Viciado em World of Warcraft

Já falei sobre a possibilidade de vício em videogames aqui, até mesmo colei o vídeo a seguir, mas desta vez ele está legendado em português:

Esse vídeo levanta tantas questões que eu nem sei por onde começar! Bom, vamos lá: eu acredito que seja possível sim “viciar” em videogames. Mas o processo é um pouco diferente do vício à nicotina, por exemplo. Deve-se analisar outros fatores que incentivam a manutenção desse comportamento problemático, no caso, o jogar em excesso.

Primeiro: o reforçador acontece intermitentemente (ora ele ganha, ora ele perde, como num cassino). Segundo: há o reforçador social facilitado, dentro do jogo é muito maior o número de pessoas com interesses similares ao do jogador. Terceiro: alguém corta a mesada do moleque? Este jogo não precisa de mensalidade? Quem está pagando? A mãe? E ela está reclamando? Ah, pelo menos apareceu na televisão, né?

Retirar o jogo do garoto ou pelo menos limitar os horários de jogo é a solução mais adequada. Também vale não pagar outro teclado ou outro mouse quando ele os quebra: ele precisa saber lidar com as consequências de seus atos. Outro fator que talvez lhe fosse útil e poderia ser trabalhado em terapia é encontrar outros meios de socialização sem o uso do computador.

Ah, e não dêem ouvidos à psicólog(ist)a desse vídeo! Como assim o DSM ser a bíblia dos psicólogos? Talvez seja dos psiquiatras mas não dos psicólogos, longe disso! O DSM é um livro que descreve a topografia dos comportamentos mais comuns em diferentes transtornos. Para nós, analistas do comportamento, a função destes comportamentos-problema é muito mais importante do que a topografia! Diferentes pessoas com o mesmo diagnóstico podem se comportar de maneiras completamente diferentes! Mas esta discussão deixarei para outro post, a intenção aqui foi só dividir o vídeo mesmo! :)

5 Comentários

  1. Daniel Christino em 11/ Sep/ 2008

    Felipe, qual a diferença entre indivíduos “viciados” em videogame e outros viciados, por exemplo, em trabalho ou literatura ou ciência? O conceito de vício aplicado a situações nas quais não há um catalizador químico podem ser entendidos como vício ou apenas como desvios comportamentais? Será que dá para definir um viciado por uma economia das atividades (ele passa mais tempo em frente ao computador negligenciando outros aspectos igualmente importantes da sua vida)? Do meu ponto de vista parece haver aí um conceito de eqüilíbrio que deveria ser explicitado e melhor fundamentado. O que você acha?

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  2. ISis em 11/ Sep/ 2008

    Nossa, da mesma maneira que é possível viciar em internet, e-mail ou, quem sabe, até blogs….

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    Igor Santos Reply:

    seremos todos casos perdidos?

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  3. Fernando em 13/ Sep/ 2008

    Felipe, aqui é o psiquiatra que deu aula de Neuropsicofarmacologia pra sua turma por 1 mês, lembra? Nos encontramos também em um torneio de Poker e no Bolshoi.

    Pois bem, achei seu site navegando por aí, caindo em um vídeo anti-psiquiatria no Youtube e, surpresa, você e quem havia feito o upload.

    Dei uma lida nos seus textos e vejo que o seu ranço com a Psiquiatria é grande. Eu também tenho inúmeras críticas contra a Psiquiatria, mas acho que às vezes você fala como um torcedor de time, e não como um observador imparcial. Talvez por não conhecer a realidade psiquiátrica tão bem.

    Importa-se se, nos seus textos, eu der um pitaco, dando um “direito de defesa” à Psiquiatria, quando eu achar que ela merece ser defendida?

    Se sim, vou começar com as seguintes perguntas: você tem acompanhado o caso dos garotos esquartejados? Viu que o psicólogo do abrigo disse que eles tinham condição de viver em casa? Se fosse um psiquiatra, qual seria o seu comentário? E sendo um psicólogo?

    Grande abraço!

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  4. Luiz em 5/ Oct/ 2008

    Sou um ex viciado em blogs. Tinha o atalho deles aqui no meu navegador e passava boa parte do dia abrindo para ver novos posts. Mas como Analista do Comportamento, resolvi mudar o ambiente (retirar os atalhos) e o vício se foi.

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