Lendo a edição nº 20 da SEED (fevereiro de 2009 — por falar nisso, obrigado Carlos!), logo na introdução do artigo de Benjamin Phelan, “Ecologia das Finanças” (pag 16-18), um trecho me chamou a atenção e fez “cair uma ficha”… O trecho é, em tradução minha, o seguinte:

Quando Alan Greenspan compareceu perante o Congresso, em outubro, ele levou algumas alfinetadas por sua falha em prever o colapso quase total do mercado de crédito dos EUA. Este era um dos principais motivos que o levaram lá — punição pública, ser exposto no pelourinho na praça da cidade. Mas o presidente do comitê, Henry Waxman, foi além disso, ao questionar a própria visão do mundo de Greenspan. Segundo Waxman, Greenspan tinha sido alertado para “evitar as práticas irresponsáveis na concessão de empréstimos, práticas essas que levaram à crise das hipotecas”. Ele perguntou ao antigo chefe do FED: “Você sente que sua ideologia o levou a tomar decisões que você gostaria de não ter tomado?” Em outras palavras, ele só faltou perguntar se a ideologia tinha enfeitiçado e cegado seu intelecto.

Waxman estava esposando um ponto de vista suspeitoso sobre a natureza das ideologias, o que Greenspan refutou, dizendo: “Todos têm uma. Para… para existir, você precisa de uma”.

O artigo prossegue discorrendo sobre a Ecologia das Finanças, mas a “ficha” que me caiu não foi sobre isso, exatamente. Foi sobre uma aparente contradição entre as “ideologias” adotadas pelas pessoas no que tange à posição sobre “intelligent design” vs. “seleção natural”, e as posições políticas acerca de “liberalismo capitalista” vs. “dirigismo socialista”.

Usualmente as pessoas mais favoráveis à “seleção natural aleatória” são frontalmente contrárias ao “liberalismo capitalista”, por questões éticas. Talvez por compreenderem bem a forma impessoal e fria com que a “seleção natural” se processa, temem o desperdício de mentes potencialmente úteis à sociedade. Em um exemplo grosseiro, se fosse a aptidão física o critério principal para a seleção de quem iria transmitir seus genes à posteridade, Stephen Hawking não teria a menor chance contra o mais reles “pit-boy”.

Inversamente, aqueles mais beneficiados pelo “liberalismo capitalista” são — pelo menos em público — mais afeitos à religiosidade e mais favoráveis aos “intelligent design” da vida… Sua noção de “responsabilidade social” é facilmente aplacada por doações filantrópicas (embora muitos alvos da filantropia sejam vítimas do “liberalismo”) e o que eu chamo de “subornar São Pedro” (orações e dízimos para, não só puxar o saco do “Criador” — como se ele fosse mudar seus planos e fazer a água subir o morro, só porque eu quero — como também para criar uma “âncora” material para uma coisa espiritual — para o caso do puxa-saquismo não ter ficado bem claro).

Um paradoxo bem ao gosto do nosso vizinho “Idéias Cretinas”, não?… ;)

Photobucket

27 de janeiro de 2009

Por Jim Dawson

Plantas Invasoras Prejudicadas e Auxiliadas pelas Mudanças Climáticas

O Aquecimento Global pode alterar o clima do Oeste dos Estados Unidos o suficiente para causar um recuo de algumas espécies de plantas invasoras, o que abre a oportunidade da restauração ecológica de milhões de acres de terras afetadas, de acordo com os pesquisadores da Escola de Assuntos Públicos e Internacionais Woodriow Wilson da Universidade de Princeton em Nova Jersey. Embora isso seja uma boa notícia, os pesquisadores também descobriram que o Aqucimento Global também pode permitir que outras espécies de plantas invasoras se espalhem mais ainda.

