Jean-Paul Sartre já dizia que toda angústia do homem reside na dúvida. E não tem nenhuma angústia que eu tenha sentido ou visto os outros sentir, que conforme vamos chegando mais fundo não nos deparamos com ela.

Mas agora o titio Sartre tem DADOS para provar essa idéia!

Um pessoal no Canadá publicou um trabalho com indivíduos neuróticos que era o seguinte:
Um jogo (sempre esses joguinhos de psicólogos), onde um computador mostra uma imagem e a apaga rapidamente, e a pessoa tem que estimar o tempo para apertar um botão depois do tempo de 1 (um) segundo exato.
Ao apertar, o computador mostrava se a pessoa acertou, se errou, ou uma resposta incerta com uma interrogação.

Claro que estas pessoas estavam sendo monitoradas por eletroencefalograma, para ver a atividade do córtex cingulado anterior, relacionado ao monitoramento de erros e ansiedade, e regulando assim nossa resposta a mudanças no ambiente.

E o resultado foi claro, a reação desta área foi muito mais forte quando aparecia a resposta incerta. Mesmo em comparação com a resposta de que se errou. A ansiedade é maior quando não sabemos se acertamos ou erramos.

Parece que é melhor mesmo saber que a coisa está ruim do que ficar na angustiante dúvida.
Ponto para Sartre.

- Vi no ScienceDaily

“a maioria de nossos males é obra nossa e (…) os teríamos evitado quase todos conservando a maneira de viver simples, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza” (ROUSSEAU apud LEOPOLDI , 2002, p. 160 ).

Hum, então nossa natureza é boa, e ao complicar o “viver simples” nos corrompemos… Quer dizer que populações mais simples, ou naturais, teriam menos traços malignos. Pena que se sabe hoje em dia que isso não é verdade. Gente é gente em qualquer lugar do mundo. Os antropólogos que o digam.

Índios podem ser perversos sim. Compartilhamos características básicas em todos os lugares. Diferentes culturas, com diferentes abordagens sim, mas sempre a maldade, e também a benevolência, estão presentes.

E nos animais? Eles sim são bonzinhos, não são?
Sinto informar, mas não são não. Nossos primos chimpanzés são bem agressivos. Matam não só pra comer, mas também por status e poder dentro do grupo.

Mas ainda existia uma esperança: os bonobos.

Bobobos, os últimos “bons-selvagens”

Os macacos mais aparentados com os humanos. Diferente do chimpanzé, este animal parecia para nós o ideal da sociedade “natural”. Pacíficos entre si e com o ambiente, calmos, formando uma sociedade matriarcal sem grandes diferenças de poderes entre os indivíduos.

O ideal do paz-e-amor dos anos 70 (inclusive pelo comportamento sexual sem restrições dos bonobos).

Mas observações recentes revelaram que eles não são tão pacíficos assim. Também caçam em bandos. Machos e fêmeas atacam macacos de espécies menores e os comem.

A última chance da idéia de Rousseau prevalecer e nos mostrar que a natureza do homem é boa, e que é a sociedade que o torna mal, parece estar indo por água abaixo. Afinal a própria sociedade também não é mais uma característica da nossa natureza primata?

"Chimpanzé é o c#&@%,. Meu nome é Zé Bonobo, p@%$!"

"Chimpanzé é o c#&@%,. Meu nome é Zé Bonobo, p@%$!"

Finalmente está no ar o Blog Citrus, nova proposta de blog que tem por princípio “interceptar e injetar ciência onde quer que seja”: na arte, na sociedade, enfim, na cultura em geral. A propósta partiu do Victor Vasques do Comlimão, e tem como editor o blogueiro que vos escreve, Rafael Soares. Portanto os jabás recíprocos (que chamarei agora de “retrojabás”) serão frequentes.

Nessa linha artística do Citrus, está acontecendo um movimento no tema Fotografia e Imagens de Ciência: qual é arte?

Modéstia parte, vale a pena dar uma conferida.

