Chego ao fim de um ano movimentadíssimo e cheio de realizações. Comecei a parceria com o Carlos, colocamos o Lablogatórios no ar, conheci muitos blogueiros, cientifícos e não científicos, ganhei novos visitantes (e devo muitos ao Uêba), entre outras coisas, mas tenho certeza que 2009 deve superar este ano.
Para terminar bem este ano, uma coletânea do que publiquei de mais interessante (na minha opinião, claro) durante o ano. Pretendo escrever um outro post, sobre o que saiu de mais interessante sobre ciência em outros blogs, por favor me enviem sugestões, de textos próprios ou de outros blogs.
Para quem descobriu o blog recentemente, ficam aqui algumas dicas de posts.
Escrevi bastante sobre parasitas (atentem para as chamadas sensacionalistas):
Moscas devoradoras de cérebros e decaptadoras de formigas
Indutores de suicídio por afogamento
Parasitas que castram e transformam machos em fêmeas
Vespas neurocirurgiãs formadoras de zumbis
Vespas que induzem a vítima a protegê-las depois de devorar suas entranhas
Larvas que sugam aranhas até o fim, depois de obrigá-las a tecer uma última teia
Ele come a língua do peixe, e assume o lugar dela!
Um cogumelo que causa bem mais do que alucinações
Lagartas que se infiltram nos lares e se alimentam das crianças 1
Lagartas que se infiltram nos lares e se alimentam das crianças 2
Ele invade sua casa, troca seu bebê e ainda fala duas línguas! 1
Ele invade sua casa, troca seu bebê e ainda fala duas línguas! 2
Ele invade sua casa, troca seu bebê e ainda fala duas línguas! 3
Um destaque para o HIV, tanto a descoberta do vírus quanto sua origem.
Sobre outros assuntos:
Como gatos sobrevivem a grandes quedas
Um evento de bioluminescência que podia ser visto do espaço
Déficit de atenção pode ter sido benéfico
Um fungo capaz de lançar seus esporos em alta velocidade
Sexo pode prolongar em muito a vida (pelo menos para formigas)
Refutado um dos maiores exemplos de fidelidade
Refutado um dos argumentos criacionistas
As abelhas também têm dois tipos de memória
Posts fotográficos:
Aranhas que mimetizam formigas
Fotos fantásticas da Antártida
Variedades:
Os cientistas de papel, que deram um bom trabalho - e logo devo fazer mais alguns
Um joguinho bem biológico e bem legal
Muitas tirinhas que passam por ciência, principalmente do Calvin.
A biologia continua incansável fornecendo exemplos de parasitas bizarros. Pauta do dia: moscas decaptadoras - o horror!!

Saindo da cabeça da formiga. A foto veio daqui.
A mosca forídea (Pseudacteon curvatus) tem um ciclo comum, do ovo emerge uma larva que cresce, forma uma pupa e sofre metamorfose, dando origem ao adulto. A questão é onde este ciclo se passa.
Os ovos são colocados no tórax de formigas, e a larva entra na cabeça dela. Dentro da cabeça da formiga, a larva se alimenta de tudo que encontra lá. Para empupar, após umas duas semanas a larva solta uma enzima que digere a ligação da cabeça com o tórax, uma decaptação de leve. Mais duas semanas e o adulto emerge da carcaça da formiga.
Embora seja bem pequena - imagine uma mosca menor que a cabeça da formiga - a P. curvatus ataca especificamente a formiga-lava-pés, que é uma praga invasora nos Estados Unidos e causa grandes estragos. Por ser bem eficiente em matar a formiga, ela está sendo usada como controle biológico, como pode ser visto no vídeo abaixo:
Vi o vídeo no Desertores da Escada.

Ache o Sacculina na foto. © Lycaon, link no fim do texto.
Para quem se interessou por parasitas capazes de controlar o hospedeiro, segue-se um dos casos mais graves. Repare bem na foto acima, o parasita da vez é o Sacculina carcini. O Saculina é um crustáceo, parente das cracas. Cracas são aqueles animais que se aderem em rochas ou outras superfícies (inclusive barcos) e vivem filtrando a água.
