Este é para os expressionistas (classe de pesquisadores que trabalha com expressão de RNA e afins).
P.S.: Sim, acabei de inventar este nome.

Se você fosse dono de uma empresa e pudesse saber se seu empregado possui uma tendência a uma doença grave no futuro próximo, por exemplo, uma chance 20% maior que a média de ter câncer de próstata, você o contrataria?
E se você fosse o empregado, deixaria que fizessem este tipo de exame em você?
Como eu já disse (não só eu, mas a revista Nature também), os testes genéticos vieram pra ficar. Bacana, medicina preventiva usando os genes: se eu tenho o tipo X do gene, posso ter mais chance de ter câncer. Mas infelizmente a coisa não é tão direta assim. Esta é uma visão simplista, e esta informação genética não pode ser usada ainda dessa forma, pois não temos conhecimento de como nossos genes interagem com outros genes, ou com o seu ambiente dentro ou fora das células.
Mas as empresas, principalmente as de seguro, sabem disso? Mesmo se souberem, elas vão se importar em diferenciar tarifas ou contratações? Por essas e por outras que foi votada na câmara dos senadores dos Estados Unidos o Ato de Não-discriminação por Informação Genética. Se assinada pelo presidente Bush (e é quase certo que será), fica proibida qualquer discriminação baseada na informação genética do indivíduo.
Essa segurança legal torna mais fácil conseguir pessoas que se submetam a testes genéticos com fim de pesquisa, pois atualmente poucas pessoas se sentem seguras para abrir seu código genético, mesmo para pesquisadores sérios e com contratos de sigilo firmados. Afinal, todos os dados coletados de pesquisas vão para um computador, e hoje em dia nenhum computador ligado à internet está a salvo de invasões e roubo de dados.
E estes estudos que são necessários para, justamente, aumentar nosso conhecimento na área e, quem sabe no futuro, poder chegar a testes diagnósticos realmente relevantes e seguros.
Bom saber que já se abriu este precedente para proteger as pessoas de seus próprios genes.
links:
New York Times: Genetic Nondiscrimination Bill Clears Congress
Wired: Genetic Nondiscrimination Bill Clears Congress

da revista Wired
É isso aí, nada de vitaminas ou meditação transcendental. Aqui vão dicas cientificamente comprovadas para dar uma melhorada no que temos de melhor (ou pior): nossa mente!
A revista Wired está de parabéns. Muito bacana este especial, que só foi traduzido e/ou adaptado por mim. O mérito é da revista, qualquer coisa a culpa é dela. E se ela pegar no meu pé, meus advogados estão a postos.
- jogar Brain Age: este vídeo game promete aumentar as capacidades cognitivas de seus jogadores. Pena que nunca foi provado. A melhora do desempenho no jogo não necessariamente indica melhora fora dele.
- palavras-cruzadas: dizem que aumentam a capacidade de memória e retardam o envelhecimento do cérebro, estimulando novos neurônios. Nenhum dado que confirme isto. Existem indícios de correlação, não de causa: ou seja, quem faz palavra-cruzada ou tem um trabalho que exija mais da mente, já tem uma maior capacidade cerebral, que a atrai a fazer este tipo de atividade. Qual a palavra de quatro letras que significa “crença no senso comum, sem provas”? Quem disse “mito”, acertou.
- Comer peixe: ora, nossos amigos do mar têm muito Omega 3, que é importante para o desenvolvimento cerebral de embriões, e alguns estudos ligam a dieta rica em peixe a um menor risco de degeneração mental com a idade. Mas estes estudos se baseiam na boa memória das pessoas, para lembrarem o que comeram. Coisa não muito confiável. Em camundongos, dieta com Omega 3 não teve efeito nenhum na cognição. Outra coisa, peixes de água fria, que são os mais ricos em Omega 3, também têm taxas elevadas de duas neurotoxinas.
- Mascar chicletes: Já foram mandados nas rações de soldados da Primeira Guerra Mundial. Pensava-se que o ato de mascar aumentaria o fluxo de sangue no córtex motor e também poderia enganar o cérebro ao deixá-lo pronto para receber comida. Isto aumentaria produção de insulina, elevando os níveis de glicose cerebal – melhorando o raciocínio. Pena que um estudo feito em 2004 descobriu que mascadores de chiclete são menos atentos que um grupo controle sem chiclete. É, parece que meus professores na escola estavam certos: sem chiclete na sala de aula.
