Fiquei com um gosto ruim na boca, depois de traduzir os dois últimos boletins “Por dentro da ciência” da AIP. Mesmo dando o devido desconto às patriotadas; considerando que a administração do Obama pode até não ser grande coisa: pior que a do W. Bush não será; conhecendo que os Estados Unidos podem exportar sua inflação, porque são eles que imprimem os dólares… não dá para não se sentir mal com o rumo diametralmente oposto que o governo brasileiro está dando às respostas governamentais à crise econômica.

Fica mais chato ainda depois dos anunciados cortes nas verbas do Ministério da Ciência e Tecnologia e do anúncio de demissões de pessoal na Embraer (cadê a Força Aérea comprando mais uns Tucanos e Bandeirantes para garantir a Embraer?… Vai dizer que a FAB tem todos os aviões que precisa?…)

E é extremamente desagradável ver que o Departamento de Energia dos EUA vai investir em “energia limpa”, enquanto que nosso ministro das Minas e Energia cogita de fazer usinas elétricas a carvão… Bom… O Ministro deles é um Prêmio Nobel, enquanto o nosso…

Sem falar nos investimentos previstos para o setor de transportes (nos EUA, é claro!…) Revitalização de ferrovias — notadamente no transporte de passageiros, o que, entre outras coisas, diminui o número de viagens aéreas — e reparos na malha rodoviária… Enquanto que aqui… deixa pra lá…

Olha só!… É muito bonitinho falar de desenvolvimento sustentável, de cessar o desmatamento das florestas, mas o fato é que a cura mais eficaz para esse tipo de coisa é a prosperidade. E não adianta colher safras monumentais se não há malha viária para escoar a produção. Não adianta ter um parque industrial com tecnologia de ponta, se falta energia (e as linhas de transmissão de eletricidade no Brasil?… Vão bem?…) e se o governo não cuida de manter essas empresas (sim, eu estou voltando ao caso da Embraer).

Eu nem argumento mais em favor da pesquisa e da ciência… Não dá para chegar a essa sofisticação quando coisas primárias como infraestrutura estão pegando forte e claro.

Falar de “redistribuição de riquezas” é ótimo para campanhas eleitoreiras eleitorais, mas, antes de redistribuir, é sempre bom lembrar de não dilapidar essas riquezas.

Enfim… “Chi fá, non sá”…

Via Improbable Research:

A crise financeira mundial está causando estragos por todos os lados… Segundo um post de Marc Abrahams no “Improbable”, a firma de pesquisas Prince & Assoc. revelou que mais de 80% dos multimilionários que mantém amantes, pretendem fazer cortes nos orçamentos delas, seja nos presentes, seja nas mesadas… Segundo o Sr. Russ Alan Prince, presidente da firma, “os ricos estão sendo duramente atingidos pela crise e precisam cortar as despesas, o que inclui (os)as amantes”.

Mas a situação dos gigolôs/cortesãs de luxo não é, ainda, desesperadora: apenas 12% dos entrevistados pretendiam cortar de vez os laços extra-conjugais.

O que deve ser um grande alívio para o povo de Darfur…

O trecho a seguir é a primeira parte de um documento intitulado “A PROPOSTA DA BOLSA DE PETRÓLEO IRANIANA“, por Krassimir Petrov, PhD, Macro Economista/Estrategista de Investmentos
Comissionado por: J. Douglas Bowey and Associates, datado de 20 de janeiro de 2006

A Economia dos Impérios

Um Estado-Nação cobra impostos de seus próprios cidadãos, enquanto que um Império cobra impostos de outros Estados-Nações. A história dos impérios, dos Grego e Romano, ao Otomano e Britânico, ensina que o fundamento econômico da cada um desses impérios é a taxação de outras nações e seus cidadãos. A capacidade imperial em taxar sempre repousou em uma economia melhor ou mais forte e, como conseqüência, Forças Armadas melhores e mais fortes que impunham pacifica ou militarmente os impostos. Uma parte desses impostos ia para melhorar os padrões de vida do império e outra parte ia para reforçar o domínio militar necessário para impor estes impostos.

Historicamente, a cobrança de impostos sobre o Estado Vassalo tomou diversas formas, usualmente em ouro e prata, onde estes eram considerados dinheiro, mas também na forma de escravos, soldados, colheitas, gado, ou outros recursos agrícolas ou naturais, quaisquer valores econômicos que o império precisasse e o estado vassalo pudesse fornecer. Historicamente, a taxação sempre foi direta: o estado vassalo entregava o dinheiro (ouro/prata) ou as mercadorias diretamente ao império.

