Posts Tagged ‘Histórias de Museus’

O Museu e o Mercador

Monday, November 24th, 2008

Num momento de indefinição quanto ao papel do Museu Nacional de História Natural (MNHN) irá desempenhar na futura reorganização da Universidade de Lisboa, o MNHN perdeu um excelente oportunidade de desempenhar um papel importantíssimo na preservação do património paleontológico e liderar a preservação do património natural.

Qual a posição do MNHN sobre os factos relatados na notícia abaixo citada?
Porque não interveio o MNHN nesta situação?

Oportunidades perdidas pelo MNHN de mostrar à Universidade de Lisboa que está enganada, quando esta o pretende ignorar.

“Vende-se cauda de dinossauro O anúncio – colocado na secção de ‘Antiguidades’ do site do jornal de classificados ‘Ocasião’ – explica que se trata de um “dinossauro, espinha dorsal 90% completa.”
Correio da Manhã - 21 Novembro 2008 - 00h30
Feita a chamada para o telemóvel mencionado no anúncio, Gonçalo Ribeiro, o dono do achado confirma que não é brincadeira: “Tenho um esqueleto de um dinossauro herbívoro que encontrei há cerca de dez anos, quando fazia umas terraplanagens.” Garante “já ter recebido várias ofertas “, mas só não vendeu “por ainda não ter encontrado alguém disposto a pagar um preço justo e que dê garantias de dar um uso correcto ao achado”. Não quer dizer onde foram encontrados os ossos, mas o CM sabe que estavam no concelho do Cadaval. Sem querer adiantar qual o valor que considera justo para vender, Gonçalo Ribeiro confirma que “já recusou uma proposta de cem mil euros de uma autarquia da Região Oeste, por achar que era pouco”. O paleontólogo Octávio Mateus, perito da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, já analisou o esqueleto. “É uma cauda e um perónio de um sauropode, mas não quero fazer considerações sobre o seu valor porque não acho correcto que esteja a ser vendido”, disse ao CM. O cientista escreveu mesmo uma carta ao ‘Ocasião’ a pedir que o anúncio fosse retirado, mas não teve resposta. E lamenta que “a lei não proteja os achados paleontológicos como acontece com os vestígios arqueológicos”.”

Actualização (25/11/2008)

Pelos vistos orgãos de comunicação não portugueses já pegaram no assunto…curioso o silêncio do MNHN.

Telegraph - Dinosaur tail sale sparks anger in Portugal

The Windsor Star - Portuguese dinosaur tail’s sale sparks controversy

JB

Monday, November 10th, 2008

…130 anos de Jardim Botânico da Universidade de Lisboa.
Parabéns!

Informações aqui

Debate para o Museu

Sunday, October 12th, 2008

Um debate importante para um futuro incerto.
A minha opinião aqui.

