aaaAAAAAHHHH... TCHIM!!!!!
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Lá vai uma informação pseudo-inútil: foi dito durante uma palestra, na qual estava presente, que um espirro de rato pode atingir 1,20 metros!
Legal né, mas e daí?

Eu chamei de pseudo-inútil porque não tem utilidade pra gente, mas pra quem trabalha com animais de experimentação é importante. Principalmente em biotérios, que é onde se cria e se mantém os animais utilizados em pesquisa.

Um animal doente pode infectar outros, e saber o raio de ação de um agente infeccioso transmitido pelo ar é importantíssimo no controle da saúde de toda a bicharada.

Já pra quem não trabalha diretamente com isto, esta informação pode ser interessante em algum jogo de mesa de bar com perguntas e respostas esdrúxulas: Quão longe vai um espirro de rato? 1,20 metros é a resposta.

Neste site há 32 das mais belas fotos de vários anos. Fantástico.

A Antartida é o continente científico por exelência. Afinal, só podem ir para lá pesquisadores. Poucos jornalistas também foram, mas a atividade principal realizada no frio continente é a pesquisa científica. Estuda-se a biologia dos animais vivos e mortos, pois há  fosseis também. Mas o maior destaque hoje em dia tem relação com o aquecimento global, pois este continente intocado diretamente pelo homem tem sido o termômetro do planeta.

Mas só a beleza inóspita já instiga sonhos de poder explorá-lo. Alguém topa escrever um projeto de pesquisa só pra poder por o pé lá?

Hoje é dia de campanha nacional de combate ao câncer de pele. Mas não se acha em nenhum lugar como que a luz pode causar um crescimento descontrolado das células, afinal o câncer é isso aí. Não se acha em linguagem acessível, eu quero dizer.
A pessoa que não é da área da saúde, sabe como a luz do Sol pode afetar o destino de nossas células?

A radiação UV é uma das várias ondas presentes na luz branca, e tem uma quantidade de energia grande. Essa energia toda pode ser transferida para outras moléculas sensíveis a luz. Isso pode gerar radicais livres, que são moléculas de oxigênio que uma molécula libera quando recebe energia extra, por exemplo, da luz UV. Esse oxigênio é muito instável, e ao tentar se estabilizar, ele rouba energia de outras moléculas e as desestabilizam. E se estas moléculas atacadas estiverem formando uma membrana ou uma fita de DNA os danos acontecem.

O DNA pode ser atacado diretamente.

A luz UV pode jogar sua energia diretamente nas bases de DNA. Com essa energia extra, duas bases timidinas podem se unir e assim as proteínas que lêem o DNA param ali, atrapalhando a fabricação normal do produto daquele DNA.

Com tantas células e tanta luz (pois mesmo essa luz de lâmpadas frias irradia UV), é impressionante que não tenhamos um câncer por dia. Mas as células têm mecanismos de reparo. Proteínas que percorrem o DNA, e ao encontrar estes dímeros de timidina o retiram e recolocam duas timidinas normais.

Sol e o pé-de-galinha

Claro que, em sistemas biológicos, nada é perfeito. Uma hora esse sistema falha e a mutação fica.
Quando uma célula acumula algumas mutações importantes, ela passa a se comportar de um jeito diferente do normal. A própria célula, as suas vizinhas, ou o sistema imune, podem detectar esta mudança e fazer com que ela pare de se dividir e gerar outras células. Assim, estas mutações não seguem em frente nas células-filha. Mas um tecido com muitas células paradas não se renova. Se um pedaço da pele se dobra muito, ele precisa ser elástico, suas células tem que produzir colágeno, elastina, e trocar as células frequentemente para manter a estrutura daquela região. Mas se as células estiverem paradas, por causa dos freios impostos pelas mutações, aquele tecido não se renova. Envelheceu. Este é o princípio do pé-de-galinha ou qualquer marca de expressão, as famosas rugas.

Mas e o câncer?

