Nesse post comemorativo apresento a vocês eventos imperdíveis e relevantes para as comemorações do ANO de DARWIN em 2009.

Acabei de voltar do VI Encontro Anual de Etologia, um evento em que evolução e comportamento andam sempre juntos. Nesse ano o tema foi “Bem estar animal e humano: a questão etológica da valorização da vida” e certamente em novembro de 2009 as comemorações evolucionistas estarão presentes. Fiquem de olho na página da Sociedade Brasileira de Etologia.

Para aqueles do Norte e Nordeste nessa sexta feira dia 21/11 na UFPA em Belém, o Grupo de Estudos avançados em Psicologia Evolucionista em conjunto com o Projeto Milênio de Psicologia Evolucionista promoverão o evento “150 anos da Teoria da Evolução”. Tem o objetivo de celebrar a elaboração do paradigma da evolução a partir da discussão de sua história, suas proposições e suas implicações atuais.
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A primeira palestra será sobre “A Origem do Origens das Espécies” por Dr. Horácio Higuchi, a segunda será sobre “Os Tipos de Seleção Evolutiva” pelo especialista Fernando Pimentel e no final terá uma mesa redonda interdisciplinar sobre “As aplicações contemporâneas do paradigma da evolução: paleontologia, psicologia e computação” com falas de Dr. Vladimir de Araújo Távola, Dra. Regina Brito e pelo Ms. Otávio Noura.
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O evento será na manhã do dia 21, a inscrição é gratuita pelo e-mail: geape.ufpa@gmail.com e tem certificado departicipação. Mais informações no site do Milênio de Psicologia Evolucionista.

Nesse novembro o MARCO EVOLUTIVO faz um ano de existência. Viva!! E com certeza é um marco na divulgação científica sobre evolução do comportamento humano. Estou muito feliz pelos muitos leitores, muitos elogios e incentivos que venho recebendo desde 28 de novembro de 2007. Não tenho muito tempo para escrever nem responder todos os comentários, mas estou sempre acompanhando as contribuições, que são sempre bem vindas. Agradeço ao Rafael do RNAmensageiro que me incentivou a começar o blog e à Isabella do CientíficaMente que sempre me apoiou.

Resumidamente nesse um ano o MARCO EVOLUTIVO foi acessado não só por pessoas no Brasil, mas em vários países do mundo. Acessaram mais de 10 vezes pessoas em Portugal, Estados Unidos, Moçambique, Angola, Espanha, Reino Unido, Holanda, Argentina, Japão, Canadá e Cabo Verde (em ordem decrescente de acessos). E o Português é a terceira Língua européia mais falada no mundo, elo de comunicação entre 200 milhões de pessoas. E para aquelas que não entendem o português podem usar o tradutor automático.

Os textos mais lidos na época do blogspot, em ordem decrescente eram: 1 - Revolução Genômica e Lei de Biossegurança 2 - 2009 o “ANO DA BIOLOGIA” 3 - Psicologia Evolucionista - Edição Especial Psique 4 - Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista 5 - Lamarck - A Verdadeira Idéia Errada 6 - Somos dominados por genes ou por mal-entendidos? Os textos mais lidos na era Lablogatórios são: 1 - ANO DE DARWIN 2009 no Brasil 2 - Evolução Humana Facilitada 3 - Lamarck - A Verdadeira Idéia Errada e 4 - 2009 o “ANO DA BIOLOGIA”. E as palavras chaves mais usadas para chegar ao blog são “Psicologia Evolucionista” e “Evolução Humana”.

Agradeço aos Labrothers que me acolheram aqui nessa empreitada revolucionária da divulgação científica brasileira que é o Lablogatórios. Agradeço também ao Blogs de Ciência e ao Anel de Blogs Científicos pela visibilidade ao MARCO EVOLUTIVO e a todos os outros colegas que me linkaram. Agredeço ainda os convites para palestras em semanas de estudos feitos pelo pessoal da Psicologia da PUCCAMP e do Mackenzie e da Biologia da Unesp de Jaboticabal.

Espero estar contribuindo para uma divulgação científica original e contundente. Além de servir de referência para links e atualidades científicas relacionadas ao tema. E estar fortalecendo o conhecimento sobre o evolucionismo, principalmente quando aplicado ao comportamento animal, que também somos nozes.  Então, aguardem as surpresas evolutivas quentinhas que virão para esse mês de aniversário de um ano do MARCO EVOLUTIVO.

Qual a relação entre a revolução darwinista, a seleção sexual, a origem das células sexuais e as diferenças psicológicas entre homens e mulheres? Eduard Punset, um dos mais famosos divulgadores de ciência de língua espanhola, nos mostra essas relações em uma entrevista brilhante com a Filosofa Helena Cronin. Além disso, são incluídos comentários interessantes de alguns pesquisadores da Universidade de Barcelona.

Enquanto andam por um parque em Londres eles conversam de forma descontraída e esclarecedora. O vídeo tem 29 minutos, todo em espanhol e começa abordando a seleção sexual e as características sexualmente selecionadas nos sexos, a beleza e o corpão violão das mulheres e a força e a competitividade dos homens. O mito do “quadril largo = boa parideira” é desacreditado e a proporção quadril/cintura é explicada como indicador de fertilidade nas mulheres.