O Sacculina aprendeu a se aderir a outra superfície. Durante muito tempo a fase adulta dele era desconhecida, ninguém sabia no que a sua larva era capaz de se metamorfosear (logo o motivo disso vai ficar claro). Suas larvas são nadadoras, e as larvas fêmeas conseguem entrar pelas brânquias de carangueijos - valeu Igor!! - e se fixar dentro do corpo deles. Ao se fixar, a larva atravessa a pele do caranguejo e entra no corpo dele - a superfície do caranguejo é mais fina dentro das brânquias para facilitar a passagem do oxigênio da água para o sangue. O passo-a-passo está na figura abaixo, vg do passo F significa estrutura vegetativa, é nela que estamos interessados.
Continue lendo…
Essa semana o blog está bem movimentado, meus agradecimentos ao são Knuttz, que foi generoso e ao Opteron, que deu uma boa divulgada nos fóruns. Vou aproveitar então que não tenho um enigma para essa sexta-feira e fazer um post tira-dúvidas. Fazendo uso de uma idéia fantástica do Jonny Ken vou pegar termos de busca de quem entra no blog pelo Google e provavelmente não encontrou o que buscou. Também vou aproveitar para responder algumas coisas que do pessoal dos fóruns e não posso responder diretamente por não estar registrado.
Entraram aqui buscando:
1 - aquecimento global para criancas - Só tenho esse post sobre o assunto, mas mesmo assim todos os dias entram aqui buscando isso. Recomendo muito uma visita ao Rastro de Carbono e ao Ecodesenvolvimento, eles com certeza devem ter algo bem mais relevante.
2 - jogos didáticos de ciências - Visitem o site da Prof. Maria Lígia aqui. Ela desenvolve vários jogos didáticos, principalmente sobre microorganismos.
3 - como capturar uma formiga rainha - Conheço duas maneiras: esperar a revoada, geralmente nos primeiros dias de chuva da primavera e coletar as rainhas que voam para cruzar, conhecidas como içás ou escavar o formigueiro com cuidado - tarefa bem ingrata, diga-se de passagem - até encontrar uma formiga bem maior do que as outras, de preferência não alada, as que têm asas são as rainhas não fecundadas e machos .
4 - como montar um dna - Bom, existem várias maneiras. Você pode montar um DNA de papel, bem legal de fazer que é só baixar aqui - procure o link com a palavra A4. Se preferir um modelo de plástico, o que tem a melhor relação fidelidade/preço que encontrei é este.
Mas se você quer montar DNA de verdade, faça o seguinte: amasse uma banana, misture detergente (ele desmancha a membrana das células e libera o DNA do núcleo), água e penere. Agora pegue o líquido que sobrou com o DNA e derrame sobre ele, com bastante cuidado, uma camada de álcool 96%. O álcool separa o DNA da água, ele é a papa branca que vai boiar sobre o álcool. Esse procedimento é uma versão caseira do isolamento de DNA feito em laboratórios e pode ser feito usando outras fontes de DNA, de preferência coisas macias, fáceis de amassar para misturar, como hamsters mamão. Com o DNA isolado, basta colocá-lo em água fervente que ele se desmancha (as fitas duplas se abrem). Quando a temperatura da água baixar, ele volta a se montar sozinho ;). - Achei que quem estava procurando isso realmente queria montar DNA.
5 - comportamento diferente entre o homem e o macaco - Depois desse vídeo e desse, não sei de nenhum. Talvez nós tenhamos alguns problemas de consciência e eles não.
6 - 13 doenças transmissíveis por virus - Os vírus não são vetores, ou seja, transmissores de doença. Eles são os próprios causadores da doença, que pode ser transmitida por outros. 13 doenças causadas por vírus: dengue, febre amarela, febre west nile, chikungunya, encefalite eqüina do oeste, encefalite eqüina do leste, encefalite LaCrosse, encefalite de St. Louis, febre do Rift Valley, febre de Ross River, O’nyong’nyong, febre Barmah Forest e febre Mayaro. São todas doenças causadas por vírus e transmitidas por diferentes espécies de mosquitos, como os Culex sp. e Aedes sp.
7 - nome cientifico da borboleta maculinea alcon - Maculinea alcon, oras!
8 - nome da planta que dá tomate - é o… o… o… tomateiro!
10 - diferença entre crustáceo e peixe - Crustáceos são artrópodes, eles não têm vértebras (invertebrados), têm em geral 10 patas, o esqueleto é externo e feito de um tipo de açúcar, a quitina. Já os peixes têm vértebras, escamas e esqueleto interno, formado por cálcio.
