Seguindo a linha de brinquedos cientificamente embasados que eu realmente gostaria de ter, a cadeia alimentar! Feitos pela FAO Schwarz, são feitos de pelúcia e têm um preço bem salgado, U$ 50.

Vi no Neatorama.

Adoro vídeos e imagens cientificamente relevantes e belas. E me dá muito orgulho saber que isso está sendo produzido aqui no Brasil também. Um companheiro de biologia meu e do Carlos, o Nelas produziu esse vídeo fantástico sobre o desenvolvimento da bolacha-do-mar Clypeaster subdepressus.

Aliás, mereceu inclusive um post no mega blog Pharyngula!


Vida de Bolacha from Bruno Vellutini on Vimeo.

Hoje o enigma vai ser diferente. Sexta-feira passada disseram até o gênero dos insetos que coloquei (o que é ótimo) e eu fiquei no chinelo. Então, hoje vou matar uma curiosidade minha eu vou fazer uma pergunta para a qual não sei a resposta. Juro, o enigma de hoje só tem resposta se vocês encontrarem :)

Quando nos machucamos com objetos que entram na pele, depois de algum tempo o corpo é capaz de se livrar dele. No Japão, sobreviventes das bombas atômicas freqüentemente soltavam cacos de vidro pela pele, anos após a atrocidade. Então eis a pergunta, motivada por um dente do sizo retirado recentemente:

“Como o corpo sabe onde é o lado de fora, para expulsar os corpos extranhos. Um pedaço de vidro por exemplo, pode ir mais para dentro do corpo, ao invés de ir para fora?”

Se você não sabe a respota e quer tentar outra pergunta, tem uma aqui. Ou quem sabe um paradoxo hoje?

[update] Fico com a explicação do Mallmal:

Se o objeto estiver alojado em tecidos de rápida replicação celular, que crescem a partir de uma região específica (como a pele), ele será simplesmente “carregado” pelas novas células que se originam da região de crescimento para a região de desgaste (a epiderme).
Ele simplesmente “segue o fluxo”.
A demora para expelir os objetos pode ser decorrente de ancoramento em regiões mais profundas, como a hipoderme, necessitando assim de um longo fluxo desse “rio celular” para conseguir movê-los até as camadas externas da epiderme.

Levando em conta a ressalva do Igor, que o objeto precisa estar alojado na pele…

Grande parte da ciência molecular feita hoje em dia ocorre dentro de tubinhos como esse -na foto ele está ampliado. Os mais famosos, tubos Eppendorf, são inclusive usados por traficantes para embalar cocaína. Como os reagentes costumam ser caros, tais tubos são uma maneira de economizar no volume da reação, de modo que conseguimos fazer experimentos com décimos de mililitros ou menos, deixando para trás os antigos tubos de ensaio de vidro.

Para manipular quantidades minúsculas de líquido - acreditem, realmente minúsculas - utilizamos um instrumento chamado pipeta, capaz de sugar líquidos em volumes determinados, utilizando uma peça de plástico chamada ponteira, que pode ser trocada evitando comtaminação com o reagente anterior.

Um artigo deste mês da revista Science reporta que muitos compostos utilizados na tanto na fabricação quanto na composição do plástico tanto das ponteiras quando dos tubinhos são capazes de interferir nos experimentos. Substâncias como os detergentes usados para remover bactérias contaminantes durante a produção - irônico isso, evita-se uma contaminação com outra - e compostos usados para melhorar a estabilidade e durabilidade do plástico são capazes de se dissolver em soluções aquosas e bloquear ou aumentar a atividade de proteínas utilizadas nos ensaios.

Atualmente, quase todos os experimentos são feitos nesses tubinhos, de forma que as implicações para laboratórios de ciências biológicas são bem sérias. Mais um dos dois milhões de fatores que podem interferir e arruinar o seu experimento - quem disse que fazer ciência é fácil?

Vi no Not Exactly Rocket Science.

Referência:

G. Reid McDonald et al., “Bioactive Contaminants Leach from Disposable Laboratory Plasticware,” Science 322, no. 5903 (November 7, 2008): 917, doi:10.1126/science.1162395.

