Isto é incrível! Veja o que esse cara com pinta de nerd faz com DNA.

Esculturas em DNA

Uma árvore filogenética interativa bem legal. Tente achar o Homo sapiens e veja se estamos bem representados.

Link:
http://itol.embl.de/itol.cgi

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP

(…)Esses são alguns dos alertas do relatório Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer: uma perspectiva global, lançado há duas semanas pelo Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer e apresentado no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, que terminou nesta quarta-feira (28/11), no Rio de Janeiro.

As recomendações do Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer para prevenção da doença são:

  1. Mantenha-se o mais magro possível, sem ficar abaixo do peso.
  2. Mantenha-se fisicamente ativo, por pelo menos 30 minutos todos os dias.
  3. Evite bebidas açucaradas e limite o consumo de alimentos de alto valor calórico.
  4. Coma mais alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais.
  5. Limite o consumo de carnes vermelhas e evite carnes processadas.
  6. Se for consumir bebidas alcoólicas, limite-as a duas doses ao dia se for homem e a uma dose se for mulher.
  7. Limite o consumo de alimentos salgados e de comidas industrializadas com sal.
  8. Não use suplementos alimentares para se proteger contra o câncer.
  9. Lembre sempre: não fume.
  10. Amamente as crianças até os seis meses. (…)”

Parece que nada de novo aparece nesta lista. Nada que já não tenha sido amplamente divulgado na mídia e nos consultórios médicos. Mas porque tudo que é bom engorda? A pergunta certa na verdade é: porque gostamos tanto de coisas que engordam se elas nos fazem mal?

O funcionamento de nosso corpo muitas vezes nos parece perfeito, harmônico, regulado e sincronizado. E realmente ele é. O problema é que ele está sincronizado com outro fuso-horário alguns milhares de anos atrasado.

Nosso corpo, sua fisiologia, genética e comportamento foram moldados por milhares de anos por um ambiente hostil, onde a comida era difícil (1- Mantenha-se o mais magro possível, sem ficar abaixo do peso), se comia o que se achava por perto (4- Coma mais alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais), ou se andava por milhas para achar o que comer, pois não existia agricultura ou pecuária (2,3,5,7), muito menos bebidas alcoólicas, cigarro ou mamadeiras (6,9,10). Nosso corpo é sim perfeitamente adaptado, mas adaptado para a vida de “homem das cavernas”.

Engraçado pensar também que os homens das cavernas também estavam perfeitamente adaptados, mas apenas para o ambiente de seus antecessores. Este anacronismo é característico do processo evolutivo não só do homem, mas de todas as espécies. Não podemos nos adaptar ao que ainda nem aconteceu. Vivemos a vida inteira com o que ganhamos do ontem e tentando nos adaptar ao hoje. Mas quem sabe o que o amanhã nos reserva?


Parece que resolveu-se este problema da experimentação animal no Rio de Janeiro de uma forma simples: constatando que não havia problema! Alguém talvez desavisado da importância do assunto esqueceu de grampear na papelada os anexos que diziam que a proibição vale EXCETO para fins científicos!

Então melhor esquecer o fato, águas passadas.

Mas se tudo não passou de um mal-entendido, como interpretar as ações do vereador Cavalcanti, preponente do projeto de lei, que já uma outra vez tentou proibir o uso de animais em pesquisa? E as alegações de sua mulher, chefe de seu gabinete e ex-secretária de Proteção e Defesa dos Animais Maria Lúcia Frota: “A nossa plataforma política é a defesa dos direitos dos animais, que devem ser tratados como sujeitos de direito e não apenas como coisas. A intenção da lei foi abranger qualquer tipo de maus-tratos contra esses seres. Pesquisas com animais estão obsoletas e podem ser substituídas por outros recursos”?

Claro que por trabalhar com ciência achei um absurdo a proibição no Rio de Janeiro do uso de animais em experimentos. A alegação de que há outros meios de se pesquisar sem o uso de animais não tem fundamento. Modelos de computador estão muito, mas muito longe de serem úteis em testes de drogas. Além disto, acho que seria uma inversão ética muito grande querer testar drogas ou procedimentos diretamente em humanos. E olha que esta que não parece tão absurda para alguns defensores dos direitos animais.

Agora uma outra inquietação me incomoda, não como cientista, mas como cidadão. Qual a diferença entre o sacrifício dos animais de experimentação e os animais de criação pecuária?

Nas suas condições de criaturas não se pode diferenciar um do outro, e há quem diga até que nem nós humanos podemos nos diferenciar muito desta condição, mas para algum damos a liberdade, e para outros a pena de morte. Os preponentes da lei parecem estar certos do sofrimento dos camundongos de laboratório, mas será que eles sabem do que se passa também no âmago de um boi no matadouro?

Longe de mim, carnívoro que sou, querer o fim também da pecuária. Só não pode haver hipocrisia. O dever do Estado de dar de comer é tão importante quanto o de tratar de doenças, assim devemos exigir o bom-senso em ambos, mas sem proibições inconseqüentes.