11 - sexo animal - Para este termo de busca, existem duas possibilidades. Para a primeira, temos um vídeo sobre o ritual de reprodução da aranha, um texto sobre a reprodução das formigas e outros pelas tags sexo e comportamento sexual. Para a segunda possibilidade, quem entrou buscando isso teve uma grande decepção…
12 - conclusão sobre a evolução humana - Mais uma decepção…
13 - alien existe - Outra grande decepção… o mais perto que tenho disso é este tubarão que projeta a boca como o alien ou esta vespa saindo da barriga da barata.
14 - xuxa satanica - Quem souber de alguma prova, favor me avisar.
15 - meias high school musical - Infelizmente só temos CDs, DVDs, camisetas, blusas, bicicletas, cadernos, agendas, fichários, jogos, bonecos, pratos e copos do High School Musical. As meias acabaram.
16 - crítico em forma de poesia que tenha a palavra arco-iris - ?!?!???! Não sei o que mais me impressiona, se é o fato de uma pesquisa dessa cair aqui ou se é o fato de que vários IPs em dias diferentes entrarem aqui buscando isso.
Agora vamos ao pessoal do fórum:
MACker - “…como é que cabe dentro do grilo essa por**?” - Bem enroladinho e devorando apenas as partes não essenciais do grilo, o verme consegue crescer bem. Dentro de cada célula humana - menos nas hemáceas, que não têm núcleo - temos mais de dois metros de DNA enrolado!
Itsuki - “…ué só não diz de que forma o verme induz ele ao comportamento estranho” - Então, pode ser de diferentes formas. No caso da vespa que induz a lagarta a proteger suas larvas, algumas larvas permanecem dentro da lagarta, provavelmente secretando substâncias. A vespa que induz a aranha a fazer uma teia para protegê-la deve produzir substâncias que induzem a aranha realizar repetidamente os primeiros passos de construção da teia, e quando retirada da aranha, o comportamento persiste por alguns dias mas volta ao normal. A vespa que lobotomiza a barata libera neurotransmissores como dopamina e mata neurônios de uma região bem específica do cérebro da barata.
Já o Paragordius tricuspidatus, pelo que li em um artigo,, muda o padrão de proteínas expressas no cérebro do grilo. Julgando pelos dois passos de comportamento do grilo, acho que ele primeiro induz o grilo a transitar mais, o que por si só já aumenta as chances do grilo acabar na água, e depois deve mudar a resposta do grilo à água. Garanto que darei mais exemplos de como parasitas mudam o comportamento do hospedeiro que devem ajudar.
joaodopet - “E sério, agora que fui ver a parada da barata, eu juro que senti pena delas, acho que quando a gente mata uma e pronto é menos “agressivo” que isso daí que a vespa faz cara, eu quase chorei vendo o vídeo, sério mesmo O.o” - Se você ficou incomodado com o que ela fez com a barata, veja o vídeo dela saindo para completar.
Por fim, um recado para o povo vindo dos fóruns: Sejam bem-vindos, se quiserem mais textos curiosos é só clicar na tag parasitas (recomendo bastante os textos sobre o cuco, 1, 2 e 3), assinar o feed do blog e melhor ainda, visitar os outros blogs do Lablogatórios que têm muita coisa boa! Quando tiverem perguntas, aproveitem para deixar nos comentários aqui ![]()
Cai por terra um dos últimos exemplos de fidelidade incondicional…

Casal de esquistossomos. A fêmea, mais fina, está dentro do macho
O Schistosoma mansoni é o trematoda causador da esquistossomose, verminose bem comum no Brasil. Seu ciclo de vida começa com os ovos em água contaminada (em regiões com carência de saneamento básico). Ao sair do ovo, a larva miracídio entra em caramujos, onde se desenvolve até a fase de cercária. A cercária tem uma cauda que usa para nadar em direção à pele de quem entra desprotegido na água, atravessando-a e entrando na corrente sanguínea. Uma vez dentro do sistema circulatório, se dirige a um dos pontos prediletos de parasitas, as veias do intestino, porta de entrada dos nutrientes recém digeridos.