Para os que acreditam que dinossauros foram extintos porque não cabiam na arca de Noé, o artista Stephen Geddes deu uma outra justificativa, em uma resposta bem humorada ao Museu Criacionista construido recentemente nos EUA. Entre as obras da exibição está a peça Arca Jurássica:

Vi no Bad Astronomer.

Adoro esse mundão sem fim que é a Internet! Coloquei essa figura no post sobre aposematismo e olha só o que o usuário dedo de um fórum fez:

© fmc.nikon.d40

Agora sim, ao invés de causar alucinações que te fazem parecer maior, ele dá uma vida!

Dando continuidade ao post sobre cores aposemáticas e mimetismo, aproveito para legendar as figuras de sexta-feira - aliás, tenho que arrumar enigmas mais complicados, responderam até o gênero no post passado!!

O mimetismo Batesiano ocorre quando uma presa inofensiva imita uma presa perigosa tirando proveito da “fama” entre os predadores. O caso mais estudado é o mimetismo entre borboletas, como a borboleta monarca. Dona de um gosto muito amargo, ela é evitada por diversas aves, e tem o seu padrão de cores e desenho imitados por outras borboletas que não são venenosas.

Abaixo estão várias fotos de insetos que mimetizam vespas e abelhas. De moscas à besouros. Olhando as fotos com mais cuidado, você pode se perguntar se elas realmente enganam o predador ou não. E a resposta é: na maioria dos casos, sim.

Dois fatores contribuem para que o predador seja enganado mais facilmente:

A relação velocidade/acurácia - Enquanto você tem tempo e calma para poder analizar as fotos, inclusive com um bom zoom, nem sempre esse é o caso do predador. Predadores estão submetidos ao gasto energético da descriminação de presas. Quanto mais apurada a avaliação for, mias energia consome e mais tempo. Basta pensar numa mosca com um disfarce bem ruim, mas com as cores preta e amarela vindo em sua direção, mesmo não tendo certeza de que é uma vespa, te garanto que você vai evitá-la.

A categorização - Como conseqüência do problema acima, e de forma a evitar o gasto de energia, muitos predadores utilizam a categorização. Toda presa com um formato ou cor estabelescidos devem ser evitados.

© Alvesgaspar

© Mdf

© Dalantech

As moscas-das-flores são moscas da Família Syrphidae que se alimentam de polém. Mimetizam principalmente vespas, nem sempre muito bem, aqui estão as melhores que encontrei. A Ceriana vespiformis, das duas primeiras fotos, só se entrega pelos balancins ou alteres. As abelhas e vespas são da ordem Hymenoptera e possuem quatro asas, o primeiro par é maior e se prende nas asas de trás usando pequenos ganchos que se ligam como velcro. Já as moscas são da ordem Diptera e possuem apenas um par de asas, o segundo par foi transformado em estruturas que balanceiam o vôo chamadas alteres ou balancins, dando a estabilidade que pernilongos e moscas-varejeiras têm para permanecerem voando no mesmo ponto. Reparem na estrutura amarelinha do tórax da mosca na primeira foto, entre a asa e a pata do lado esquerdo.

© gorpie

Esta aqui é uma mariposa. Achei a mais fantástica de todos os mímicos, parece uma vespona gigante. Inclusive o vôo é parecido, repare no vídeo:

© Peter Chew

© Hans Hillewaert

Aqui são dois besouros, o primeiro é de uma espécie não identificada e o segundo é o Clytus arietis.

© Artigo PLoS na fim do texto.

Outra mosca-das-frutas, esta aqui imita uma mamangaba.

© Dalantech

Segundo a Rafaela, trata-se de uma mosca da Família Bombyliidae, esta aqui imita uma abelha.

Fonte:

Lars Chittka and Daniel Osorio, “Cognitive Dimensions of Predator Responses to Imperfect Mimicry,” PLoS Biology 5, no. 12 (December 1, 2007): e339 EP -, doi:10.1371/journal.pbio.0050339.

Qual o sentido de se ter um bom alarme de carro, se você não avisar o ladrão?

Encosta pra você ver!

Encosta pra você ver!

Já me explico. Quando se instala um bom alarme no carro, a idéia é evitar o roubo, mais do que impedir. Melhor que nem tentem roubar, do que quebrarem uma janela, fechadura e tudo o mais para depois descobrir que não adianta tentar levar o carro.

