Dançar na tese de doutorado não quer dizer se dar mal para os inscritos no concurso de dança “científica” promovido pela AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência). O desafio é expressar teses de doutorado, tais como “entendendo a turbulência para usar fusão magneticamente confinada” e “gerando emaranhamento em um conjunto atômico frio via interação luz-átomo em um resonador óptico” em forma de dança. Dá para ver pelos vídeos da coreografias que os participantes, a maioria dos EUA e alguns da Europa e da Austrália, se empolgaram.

Claro que ninguém vai sair de uma apresentação de dança sabendo tudo sobre mecânica quântica, mas pelo menos vai sentir um pouco do entusiasmo e da diversão com que os cientistas fazem suas pesquisas.

Os ganhadores do concurso em quatro categorias (estudante de pós-graduação, pós-doutorado, professor e juri popular) submeterão um artigo científico publicado em um periódico com revisão por pares de sua autoria. Depois, terão de explicar o artigo a uma equipe de coerógrafos profissionais, que vai preparar uma apresentação de dança para o encontro anual da AAAS em Chicago, dia 13 fevereiro de 2009.

O resultado do concurso será divulgado amanhã, na revista Science. LINK (via Cocktail Party Physics).

Tethya aurantium, a "laranja-do-mar". Fonte: Wikimedia Commons

Tethya aurantium, a "laranja-do-mar". Fonte: Wikimedia Commons

A mãe natureza inventou as fibras óticas, centenas de milhões de anos antes de nós, concluiu um grupo de biólogos alemães. Eles descobriram que esponjas da espécie Tethya aurantium (“laranja-do-mar”) são capazes de absorver a luz de seu ambiente aquático e canalizá-la para dentro de seus corpos. A luz penetra no interior do animal marinho em um zigue-zague de múltiplas reflexões nas paredes internas de canudinhos de dióxido de silício (principal componente dos vidros comuns) que fazem parte de estruturas micoscópicas em forma de estrela, chamadas de espículas.

O princípio de propagação da luz pelas espículas é o mesmo pelo qual um pulso de luz é transmitido pelas fibras óticas. Uma rede de espículas forma o exoesqueleto que sustenta o corpo da esponja—organismo feito de várias células, mas sem nervos, músculos, ou qualquer outro tipo de órgão ou tecido. Apesar de primitivos, são os únicos animais conhecidos com “fibras óticas”. A luz canalizada permite que algas e cianobactérias vivendo no interior da esponja ao redor das espículas façam fotossíntese, produzindo nutrientes essenciais para o crescimento da esponja.

O que os biólogos fizeram para descobrir tudo isso? Em um local escuro, inseriram papel sensível à luz dentro das laranjas-do-mar e, depois, acenderam as luzes. Quando extrairam o papel de dentro das esponjas, viram que os pontos no papel impressionados pela luz coincidiam com as pontas das espículas. No artigo publicado no Journal of Experimental Marine Biology and Ecology, os pesquisadores ainda observam que a silica de origem biológica pode ser sintetizada em laboratório para aplicações tecnológicas. LINK

Após problemas socio-econômico-psicológicos, o Universo Físico volta a funcionar semana que vem, com novidades. Para acertar na dose, porém, preciso saber de você—você, leitor ou leitora que acessa constante ou esporadicamente este blog. Preciso até de você que caiu aqui sem querer pelo Google.

Quem é você? Qual sua profissão? Você estuda? Está no colégio, no cursinho, na faculdade, na pós-graduação?

O que você quer ler aqui ? O que você sempre quis saber sobre matemática, física, química, geologia, meteorologia, astronomia e oceanografia? Quais são seus assuntos favoritos? Quais são suas dúvidas?

Que tipo de texto você mais gostaria de ler:

  • Notícias sobre as últimas descobertas científicas publicadas pela Nature e a Science? Notícias de pesquisas de ciências físicas feitas no Brasil?
  • Quer conhecer o dia-a-dia dos cientistas brasileiros através de fotos e entrevistas exclusivas?
  • Ou que tal reportagens respondendo àquelas perguntas estranhas que às vezes pipocam na nossa cabeça, que parecem tão idiotas e ninguém que você conhece sabe a resposta direito, por exemplo, “Como se forma uma nuvem?” “Por que a gelatina treme?” “Por que a chama do fogão é azul?”

Não precisa responder tudo! Quero apenas conhecer vocês melhor para, como está escrito nos saquinhos de pão, “servir bem, para servir sempre.”


Crédito: John Hart, Sameh Tawfick, Michael De Volder e Will Walker

Crédito: John Hart, Sameh Tawfick, Michael De Volder e Will Walker

Cada rosto do Obama nesta foto tem mais ou menos 500 mil nanômetros de comprimento e é feito de 150 milhões de nanotubos de carbono. O que não surpreende é o candidato escolhido pelos cientistas, Barack Obama,  favorito entre os ganhadores do Prêmio Nobel e de qualquer um com um pingo de juízo. LINK (via Wired Science)

P.S.:  Não resisti…

Bem pessoal, desculpem os chavões, mas vou realmente fechar o blog para balanço. O motivo é que a coisa no Brasil está preta, como explico mais adiante. Volto a publicar aqui dia 5 de janeiro de 2009.