Eles conversam sobre a Revolução Darwinista no panorama geral das ciências. Punset considera Darwin o maior cientista que já existiu. Helena considera fantástico como Darwin acabou com a dicotomia “acaso/designo” mostrando que entre as opções “acaso” e “projeto-com-projetista” existe a possibilidade darwinista de “projeto-sem-projetista”. E essa noção explica a origem do projeto dos seres vivos de forma natural sem a necessidade de explicações sobrenaturais metafísicas.

Depois eles conversam sobre as origens do sexo e voltando 800 milhões de anos atrás com o surgimento das primeiras células sexuais diferenciadas em maiores e menores. Helena explicar que machos e fêmeas surgem da solução do dilema de alocação de investimentos reprodutivos em acasalamento versus parental. E então abordam as diferenças psicologias entre homens e mulheres começando pelos meninos e meninas.

As diferenças entre comportamento de homens e mulheres é um assunto muito delicado, pois reações emocionais contras o sexismo por vezes atrapalham o entendimento sobre o tema. Isabella a bordou profundamente essa temática no CientíficaMente e ajudou a desfazer mal-entendidos. A dica é nunca confundir diferenças com desigualdade. Não precisamos ser clones idênticos para temos igualdades de direitos e oportunidades. Helena mostra como um melhor entendimento das diferenças na distribuição de cada característica, em que homens estão mais representados do que mulheres nos dois extremos da curva, nos ajuda a entender fenômenos ditos machistas. O interessante é ver no vídeo o que pensam meninos e meninas sobre as diferenças entre homens e mulheres.

Espero que gostem do vídeo.

Muitas pessoas já encararam (ou encaram) o Lamarckismo como um substituto à altura do Darwinismo na explicação da evolução. Mas a filósofa Helena Cronin nos deixa claro que não é bem assim e explica o porquê. Aliás, para ela Richard Dawkins mostrou brilhantemente isso no seu livro The Exended Phenotype de 1982.
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O Lamarckismo e o Darwinismo têm respostas fundamentalmente diferentes à questão do surgimento das respostas adaptativas. É a distinção entre os modelos instrutivos e os seletivos das origens das adaptações. Imaginem um chaveiro que precisa fazer uma chave adaptada a uma determinada fechadura. A maneira instrutiva é fazer um molde da fechadura com cera e produzir uma chave sob medida, retirando do meio ambiente as informações sobre o desenho específico que se faz necessário. A maneira seletiva é pegar um molho de chaves ao acaso e testá-las até que uma delas funcione. O Lamarckismo é uma teoria instrutiva; o Darwinismo é uma teoria seletiva.
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O Darwinismo pode explicar com facilidade de que maneira a girafa inicialmente passou a fazer a coisa certa, adaptativa. É a descendência de uma longa linhagem de girafas que – saindo de um conjunto aleatório de mudanças genéticas possíveis – acaba encontrando em mudanças que representam um avanço, mesmo que elas sejam muito pequenas. As girafas não precisam encontrar a chave que finalmente abrirá a fechadura, mas simplesmente uma chave que se aproxime um pouco disso, não importando quão pequena seja essa a aproximação. É o fato de as chaves adaptativas poderem ser escolhidas por incrementos que torna possível encontrar, entre todas as chaves, uma que seja satisfatória.
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Em contrapartida, o Lamarckismo precisa explicar de que maneira a girafa, por algum meio misterioso, foi orientada a fazer a coisa certa. A teoria pressupõe que um organismo responda adaptativamente porque aprende do seu meio ambiente, extrai dele informações, recebe dele “instruções” sobre qual resposta é necessária. Mas a teoria não elucida como surge a habilidade de esse organismo aceitar as instruções em primeiro lugar.
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Como é que o Lamarckismo responde a esse problema? Confiando secretamente nas adaptações Darwinistas, aceitando como certo que a girafa vai esticar-se e não curvar-se, que seus músculos vão dar suporte em vez de falhar, que ela vai desenvolver gosto pelo nutritivo e não pelo nocivo, que ela vai tentar evitar a dor ao invés de procurá-la. Os mecanismos lamarckistas não poderiam gerar adaptações; eles poderiam no máximo passar pra frente, para futuras gerações, as tendências à “aquisição” que são geradas por meios Darwinistas. Qualquer teoria instrutiva precisa, no final, basear-se num modelo seletivo ou apelar e recorrer ao projeto deliberado.
Assim, o Lamarckismo não poderia ser nunca algo mais que um anexo limitado para a teoria Darwinista. Ele nunca poderia substituir o Darwinismo como uma teoria abrangente da evolução.

Fonte

CRONIN, H. (1995). A Formiga e o Pavão: Altruísmo e Seleção Sexual de Darwin até hoje. Tradução C. Fragoso e L. C. B. de Oliveira. Campinas: Papirus, capítulo 2 - Um Mundo sem Darwin. P. 69.

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