
Em homenagem ao ano internacional de Darwin, em que se completam 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos de publicação do livro “A Origem das Espécies”, eu resolvi fazer cartazes motivadores evolutivos na linha Darwin Awards para ilustrar um dos maiores enganos que se comete.
A grande proposição de Darwin não foi a “evolução”. Já havia na época o conceito de que os organismos podiam ter sido diferentes ao longo do tempo – entre os responsáveis por isso estão Lamarck, sempre reconhecido como o cara que errou e o avô de Darwin, Erasmus. A grande idéia de Darwin foi propor que a seleção natural é a responsável por fixar organismos mais bem sucedidos dentre os que já existem.
De novo, a idéia mais importante de Darwin foi a seleção natural, [update]
Para Darwin, sua ideia mais “importante” foi a descendência comum. Por isso a maior parte do seu livro “A origem das espécies” foi sobre este tema. O mecanismo de seleção natural foi proposto mais para um complemento do que como argumento principal. E não sou eu quem defende isso. É o nosso colega de profissão Ernst Mayr - Valeu Luiz.
o mecanismo pelo qual organismos deixam mais ou menos descendentes. Como a seleção natural é importantíssima para a evolução farei cartazes que valorizem situações que vão levar o indivíduo a deixar menos descendentes.
Quem tiver alguma sugestão de imagem, por favor deixe nos comentários ou mande uma mensagem pelo meu Twitter, @oatila.

Por que esperar uma presa cair na teia, se a aranha pode levar a teia até a presa?
As aranhas da família Scytodidae possuem uma modificação muito interessante. As glândulas de veneno são capazes de produzir uma substância pegajosa que é lançada sobre a presa, em um padrão de zigue-zague que cola a vítima ao solo e permite o ataque.
Com seus três pares de olhos, ela preda inclusive outras aranhas. Seu jeito de atirar veneno pelas quelíceras me lembra do onicóforo.
Sabe aquela conversa de lavar as mão antes de comer?

© NEJM
Já cansei de passar perto de hospitais e ver médicos circulando de avental, inclusive em restaurantes, contribuindo para espalhar o que devia ficar no seu devido lugar. A figura acima é um ótimo exemplo do que isso pode causar.
Um dos maiores problemas em hospitais é a infecção por micróbios resistentes à antibióticos, como o Staphylococcus aureus resistente a meticilina (MRSA). Muitos hospitais testam regularmente seus pacientes para saber se estão sendo infectados com esse tipo de bactéria.
No Cleveland Veterans Affairs Medical Center um paciente quadriplégico apresentou MRSA na fossa nasal subitamente, sendo que até então não tinha histórico de infecção. Para ilustrar o que facilita esse tipo de situação, pediram para um assistente que examinasse o abdômen do paciente sem luvas e em seguida colocasse a mão em uma placa com meio de cultura seletivo para bactérias resistentes (à esquerda). Em seguida ele limpou as mãos com álcool e colocou em outra placa igual (à direita).
Uma comparação bem rápida é mais do que suficiente para dar uma noção da diferença que um pequeno cuidado faz.
Fonte:
Donskey, Curtis J., e Brittany C. Eckstein. “The Hands Give It Away.” N Engl J Med 360, no. 3 (Janeiro 15, 2009): e3.