- Ouvir música: A música pode expandir a sua mente, mas pode ela também expandir a capacidade cerebral? Algumas empresas até vendem CDs prometendo melhorar esta capacidade; não com músicas, mas sons com diferentes freqüências em cada ouvido. Esses tons se misturariam no cérebro e dispararia padrões neurais, alterando ondas cerebrais que alterariam o estado da mente. Idéia interessante, mas menos provável que tirar pensamentos elevados de um show do Babado Novo. Uma pesquisa recente submeteu pessoas a essas freqüências, e o padrão do eletroencefalograma não mudou nada. Pior, as pessoas ficaram depressivas e esquecidas. Ora, para ter estes efeitos é só ouvir Celine Dion.
- Suplementos: O mercado está cheio de produtos que prometem melhorar a inteligência. Melhorar o suficiente para checar as bases científicas dessas promessas? Os vendedores de pílulas esperam que não. Aqui alguns exemplos:
Complexo B – Ajuda contra Alzheimer, mas não vai ajudar a resolver seu sudoku
Ginkgo Biloba – pode ajudar na velhice, mas até lá, não será muito útil
Ginseng – pode regular a glicose, a qual se relaciona com cognição, mas ainda não há prova
Gotu Kola – Reduz ansiedade em ratos, mas em humanos a única coisa “inteligente” é o marketing em cima disto
Huperzina A – um estudo mostrou melhora na saúde de adultos, mas faltam estudos adicionais
2- Distraia-se: precisa memorizar algo importante? Olhe atrás de você!(Brincadeira.) O truque é esse mesmo, se distrair estudando coisas um pouco diferentes do que você está tentando aprender. Seu cérebro vai trabalhar mais para gravar a informação original. Exemplo: Em 2007 pesquisadores pediram para estudantes memorizarem pares de palavras (país: Rússia, fruta: limão, etc). Depois alguns tinham que assistir a uma apresentação de slides com material relacionado, mas não idêntico (fruta: maçã). Adivinhe? Os alunos que assistiram à distração foram melhor em lembrar as palavras do teste. Ei, o que é aquilo no céu, um pássaro ou um avião?
3-
Cafeína, com moderação: Café, erva mate, Red Bull, há sempre uma bebida com cafeína para cada população. E não é pra menos: cafeína revigora o corpo e afia a mente. Estudos sugerem a melhor forma de se usar esta substância. Melhor que tomar uma dose cavalar no café da manhã seria tomar espaçadamente pelo dia. Durante o dia sua cabeça se enche de adenosina, uma substância que causa fadiga mental. A cafeína bloqueia os receptores de adenosina, cortando a moleza. Para maximizar a atenção e minimizar a euforia, o melhor é manter os receptores com pequenas mas freqüentes doses, como uma caneca de chá ou meio cafezinho, ao invés de uma bomba só pela manhã. Para melhorar, adoce com açúcar ou coma junto um lanchinho com carboidrato, pois parece que glicose e cafeína juntas aumentam a cognição melhor que cada uma separadamente. Alguém aceita um biscoitinho?
4- Pense positivo: Aprender coisas novas melhora seu cérebro, especialmente quando você acredita que pode aprender coisas novas. É um circulo virtuoso: quando você acha que está ficando mais esperto você estuda mais, fazendo novas conexões neurais, as quais deixam você mais… inteligente! Segundo estudos da Universidade de Stanford, voluntários mais persistentes (que persistem na tarefa apesar de obstáculos) possuem uma maior plasticidade neural, ou seja, se adaptam melhor a situações diversas, e mostram melhor desempenho cognitivo que os voluntários de atitude mais fixa (defensivos ou que desistem mais rápido). “Muitas pessoas pensam que têm um nível de inteligência fixo e pronto,” diz Carol Dweck que conduziu o estudo. “A cura para isso é mudar de atitude.”
5-
Use a droga certa: Nem toda droga usada para melhora de desempenho frita neurônios. Aqui você vai achar uma lista com drogas, seus efeitos esperados e efeitos colaterais possíveis. Como ninguém aqui é médico, você só pode estar alucinando se estiver pensando em usar estas coisas apenas se baseando neste artigo.
6- Como treinar seu Q.I.: Procurando emprego? É bom ir se preparando para um teste de Q.I., pois muitas empresas hoje em dia pedem este tipo de exame. E, sim, você pode treinar para melhorar sua pontuação. Aqui, você acha dicas de Philip Carter, autor do livro “IQ and Psychometric Test Workbook”, com alguns exemplos de questões.
