dinheiro com suas respostas. Grande idéia.
Em uma entrevista ao site Goodreads por ocasião do lançamento de seu novo livro, Gladwell fala de suas idéias sobre
Onde encontrar idéias:
The one thing I learned from all my years at The Washington Post is how social reporting is. It is really about talking to people, having people tell you things. That will always be the most efficient and useful way of finding out new and interesting things. You have to expose yourself to as many interesting people as you can. There’s no shortcut for that kind of process.
Se ser bem sucedido em algo depende de começar a fazer esse algo cedo na vida:
(…)you will only reach a level of mastery if you are willing to devote essentially 10 years to a particular discipline. There’s nothing special about when you devote those 10 years. Those 10 years can be between the ages of 40 and 50, or 60 and 70. It just so happens that many of us who achieve great things put in those 10 years early in life, but there’s nothing special about youth. Youth is not necessary for the process; what’s necessary is time and honest effort, which is heartening.
Escrever claramente:
There’s no idea that can’t be explained to a thoughtful 14-year-old. If the thoughtful 14-year-old doesn’t get it, it is your fault, not the 14-year-old’s. I think that’s a very important fact. LINK
Cada rosto do Obama nesta foto tem mais ou menos 500 mil nanômetros de comprimento e é feito de 150 milhões de nanotubos de carbono. O que não surpreende é o candidato escolhido pelos cientistas, Barack Obama, favorito entre os ganhadores do Prêmio Nobel e de qualquer um com um pingo de juízo. LINK (via Wired Science)
P.S.: Não resisti…
O relatório de Kirsten Bound, para o Instituto Demos, em colaboração o CGEE, vale por um breve curso de história e geografia da produção científica e tecnológica do Brasil. Além de consultar uma extensa gama de relatórios (como este aqui, sobre a pesquisa em nanotecnologia no Brasil) e pesquisas recentes comparando índices de desenvolvimento de outros países com os do Brasil inteiro ou de suas regiões tão heterogêneas em separado, Bound entrevistou cientistas, empresários e burocratas em Brasília, Curitiba, Florianópolis, Manaus, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.
Bound define o Brasil como “economia de conhecimento natural”. Com isso ela quer dizer que nossa produção científica e tecnológica está estreitamente relacionada com a exploração mais eficaz e racional dos recursos naturais do país. Isso se reflete nas áreas científicas em que o país se destaca, baseadas em recursos minerais (petróleo), biológicos (agrociências, biocombustéveis, estudos da biodiversidade) e recursos humanos (softwares, células tronco, genética humana, cirurgia cardiovascular, neurociências). Bound recomenda que o Brasil se aproxime de outros países de economia de conhecimento natural: Canadá, Austrália e Finlândia.
Fiquei impressionado com minha ignorância sobre meu próprio país! Será apenas eu, ou a maioria dos paulistanos é tão são-paulo-cêntrica que não percebe o rápido desenvolvimento científico que vem ocorrendo em outras cidades do Brasil? (Pensando bem, apesar da imensa porção de publicações científicas brasileiras por pesquisadores paulistanos, entre os artigos mais curiosos e originais que já li, boa parte era de pesquisadores de outras cidades, como Campinas, Rio, Recife …) LINK (via Pesquisa Fapesp)
Veja como o Brasil incha no mapa mundi quando o assunto é perda de recursos minerais ou volume anual de chuvas, e nosso país encolhe quando o assunto é produção científica…
“O mapa não é o território”, certo? Mas em geral, mapas representam fielmente as áreas relativas que os países ocupam na face da Terra. Características dos países como produto interno bruto e índice de analfabetismo são representadas colorindo cada país no mapa com base em um código de cores.
Agora, que tal, para variar, representar essas características deformando as áreas relativas de cada país? A idéia não é nova (lembro de mapas assim, meio toscos, no meu livro-texto de geografia no colégio), mas uma nova técnica desenvolvida em 2004 por físicos facilita horrores a confecção desses mapas. Tanto que existe um site cheio deles, chamados de cartogramas, produzidos por uma equipe de seis pessoas: dois cartógrafos, um físico, uma geógrafa, um especialista em medicina social e um psicólogo/matemático/cartógrafo. LINK (via New Scientist)
O neurocientista Jonah Lehrer vê a eleição presidencial norte-americana como uma escolha entre dois estilos cognitivos. Apesar de cientistas demonstrarem o papel crucial da emoção na tomada de decisões complexas, todos concordam que mais importante é a capacidade de refletir sobre a própria maneira de decidir. Infelizmente, pouca gente valoriza a virtude de duvidar de si mesmo. Um político reflexivo, nos EUA e no Brasil, é “um banana”… LINK (via The Frontal Cortex).
