Do Fundo
Tuesday, April 21st, 2009http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=466491&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=ff9933&fullscreen=1
Drifters of the deep from Eugenia Loli-Queru on Vimeo.
http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=466491&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=ff9933&fullscreen=1
Drifters of the deep from Eugenia Loli-Queru on Vimeo.
Há palavras que, por vezes, nos faltam.
Umas, por falta de ideias.
Outras, por falta de vontade ou engenho de realizar um trabalho minimamente competente.
Outras ainda, por lacunas da nossa língua materna.
E existem textos que combinam as três razões anteriores.
Hoje, o DN chamou-me a atenção com uma notícia sensacionalóide: “Aligatores ajudam a perceber dinossauros”.
Já havia retransmitido o título deste estudo pelo Twitter, dois dias atrás.
Pensei: “Bom, o palerma deve ter dourado a informação com a palavra dinossauro, embora não tenha nada que ver. Errado e frequente.”
Mas não.
O tetrápode grafante havia criado um novo mundo para a Paleontologia! O iluminado escriba continuou a sua tradução/recriação do artigo com a seguinte frase: “Investigadores estão a utilizar aligatores, uma espécie de crocodilo, para perceber como terão vivido os dinossauros há 540 milhões de anos…”
Meu caro: a sua tatemae é mais forte do que a sua literacia científica, uma vez que qualquer aluno do 7º ano de escolaridade sabe que os primeiros dinossáurios terão surgido há aproximadamente 230 milhões de anos.
Anseio por vislumbrar a sua backpfeifengesicht capaz de tão rico desenrascanço.
Glossário:
“Backpfeifengesicht”, palavra alemã que significa “ter uma cara que merece um murro bem dado”.
“Tatemae”, palavra japonesa que significa “o que se quer acreditar”.
Referência:
Tomasz Owerkowicz, Ruth M. Elsey and James W. Hicks. Atmospheric oxygen level affects growth trajectory, cardiopulmonary allometry and metabolic rate in the American alligator (Alligator mississippiensis). Journal of Experimental Biology 212, 1237-1247 (2009)
doi: 10.1242/jeb.023945
Imagem - daqui
Se temos um aeroporto com nome de vítima de acidente aéreo, por que não um corrupto condenado como administrador público?
Imagem - 365 MINUTOS
Na secção Ciência do DN é relatado que o Ministério da Defesa britânico decidiu revelar os segredos de OVNIS que as mentes castrenses de Sua Majestade andaram a ocultar ao mundo.
Apenas um trecho da secção Ciência do DN de hoje:
“Uma dos casos que consta nos dossiês do DI55, e que foi contado pela imprensa britânica, é o de uma mulher que disse ter encontrado um extraterrestre louro e com sotaque escandinavo quando andava a passear o cão.
Esta história(…), ocorreu em Norwich, em Novembro de 1989. A mulher que a protagonizou explicou ter conversado durante dez minutos com um homem louro que lhe explicou que as formas circulares traçadas em alguns campos de cereais eram obra de seres extraterrestres como ele e que o propósito da sua visita era amigável. “
Sugiro outros casos a serem analisados pela referida secção de Ciência:
Freeport Legalizado Por Hordas de Advogados Voadores
ou
200 mil Pessoas Imaginárias
Estes cidadãos surgem esporadicamente e apenas nas mentes de sindicalistas, segundo especialistas. Os delirantes sindicalistas afirmaram, segundo as mesmas fontes, que foram “abduzidos” e regressaram ao convívio dos comuns com ordens precisas de “provocarem ajuntamentos populares”. A Comissão de Festas de Cavernães, declarou à secção de Ciência, vir a contar, num futuro próximo, com estes profissionais da imaginação, vulgo, sindicalistas.
ou
Contentores de Reeducação
Uma especialista do norte do país em fenómenos para-educativos, referiu à secção de Ciência, que estas construções de “último grito tecnológico” facilitam a “lavagem civilizadora de mentes”, uma vez que permitem “aos imberbes nómadas” um contacto privilegiado com “estruturas focalizadoras de energias pedagógicas”.
Notícias de Ciência que poderiam muito bem aparecerem em qualquer jornal diário nacional…
Ou não.
Imagem - daqui
Já me aconteceu várias vezes, em especial no oriente.
Antecipando um colega ele, surpreender-me quando me deparava com uma ela.
A técnica redentora deste engano passa por inúmeros contorcionismos comportamentais, que não vou descrever a fim de não reviver o embaraço.