7- Conheça seu cérebro: Sócrates o relacionava a uma tábua de cera. Descartes pensou ser hidráulico. Hoje em dia é visto como um supercomputador. Boas tentativas. O cérebro é uma das estruturas mais complexas do planeta, o que o faz quase impossível de se compreender, e muito menos ser descrito com uma metáfora. Aqui e aqui vão alguns mapas para melhor compreensão deste órgão.
8- Não entre em pânico: Se estiver fugindo de um urso, é bom estar estressado – você vai correr mais rápido. Se estiver no Show do Milhão, a mesma ansiedade vai fazer você se enrolar todo. Um pouco de nervosismo pode melhorar sua performance cognitiva, mas períodos de estresse intenso podem nos transformar em neandertais. A amídala (a do cérebro, pois as da garganta só servem para infeccionar), é o nosso centro que controla o medo, e sempre supera o córtex pré-frontal, o qual é responsável pela memória de trabalho e tomada de decisão. Quando essa área profunda de nosso cérebro (amídala) é ativada, ela subjuga seus neurônios do córtex. Seu QI cai. Sua criatividade, senso de humor – tudo desaparece. Você fica estúpido. Como evitar isto? Respire fundo, e sincronize seu pulso com sua respiração. Assim seu cérebro vai pensar que está tudo mais calmo. Yoga ou uma soneca podem resolver também.
9- Adote o caos para ordenar sua memória: Uma maneira de aprender melhor é… bagunçar tudo! Esse é o conselho de Robert Bjork, professor de psicologia da universidade da Califórnia, que estudo memória e aprendizado. Voluntários em seus experimentos mostraram melhor capacidade de recordar informação quando aprendida de maneira embaralhada. Por exemplo, ele pediu que indivíduos em um grupo memorizassem sequencias de cinco letras num teclado de computador. Primeiro eles decoravam uma sequencia, só então mudavam para a segunda e em seguida para a terceira. Eles foram comparados com um segundo grupo, que decorou os conjuntos de cinco letras em ordem aleatória. Quando foram testados, o grupo da ordem aleatória teve melhor desempenho.
10-
Seja visual: quer impressionar seus colegas localizando Guiné e Guiné Equatorial? Memorizar o mapa da África é mais fácil do que você pensa. As dicas são: separe o continente por regiões; ligue cada país e seu formato a outra figura de formato parecido, de preferência que também se relacione ao nome do país; relacione as figuras dos países vizinhos, montando uma historinha, e assim por diante. Agora, achar uma história para Azerbaijão e Uzbequistão, isso fica por sua conta.
11- Exercite-se sabiamente: Exercício físico pode fazer você pensar melhor? Em alguns casos, sim. Aqui está o que realmente funciona.
- Levantar pesos: IRRELEVANTE. Quando um halterofilista diz q está ficando imenso, pode ter certeza que não está falando do hipocampo. Foi achada uma ligação mínima entre treinos de resistência e função cognitiva.
- Yoga: SIM. Quando estamos estressados muitas vezes prendemos a respiração. Resultado: mais estresse, menos oxigênio para o cérebro. Assim a primeira coisa que se perde é a memória. A Yoga ajuda a perder este hábito.
- Estudar na esteira: IRRELEVANTE. Aulas de spinning podem aumentar seu “músculo” cerebral, mas não significa que você deva estudar enquanto estiver bufando e suando na esteira. Pesquisas mostram que isso só irá confundi-lo. Você acaba não fazendo bem nem uma coisa, nem outra.
12- Vá devagar: você deve levar dois segundos e meio para ler esta frase. Mais rápido que isto e você não absorverá seu significado. A resposta motora da retina, e o tempo que a imagem da palavra leva para viajar da mácula para o tálamo e para o córtex visual, onde é processado, limita o olho a 500 palavras por minuto, no máximo. A média lê metade disto. “Não existe esse tipo de leitura dinâmica,” é o que diz Keith Rayner, psicólogo cognitivo da universidade de Massachusetts-Amherst. “Não existe se a nossa definição de leitura for compreensão do texto.” Estudos mostram que leitores rápidos perdem para leitores lentos quando questionados sobre o texto.
biologia atual (quer a gente queira ou não). Foi também esta descoberta que possibilitou o Projeto Genoma Humano (PGH), sequenciamento finalizado em 2001. Mas se já sequenciaram o genoma humano, qual a novidade em sequenciar o genoma do Watson só agora? Elementar meu caro. O PGH foi um sequenciamento de amostras de várias pessoas, que geraram um consenso, ou seja, uma sequencia que bate com a maioria. Era uma amostragem. Agora o que se busca é o sequenciamento individual, pessoal e intransferível. É possível, só que há um probleminha que impede esta etapa: o preço. O PGH durou 13 anos e custou 2.7 bilhões de dólares!