Estou desempregado, decepcionado com as opções de trabalho oferecidas pelos meios de comunicação nacionais. Salvo raras oportunidades, por mais que se esforce, o jornalista científico no Brasil está condenado a uma rotina de copiar-traduzir-cozinhar-e-colar conteúdo produzido no exterior, e a enfadar os leitores com textos perfunctórios do tipo “pesquisadores brasileiros da Grande Universidade X publicaram mais um artigo científico no prestigioso periódico internacional Y, graças ao dinheiro do Programa de Incentivo W, da Fundação Pública Z”.

Resolvi, portanto, dedicar os próximos dois meses a estudar para os processos de seleção de cursos de mestrado em science writing nos EUA e no Reino Unido. A intenção é se preparar para escrever em inglês para publicações internacionais. Caso até isso não dê certo, largo tudo para vender dvds piratas na Augusta.

O relatório de  Kirsten Bound, para o Instituto Demos, em colaboração o CGEE, vale por um breve curso de história e geografia da produção científica e tecnológica do Brasil. Além de consultar uma extensa gama de relatórios (como este aqui, sobre a pesquisa em nanotecnologia no Brasil) e pesquisas recentes comparando índices de desenvolvimento de outros países com os do Brasil inteiro ou de suas regiões tão heterogêneas em separado, Bound entrevistou cientistas, empresários e burocratas em Brasília, Curitiba, Florianópolis, Manaus, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Bound define o Brasil como “economia de conhecimento natural”. Com isso ela quer dizer que nossa produção científica  e tecnológica está estreitamente relacionada com a exploração mais eficaz e racional dos recursos naturais do país. Isso se reflete nas áreas científicas em que o país se destaca, baseadas em recursos minerais (petróleo),  biológicos (agrociências, biocombustéveis, estudos da biodiversidade) e recursos humanos (softwares, células tronco, genética humana, cirurgia cardiovascular, neurociências). Bound recomenda que o Brasil se aproxime de outros países de economia de conhecimento natural: Canadá, Austrália e Finlândia.

Fiquei impressionado com minha ignorância sobre meu próprio país! Será apenas eu, ou a maioria dos paulistanos é tão são-paulo-cêntrica que não percebe o rápido desenvolvimento científico que vem ocorrendo em outras cidades do Brasil?  (Pensando bem, apesar da imensa porção de publicações científicas brasileiras por pesquisadores paulistanos, entre os artigos mais curiosos e originais que já li, boa parte era de pesquisadores de outras cidades, como Campinas, Rio, Recife …)  LINK (via Pesquisa Fapesp)

E falando em mapas, um atlas das águas subterrâneas do mundo acabou de ser lançado pela Unesco. (via BLDGBLOG)

Veja como o Brasil incha no mapa mundi quando o assunto é perda de recursos minerais ou volume anual de chuvas, e nosso país encolhe quando o assunto é produção científica

“O mapa não é o território”, certo? Mas em geral, mapas representam fielmente as áreas relativas que os países ocupam na face da Terra. Características dos países como produto interno bruto e índice de analfabetismo são representadas colorindo cada país no mapa com base em um código de cores.

Agora, que tal, para variar, representar essas características deformando as áreas relativas de cada país?  A idéia não é nova (lembro de mapas assim, meio toscos, no meu livro-texto de geografia no colégio), mas uma nova técnica desenvolvida em 2004 por físicos facilita horrores a confecção desses mapas. Tanto que existe um site cheio deles, chamados de cartogramas, produzidos por uma equipe de seis pessoas: dois cartógrafos, um físico, uma geógrafa, um especialista em medicina social e um psicólogo/matemático/cartógrafo. LINK (via New Scientist)

Crédito: Luciano Paulino Silva

Crédito: Luciano Paulino Silva, Embrapa

O que é isso? Três rosquinhas que assaram demais? Na verdade, são três células vermelhas de sangue humano, corroídas pela substância antibiótica filometilina, extraída da pele da rã Phyllomedusa hypochondriallis. O brasileiro Luciano Paulino Silva obteve a imagem por um microscópio de força atômica, que funciona como uma espécie de toca-discos de vinil, com um braço com uma agulha na ponta. A agulha passa sobre as células e, à medida que sobe e desce pela ação das forças moleculares, desenha a imagem, que ganhou prêmio de segundo lugar ano passado em um concurso internacional de fotografia microscópica. LINK

Crédito: Daniel Shir, Hongwei Liao, Seokwoo Jeon, Dong Xiao, Harley T. Johnson, Gregory R. Bogart, Katherine H. A. Bogart e John A. Rogers

A barra branca desenhada na imagem tem cinco micrômetros de comprimento. Um micrômetro é um milésimo de milímetro. Crédito: Daniel Shir, Hongwei Liao, Seokwoo Jeon, Dong Xiao, Harley T. Johnson, Gregory R. Bogart, Katherine H. A. Bogart e John A. Rogers, Nanoletters 8(8), 2236-2244 (2008)

Os ladrilhos de Penrose são um mosaico feito de alguns poucos tipos de peças geométricas perfeitamente encaixadas, capaz de cobrir um plano infinito. Diferente de um mosaico convencional, a maneira como os ladrilhos se encaixam não se repete periódicamente ao longo do plano. Alguns mosaicos islâmicos medievais são ladrilhos de Penrose. Nunca se fez, porém, um ladrilho de Penrose tão minúsculo quanto o visto nessa imagem, uma foto por microscopia eletrônica. Feito de uma camada de polímeros sensíveis à luz sobre um molde especial, os ladrilhos foram esculpidos de uma só vez só por um feixe de radiação ultravioleta. A técnica inédita de fabricação de nanoestruturas tridimensionais foi publicada na revista “Nanoletters” (leia o artigo aqui) LINK

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