
Já vimos que os cucos são capazes de colocar seus ovos no ninho de estranhos, e que isso tem um grande custo para as vítimas. Tanto que os cucos não são aceitos facilmente e precisam de artimanhas - acompanhe aqui o primeiro texto. Algumas vezes esse custo pode ser contornado com o uso de força bruta:
A disputa entre ovos, da parte das vítimas para terem ovos mais uniformes, individualizados e diferentes, e do cuco para que seus ovos sejam parecidos com os dos hospedeiros, é muito cara, e a seleção natural é implacável com quem fica para trás nessa corrida. O Ploceus cucullatus, conhecido em Moçambique como tecelão-malhado, é vítima de parasitismo tanto de cucos como de outros sua própria espécie. Seus ovos são extremamente variávies entre os indivíduos, mas muito uniformes dentro de um mesmo ninho. Dessa forma as fêmeas são capazes de discriminar seus ovos de estranhos da mesma espécie e dos ovos do cuco. Introduzido recentemente nas Ilhas Maurício e na Ilha de Hispaniola, o tecelão não encontra cucos nestas ilhas, e seus ovos perderam a variabilidade entre indivíduos e a uniformidade dentro de um mesmo ninho, dando sinais de que a maior pressão evolutiva sobre as características dos ovos era mesmo o cuco [1].

Ploceus cucullatus fêmea
Já no caso do mariquita-de-garganta-preta (Protonotaria citrea), espécie parasitada pelo chupim-cabeça-castanha (Molothrus ater) isso não acontece, os ovos do M. ater não são nada parecidos com os do hospedeiro (recomendo o clique no link). A melhor resposta que se tinha para esse fato intrigante era de que trata-se de um caso recente de parasitismo, onde o hospedeiro ainda não passou a discriminar seus ovos dos outros.
Um estudo controlado com ambas espécies revelou que a história é bem mais sórdida. O chupim-cabeça-castanha não precisa se dar ao trabalho de imitar os ovos. Com um verdadeiro comportamento mafioso, 56% dos ninhos que não aceitaram seus ovos foram destruídos, enquanto só 6% dos ninhos aceitadores foram depredados.
Quando em um local que não era previamente parasitado, o chupim destruiu cerca de 20% dos ninhos, e quando refeitos 85% deles continham seus ovos. Numa demonstração de coerção e chantagem, mais um ponto negativo para a Natureza cheia de paz e amor que muitos imaginam.
No próximo texto da série, o que o cuco faz depois que nasce…
Fonte:
Cerca de 400 anos atrás, Galileu demonstrou que corpos com a mesma aceleração caem juntos, independente da massa de ambos. Isso quer dizer que, uma bola de boliche e uma pena cairiam a mesma velocidade, se não fosse pelo atrito da nossa atmosfera retardando a queda da pena.
Em 1971 o astronauta Dave Scott estava na Lua, que não tem atmosfera, e pôde testar as idéias de Galileu. O vídeo está abaixo, e veja que surpresa, não é que ele acertou! Isso claro, se você acredita que realmente pisamos na Lua, caso contrário, pode acreditar que extraterrestres fizeram as pirâmides e outras coisas bem mais prováveis…
Para uma explicação bem melhor sobre a força gravitacional, vi no Questões de Física.
Quando entrevistei o Rubens sobre a Antártida, percebi que algumas estações da base eram ligadas por cordas, mas o trecho era curto, algo como 10 metros. Perguntei a ele se era realmente necessário aquilo. No vídeo acima você vê o que é a condição climática 1, onde é proibido sair da base, com temperaturas de até -60°C, e entende porque uma caminhada de 10 metros pode ser fatal.

