Posts Tagged ‘Quanta Vida por descobrir…’

Cara de Livro

Wednesday, May 13th, 2009


A ideia é simples, como a maioria das boas ideias.
Mas não tem nada de facilitismo ou de básico.
Duas portuguesas, a residir na Holanda, decidiram dar nova cara a livros já publicados.
Recriar capas, parece ser o lema, com fotos próprias.
Alguns exemplos estão aqui publicados.
O restante trabalho está no site - r e-cover project.

Declaração de Interesses:
Conheço pessoalmente as autoras; e gosto delas.

O Artista

Sunday, May 10th, 2009

Recriando o poeta, não sei o que sou, mas sei que não sou um artista. Peguei nas palavras e adaptei-as. Porquê? Porque me deu na real gana, ou simplesmente me deu jeito. Não que tivesse sido um acto artístico, mas é uma actividade eminentemente humana. Todos o fazem. Jogar, recriar, manejar palavras.

Vem este devaneio a propósito de algo que recentemente vi na TV e li nos jornais. Leonel Moura, artista plástico, não deseja “ser como os pintores dos séculos XIX e XX”. Legítima aspiração da insatisfação criadora.
E que fez o autor para ascender a esse Olimpo cultural?
Adoptou um robô. O bichano, construído pelo Instituto Superior Técnico (IST), foi alimentado a palavras de Herberto Helder e amestrado para garatujar, qual protoaprendiz de pintor. O toque divino da coisa foi inculcar na natureza robótica um algoritmo que permitiu ao bicho grafar palavras aleatórias do poeta em folhas imaculadas. O artista transportou o ser para museus ou galerias, onde a mascote foi exibida como singularidade moderna.

Mas que raio, não poderia simplesmente a maravilhosa criatura artística de polegar oponível ter copiado Herberto?
Não.
Pelos vistos, para Leonel Moura tudo o que é humano lhe é estranho. Iluminado pelo aconchego mecânico, o artista afirma-se moderno e declarou ao jornal i ser a “sua” obra “um marco na História da Poesia e da Literatura”. O jornal não se deu ao trabalho de entrevistar o verdadeiro obreiro…
Pode ser que seja um marco na História, mas netos meus far-me-ão rolar na cova se se recordarem do artista e do livro, agora editado, com rabiscos da estimável criação do IST.

Como dizia alguém: “não interessa saber fazer; interessa ter o número de quem sabe fazer.” Número de telefone, ou, neste caso, até mesmo número de série, digo eu.
Bastou, então, ligar para o IST, pois, como toda a gente sabe, o Herberto Helder não deve atender telemóveis.
Além disso, uma faca não basta para cortar o fogo criativo do Moura.

Notas:
Herberto Helder

Leonel Moura - “Poesia robótica”

Imagens:
daqui

poema de “Poesia Robótica”

Papoilas

Saturday, May 9th, 2009

As doses de botânica que tomei não me permitiram afastar uma ideia de infância: as papoilas são todas vermelhas.

Passei por estas, de carro, e nunca parei.
Eram roxas ou lilases, que a minha miopia masculina não me concede maior precisão.
Certo é que não eram vermelhas.
E conviviam à beira alcatrão com as ortodoxas da minha infância.
Ei-las, as papoilas dormideiras (Papaver somniferum).

“the seed of Papaver somniferum, poppy seed, is a common ingredient in many pastries and breads.”1, p. 1249

Referências:
1 - Klassen, C. D. (ed.) (2001) Casarett and Doull’s Toxicology: The Basic Science of Poisons, 6th ed. New York: McGraw-Hill.

Imagem:
Luís Azevedo Rodrigues

Signs

Wednesday, May 6th, 2009

Nota (6 de Maio, 15h30): O vídeo foi retirado do Vimeo. Desconheço o motivo e qualquer outra fonte alternativa. É pena porque era um belo argumento…
Nota (7 de Maio, 11h25): reencontrei o filme…o prazer do reencontro.

A idade ou a cada vez maior necessidade na contenção da palavra força-me a emoção.
Uma boa história necessita apenas de isto.
Com ou sem final feliz.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uy0HNWto0UY]

Do Fundo

Tuesday, April 21st, 2009

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=466491&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=ff9933&fullscreen=1
Drifters of the deep from Eugenia Loli-Queru on Vimeo.

Noblella pygmaea

Tuesday, April 7th, 2009

Noblella pygmaea - 11,4 milímetros de vida…

Referência:
A New Species of Minute Noblella (Anura:Strabomantidae) from Southern Peru: The Smallest Frog of the Andes. Copeia, Volume 2009, Issue 1 (February 2009), pp. 148–156.

Imagem
- daqui

Dança Sísmica

Thursday, March 26th, 2009

O conceito parece-me prometedor - fundir a dança e o minimalismo (?) de dados sísmicos.

A Terra toca para nós…


Dançaremos a contento de ambos?