Um outro rapaz já teve seu genoma sequenciado. Craig Venter, o dono de uma empresa de biotecnologia que, em paralelo ao PGH, sequenciou o genoma humano, também teve seu DNA soletrado em A-T-C-Gs. Apesar de ter saído bem mais rápido e barato (100 milhões em 4 anos), ainda é um precinho meio proibitivo para os planos de saúde poderem colocar em seus pacotes de vantagens. Mas esse sequenciamento do Watson começa a trazer o sequenciamento pessoal mais para a realidade. Seu custo: 1,5 milhões. Tempo: 4,5 meses. Não é nenhuma bagatela, mas mostra que os avanços técnicos vêm a galope. Existe uma organização que está oferecendo um prêmio de 10milhões de dólares para a empresa privada que conseguir a seguinte façanha: sequenciar 100 genomas humanos (ou seja, 100 pessoas), em 10 dias, ao custo de 10mil dólares por genoma. Daí já daria pra brincar.
Mas veja que situação embaraçosa. Muito foi feito e gasto para se sequenciar o genoma de James Watson. Mas ao juntar e analisar esta informação, para apresentar para o próprio Watson, a conclusão não foi elementar, meu caro. Afinal, poucos são os marcadores genéticos de doenças que são confiáveis. Na verdade nenhum marcador genético pode dar certeza de doença. No máximo uma boa dica. O que é um problema para aqueles investidores em biotecnologia que não entendem nada de biologia. Afinal todo este dinheiro usado até agora foi conseguido pela promessa de resultados que seriam úteis na clínica, ou seja, nos laboratórios de diagnóstico pelo mundo. Só assim haverá um retorno financeiro que pague o gasto tido até agora. Não parece ser o caso, pelo menos não tão cedo.Vamos ver até que ponto o lobby da genômica vai levar esses engravatados no bico.
Links:
Dr Watson’s base pairs
James Watson’s genome sequenced at high speed
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Não tem um mês que eu não receba email encaminhado de amigo falando sobre câncer e algumas bravatas sobre o tema. Ultimamente sempre ligado ao hospital John Hopkins, um centro sério de pesquisa. Mas sempre falta o coração de qualquer informação científica: a fonte! Posso escrever a besteira que for e dizer que Einstein ou Chaplin foi o autor. Mas se quiser convencer que a informação é válida, custaria pôr um link para o site do John Hopkins onde se encontra a matéria original?
Já escrevi aqui sobre aspectos do tema. Este último email mistura dois spam, na verdade. Um dos spam fala várias besteiras como “açúcar alimenta as células tumorais” (não diga! Se pararmos de comer o tumor morre! E nós tmb… é a mesma coisa da grávida de dois meses dizer que tem que comer por dois. Por dois?! Com dois meses o embrião é do tamanho de uma moeda de um real! Sempre vai haver glicose sobrando para o tumor, se estivermos bem alimentados, vindo ele do açúcar ou do pão); também acaba com a quimioterapia e a radioterapia (claro, algo tão agressivo é fácil de atacar. Mas os médicos submetem os pacientes a isso por sadismo? Gostam de ver as pessoas sofrendo? Essas terapias são agressivas sim, mas se mostram eficientes o suficiente para continuarem sendo usadas.)
O outro spam é o famoso das dioxinas do microondas, também comentado anteriormente aqui.
Mas novas pérolas sempre aparecem para nos surpreender. É incrível como “o câncer é uma doença da mente, do corpo e do espírito. Um espírito preventivo e positivo ajudará ao guerreiro do câncer a ser um sobrevivente. A ira, o não perdoar e a amargura colocam o corpo num ambiente de tensão e acidez. Aprenda a ter um espírito amoroso e de perdão. Aprenda a relaxar e desfrutar da vida.”
Então devemos perdoar, ser positivos, amorosos e calmos, não para sermos felizes ou realizados, mas para evitar o câncer!
Termino com as palavras da última pérola do spam (grifo meu): “Este é um artigo que deve ser mandado para todas as pessoas importantes ou não de sua vida. Fazer o bem, isso é importante… abraço!”
P.S.: claro que o email não tem um autor que o assina.