Pela primeira vez na história, no Século XX, a América foi capaz de taxar o mundo de maneira indireta — não por forçar o pagamento direto de impostos, como todos os impérios predecessores fizeram, porém por distribuir sua moeda, o dólar americano, para outras nações em troca de mercadorias e serviços, com a idéia subjacente de desvalorizar, ao longo do tempo, esses dólares e pagar de volta, mais tarde, cada dólar com menos mercadorias e serviços. A diferença entre o valor do dólar na época da compra inicial e o dólar desvalorizado na hora do pagamento, é a Taxa Imperial dos EUA. Isto aconteceu assim.

No início do século XX, a economia dos EUA começou a dominar a economia mundial. Naquela ocasião, o dólar americano (US$) era atrelado ao ouro, de forma que seu valor nem aumentava, nem diminuía, porque era sempre conversível na mesma quantidade de ouro. A Grande Depressão, com sua antecedente inflação de 1921 a 1929, aumentou significativamente a quantidade de moeda-papel em circulação, sem que houvesse um correpondente aumento na quantidade de ouro. Isso tornou o lastro do US$ em ouro impossível. Como consqüência, o Presidente Franklin Delano Roosvelt desatrelou o US$ do ouro em 1932. Até esse ponto, os EUA podiam estar no domínio da economia mundial, mas não eram, tecnicamente, um império. O valor fixo do US$ em ouro não permitia aos americanos auferir benefícios econômicos de outos países, fornecendo a estes US$ com valor lastreado em ouro.

No que diz respeito à economia, o Império Americano começou com o sistema de Bretton Woods em 1945. O US$ foi tornado apenas parcialmente conversível em ouro — a conversão para ouro ficou disponível para governos estrangeiros, mas não para instituições privadas. Nesta ocasião, o US$ foi tornado a moeda padrão para reservas internacionais. Isso foi possível porque, durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA haviam suprido seus aliados com alimentos e material bélico, aceitando pagamentos em ouro e, com isso, adquirindo uma signiicativa parcela das reservas mundiais de ouro.

Um Império econômico não teria sido possível se o US$ tivesse permanecido lastreado inteiramente em ouro, isto é, se o volume de US$ em circulação tivesse sido mantido dentro dos limites da disponibilidade de ouro, de forma que se pudesse trocar de volta os US$ em ouro, na taxa anteriormente pré-estabelecida. Entretanto, a quantidade de US$ foi, na verdade, rapidamente aumentada, bem além de seu lastro em ouro e distribuída aos estrangeiros em troca de bens econômicos. Não havia qualquer perspectiva de comprar esses US$ de volta pelo mesmo valor — a quantidade de ouro não era suficiente para resgatar esses US$, na medida em que a quantidade desses US$ aumentava continuamente, de forma que o US$ se depreciava constantemente. A constante depreciação das reservas em dólares mantidas pelos estrangeiros, através dos constantes déficits da balança comercial americana, era o equivalente a um imposto — um imposto de inflação.

Quando, em 1971, estrangeiros pediram o pagamento de seus US$ em ouro, o governo dos EUA declarou uma moratória em 15 de agosto. A explicação pública sobre essa moratória foi que “a ligação entre o US$ e o ouro foi interrompida”. A interpretação correta é que o governo dos EUA estava falido, tal como se pode decretar a falência de qualquer banco comercial.

Entretanto, ao fazer isto, os EUA se declararam um Império. Eles tinham extraído uma enorme quantidade de bens econômicos do resto do mundo, sem qualquer intenção ou capacidade de pagar por esses bens. O mundo foi, efetivamente, taxado e não havia qualquer coisa que se pudesse fazer quanto a isto: não se podia decretar a falência dos EUA e tomar posse de seu ouro e outros bens para executar a dívida, nem se podia tomar “na marra” o que era devido por meio de uma declaração de guerra (que teria que ser vencida…) Essencialmente, os EUA impuseram um “Imposto de Inflação” sobre o mundo e coletaram uma “enfiteuse”.

A partir daí, para sustentar o Império Americano e continuar a taxar o resto do mundo através da inflação, os EUA tinham que forçar o mundo a continuar a aceitar seu US$ inflacionado em troca de bens econômicos e fazer com que o mundo tivesse mais e mais desses US$ inflacionados. Eles tinham que dar ao mundo uma razão econômica para manter reservas em US$ e esta razão foi o petróleo.