E se essa mutação for bem num gene que produz uma proteína que controla as divisões da célula, que controla seu ciclo celular ou o próprio sistema de reparo do DNA? Aí temos um passo para a formação do câncer.
Digo um passo porque são necessárias mais de cinco mutações para se ter um câncer. Mas não se engane, temos várias células que já podem ter acumulado um bom tanto de mutações e estão só esperando pelo próximo banho de Sol.

A sonda Phoenix da NASA foi uma das sondas mais bem sucedidas em solo marciano. Descobriu água por lá, finalmente! E ainda envia dados meteorológicos. Hoje a máxima é de -46 e a mínima é -86 graus célsius, e tempestade de areia por todo o período.

Pois é, mas tudo tem um fim, e as baterias do robozinho estão se exaurindo.Pena não ser ela a própria fênix mítica, para renascer das cinzas marcianas.

Mas para que sua morte seja homenageada, a revista WIRED lançou um concurso: Escreva um epitáfio para a Phoenix e ganhe Prêmios!

É só entrar no site e escrever o epitáfio no melhor estilo Twitter (ou seja, até 140 caracteres).

Boa sorte, e vá com deus.

Pesquisador e pesquisado em Bremen
Pesquisador e pesquisado em Bremen

Olha a briga. A pesquisa com animais na Alemanha é permitida, mas a cidade de Bremen decidiu que os pesquisadores locais não façam mais seus experimentos em primatas. O pesquisador local, o neurocientista Andreas Kreiter, usa 24 macacos para estudar processos cognitivos. Ele grava a atividade de meuronios no cérebro dos macacos enquanto eestes realizam comportamentos específicos. Isso não pode ser feito em outros animais como camundongos, e é necessário que se utilize eletrodos dentro do crânio dos animais.

Que sempre tem gente querendo proibir esse tipo de pesquisa não é novidade. O que se estranha é que de uma hora para outra se mudem os valores morais e legais. Afinal uma comissão julgadora formada por cientistas e representantes de organizações de bem-estar animal analisou a pesquisa, e deram parecer favorável, dizendo que a pesquisa é cientificamente importante e que estava de acordo com as leis de proteção animal.
E agora o governo da cidade quer proibir a pesquisa dizendo que ela não vai ter resultados relevantes ou em tempo curto e que maltrata os animais. Simplesmente o oposto que disse a comissão ética.

O que mudou? A pesquisa, a ética, ou a prefeitura de Bremen que agora é comandada por uma coalizão social democrata + “Partido Verde” alemão?

Vi na Nature

Probleminha de lógica:

Para encher uma banheira é preciso tampar o ralo e abrir a torneira. Deve entrar mais água do que sair, certo? Se só diminuirmos o fluxo da torneira, a banheira pára de encher? Claro que não. A não ser que se abra o ralo. Mesmo assim, para a banheira não encher mais, a água que sai pelo ralo deve sair na mesma quantidade ou mais do que a que sai da torneira.

Tudo muito lógico até agora? Ok, próximo probleminha:

Imagine que a concentração de CO2 na atmosfera se comporta desta maneira mostrada no gráfico 1: CO2 sobe até o ano 2000 e vai estabiliza até 2100.

Gráfico 1

Agora, no gráfico 2 você tem a emissão de CO2 pelo homem até o ano 2000. “Net removal” é a remoção natural de CO2, ou seja, a quantidade que o ambiente consegue retirar da atmosfera pelos oceanos, plantas e microorganismos. Veja que o ponto de remoção em 2000 é bem menor que o nível de emissão no mesmo ano.

Gráfico 2
Gráfico 2

Para que ocorra a estabilização da quantidade de CO2 até 2100, como mostrado no gráfico 1, complete como deveria ser a linha da emissão humana do gráfico 2 até 2100.

Agora eu compliquei um pouco? Na verdade o problema é o mesmo. Mas a maioria esmagadora que responde esta pergunta erra feio. Num estudo realizado com alunos do MIT, 85% respondem como mostrado em vermelho nesta figura abaixo.