O escritor Tim Harford, do conselho editorial do jornal Financial Times, dá um puxão de orelha nos colegas economistas em um comentário sobre o fracasso de indicadores tradicionais, como a inflação, em captar as mudanças na economia:
Como qualquer estudante de graduação em economia sabe, tanto macroeconomistas quanto microeconomistas tendem a descrever mudanças da mesma maneira que uma propaganda de sabão em pó faz: “antes” e “depois”. Quando o petróleo custa $20 o barril a economia se parece assim; agora o petróleo custa $100, a economia se parece assado. Exatamente como o processo de mudança ocorreu—ou quão rapidamente—é um problema ignorado nos livros texto e na maioria dos periódicos científicos.LINK
Harford acredita que é uma questão de tempo os economistas começarem a usar e adaptar as ferramentas matemáticas que os cientistas usam para estudar sistemas dinâmicos, como a propagação de doenças e as transições entre as fases da matéria. Talvez, depois de tantos anos ignorando os sistemas dinâmicos, serão os próprios economistas aqueles a revolucionar esse campo de pesquisa….
Soube via o blog do Philip Ball, que faz observações pertinentes, como ressaltar o fato da propagação de doenças poder ser descrita como transições de fase.
Estreou dia 13 de outubro no Metropolitan Opera House da cidade de Nova York uma nova montagem da ópera Doctor Atomicus, de 2005, com libreto de Peter Sellars e música de John Adams.
Leia o que meu compositor contemporâneo favorito diz sobre a sua obra, segundo ensaio de Dennis Overbye publicado no The New York Times:
“A bomba é uma constelação de tudo o que a América acredita”, disse recentemente Mr. Adams. Por um lado há a habilidade, o idealismo e a paixão na luta para derrotar o facismo. Por outro lado, há “a onerosa responsabilidade” de ter construido uma arma capaz de destruir toda a vida e então usá-la.
“É ying e yang, escuridão e luz”, ele diz. LINK
Anthony Tommasini afirma em sua resenha para o The New York Times estar impressionado com a complexidade da música:
Seções inteiras de escrita orquestral vibram com cores granulares, sonoridades nubladas e densidade textural. Mr. Gilbert [o maestro Alan Gilbert] expõe detalhes internos e elementos estratificados da música: fraseados obsessivos, acordes em aglomerados pungentemente dissonantes, linhas instrumentais solo elegíacas que vagam de maneira extrema por cima de ornamentações orquestrais nervosas e agitadas. Embora realçando as complexidades, ele nunca atrapalha a forma orgânica da música e seu impulso a frente. A tensão aumenta à medida que Mr. Adams empilha uma barulheira de ritmos imbatíveis e métricas fraturadas, com os acordes da orquestra explodindo em cacos de escombros harmônicos: chame isso de Minimalismo Atômico. LINK
Outras músicas de John Adams que adoro: Nixon in China, Harmonielehre , The Chairman Dances, Tromba Lontana, Short Ride in a Fast Machine, Fearful Symmetries, Lollapalooza , Violin Concerto e Naive and Sentimental Music.
Adams escreveu uma autobiografia, resenhada recentemente no New York Times.
Uma aula para o escritor iniciante interessado em ciência é a entrevista que Richard Preston concedeu a Carl Zimmer. Confira na íntegra, no blog de Zimmer, The Loom.
Preston coemça dizendo que o que o interessa na ciência e o que ele precebe que também move os cientistas com quem conversou não é a mera compilação de fatos e teorias sobre o mundo. “Ciência tem haver a ver com mistério, com portas que nunca foram abertas e coisas que nunca foram antes vistas.”
Na marca dos 19 minutos de conversa, mais ou menos, Zimmer comenta que o novo livro de Preston, Panic Level 4, além de ser uma compilação de textos publicados originalmente na revista The New Yorker, pode ser lido como “o retrato de um escritor de ciência”. Zimmer então pergunta à Preston como ele se interessou por escrever sobre ciência. Preston conta que, enquanto completava seu doutorado em literatura na Universidade de Princeton, resolveu assitir ao curso de graduação “A Literatura do Fato”, ministrado por John McPhee. Preston se apaixonou pela própria noção de nonfiction writing, e percebeu o potencial de explorar por meio desse gênero literário os recantos mais obscuros e profundos da existência humana. Resolveu também dar vazão a sua antiga paixão pela ciência, escolhendo assuntos científicos.
Aos 26 minutos, Preston explica como a partir de suas entrevistas consegue construir uma narrativa no estilo dos diálogos interiores de James Joyce. Zimmer quer saber qual é o segredo para penetrar tão profundamente na mente dos entrevistados. “Carl, eu sou que nem a KGB, sem a tortura física. É uma questão de entrevistar, re-entrevistar e re-entrevistar…”
Zimmer e Preston se queixam da indisposição de muitos cientistas em falar sobre experiências pessoais, mesmo com relação ao trabalho.
Na coletânea Panic Level 4 há duas reportagens disponíveis para ler de graça no site da revista The New Yorker.