Mais uma arma na guerra biológica:
Fungos são capazes de usar um “canhão” de água gerado por osmose para lançar seus esporos para longe. O processo consiste num acúmulo de íons e açucares na câmara que retém o esporo, chamada esporângio, promovendo a entrada de água e aumento de pressão.
Usando câmeras especiais que conseguem gravar filmes em até 250 mil frames por segundo (pouco mais de 10 mil vezes mais rápido do que enxergamos) registraram em detalhes o lançamento de esporos de fungos coprófilos, que crescem nas fezes de herbívoros. Através da análise dos vídeos foi possível determinar que os fungos são capazes de acelerar seus esporos a 180 mil g, a maior aceleração produzida por um ser vivo, atingindo uma velocidade final de até 90km/h.
No vídeo abaixo o lançamento do esporo do fungo Pilobolus kleinii, filmado a 50 mil fps. O esporo tem cerca de um décimo de milímetro e percorre até 2,5 metros, o equivalente a lançar uma bola de futebol a distância de mais de 5 quilômetros. Aproveite a música e veja esse canhão em ação:
Fonte:

Para quem não pode comprar Spore, o negócio é jogar por escalas. O Microbe Kombat é um jogo em flash muito simples e bem legal. Você é um organismo unicelular que tem que se alimentar tanto de proteínas quanto de inimigos, com isso você aumenta de tamanho e ganha poderes. Conforme você cresce pode inclusive se dividir. Cuidado com organismos maiores e com os vírus!
Vi no Haznos.

Cuco e rouxinol
Para quem não conhece a reprodução do cuco, uma breve explicação que deixará claro os motivos da minha admiração por essa ave:
O cuco é capaz de parasitismo social. Isso quer dizer que as fêmeas colocam seus ovos nos ninhos de outras aves, onde serão criados por pais de outras espécies. Criar um filhote de cuco em seu ninho representa um enorme prejuízo para os pais, uma vez que ao nascer, o cuco lança todos os ovos e eventuais filhotes que já tenham nascido para fora do ninho, garantindo mordomia exclusiva. Para os “pais”, a regra é simples, o que está dentro do ninho é meu e o que está fora não. Um grande prejuízo para o parasitado e uma grande vantagem para o parasita, mais uma vez terreno fértil para a corrida da Rainha Vermelha.
A competição entre o cuco e seus hospedeiros já começa na recepção. As aves que recebem os ovos costumam abandonar o ninho se percebem que um cuco pousou nele, melhor colocar os ovos novamente do que criar um filhote que pode não ser deles. Uma das soluções que os cucos exploraram foi o susto. Cucos que parasitam outras aves são muito mais parecidos com gaviões, no formato das asas, tamanho e plumagem, do que cucos que não parasitam. Dessa forma, ao se aproximarem, assustam pequenas aves que entregam a posição do ninho e se ausentam pelo tempo suficiente para o “delito”.
Não só os adultos refletem mudanças que favorecem o parasitismo, os ovos também. Há uma corrida para aumentar a discriminação dos ovos estranhos nos ninhos dos parasitados, descartando assim um enorme investimento em um filhote que não carrega os genes dos pais. Freqüentemente, cucos põe ovos muito similares aos ovos dos hospedeiros, mas o quão similares eles precisam ser?
Experimentos com o rouxinol-grande-dos-caniços (Acrocephalus arundinaceus), parasitado pelo cuco comum, demonstraram que precisam ser muito similares. Quando foram pintados pontos extras nos ovos recém colocados, aumentado assim a diversidade visual de seus próprios ovos, os rouxinóis passaram a aceitar mais freqüentemente os ovos de cucos. Nos ninhos com ovos intactos a taxa de aceitação foi de 5%, já nos ninhos com ovos pintados a taxa subiu para 40%, o que demonstra a grande pressão sobre a uniformidade dos ovos como forma de discriminação.
Em outro experimento, com a toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla), a simples adição de um filtro ulltravioleta nos ovos, espectro de luz que as aves são capazes de enxergar e nós não, foi motivo suficiente para que as toutinegras aceitassem menos freqüentemente ovos estranhos. No caso dessa ave, os ovos do cuco precisam ter inclusive o mesmo padrão de difração de luz UV para garantir uma maior aceitação.
Nem sempre o ovo do cuco precisa ser igual, mas o que convence o hospedeiro a aceitá-lo já e história para um outro post.
Megalopyge opercularisA mariposa Megalopyge opercularis tem muitos pêlos quando adulta, uma adaptação comum contra predação por morcegos, uma vez que os pêlos abafam a reflexão do som emitido pelo morcego para localizá-la, mais ou menos como as irregularidades das paredes de um estúdio. A diferença dessa mariposa é que mesmo sua lagarta tem esses pêlos, mas nesse caso com um veneno bem tóxico capaz de causar até náuseas e dificuldade respiratória. São tanto pêlos que na hora da metamorfose, a lagarta não precisa nem fazer um casulo, basta desprender os pêlos do corpo e usá-los como proteção.
Confira no vídeo abaixo ela caminhando, me lembra o Chewbacca:
Vi no Dark Roasted Blend. Para mais sobre ela aqui.
Aproveitando o clima das Olimpíadas que ainda dura, mais um vídeo da tabela periódica de vídeos, esse sobre bronze, prata e ouro, com duração de 10 minutos [em inglês]:

©National Institutes of Health
Você conhece o arsênio? Um elemento químico inodoro (ou com um cheiro parecido com o de alho quando combinado em certos minerais), de cor metálica presente em uma série de compostos?
Muito utilizado no passado como pesticida geral, e em pequenas concentrações como remédio contra infecções. Pequenas concentrações por uma boa razão, ele é um potente veneno. Age na cadeia respiratória celular, impedindo a produção de energia nas mitocôndrias, causando morte celular. Seus sintomas podem ser confundidos com os de doenças em geral, o que garantiu um amplo uso do arsênio como catalisador de relações de poder. É conhecido como veneno dos reis, e com certeza participou de muitos eventos de sucesão de herdeiros.
Agora que tal usar o arsênio para viver? O mesmo arsênio que atrapalha a nossa cadeia respiratória, processo pelo qual utilizamos o oxigênio para retirar energia da glicose, pode ser usado por bactérias e árqueas (procariontes descobertos recentemente, diferentes das bactérias) como receptor de elétrons. Ao invés de doar elétrons para o oxigênio, transformando CO2 em CO2 O2 (valeu isa.ueda), elas são capazes de doar elétrons para o arsênio transformando As(V) em As(III).Além de receptor de elétrons, ele também pode servir de doador. Em mais uma demonstração da extrema diversidade e capacidade metabólica dos microorganismos, foi descoberto recentemente que bactérias são capazes de utilizar arsênio para fazer fotossíntese, da mesma forma que plantas utilizam a água, como doador de elétrons. Amostras de poças da região vulcânica de Mono Lake, na Califórnia, com temperaturas que variavam de 43 a 67°C, mostraram que quando expostas a luz, as bactérias que vivem nessas águas com concentrações altas de arsênio, são capazes de fixar carbono oxidando a substância venenosa.
Cada vez mais, percebemos o quão diversa a vida pode ser, e o quão limitada é a nossa visão do que é necessário para a manutenção da mesma. Os microorganismos são capazes de utilizar muitos minerais para seu metabolismo e suportar condições extremas salinidade, pH, temperatura e pressão. Esse tipo de descoberta só me faz acreditar mais na possibilidade de vida fora da Terra, embora duvide muito da existência de vida inteligente, mesmo aqui ela é muito rara.
Fonte:
Nada como artistas para trazer um novo olhar. Que tal pegar o gene do pigmento que distingue a cor vermelha em nossos olhos, transformar cada base, A, T, C e G em um padrão diferente e com isso formar um cobertor colorido como o da foto? Esse é o trabalho do artista Beverly St. Clair. Veja mais genes e mais cobertores no site dele.
Vi no BoingBoing.