O Czar e o dinossáurio

Tuesday, October 7th, 2008

Grande parte do trabalho de um paleontólogo é passado dentro, à volta e em torno de Museus de História Natural.
É neles que estão depositadas (ou deveriam estar) as colecções de fósseis que fazem parte do trabalho de qualquer investigador que tenha como referencial a História da Vida na Terra.
Tenho feito visitas de carácter científico a alguns museus, estando actualmente em visita científica de recolha de dados no Carnegie Museum of Natural History, em Pittsburgh.
Cada Museu de História Natural, para além do material de estudo e capital em investigadores, tem atrás de si várias histórias humanas ligadas quer ao conhecimento gerado quer à aos próprios intervenientes (humanos e não-humanos).
O Carnegie Museum of Natural History (CM) “nasceu” da vontade Andrew Carnegie, milionário do séc. XIX da indústria americana do aço e um enorme filantropo das artes e ciências.
Carnegie tomava o pequeno almoço em Nova Iorque e lia, como habitualmente, o seu jornal, que nesse dia relatava um achado impressionante – restos de um animal gigantesco tinham sido descobertos no Wyoming. A notícia era acompanhada de perturbadora descrição do animal – o Brontosaurus (agora classificado como Apatosaurus) – assente nas patas traseiras e a olhar para o 11º andar de um prédio!
Carnegie imediatamente escreveu uma nota a W.J.Holland que dizia “Caro Director, compre imediatamente este animal para Pittsburgh!” tendo-a enviado para o na altura Carnegie Institute. Juntamente enviou um cheque de 10000 dólares.
Estava iniciada a “caça” aos dinossáurios em Pittsburgh!
Durante os anos seguintes a equipa do CM procedeu a expedições no continente americano tendo descoberto inúmeras espécies (Stegosaurus, Camarasaurus, Apatosaurus, etc).
Um dos exemplos (tão de agrado do espírito heróico norte-americano) é a descoberta no dia 4 de Julho de 1899 (dia da independência americana) do que viria a ser classificado como Diplodocus carnegii (em honra do patrono e fundador do CM).
Carnegie possuía um castelo na sua Escócia natal, onde recebia com frequência individualidades e a própria realeza.
Numa dessas visitas, o Rei Eduardo VII notou uma das gravuras de Diplodocus tendo imediatamente pedido ao milionário que comprasse um igual para Inglaterra.
A equipa do CM contratou escultores italianos para iniciar o processo de feitura de réplicas bem como a criação da estrutura de suporte (método ainda actualmente utilizado.
Em 1904 estava feita a primeira réplica de Diplodocus tendo no ano seguinte sido enviada uma para Inglaterra.
A moda iria espalhar-se pelo resto da realeza europeia tendo sido feitas réplicas para o Kaiser Wilhelm da Alemanha, Rei Vittorio Emanuele III de Itália, Czar Nicolau II da Rússia e o Rei Afonso XIII de Espanha (curiosamente nenhuma réplica para Portugal) e instaladas nos respectivos museus de História Natural.
Holland, o director do CM, fora destacado para a montagem do Diplodocus no Museu de História Natural de Moscovo. Como já foi dito aqueles animais tinham dimensões da ordem das dezenas de metro.
Encontravam-se Holland e os seus colaboradores atarefados com a montagem da réplica quando, atraído pelo fascínio pelos dinossáurios , irrompe pela sala o Czar e respectivo séquito.
Os trabalhadores russos, perante tal importante visita, largam literalmente tudo o que tinham em mãos para manifestarem o seu respeito pelo czar.
É então que os republicanos americanos vêem o desabar de toda a estrutura jurássica perante as suas cabeças. Felizmente nada de grave sucedeu exceptuando o retomar da construção da estrutura paleontológica que havia desabado.
Em 1910, o último czar da Rússia, Nicolau II já podia admirar a sua réplica de Diplodocus.
O Diplodocus que surgira numa notícia de jornal em Nova Iorque espalhava-se agora pelos Museus do Velho Continente.

Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro em 2005

Imagens - foto de jornal que despertou em Carnegie a paixão pelos dinossáurios - Luís Azevedo Rodrigues;
Andrew Carnegie - da Wikipedia;
notíca do arquivo do New York Times;
trabalho em Diplodocus, em 2005, no CArnegie Museum of Natural History - Luís Azevedo Rodrigues

FIM DE CICLOV

Saturday, August 16th, 2008

Em relação às três últimas imagens, gostaria de informar que, durante a estadia no Museu de Zigong, tinha que interromper o trabalho frequentemente porque os jovens chineses me pediam para tirar fotografias junto a eles…

Carnegie Museum of Natural History, Pittsburgh, EUA, 2005

Carnegie Museum of Natural History, Pittsburgh, EUA, 2005

Zigong Dinosaur Museum, Zigong, China, 2006

Zigong Dinosaur Museum, Zigong, China, 2006

Minas de Trás-os-Montes - exposição

Friday, August 8th, 2008

Informação recebida de

Nélson Campos e adaptada

“Exposição de fotografia, intitulada “Escombros – Minas transmontanas”, de autoria de José Luís Gonçalves, que terá lugar no próximo dia 9 de Agosto (Sábado) no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, pelas 16 horas.

Esta exposição resultou de um trabalho fotográfico de José Luís Gonçalves, realizado em 2005, num momento em que praticamente todas as minas de Trás-os-Montes se encontravam inactivas, com infra-estruturas em ruínas, mas ainda com muitos vestígios do que se pode considerar Arqueologia Industrial e Mineira.
A opção fotográfica a preto & branco ajuda a salientar esse olhar trágico, hoje de desolação e silêncio, com a natureza já a cobrar os seus direitos, em sítios onde outrora se ouviu o ruído das máquinas, as explosões e a vozearia humana. Era esse o cenário quotidiano, feito de esforço insano, para retirar às entranhas da terra a riqueza mineral que fez a fortuna de alguns e deu para o remedeio de muitos outros. Aí se exploraram diversos minerais, desde o volfrâmio, ouro, chumbo, chelite, ferro.

As minas representadas são uma pequena parte do panorama mineiro de Trás-os-Montes, mas aí se encontram algumas das principais, com destaque para Argoselo, que já tiveram direito ao cinema, através do filme “A sombra do Abutre” de Leonel Vieira, Ervedosa, Jales, de que se volta a falar, na expectativa de uma nova “febre do ouro”, Portelo e Coelhoso no concelho de Bragança, e as famosas minas de Ferro de Torre de Moncorvo.