A mais recente, de 2005, “Capturing the Unicorn”,conta a história da restauração e documentação fotográfica da tapeçaria Unicórnio em Cativeiro. Para juntar corretamente o mosaico de fotos digitais de alta reolução da tapeçaria, os curadores do museu procuram os irmãos Chudnovsky, um par de gênios matemáticos que usa seu supercomputador para reconstituir a estrutura tridimensional do entrelaçamento dos fios da tapeçaria. Ao entrelaçar narrativas, descrições e explicações científicas, Preston provoca ressonâncias de emoções, sensações, idéias e símbolos por todo o texto, fazendo dele mesmo uma intrincada tapeçaria.
Os irmãos Chudnovsky foram também os protagonistas da reportagem “Mountains of Pi“, publicada em 1992. Embora não ache a forma do texto tão envolvente quanto a do Unicórnio, que escritor não venderia a alma para começar uma reportagem com a frase “Gregory Volfovich Chudnovsky recently built a supercomputer in his apartment from mail-order parts.“?
Acompanhando a história dos irmãos matemáticos que calculam dois bilhões de algarismos do número pi em um computador na sala de estar, conhecemos os personagens e o cenário da história em primeira mão. Posso ver o corredor escuro da casa de Gregory Chudnovsky, sem uma foto sequer ilustrando o artigo, e, em seguida, aprender mais sobre números transcendentais do que me ensinaram na graduação em física na USP.
A história dos irmãos Chudnovsky inspirou o excelente filme Pi, de Darren Aronofsky.
Hoje vou forçar a barra para divulgar um abaixo assinado que os fãs de Thundercats vão gostar.
É uma petição para que a Warner Bros. lançe em CD a trilha sonora original dos Thundercats, composta por Bernard Hoffer. Quem quiser participar, clique aqui.
Na mesma página da petição, dá para baixar uma versão completa do tema da Cheetara, gravada no lado B de um mini-disco de vinil lançado na França, nos anos 1980. O lado A desse disco é o tema de abertura do desenho, cantado em francês (baixe aqui).
Agora, com vocês, a forçada de barra: vamos a algumas considerações científicas sobre Thundercats.
Vocês sabiam que o compositor da trilha sonora dos Thundercats, conforme este artigo, é filho de Max Hoffer (1907-1983), químico que trabalhou durante décadas para o laboratório Hoffmann-LaRoche? Segundo obituário do NYT, o Dr. Hoffer detinha 35 patentes, entre elas a de um quimioterápico do tipo “sulfa”, a gantrisina, usado no tratamento de infecções, antes da chegada às farmácias da penicilina.
Meus colegas blogueiros mais versados em farmacêutica talvez possam comentar mais a respeito do uso indiscriminado de sulfas e dos eventos que levaram, nos anos 1930, à criação do órgão de regulamentação de remédios e alimentos dos EUA, o FDA.
Como ex-estudante de gravitação, meu dever é comentar um erro horrendo dos roteiristas dos Thundercats, cometido no episódio “Mandora e os Piratas”.
A Gabriela “Bia” Pereira, do blog Mercado&Malagueta, é astrônoma amadora, membro do Clube de Astronomia de São Paulo. Em seu perfil no Facebook, a Bia chamou atenção para a quantidade de erros absurda dessa propaganda do TSE. Vocês conseguem perceber quais são os erros?
Se o rapaz quisesse mesmo obervar o céu, teria ficado contente do lampião ter apagado! Assim, sua pupila dilataria para enxergar no escuro, ficando mais sensível à luz dos corpos celestes. E o que era aquilo que passou pelo céu? Um cometa não poder ser—passou rápido demais. Também não pode ser um meteorito—passou devagar demais. Esses são apenas alguns dos erros.
Mas em um coisa o reclame do TSE tem razão: Não dá para perder a oportunidade de fazer história nessas eleições municipais.
Reflita bem antes de votar, por exemplo, sobre as seguintes informações do Projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, que o Tom Alvarenga me repassou:
“Mais de 91% da atividade dos vereadores de São Paulo é irrelevante
para a cidade”De um total de 3.021 projetos apresentados entre 2005 e 2008 pelos vereadores
que se encontram em exercício na Câmara Municipal paulistana, 892 foram
aprovados; destes, apenas 206 se referiam a assuntos com impacto concreto
sobre a vida e a administração da cidade. Os demais ou não foram aprovados
ou, se aprovados, diziam respeito a homenagens, fixação de datas
comemorativas e outros assuntos irrelevantes.A média de produtividade relevante dos vereadores foi de apenas 8,6%. Isso
significa que a taxa média de improdutividade da Casa é de 91,4% de projetos
produzidos pelos vereadores que não tiveram impacto algum sobre a vida da
cidade.Fechando a atenção sobre as 892 proposições aprovadas, as 206 relevantes
corresponderam a 23% desse conjunto. Os demais 77% (686 projetos) tratavam
de assuntos inúteis para a coletividade.