E para responder ao enigma de sexta VIII (que foi o mais curto até agora, destruíram ele em poucas horas), [modo sensacionalista on] aquela figuras eram de olhos! [modo sensacionalista off]. - Mas peraí, não são os tentáculos nasais da toupeira nariz-de-estrela? Então por que são olhos? Já me explico.
A toupeira nariz-de-estrela é um dos animais mais bizarros que conheço. Quase cega, tem 22 tentáculos se projetando do seu focinho que usa para caçar. Como vive em túneis que cava em terrenos úmidos, é praticamente cega, e se vale de outros sentidos para interagir com o mundo.
Seus apêndices nasais foram alvo de muita especulação, se imaginava que servissem para manipulação de comida ou detecção de campos elétricos de outros animais. Foi a pesquisa de um neurocientista, Kenneth C. Catania e seus colaboradores que revelou uma série novidades fantásticas sobre a toupeira.
Enxergando com o nariz
Os apêndices são cobertos com 25 mil mecanoreceptores – órgãos de Eimer - que geram impulsos conduzidos por mais de 100 mil fibras nervosas (6 vezes mais do que nossa mão). Eles formam literalmente um campo visual táctil, inclusive com uma região mais sensível no centro, que pode ser comparada com uma fóvea. A cada toque que a toupeira dá nas paredes do seu túnel, seu cérebro registra o espaço (uma representação bem legal aqui). A dinâmica dos toques segue a mesma de nossa visão, os tentáculos menos sensíveis encontram a comida e levam a atenção para a região mais sensível.
- O que…
- Bem-vindo! Agora você passará seus dias ouvindo argumentos sem fundamento para minha existência.
- Nãooooooo!
Inferno ateu.
Aproveitando o espaço, fiquei sabendo hoje que o governo deve cortar 20% da verba destinada à ciência no país. 1,1 BILHÃO DE REAIS. Uma exemplar maneira de combater a crise financeira no país. Claro que os primeiros cortes serão bolsas de pesquisa…
1,1 BILHÃO…
E você achando que a tirinha era tiração de sarro.
Pessoal,
Vou para o Campus Party hoje e amanhã, e como sou um tanto ortodoxo (e vou de ônibus e metrô) não entrarei online. Por isso a resposta do enigma de sexta deve demorar um pouco, é um texto bem longo e cheio de referências que quero terminar com carinho.
Para quem for, nos vemos lá.Quem puder aproveitar, eu e o Igor Z. e o Rafael participamos de eventos no Campus Verde quinta-feira:
Arena Gaia
Quinta-feira, 22/01, 21h-23h
Palestrantes: Atila Iamarino, graduado em Ciências Biológicas Integral pela Universidade de São Paulo, pós-graduando em Evolução de HIV-1. Autor do blog ‘Rainha Vermelha’, que faz alusão ao nome de uma teoria evolutiva proposta em 1973 por Leigh Van Valen para explicar situações na natureza onde duas espécies em competição evoluem de maneira que a competição se mantém estável. O nome da teoria vem da frase do livro Alice através do espelho de Lewis Carrol, e explicita a situação que vivemos no mundo um campo de batalha entre espécies, que co-existem e ao mesmo tempo competem. Tereza Cristina de Carvalho, criadora do “selo verde” para todas as máquinas que são compradas pela Universidade de São Paulo. Possui graduação em Engenharia Eletrônica pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (1988) e doutorado em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (1996). Possui MBA na área de administração e negócios pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology). Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo, colunista - ITMIDIA e diretora do Centro de Computação Eletrônica da USP e diretora técnica - Laboratorio de Arquitetura e Redes de Computadores da EPUSP.
Local: Arena Campus Verde
Nível: Intermediário
Arena Gaia
Quinta-feira, 22/01, 21h-23h
Palestrantes: Igor Zolnerkevic, físico, escritor e jornalista. Mestre em Relatividade Geral, pelo Instituto de Física Teórica (UNESP). Seus principais interesses são divulgação e jornalismo científico, ficção científica, science writing, e creative nonfiction. Rafael Soares, biológo formado pela UNESP - Rio Claro e doutorando pela Biotecnologia da USP. Realiza pesquisa na área de terapia gênica do câncer.
Mediação: Radar Verde
Local: Arena Campus Verde
Imagens lindas, muito bem sincronizadas com a música (Yuudachi do músico japonês Hiromitsu Agatsuma, segundo a Ester), comparando o desenvolvimento do embrião e o desenvolvimento da humanidade, com cenas de diversas fontes. Um pouco apelativo no final mas muito bom.
EMBRYO HD de illuzia.net.
Vi no ótimo Saber é Bom Demais!! que viu no Neatorama.
Para essa sexta-feira, um enigma que vai render um bom texto. O que são estas imagens??


A revista Nature produziu um vídeo mostrando as estratégias de infecção de três bactérias, Legionella pneumophila - a causadora da doença dos Legionários, Listeria monocytogenes - causadora da listeriose e Mycobacterium tuberculosis - causadora da tuberculose.
O vídeo é muito didático, ótimo para aulas de microbiologia e curiosos de plantão. Pena que está em inglês.
O gerador de Van de Graaff é uma máquina capaz de acumular carga eletrostática, e gera aquele efeito de arrepiar os cabelos quando se toca em um (com um tênis isolante). O que se pode fazer além disso com ele?
Assista o vídeo e fique com a mesma vontade que eu fiquei de comprar um no ThinkGeek:
Fiquei com a impressão de que este post seria bem mais legal no 100nexos ou no 42.