No dia 23 de Agosto está agendada uma palestra, também no mesmo Museu , sobre “Jazigos de Ferro Portugueses”, pelo geólogo Prof. Doutor Fernando Noronha.”

Todos os nomes*

Wednesday, July 2nd, 2008

Nomear e classificar são actos intrinsecamente humanos. Chamamos as coisas pelos nomes para as discriminar, mas esse acto acrescenta algo mais do que a mera nomeação da coisa.
“Não me chames nomes!”, dizia-me um colega de escola para não ser ofendido; “Isso não se diz!”, corrigia a minha mãe quando eu apelidava, com várias intenções, alguém de quem não gostava.

A classificação dos seres vivos, quer actuais quer os do registo fóssil, obedece a regras precisas com o objectivo de não gerar equívocos e mal-entendidos na comunicação científica.
Utilizando várias fontes online, todas baseadas na “bíblia” da nomenclatura dos animais – o ICZN (International Code of Zoological Nomenclature), dediquei algum tempo à pesquisa de nomes inusitados com que alguns animais têm sido nomeados

Não poderia deixar de começar com uma personagem fóssil que tem estado ligada à minha vida profissional – o Apatosaurus louisae. Este dinossáurio saurópode americano foi dos primeiros a ser descoberto e montado numa exposição, nos finais do séc. XIX. O mecenas das escavações e trabalho científico, Andrew Carnegie, tinha como esposa a senhora Louise, sendo esta a musa inspiradora para o nome do grande animal.

Mas a homenagem dos paleontólogos não se ficou pela patroa; também o senhor Carnegie teve direito ao seu quinhão – Diplodocus carnegii – outro saurópode, sendo assim apelidado para preservar o nome do chefe. Não morder a mão que nos alimenta e abençoar o seu nome devia ser a moral da história…

Ainda no mundo dos dinossáurios de referir o Masiakasaurus knopfleri, um carnívoro descoberto em Madagáscar. A história do baptismo é conhecida mas foi-me contada na primeira pessoa por um dos autores, Catherine Foster.
Justificou-me ela que ouviam a música dos Dire Straits, cujo vocalista é Mark Knopfler, quando descobriram o sáurio.
Espero estar ouvir Amália da próxima vez que estiver a escavar, pensei eu na altura. E não é que existem pelo menos 13 animais com o nome “amalia”, entre aves, moluscos e insectos?

Outro dos ícones portugueses, o Pantera Negra, entra no nome científico de dois animais – Libellula eusebioi (uma libélula fóssil) e um ácaro das Filipinas, Dolicheremaeus eusebioi.

Passou o importuno Dia dos Namorados mas nada como relembrarmos o Bela eva, um gastrópode de Moçambique. Que nome bonito e adequado para a nossa cara-metade. Bem, a menos que ela seja uma malacologista – estudiosa de gastrópodes e bivalves – pois nesse caso não achará grande originalidade ao nosso piropo conjugal.
Mas podemos sempre atirar-lhe com Amoraster – ouriço-do-mar do Miocénico da Austrália. Quem feio escuta, bonito lhe parece, pelo menos nesta situação.

Há 470 milhões de anos, quando fossilizou, o equinoderme primitivo Delgadocrinus oportovinum mal imaginava que teria o seu baptismo científico associado ao produto agrícola mais famoso de Portugal – o Vinho do Porto.
Pois foi isto que a equipa liderada por um paleontólogo da UTAD fez; a justificação para a designação da nova espécie assenta na sua morfologia já que esta faz lembrar um cálice do néctar duriense, sendo a primeira parte do nome uma “vénia” ao geólogo Nery Delgado, responsável pelas primeiras recolhas de material.
Se os paleontólogos puderem ter algum apoio do sector vinícola, é ouro sobre…um Porto de Honra!

“ ****, seu **** ”, são nomes que não posso repetir e que apelidam o senhor do apito que corre de calções, com outros senhores que pontapeiam uma bola; mas quando “joga” o Taedia benfica – insecto pertencente à família Miridae e descrita por cientistas brasileiros, não me parece que haja muitos protestos, salvo se estivermos para os lados das Antas ou Alvalade.
O prémio para nome contraditório poderia perfeitamente ser atribuído à Boa canina – um réptil da ordem Serpentes; esta besta, que mata por estrangulamento, de boa não tem nada, pelo menos para as suas vítimas; e de canino, talvez apenas a fidelidade ao seus instintos.