O esquistossomo é considerado um dos poucos casos de monogamia na Natureza. Esqueça aquelas histórias sobre araras, papagaios e outros animais que formam um casal para o resto da vida. Exames de DNA dos filhotes e dos pais demonstraram que embora os casais se mantenham a vida toda juntos, os ovos não necessariamente são do macho do casal. Já no caso do S. mansoni a monogamia é forçada.

Chalcites basalis
Cucos também são exemplo para o questionamento de até que ponto os genes podem influenciar um comportamento (Nature vc Nurture). No caso do cuco-canoro ou cuco comum (Cuculus canorus), espécie nativa da Europa, os genes influenciam muito. As fêmeas depositam seus ovos nos ninhos de outras aves e partem para a migração através do Mar Mediterrâneo até a África. Os filhotes, que nascem em ninhos de estranhos são capazes de, ao atingir a idade adulta, fazer a migração para a África sem nenhuma referência prévia, e de quebra encontrar os cucos que já estão lá.
Já vimos que a vida dos cucos e dos hospedeiros é dura, despistar os pais, disfarçar o ovo e até forçar a aceitação. Mas e depois que o filhote nasce, está tudo bem?
Um dos primeiros problemas ao nascer é comida, o cuco rescém-nascido precisa imitar o chamado dos demais filhotes do ninho. Quando há uma coevolução entre uma espécie de cuco e uma espécie hospedeira, isso não é tão problemático, o cuco é selecionado para imitar um canto. Mas o cuco australiano Chalcites basalis vai mais além, ele parasita dois tipos diferentes de aves, o Malurus cyaneus e o Acanthiza reguloides. Pior ainda, ele nasce mais rápido do que os filhotes verdadeiros e joga os ovos para fora, de maneira que precisa imitar o chamado de duas aves diferentes que ele nunca ouviu!

Já vimos que os cucos são capazes de colocar seus ovos no ninho de estranhos, e que isso tem um grande custo para as vítimas. Tanto que os cucos não são aceitos facilmente e precisam de artimanhas - acompanhe aqui o primeiro texto. Algumas vezes esse custo pode ser contornado com o uso de força bruta:
A disputa entre ovos, da parte das vítimas para terem ovos mais uniformes, individualizados e diferentes, e do cuco para que seus ovos sejam parecidos com os dos hospedeiros, é muito cara, e a seleção natural é implacável com quem fica para trás nessa corrida. O Ploceus cucullatus, conhecido em Moçambique como tecelão-malhado, é vítima de parasitismo tanto de cucos como de outros sua própria espécie. Seus ovos são extremamente variávies entre os indivíduos, mas muito uniformes dentro de um mesmo ninho. Dessa forma as fêmeas são capazes de discriminar seus ovos de estranhos da mesma espécie e dos ovos do cuco. Introduzido recentemente nas Ilhas Maurício e na Ilha de Hispaniola, o tecelão não encontra cucos nestas ilhas, e seus ovos perderam a variabilidade entre indivíduos e a uniformidade dentro de um mesmo ninho, dando sinais de que a maior pressão evolutiva sobre as características dos ovos era mesmo o cuco [1].

Ploceus cucullatus fêmea
Já no caso do mariquita-de-garganta-preta (Protonotaria citrea), espécie parasitada pelo chupim-cabeça-castanha (Molothrus ater) isso não acontece, os ovos do M. ater não são nada parecidos com os do hospedeiro (recomendo o clique no link). A melhor resposta que se tinha para esse fato intrigante era de que trata-se de um caso recente de parasitismo, onde o hospedeiro ainda não passou a discriminar seus ovos dos outros.
Um estudo controlado com ambas espécies revelou que a história é bem mais sórdida. O chupim-cabeça-castanha não precisa se dar ao trabalho de imitar os ovos. Com um verdadeiro comportamento mafioso, 56% dos ninhos que não aceitaram seus ovos foram destruídos, enquanto só 6% dos ninhos aceitadores foram depredados.
Quando em um local que não era previamente parasitado, o chupim destruiu cerca de 20% dos ninhos, e quando refeitos 85% deles continham seus ovos. Numa demonstração de coerção e chantagem, mais um ponto negativo para a Natureza cheia de paz e amor que muitos imaginam.