No site da National Geografic eu achei algo bem bacana. É um cérebro com o qual se pode brincar. Estimule o cérebro e veja as áreas que se ativam em resposta ao estímulo. Há também um mapa, bem simples mas interessante, mostrando as funções de cada área do tal orgão que habita nossa cabeça.
É sempre bom saber como essas questões são tratadas pelo mundo. Aqui um apanhado da situação das células embrionárias na Alemanha, pela agência de notícia Deutsche Welle
Bundestag (Câmara dos Deputados) autoriza cientistas alemães a trabalhar com linhas de células-tronco embrionárias mais novas e de melhor qualidade. Igreja Católica critica a decisão.
Alguns cientistas e políticos alemães consideram ultrapassada a lei que restringe o uso de células-tronco embrionárias na pesquisa científica, mas opositores de uma reforma da lei temem abuso de embriões humanos. (13.02.2008)
Em um gesto favorável aos pesquisadores alemães, o Conselho Nacional de Ética recomendou a flexibilização das restrições legais para que cientistas do país possam realizar pesquisas com células-tronco. (17.07.2007)
O que é feito da dignidade humana, na era da engenharia genética? É possível saber “demais”? A DW-WORLD conversou com Wolfgang van den Daele, do Conselho de Ética da Alemanha. (09.12.2005)
do original “FDA to vet embryonic stem cells’ safety”, Nature
Testes pré-clínicos são as pesquisas que testam tratamentos em animais, e neste estágio as células-tronco embrionárias já mostram resultados muito promissores. Teste clínico é o que testa humanos, e neste estágio as pesquisas estão paradas no mundo todo por não ter havido ainda uma regulamentação satisfatória no quesito segurança do paciente. O FDA, órgão americano que controla o teste de tratamentos, é a referência para todo o mundo nestas questões, e ele está muito atento aos apelos das terapias com células-tronco.
Um encontro reuniu empresas, investidores e pesquisadores da área para discutir as preocupações do FDA quanto às células tronco. As maiores questões são quanto ao aparecimento de tumores e como detectar possíveis efeitos decorrentes da aplicação das células. Deste encontro não sairão aprovações para testes clínicos, ele apenas deixará mais clara as expectativas do FDA, importante para os investidores em biotecnologia saberem se será viável investir neste tipo de pesquisa.
do original “Ready or not”, Nature
Os clientes potenciais destes testes devem ter conhecimento elevado sobre a biologia envolvida neste processo para poder tirar proveito desta informação, e as empresas devem se comprometer a manter estes clientes informados dos avanços nos estudos genéticos relacionados aos testes. Claro que deverá haver uma regulação, e talvez mínima já seja o sufuciente, como a que é feita hoje em dia em outros testes e exames, como os de ressonância magnética.
Mas este sistema só funcionará se também os pesquisadores desta área estiverem dispostos a tomar parte da responsabilidade desta revolução, agindo quando necessário para evitar abusos e enganos.
Dois exemplos: Thomas Beatie, a mulher que trocou de sexo e agora está grávida, gerou reações muito viscerais nas pessoas. Elogios da apresentadora Oprah e de grupos de minorias sexuais, e revolta, até mesmo nojo, de muitas outras. Sendo que estas últimas alegam que isto não é natural. O que não é natural? Desejar ter um filho? Isto é um desejo humano, natural em homens, mulheres e transexuais. Uma mulher querer ser homem? Comportamento sexual invertido não é raro de achar em humanos ou em não-humanos. Apesar da biotecnologia ser capaz de mudar cada vez mais nossa constituição biológica, ela ainda não criou nada “anormal” por definição.

Outro caso é o do doping mental (já discutido neste blog). Estas drogas têm efeitos colaterais, mas nada muito diferente dos efeitos da cafeína. Mas a “anormalidade” dessas substâncias deixa até mesmo os tomadores de café desconfiados. Dizem que os resultados obtidos com as drogas seriam menos válidas por não serem naturais. Mas afinal, o que é natural? Óculos, aparelhos de audição e próteses também não são naturais. E quanto a provas e exames, seriam os cursinhos preparatórios não-naturais? Deveríamos tirar pontos de quem fez cursinho?
O nosso conceito de natural depende de a que estamos acostumados, e vai evoluir com a tecnologia. Durante o descompasso, já que a tecnologia anda muito mais rápido, não podemos nos distrair das verdadeiras questões éticas, que no caso de Beatie seriam a saúde, a segurança e o emocional da criança. Tentar decidir estes assuntos éticos baseando-se em conceitos fluidos seria estupidez, naturalmente.



