A descoberta de petróleo na camada denominada Pré-Sal tem chamado a atenção do mundo inteiro. Isso não é por acaso. Economicamente e estrategicamente esse fato pode ser encarado como uma das grandes descobertas de recursos naturais economicamente exploráveis dos últimos tempos. Além disso, trata-se da descoberta de uma imensa riqueza em terras de um país corriqueiramente denominado de “em desenvolvimento”. O fato de existir petróleo a ser explorado em grande quantidade no fundo do Atlântico torna o Brasil como aspirante a membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), colocando-o tranquilamente entre os dez maiores produtores de tal produto. Isso vem a calhar em uma época onde já discutia-se até quando tal recurso, base da matriz energética mundial, estaria disponível. Por ser um recurso natural não renovável o mundo já preocupava-se com a necessidade de substituição de tal matriz o que, logicamente, geraria e gerará custos adicionais. Os iniciais 5 a 8 bilhões de barris e possivelmente até 80 bilhões de barris caíram como uma bomba destruindo todas as previsões de um fim muito próximo das reservas mundiais. O preço do barril de petróleo que estava nas alturas, hoje já não preocupa tanto. Sem sombra de dúvidas, economicamente o Brasil dá um salto importante em uma época estratégica, onde o “milagre do crescimento dá as caras” e as reservas de outros importantes exportadores do produto já não são tão grandes.
No entanto, uma coisa me preocupa. É notório e ratificado que os principais efeitos relacionados às mudanças climáticas globais são advindos, em grande parte, do uso de combustíveis fósseis. A utilização de matrizes energéticas mais limpas vem sendo apontada como a única saída disponível para obter-se um desenvolvimento econômico e ambiental concomitantes. Em outras palavras, o tão falado desenvolvimento sustentável. O Brasil sempre foi visto com bons olhos no cenário mundial pela utilização de biocombustíveis e também pela possibilidade de geração de energia hidroelétrica, solar e eólica. Mas e agora? Com a descoberta dessa imensa jazida de petróleo será que os olhos dos governantes brasileiros continuarão voltados para o desenvolvimento dessas fontes energéticas “mais limpas”? Sinceramente, tenho minhas dúvidas. Governos diferentes passarão ao longo da exploração do pré-sal e, nesse sentido, não sabe-se que uso se dará ao mesmo. Além disso, mesmo que a matriz energética brasileira continue sendo limpa, o país tornará-se um grande fornecedor de tais combustíveis fósseis para outros países. Resumindo, a descoberta do petróleo do pré-sal pode retardar a busca por novas matrizes energéticas, o que, por sua vez, provavelmente retardará o alcance dessas novas tecnologias limpas.
Para finalizar, volto a ratificar a importância dessa descoberta, colocando o Brasil definitivamente como um dos protagonistas do cenário mundial. A era de coadjuvante terminou. Estrategicamente o mundo volta os olhos para cá e nós, temos uma oportunidade ímpar para resolver muitos de nossos problemas. Porém, ambientalmente me preocupa o modo como essa riqueza será administrada. É necessário encontrarmos um ponto de equilíbrio entre a riqueza proveniente de tal recurso e a responsabilidade ambiental brasileira. E essa última, por sua vez, não pode estar só relacionada ao país em si. Ela deve estar intimamente ligada também com o planeta como um todo, afinal de contas, as mudanças são globais e não locais.
Carlos Pacheco






Claudia Chow em 24/ Sep/ 2008
Tirando o petróleo o que significa para o mundo os países da Opep? Que exemplos de distribuição de renda, meio ambiente e educação eles tem pra dar? Eu nao sei citar nenhum. Aliás, tirando o petróleo quem lembra q esses países existem?
Vc tem alguma duvida q o Brasil vai seguir um caminho diferente?
Jazidas de petróleo sao comemoradas com altas na bolsa e nao sao vistas com certo receio. Infelizmente acho q se todo esse petroleo no Brasil se confirmar teremos um futuro bem preocupante, alias, bem MAIS preocupante.
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geofagos em 24/ Sep/ 2008
Pois é Cláudia. A minha intenção ao escrever esse post era chamar atenção que essa descoberta não apresenta somente prós. Os contras, apesar de não citados nos informativos cotidianos, também existem e devem ser abordados e discutidos pelos formadores de opinião.
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Lucas Facco em 24/ Sep/ 2008
Uma pena vai ser a medida adotada pela governo em vender essa riqueza a preços baixos, como acontece com o México. No futuro poderá fazer falta ao desenvolvimento.
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Alexandre em 25/ Sep/ 2008
Pacheco,
parabéns pelo post. Realmente é um assunto que nos remete a pensar nas conseqüências reais dessas novas descobertas, tando na área social, quanto ambiental, levando em consideração que o caminho percorrido e investimentos nas pesquisas com biocombustíveis podem ter sido “perdidos”, pelo desvio de foco.
Forte abraço,
Alexandre
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Luiz Bento em 7/ Oct/ 2008
Acho que a descoberta de petróleo no pre-sal não vai alterar em nada a matriz energética brasileira. Temos um país de grande potencial hidrelétrico, a utilização de termoeletétricas a carvão e óleo disel é apenas como complemento. Além de muito poluente, utilizar termoelétricas é mais caro.
Uma coisa importante a ser lembrada é que a política e ecologia não se misturam. A nossa matriz só é voltada a energia hidrelétrica porque a produção dela é mais barata para nosso país. Ela ser “potencialmente” (com muitas aspas) menos poluidora que outras fontes de energia veio como consequência do fato em si.
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