Já o Turanogryllus mau – um grilo africano – pode invocar que tem a reputação manchada pelo nome científico que lhe calhou na rifa…
O mundo da Internet já serviu igualmente de inspiração ao “negócio” de alcunhar animais.
A Proceratium google é uma formiga de Madagáscar, descrita em 2005 e, justificam os investigadores, tem a particularidade de saber procurar muito bem as suas presas, tal como o seu homónimo informático.
A lista de nomes é imensa, mas finalizo com Libellago finalis – uma libelinha.
Assim, acho que ainda tenho tempo para agarrar La cerveza – uma tr
aça norte-americana.

*Uma sincera homenagem à obra homónima de José Saramago.

(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 15/2/2007)

Imagens
Luis Azevedo Rodrigues - duas primeiras
Amoraster paucituberculata - McNamara, K. J. & Ah Yee, C. 1989. A new genus of brissid echinoid from the Miocene of Australia. Geological Magazine 126.
Proceratium google - Brian Fisher

Dinossáurios de Portugal…pegadas

Thursday, June 19th, 2008

É com enorme alegria que vejo que o primeiro paleontólogo de vertebrados português (neste caso uma paleontóloga) a adaptar a sua tese e a publicá-la sob a forma de obra de divulgação científica.
É um livro sobre o registo de pegadas de dinossáurio em Portugal, onde é abordado o seu valor científico e patrimonial.
Para além de todas as jazidas portuguesas, individualizadas, é feita introdução sobre os diversos tipos de dinossáurios e os processos geológicos que proporcionaram a sua fossilização.
Acima de tudo, um livro muito pedagógico, com excelentes ilustrações de Mário Estevens, também ele doutorado em Paleontologia.

“Em Portugal existem pegadas e pistas de dinossáurios em zonas
litorais e em antigas pedreiras. O estudo destes icnofósseis permite
conhecer a anatomia dos pés e das mãos dos dinossáurios
que os produziram, o seu modo de locomoção, o seu comportamento
individual e social, os ambientes que frequentaram,
entre outros aspectos. As jazidas com pegadas de dinossáurios
são, assim, uma importante fonte de informação sobre este
grupo de animais já extintos há 65 milhões de anos e constituem,
igualmente, locais privilegiados para o ensino de temas
relacionados com a Geologia e a Paleontologia.
O presente trabalho pretende divulgar o conhecimento científico
adquirido com o estudo destas jazidas, realçando o seu
valor científico, cultural, pedagógico e patrimonial, e contribuir
para a sua preservação.”
Páginas do livro

Parabéns atrasados

Saturday, May 24th, 2008

Antes atrasados que não dados; conheci-o durante esta acção e, para além de lindo, é funcional e bem organizado.
Museu de Ciência da Universidade de Coimbra

“O Museu de Ciência da Universidade de Coimbra foi galardoado ontem em Dublin, Irlanda, com o Prémio Micheletti de melhor museu europeu do ano na categoria de ciência e tecnologia, pelo Fórum Europeu dos Museus, divulgou fonte da Associação Portuguesa de Museologia.
O presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João Neto, revelou que o Museu de Ciência da Universidade de Coimbra foi galardoado com o Prémio Micheletti entre cerca de 50 museus europeus. “Isto significa que, apesar de todas as dificuldades e do desinvestimento nos museus, as instituições europeias reconheceram o mérito da museologia e o melhor do que se faz em Portugal”.

O presidente da APOM sublinhou a importância do prémio e afirmou que “as pessoas ficaram surpreendidas com a apresentação dos vários conceitos científicos” pelo museu.
Já em Novembro, o Museu de Ciência da Universidade de Coimbra foi galardoado com o Prémio de Melhor Museu Português pela APOM. “

Texto (citado) - daqui
Imagem - daqui

hYbrid: Science and Art

Tuesday, May 20th, 2008

“O hYbrid reúne uma vez por ano artistas, cientistas, sociólogos e filósofos de todo o mundo para partilharem ideias sobre as fronteiras entre arte e ciência. Num evento aberto à comunidade discute-se algumas das correntes mais inovadoras e polémicas da arte contemporânea.

hYbrid: Reflections on Science and Art é a segunda edição deste evento organizado pelo IBMC.INEB em colaboração com o projecto Ectopia. Este ano a discussão irá focar-se nas questões éticas inerentes a esta relação entre arte e ciência, com especial destaque para as ciências da vida. O encontro será no Museu Soares dos Reis (MNSR) a 31 de Maio.

Inscrições em www.ibmc.up.pt/hybrid.
O trabalho de alguns dos artistas convidados estará exposto no MNSR de 29 de Maio a 4 de Junho. Uma exposição comissariada pela artista Marta de Menezes e produzida pelo IBMC.INEB.

Toda a informação sobre o programa, a exposição e os convidados está em www.ibmc.up.pt/hybrid.”

Informação recebida de Anabela Antunes