Pensei nisso esses dias, vendo a notícia de que o MASP agora está muito mais equipado com sistemas de segurança (antes tarde do que nunca). Na notícia, uma repórter mostrava que o museu agora tem câmeras com muito mais definição, capazes de seguir movimentos, detectar quadros removidos, sensores de presença e detectores de metal. O âncora do jornal criticou a postura do MASP de revelar os alarmes, mas a idéia é justamente essa, avisar e desencorajar possíveis ladrões para não ter que usar os alarmes.


©Ror

Mas o que isso tem a ver com evolução? Tudo. Pense em um organismo que possui uma defesa contra predadores muito boa, por exemplo, um veneno sob a pele capaz de matar possíveis atacantes. O que é preferível, levar uma mordida, possivelmente fatal, e se não for fatal, gastar o veneno que custou muito caro para ser feito ou avisar logo que ele é perigoso e deixar para usar o veneno apenas com os mais atrevidos?

Na grande maioria das vezes, organismos perigosos, sejam eles cogumelos, vespas, salamandras, peixes, pererecas ou borboletas, sofrem pressão evolutiva para demonstrar sinais de aviso. Vermelho, amarelo, laranja, azul e outras cores que se destacam, as chamadas cores aposemáticas são utilizadas justamente para dar um destaque ao organismo perigoso. Surge assim um código unversal, presas perigosas são selecionadas para avisar o que contém e predadores são selecionados para reconhecer e aprender quais presas são palatáveis ou não.


© Pompilid

Voltando para o seu carro, imagine que você sabe de um alarme muito bom e conhecido, mas não tem dinheiro para comprar - ou tem o dinheiro e não quer. Da necessidade surge a brilhante idéia, ao invés de comprar o alarme, você falsifica o adesivo que vem com ele e cola no seu carro. Assim, grande parte dos ladrões vai reconhecer o adesivo e procurar outro carro, que não tenha o alarme. Quanto mais parecido com o original, mais eficiente seu adesivo vai ser.

Esse é o chamado mimetismo Batesiano. Situação onde uma presa que não tem uma defesa boa se passa por uma presa perigosa, mimetizando o formato do corpo e/ou as cores de outros mais “famosos”. Dispensa o investimento em veneno, ferrão, sabor amargo e o que mais for usado pelos perigosos.


© fmc.nikon.d40
Cogumelo amanita, recheado de potentes toxinas

Bom para quem pirateia, ruim para o dono do original. Sim, pois uma vez que um predador atacar um imitador cheio de cores aposemáticas e não se ferrar, especialmente se for um predador inteligente como uma ave, vai estar mais disposto a atacar outros coloridos, independente de serem perigosos ou não. Nesse ponto, as cores de aviso dos perigosos perdem todo o sentido, pois a idéia antes de tudo é evitar o ataque.

Que acontece então? Claro, uma dinâmica evolutiva da Rainha Vermelha. Presas perigosas cada vez mais distintas das outras e presas mímicas cada vez imitando melhor as novas características. daí o surgimento de tantas cores e padrões malucos e lindos que estão nas imagens do post.


© Nick Hobgood

© Murat Aksu

Nudibrânquios, moluscos marinhos dotados de veneno e capazes de, ao comer águas vivas, utilizar as células de veneno chamadas cnidários delas para sua própria proteção.


Salamadra de fogo, produz alcalóides extremamente tóxicos na pele, e a distribuição de glândulas de veneno coincide com a região amarela!

A resposta do enigma de sexta-feira passada e fotos de mímicos que utilizam o mimetismo Batesiano, aguardem o próximo post…

Fonte:
Daniel W. Franks, Graeme D. Ruxton, and Thomas N. Sherratt, “WARNING SIGNALS EVOLVE TO DISENGAGE BATESIAN MIMICS,” Evolution (2008), doi:10.1111/j.1558-5646.2008.00509.x.

Normalmente não dou muita atenção para figuras de Lol cats, não encaminho e-mails e menos ainda posto isso. Mas essa não teve como, me fez rir agora de manhã e é um bom jeito de começar essa longa semana:

- Gesus, é um leão!!
- ENTRA NO CARRO!!

Não vou dar detalhes para não estragar a brincadeira. O que há de errado com estas vespas e com a abelha abaixo?



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