Coisas que acontecem quando não se domina o género dos nomes e num ambiente que não nos é familiar.
Nada de especial.
Acontece também em jornalismo de ciência.
Recentemente, um artigo importante relaciona o aumento da acidez dos oceanos com a uma maior fragilização da carapaça microrganismos que são um elo muito importante das cadeias alimentares oceânicas.
Num artigo, hoje publicado no DN, Filomena Naves apelida os “foraminíferos” de “foraminíferas”, por mais do que uma vez.
Bem sei que, neste tempos alucinantes, os ininterruptos comunicados das agências noticiosas não nos dão sossego, mas traduzir “foraminifera” para “foraminíferas” é, como dizê-lo, nominalmente errado.
O importante é que a notícia foi divulgada.
Ainda que no género errado.
Referência
Andrew D. Moy, William R. Howard, Stephen G. Bray, Thomas W. Trull. Reduced calcification in modern Southern Ocean planktonic foraminifera. Nature Geoscience (08 Mar 2009), doi: 10.1038/ngeo460, Letters.
Imagem - daqui
Escorria.
Escorria mesmo e parecia água.
O som era inconfundível.
“Pode escorrer água do chão?”
Contra natura.
“Salto?”
O som que lhe entrava pelos ouvidos e lhe confundia a razão, fez agora sentido.
No meio da escuridão intermitente, estava a 20 metros do chão, prestes a saltar para o vazio.
As luzes pirilâmpicas não cessavam.
Não se podia abrigar do lado esquerdo.
Estava atrasado e não entendia como os da meteorologia se enganam cada vez menos – chovia e não parava de chover, tal como haviam repetido na rádio.
Ainda abrandou.
Sempre era uma cortina de granizo que não se abria perante o pára-brisas.
Rodou e rodou.
Tudo parecia mais luminoso nesse final de tarde em que caía granizo.
Rodou e rodou.
Se se encolhesse o bastante, menor seria a probabilidade de algo metálico lhe conhecer o corpo.
A dança mecânica tinha acabado.
O seu lado anti-social, aparentemente, também se revelava com metais.
E agora?
Sair.
Fugir da manada e saltar para lá da barreira.
Do lado esquerdo.
Escapar das involuntárias apresentações automóveis.
E conhecer o vazio.
Tinha migrado para o lado direito e a manada não parava.
Havia que os desviar.
Irracionalizados pelo caminho obrigatório, não findavam a passagem.
Havia que os parar.
Como?
P.S.- qualquer semelhança entre este texto e um despiste na A8 não é pura coincidência.
Imagem - indicações na mesma.
Transcrito de Educação do meu Umbigo. Não poderia estar mais de acordo.
“A decisão final do processo disciplinar aos alunos da Escola do Cerco tem, independentemente de outros aspectos mais ou menos passíveis de discussão, um erro enorme e uma mensagem implícita profundamente perturbadora.
A aluna que filmou a ocorrência é quem levou o castigo maior (oito dias, em vez dos cinco para os alunos que praticaram os actos), alegadamente porque terá mentido sobre a gravação.
Pois, sim, sabemos…
Eu acredito mesmo no coelhinho da Páscoa.
A mensagem clara é: façam o que fizerem (batam, esfolem, intimidem, gozem, brinquem, desrespeitem) mas, por favor, não filmem e muito menos divulguem para que se saiba.
Note-se que os factos já eram do conhecimento do órgão de gestão da escola (que os conheceu no próprio dia), só sendo despoletado o procedimento disciplinar quando a situação transbordou para a opinião pública.
Imagem - Mike Monteiro
…foram seleccionadas de compiladas por investigadores da Universidade de Oxford.
Aqui estão elas:
1 - At the end of the day
2 - Fairly unique
3 - I personally
4 - At this moment in time
5 - With all due respect
6 - Absolutely
7 - It’s a nightmare
8 - Shouldn’t of
9 - 24/7
10 - It’s not rocket science
Gosto particularmente da última; já a ouvi algumas vezes em relação ao meu trabalho…
Têm sugestões de frases irritantes e, ainda assim, ouvidas até à exaustão na língua de Camões? (esta é a minha modesta contribuição - língua de Camões…enfim…)
Duas imagens recolhidas das vagas de informação matinal.
O mesmo conceito.
Dinossáurios, para estes senhores publicitários e jornalistas, significam algo ultrapassado, obsoleto e mal adaptado.
Ok, se os 150 milhões de anos que ocuparam a maioria dos ecossistemas terrestres e se terem diversificado de forma quase incomparável não significarem nada.
Parvoíces…