Em 1971, quando se tornou claro que o governo dos EUA não seria capaz de recomprar seus US$ em ouro, ele preparou um dispositivo alternativo para manter o mundo como refém do US$ inflacionado: durante 1972-73, estabeleceu um acordo a sete chaves com a Arábia Saudita — apoiar a Casa de Saud em troca de só aceitarem US$ em pagamento pelo petróleo saudita. Ao impor o US$ sobre o país líder da OPEP, o US$ foi imposto sobre toda a OPEP. Como o mundo tinha que comprar petróleo dos países árabes produtores de petróleo, ficava com uma razão para manter suas reservas de US$. E porque o mundo precisava de cada vez mais petróleo (e este a preços sempre crescentes) a demanda mundial por US$ somente poderia aumentar. Mesmo que os US$ não pudessem mais ser trocados por ouro, agora, eles podiam ser trocados por petróleo. A essência econômica desse conchavo foi que o US$ passou a ser lastreado em petróleo (com uma diferença: o ouro se encontra em Fort Knox e o petróleo, em sua maior parte, está fora do território dos EUA).

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Só traduzi até aqui… Mas isso dá uma boa noção das reais motivações dos EUA para mover guerras no Afeganistão, Golfo Pérsico e por que eles implicam tanto com governos esquerdistas nos países latino-americanos da OPEP.

Detalhe: isso não é nenhuma “Teoria da Conspiração”, nem uma “Campanha pela preservação do meio ambiente”. É uma fria e clara análise da situação da economia americana (e, por conseqüência, mundial).

Sabem aquela história de um termo que a gente ouve tanto falar que nem pensa em saber o que quer exatamente dizer?… Para mim, “desenvolvimento sustentável” era um caso desses… E, é claro, eu corri à WikiPedia…

Lá, eu achei na página correspondente dois aspectos interessantes (o início e o fim da página, transcritos abaixo)

Desenvolvimento Sustentável, segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) da Organização das Nações Unidas, é aquele que atende às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades.

(…)

A Declaração de Política de 2002 da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em Joanesburgo, afirma que o Desenvolvimento Sustentável é construído sobre “três pilares interdependentes e mutuamente sustentadores” — desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Esse paradigma reconhece a complexidade e o interrelacionamento de questões críticas como pobreza, desperdício, degradação ambiental, decadência urbana, crescimento populacional, igualdade de gêneros, saúde, conflito e violência aos direitos humanos.

O PII (Projeto de Implementação Internacional) apresenta quatro elementos principais do Desenvolvimento Sustentável — sociedade, ambiente, economia e cultura.

Ambicioso demais, não?…

O grande problema é que todos os modelos conhecidos de “desenvolvimento econômico” sempre se pautaram pelo total desprezo a coisas tais como “proteção do meio ambiente” e, em todos os casos, o “desenvolvimento social” foi uma conseqüência do “desenvolvimento econômico”, não um de seus requisitos e sequer algo levado em consideração. Pode-se até afirmar que o “desenvolvimento econômico” dos países do primeiro mundo se deu às expensas do resto do mundo. Em suma: “desenvolvimento social” é um “luxo” que só países ricos podem se dar… E, mesmo esses, o conseguiram com enorme degradação do meio ambiente (e disso não escapam sequer os países “socialistas”).

É muito fácil para países fortemente industrializados defender a “preservação do meio ambiente” nos países do terceiro mundo (depois que degradaram seus próprios ambientes) e promover “vetos” a “produtos ecologicamente incorretos”. Para o peão que subsiste na beira da Floresta Amazônica, desmatar um pedaço e plantar soja é o meio mais eficaz e rápido de obter “desenvolvimento social”. E, quando os grandes interesses político-econômicos estão em jogo - como no caso do “salvador-da-pátria”, o “Agronegócio” - o meio ambiente que se dane!… A biodiversidade do Cerrado que desapareça, porque plantar soja é preciso, produzir cana é fundamental e bio-combustíveis são o “futuro da nação”… E a perspectiva de encher as prateleiras dos mercados do primeiro mundo com alimentos “Made in Brazil” (bem como faturar uma boa grana fornecendo para os programas assistenciais da ONU), promete um futuro sombrio para os demais ecossitemas - aí inclusos o Pantanal e a grande novidade do momento: A “Amazônia Azul” (que não tarda a se transformar em “Negra” de petróleo vazado…)

Por falar em petróleo, essa praga está por trás até do recente conflito da Ossétia do Sul, como está por trás das Guerras no Iraque e Afeganistão. E tem otário se regozijando do derretimento das Calotas de Gelo do Polo Norte, porque vai dar para prospectar mais petróleo… (Não é de hoje que eu falo no assunto).

Eu tendo a concordar com a Isis: o “desenvolvimento sustentável” é um “lema” muito bonito… Tal como “liberdade, igualdade e fraternidade” (mas vejam como o governo Sarkozy está tratando os “ilegais”… Uns são “mais iguais que os outros”…)

Em matéria de “letra de samba”, eu prefiro “Feitiço da Vila” de Noel Rosa… Deve ser porque eu sou um velho ranzinza e saudosista…

(Por favor. Comentários aqui)