Os pesquisadores, um biogeógrafo, um geocientista e um biólogo conservacionista, estudaram a distribuição de cinco plantas invasoras no Oeste — uma espécie de capim, conhecida como cheatgrass (Bromus tectorum), a spotted knapweed (Centaurea Maculosa),  a yellow starthistle (Centaurea Solstitalis), a tamarix e a leafy spurge (Euphorbia esula).  Essas plantas são definidas como “invasoras” porque foram trazidas para os EUA de outros lugares e atualmente dominam e alteram os ecossistemas, de maneira tal que ameaçam a vida selvagm nativa, a agricultura e a pecuária. Essas plantas vêm expandindo suas áreas nos últimos anos e causam milhões de dólares de prejuízos para terras de plantio e pastoreio.  Muitas pessoas no Oeste presumiram que o aquecimento global vá aumentar ainda mais a disseminação dessas plantas, mas os pesquisadores descobriram que, com base em modelos de aquecimento, as plantas invasoras podem ser forçadas a mudar sua área de abrangência. “Da mesma forma que as espécies nativas provavelmente vão mudar suas áreas de ocorrência… com as mudanças climáticas, a mesma coisa deve acontecer com as espécies invasoras”, declaram os cientistas em seu estudo, que será publicado em Global Change Biology. A cheatgrass pode recuar do Sul de Nevada e Utah com a mudança do clima, porém potencialmente deve se mover para o Norte, na direção do Idaho, de Montana e do Wyoming.  A leafy spurge igualmente deve sair das áreas do Colorado, Nebraska, Iowa e Minnesota, mas pode se mudar para novas áreas do Canadá.

Enquanto que a benção de uma área é a maldição de outra, o recuo dessas pragas de vastas áreas do Oeste dos EUA significa que “as oportunidades para a restauração… são vastas”, declaram os autores. “A questão para os que fazem as políticas e os que gerenciam as terras é: ‘O que queremos que essas terras se tornem?’ “, declara o biólogo conservacionista David Wilcove.

As Apostas Mais Equilibradas Sucumbem para a Emoção

Pessoas que orçamentam cuidadosamente suas apostas, antes de entrar nos cassinos — digamos: um limite de apostas de $200 por dia — rotineiramente vão contra seus planos quando perdem. Os professores de marketing da Universidade da Califórnia, Eduardo Andrade e Ganesh Lyer, descobriram que a experiência da dor de uma perda real frequentemente resulta em que as pessoas abandonam seus planos e acabam apostando mais do que planejavam. “Enquanto os jogadores não experimentam a dor da perda, eles fazem previsões frias e deliberadas sobre o quanto devem apostar, no caso de uma perda futura”, diz Andrade. “Quando as pessoas não estão na situação, elas tendem a decidir que, quando elas perderem dinheiro, elas devem apostar menos na próxima rodada. No entanto, quando elas realmente perdem, a emoção negativa resultante faz com que elas reajam exageradamente e apostem ainda mais”, declarou ele.

Em uma série de jogos com estudantes, Andrade descobriu que, na fase de planejamento, os indivíduos diziam que iam apostar menos, após perder um jogo, e aproxmadamente a mesma coisa, depois de perder uma rodada. Entretanto, quando as apostas eram feitas (o estudantes estavam apostando com sua taxa de participação de US$15) e a primeira rodada jogada, 40 % dos perdedores mudavam de idéia e se desviavam do planejamento. Desses 40 %, 90 % apostavam uma quantia maior do que tinham planejado para a próxima rodada. Os ganhadores se atinham a seus planos. A pesquisa, publicada em the Journal of Marketing Research, sugere que as emoções podem ser manipuladas de forma a alterar o comportamento de gastos e tem implicações para loterias estatais, políticas públicas e a questão do excesso de consumo, os autores declaram.


Este texto é fornecido para a media pelo Inside Science News Service, que é apoiado pelo Instituto Americano de Física (American Institute of Physics), uma editora sem fins lucrativos de periódicos de ciência. Contatos: Jim Dawson, editor de notícias, em jdawson@aip.org.