O sul-africano Oscar Pistorius conseguiu permissão do Tribunal Arbitral do Esporte para disputar os jogos Olímpicos, não só os paraolímpicos (onde ele já havia ganhado ouro em Atenas).

Como ele não obteve o índice para estas olimpíadas, nós não o veremos correndo com suas próteses Cheetah Flex-Foot, mas ele promete treinar para Londres 2012.
Mas imagine a cena: todos os atletas dos 400m se aquecendo, alongando, dando aqueles pulinhos, ajeitando os óculos escuros, quando aparece um cara com próteses em forma de jota invertido e começa a se preparar para a largada. Imaginem o choque no mundo todo assistindo! Seria muito interessante

Mas autorizar esta participação não foi algo fácil de decidir. Igualdade na competição tudo bem, mas quem disse que a prótese não dá vantagens? Aí seria demais! Se houvesse vantagem sobre os atletas normais, o tribunal proibiria. Foi aí que entraram os cientistas.

Ciência no tribunal

Um grupo de cientistas era contra porque constataram que usando as próteses o atleta usava menos oxigênio que a média. O grupo de defesa alegou que por um percurso maior que o testado a diferença fica insignificante, e que, de qualquer jeito, em corridas de fundo (curtas distâncias) o consumo de oxigênio é irrelevante, já que pela rapidez da prova só usamos nosso metabolismo anaeróbico, que é a liberação de energia rápida. As concentrações de lactato, que é o produto desta liberação rápida de energia no músculo, eram equivalentes às dos atletas normais.
Então, como não dá vantagem, pode usar. Ok.

Bom ou ruim?

Achei um blog que fala sobre como esta decisão é boa para os deficientes, afinal prova que eles podem fazer de tudo e normalmente. Mas o fato de o maior sonho do atleta amputado ser participar das Olimpíadas “de verdade”, acaba rebaixando as Paraolimpíadas, e também pode diminuir a estima daqueles atletas que não tiveram a “sorte” de ter uma deficiência que permita uma prótese eficiente, ficando relegados às Paraolimpíadas.

Talvez na busca pela sua realização pessoal o atleta tenha passado uma rasteira nos seus colegas com necessidades especiais.

Mas o que está feito está feito. E agora, desculpem o trocadilho mas a frase é do próprio Oscar Pistorius, “Agora posso correr atrás de meu sonho”.

Ambiente social e cultural, ou genética? Qual decide nosso destino?

Casos e mais casos sugerem a influência dos dois. Como eles interagem ainda permanece um mistério. Afinal, como a dieta de uma larva de abelha pode definir se ela será uma operária ou uma rainha? Como o ambiente social pode “neutralizar” o efeito de um gene, deixando alguém mais ou menos violento?

É difícil pensar nas nossas ações, decisões e personalidades sendo moldadas por genes. Mas não é tão difícil imaginar que o exemplo dos pais pode moldar a personalidade de uma criança. Afinal, o exemplo paterno está na mesma classe de eventos que a formação da personalidade infantil: a psicológica. O gene está ligado só a doenças, ao corpo diretamente. E se tudo isto estiver interligado?

Isso leva a uma pergunta antiga: a mente está ligada ao corpo? Os bons e velhos cartesianos achavam que não. E por muito tempo esta foi a visão mais aceita pelo mundo. Hoje em dia, estudos de fisiologia, psiquiatria, psicologia, neurociências, têm mostrado a ligação direta entre o corpo e a mente.

Muitas de nossas ações são moduladas por hormônios e neurotransmissores, que são todas proteínas, e as proteínas são feitas por genes. Uma das grandes perguntas que se faz hoje em dia é esta, já feita acima, mas aqui generalizada: como o ambiente pode interagir com nossas proteínas e influenciar nosso comportamento?

Prometo trazer toda informação possível para esclarecê-lo, caro leitor. Porque eu faço isto? Não sei. Talvez minhas proteínas precisem do seu reconhecimento. E isto talvez só Freud explique!