Ora, se as emissões, mesmo diminuindo, continuarem maiores do que o ponto de remoção, que é o ralo do CO2, a banheira atmosférica continua enchendo, e nunca estabilizará.
A resposta certa é a mostrada em laranja. Temos é que reduzir. E MUITO! E JÁ!

Gráfico 3
Gráfico 3

Mas infelizmente o que se vê hoje em dia é uma política de “vamos ver no que dá”. E esta pesquisa nos mostra que esta postura não se deve só à característica humana de só agir quando a água bate no traseiro, ou à falta de informação. Deve-se também a uma falha no pensamento lógico. Como corrigir isto?

Os indivíduos do MIT entrevistados têm formação científica muito maior do que a maioria dos políticos. Principalmente dos brasileiros. O que podemos esperar então das ações destas pessoas que decidem os rumos de nossa sociedade?

Alguém deve assumir esta responsabilidade de corrigir a forma de pensar do mundo. É isso mesmo, do mundo. O trabalho não é pouco. Não existe essa de “fazendo um trabalho de formiguinha a gente chega lá”. A escola talvez não tenha tempo para se adaptar. Acho que é tempo de nós, divulgadores de ciência, cientistas e quem mais se dispor, nos utilizarmos da mídia para mudarmos a atitude das pessoas em tempo hábil.

Vi na Science

Em biologia, e também na sua área médica, nada parece ser absoluto. Tudo depende do contexto.

Vitamina C pode prevenir câncer, mesmo os recorrentes de um câncer já tratado. Mas usado com drogas para tratamento de tumores já estabelecidos parece ter um efeito contrário. Ela protege o tumor das drogas usadas na quimioterapia, como imatinib, doxorubicina, cisplatina, entre outras das mais usadas no tratamento.

Ao menos em células cultivadas e em camundongos é o que acontece. A vitamina C protege as mitocôndrias das células de danos causados pelas drogas. Com a mitocôndria intacta, a célula não se mata como deveria.

Na pesquisa, foram usadas doses altas de vitamina C, mas nada que não possa ser comprado em uma farmácia ou nessas lojas de academias. Ou seja, nada que um hipocondríaco não possa já estar tomando.

Mais uma vez termino uma postagem dizendo: prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém (se bem que muita canja de galinha pode fazer mal sim). Antes de se entupir de vitamina C ou, no caso oposto, evitar até de passar perto de um limoeiro, é melhor esperar mais dados das pesquisas.

E enquanto esperamos, peça ao garçom um suquinho de laranja com acerola, por favor.

Vi no Nature news

A National Geografic não é mais a mesma…

Já falei sobre Spore, Spore + ciência e sobre Spore + SETI. Agora Spore + National Geografic.
Ligação mafiosa esta última. A National Geografic, famosa por seus documentários científicos, fez um programa sobre o tal jogo. Motivos óbvios, afinal o jogo clama ter toques científicos. Chama-se How to build a better being.

Fazer um documentário de total apologia ao jogo, dizendo ele ser cientificamente correto, já é um crime. Convidar cientistas para falar sobre evolução e não contar que isto vai aparecer num documentário/propaganda do Spore já é sacanagem!

Claro que depois de se verem nesse documentário os cientistas se revoltaram.

“Achei que era para um documentário sobre biologia evolucionista. Eles mencionaram o jogo só no meio da entrevista”, disse o paleontólogo Neil Shubin, que na edição do programa parece estar jogando Spore. “Eu não apoio nenhum videogame, muito menos um que diz falar sore evolução”, completa. O geneticista Cliff Tabin diz que nunca tinha ouvido falar do jogo até se ver no comercial do documentário. Imaginem a sensação.

Realmente no email enviado a ambos pela produção do programa não há menção ao jogo.

Não preciso nem dizer que a Eletronic Art, produtora do jogo, e a Nat-Geo têm um bom acordo. Afinal uma das edições do jogo vem com um DVD do filme.