“Technology and art unite to create dance show based on volcanic sounds of the earth

Wednesday 25 March 2009, Cambridge, UK: For the first time ever, a modern dance company has performed to music generated from seismic data, recorded from four volcanoes across three continents. This unique event was facilitated by DANTE, the provider of high speed research and education networks, the two distributed computing projects, Enabling Grids for E-sciencE (EGEE) and E-science grid facility for Europe and Latin America (EELA), as well as CityDance Ensemble, a prestigious company based in Washington, DC.

The dance, titled The Mountain, was part of CityDance Ensemble’s Carbon, a work-in-progress about climate change. Originally presented in sold-out performances on 14 and 15 of March at the Music Centre, Maryland, USA, it is now available to view here. To download the video click here.”

Referência - daqui

Imagem - da referência

Paleo humor

Sunday, March 22nd, 2009

Vestígios do primeiro dinossaúrio molestador.
Taradices de outros tempos.
:)
http://www.theonion.com/content/themes/common/assets/onn_embed/embedded_player.swf?image=http%3A%2F%2Fwww.theonion.com%2Fcontent%2Ffiles%2Fimages%2FPERVERT_DINO_article.jpg&videoid=93917&title=Paleontologists%20Discover%20Skeleton%20Of%20Nature%u2019s%20First%20Sexual%20Predator
Paleontologists Discover Skeleton Of Nature’s First Sexual Predator

Referência - dica de Gorgul

Crise FAQ

Sunday, March 8th, 2009

Já havia tentado minorar a minha ignorância económica em “Subprime natural”.
Mas ver este vídeo é…como dizê-lo?, fazer de qualquer pessoa um Medina Carreira.
Claro…como a água.

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=3261363&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=&fullscreen=1
The Crisis of Credit Visualized from Jonathan Jarvis on Vimeo.

Paleo talk ou Miragaia longicollum

Wednesday, March 4th, 2009

Logo após a publicação do artigo científico que descrevia um nada usual estegossáurio, enviei um pequeno questionário ao paleontólogo Octávio Mateus.
Pretendia que Mateus, numa linguagem acessível, descrevesse o Miragaia longicollum bem como a importância deste exemplar para a compreensão da vida passada na Terra.

Aqui está a mini-entrevista ou, como prefiro, uma troca de mails entre paleontólogos:

Ciência Ao Natural (CAN): Como apresentaria este novo dinossáurio ao público?
Octávio Mateus (OM): Como todos os dinossauros estegossauros é um quadrúpede herbívoro, com placas no dorso, espinhos na cauda e membros anteriores curtos. Mas ao contrário dos outros estegossauros, este tem um pescoço invulgarmente longo, com 17 vértebras cervicais, o que representa 10 a mais do que a girafa e o maior número entre todos os dinossauros não-avianos.

CAN: Esqueça que participou nesta descoberta. Como classificaria a importância deste fóssil?
OM: Este fóssil é um dos dinossauros portugueses mais completos e o facto de ser um novo taxon vem reforçar a importância de Portugal no cenário da riqueza mundial de dinossauros. A sua inesperada característica de pescoço longo leva-nos a uma série de questões fascinantes sobre a evolução destes dinossauros. Além disso, o Miragaia longicollum demonstra a plasticidade evolutiva dos dinossauros.

CAN: As semelhanças morfológicas, ao nível do esqueleto do pescoço, entre dois grupos de dinossáurios distintos como os saurópodes e o estegossáurios são evidentes nunca antes registadas. Que podemos inferir destas parecenças, ao nível da evolução dos dinossáurios?
OM: As semelhanças mostram que a convergência evolutiva é tão surpreendente como lógica e expectável. Ou seja, se por um lado ninguém esperava ver um estegossauro com 17 vértebras cervicais e superficialmente parecido a um saurópode, por outro lado, a plasticidade evolutiva associada à necessidade de adaptação ao mesmo ambiente dos saurópodes faz da convergência um processo comum e expectável.

CAN: Qual o dinossáurio que gostaria de descobrir em Portugal? Porquê?
OM: Gostaria de descobrir algo que não estivesse à espera de o fazer. Quanto mais inusitado, mais interessante será. Uma descoberta verdadeiramente inesperada levantaria muitas mais questões científicas e tornaria a paleontologia ainda mais cativante.

CAN: Qual o conselho que daria a um jovem português que gostasse de seguir as “pisadas” de Octávio Mateus?
OM: Sem me considerar um modelo, acho que o desejo de aprender mais sobre história natural é a minha grande motivação. Aconselho a interessarem-se pela história natural e nunca perderem a vontade de estudar.

Referência: Mateus, O., Maidment, S.C.R., and N.A. Christiansen. 2009. A new long-necked ‘sauropod-mimic’ stegosaur and the evolution of the plated dinosaurs. Proceedings of the Royal Society B, first online. DOI 10.1098/rspb.2008.1909.
Imagens: do blog Lusodinos