No próximo texto da série, o que o cuco faz depois que nasce…
Fonte:

Cuco e rouxinol
Para quem não conhece a reprodução do cuco, uma breve explicação que deixará claro os motivos da minha admiração por essa ave:
O cuco é capaz de parasitismo social. Isso quer dizer que as fêmeas colocam seus ovos nos ninhos de outras aves, onde serão criados por pais de outras espécies. Criar um filhote de cuco em seu ninho representa um enorme prejuízo para os pais, uma vez que ao nascer, o cuco lança todos os ovos e eventuais filhotes que já tenham nascido para fora do ninho, garantindo mordomia exclusiva. Para os “pais”, a regra é simples, o que está dentro do ninho é meu e o que está fora não. Um grande prejuízo para o parasitado e uma grande vantagem para o parasita, mais uma vez terreno fértil para a corrida da Rainha Vermelha.
A competição entre o cuco e seus hospedeiros já começa na recepção. As aves que recebem os ovos costumam abandonar o ninho se percebem que um cuco pousou nele, melhor colocar os ovos novamente do que criar um filhote que pode não ser deles. Uma das soluções que os cucos exploraram foi o susto. Cucos que parasitam outras aves são muito mais parecidos com gaviões, no formato das asas, tamanho e plumagem, do que cucos que não parasitam. Dessa forma, ao se aproximarem, assustam pequenas aves que entregam a posição do ninho e se ausentam pelo tempo suficiente para o “delito”.
Não só os adultos refletem mudanças que favorecem o parasitismo, os ovos também. Há uma corrida para aumentar a discriminação dos ovos estranhos nos ninhos dos parasitados, descartando assim um enorme investimento em um filhote que não carrega os genes dos pais. Freqüentemente, cucos põe ovos muito similares aos ovos dos hospedeiros, mas o quão similares eles precisam ser?
Experimentos com o rouxinol-grande-dos-caniços (Acrocephalus arundinaceus), parasitado pelo cuco comum, demonstraram que precisam ser muito similares. Quando foram pintados pontos extras nos ovos recém colocados, aumentado assim a diversidade visual de seus próprios ovos, os rouxinóis passaram a aceitar mais freqüentemente os ovos de cucos. Nos ninhos com ovos intactos a taxa de aceitação foi de 5%, já nos ninhos com ovos pintados a taxa subiu para 40%, o que demonstra a grande pressão sobre a uniformidade dos ovos como forma de discriminação.
Em outro experimento, com a toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla), a simples adição de um filtro ulltravioleta nos ovos, espectro de luz que as aves são capazes de enxergar e nós não, foi motivo suficiente para que as toutinegras aceitassem menos freqüentemente ovos estranhos. No caso dessa ave, os ovos do cuco precisam ter inclusive o mesmo padrão de difração de luz UV para garantir uma maior aceitação.
Nem sempre o ovo do cuco precisa ser igual, mas o que convence o hospedeiro a aceitá-lo já e história para um outro post.
E agora, mais um post sobre a diversidade de relações que podemos encontrar. Hoje, sobre o quão variável pode ser uma interação que parecia óbvia:
A convivência com inquilinos não é privilégio de humanos. Diversos seres vivos convivem intimamente com outros, num processo chamado de simbiose (vida conjunta). Essa simbiose pode ter várias consequências, que vão do parasitismo, onde um se beneficia e prejudica o outro, ao mutualismo, onde ambos se beneficiam a ponto de dependerem um do outro. Uma associação famosa, e bem ressaltada em tempos de aquecimento global, é a que acontece entre corais e dinoflagelados.

Os corais são formados por animais cnidários, parentes das águas-vivas, e formam um esqueleto externo de calcário, geralmente branco. O acúmulo de esqueletos antigos, uns sobre os outros é o que faz com que o coral cresça. O que dá a cor ao coral é o próprio animal, por isso quando ele morre o coral sofre o processo de branqueamento que tanto preocupa ambientalistas.
Para se alimentar, além da filtragem de partículas da água, os corais fazem associação com dinoflagelados, organismos unicelulares fotossintetizantes, que em troca de proteção e um ambiente favorável, fornecem parte dos açúcares sintetizados. Os dinoflagelados que participam da simbiose são sensíveis a variações de temperatura de alguns graus apenas, e podem morrer tanto em decorrência do aumento da temperatura da água quanto da obstrução da luz solar por poluentes. São eles os mais afetados pelo efeito antrópico (causado pelo ser humano). Continue lendo