Vi na Science

E mais: veja Robin Williams criando sua criatura! Hilário…

“a maioria de nossos males é obra nossa e (…) os teríamos evitado quase todos conservando a maneira de viver simples, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza” (ROUSSEAU apud LEOPOLDI , 2002, p. 160 ).

Hum, então nossa natureza é boa, e ao complicar o “viver simples” nos corrompemos… Quer dizer que populações mais simples, ou naturais, teriam menos traços malignos. Pena que se sabe hoje em dia que isso não é verdade. Gente é gente em qualquer lugar do mundo. Os antropólogos que o digam.

Índios podem ser perversos sim. Compartilhamos características básicas em todos os lugares. Diferentes culturas, com diferentes abordagens sim, mas sempre a maldade, e também a benevolência, estão presentes.

E nos animais? Eles sim são bonzinhos, não são?
Sinto informar, mas não são não. Nossos primos chimpanzés são bem agressivos. Matam não só pra comer, mas também por status e poder dentro do grupo.

Mas ainda existia uma esperança: os bonobos.

Bobobos, os últimos “bons-selvagens”

Os macacos mais aparentados com os humanos. Diferente do chimpanzé, este animal parecia para nós o ideal da sociedade “natural”. Pacíficos entre si e com o ambiente, calmos, formando uma sociedade matriarcal sem grandes diferenças de poderes entre os indivíduos.

O ideal do paz-e-amor dos anos 70 (inclusive pelo comportamento sexual sem restrições dos bonobos).

Mas observações recentes revelaram que eles não são tão pacíficos assim. Também caçam em bandos. Machos e fêmeas atacam macacos de espécies menores e os comem.

A última chance da idéia de Rousseau prevalecer e nos mostrar que a natureza do homem é boa, e que é a sociedade que o torna mal, parece estar indo por água abaixo. Afinal a própria sociedade também não é mais uma característica da nossa natureza primata?

"Chimpanzé é o c#&@%,. Meu nome é Zé Bonobo, p@%$!"

"Chimpanzé é o c#&@%,. Meu nome é Zé Bonobo, p@%$!"

Prof. Misha doa células para PGP

Prof. Misha doa células para PGP

Ao invés de querer seqüenciar todo o genoma de uma pessoa, que tal simplificar e seqüenciar só os trechos que vão virar realmente proteína? Essa parte representa só 1% do genoma, o que reduz o esforço em muito. Adicione a isto as informações médicas detalhadas sobre a tal pessoa. Faça isso com 100.000 pessoas e disponibilize para todos o mundo as informações. Este é o Projeto Genoma Pessoal (PGP), realizado pela Havard, que tem por objetivo ceder informações sobre a tecnologia de genoma pessoal de forma correta, responsável e efetiva.

Para começar foram recrutados 10 voluntários muito bem informados sobre a tecnologia, como o próprio idealizador do projeto, George Church (aqui num artigo da Wired, o diretor da 23andMe Esther Dyson, o lingüista Steven Pinker e o professor e blogueiro Misha Angrist.

Você também pode se voluntariar no site do projeto. Mas cuidado, afinal seu relato médico vai ficar online para o mundo todo, desde problemas cardíacos até frieiras no pé ou impotência. Afinal é um banco de dados onde vai ficar tudo armazenado e aberto para qualquer um fazer pesquisa. Inclusive alguém pode querer saber se pessoas com impotência têm mais da proteína X ou Y, coisas desse tipo.

O projeto tem como objetivo também seqüenciar o genoma inteiro destas pessoas. O que não vai demorar muito, já que o preço e a velocidade dos seqüenciamentos estão diminuindo vertiginosamente.

Como as pessoas, e o resto do mundo, reagirão tendo suas informações genômicas em mãos? É isto que todos queremos saber. E o PGP vai nos responder.

Vi no Genetic Future

Artigos do MIT Technology Review e do The New York Times

Artigos RNAm sobre o assunto

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