Photobucket

12 de janeiro de 2009

Por Jim Dawson
Inside Science News Service

Restauração Digital Traz à Vida uma Estátua com 2000 anos

Cientistas britânicos vêm usando escaneamento a laser de alta resolução, modelagem rápida e gráficos computadorizados ultra-realísticos para criar uma restauração virtual de uma estátua romana de 2000 anos atrás que representa uma amazona ferida, recuperada de dentro da camada de cinzas que cobriu as cidades romanas de Herculano e Pompéia no ano 79 DC. Os especialistas em imageamento digital da WMG, uma divisão da Escola de Engenharia da Universidade de Warwick, na Inglaterra, trabalham em conjunto com arqueologistas da Universidade de Southampton, na Inglaterra, e o Projeto de Conservação de Herculano, na Itália, para escanear, modelar e recriar digitalmente a estátua.

A estátua, um busto, tem cabelos e olhos pintados que foram preservados pelas cinzas que soterraram a cidade. Embora Pompéria seja mais conhecida, várias peças de arte e estátuas romanas foram descobertas em Herculano, junto com vários corpos humanos envoltos em cinzas.

Mark Williams, um líder na medição por laser da  WGM, levou uma equipe a Herculano para medir o busto e traduzir as medições em um modelo em 3D da cabeça. Graeme Earl, um expert em computação arqueológica de Southampton, declarou que “tecnologias de ponta são vitais para o registro de materiais de nossa herança cultural, já que tanto dele permanece não estudado ou frágil demais para ser analizado”. O passo final da restauração virtual será a utilização dos gráficos para”reproduzir exatamente as condições de iluminação e ambiente nas quais a estátua pintada foi originalmente criada e exibida”, declarou Earl.

Imagens da estátua podem ser encontradas aqui.

Aproveitando o Presente como se Não Houvesse Amanhã

Quanto menos tempo se tem para participar de uma atividade, mais é provável que esta seja valorizada e aproveitada, é a conclusão de um estudo publicado em Psychological Science. Em um estudo com alunos do último ano do secundário, o psicólogo Jaime Kurtz do Pomona College, Claremont, Califórnia, pediu que os estudantes mantivessem diários por duas semanas, cerca de seis semanas antes da formatura. Um grupo de estudantes foi instruído a pensar em sua formatura como um evento distante, enquanto o outro grupo foi instruído a pensar na formatura como um evento iminente. O comportamento dos estudantes foi influenciado pelo modo como encaravam o prazo final da formatura, descobriu Kurtz. Aqueles que a encaravam como iminente, relataram uma maior participação em atividades relacionadas com a escola, quando comparados aos estudantes que julgavam a formatura um evento remoto. Confrontados com o fim iminente do curso secundário, deduz Kurtz, os etudantes ficavam motivados a aproveitar o tempo restante, percebendo que seria sua última oportunidade de participar de atividades relacionadas com a escola.

“Pensar sobre o futuro final de uma experiência pode aumentar a experiência presente das pessoas sobre esse evento”, argumenta Kurtz. “Atentar para o fato de que experiências como esta são breves, aumenta a capacidade de aproveitá-las, criando uma motivação do tipo ‘agora ou nunca’ “.

Painéis Publicitários Anunciando Bebidas Alcoólicas Aumentam os Problemas com Bebida de Grupo Étnico da Cidade de Nova York

Um novo estudo realizado por pesquisadores de saúde pública da Universidade de Columbia, na Cidade de Nova York, indica que a publicidade de bebidas alcoólicas nos bairros de população predominantemente afro-americana, pode agravar os problemas de abuso de bebida entre as mulheres afro-americanas. Estudos anteriores demonstravam que o número de outdoors com propaganda de bebidas é muito maior nos bairros de predominância de afro-americanos, porém este é o primeiro que mostra claramente o impacto dessa propaganda, dizem os pesquisadores. O estudo foi publicado online por the American Journal of Public Health.

Em um estudo com 139 afro-americanas, na faixa etária entre os 21 e 49 anos, que viviam no Central Harlem, os pesquisadores, da Escola Mailman de Saúde Pública da UC, descobriram que tanto a exposição à propaganda de bebidas, como um histórico familiar de alcoolismo se relacionavam com problemas de excesso de bebida. Após realizarem o controle estatístico do histórico familiar de alcoolismo, os pesquisadores ainda concluíram que “a exposição aos anúncios estava significativamente relacionada com os problemas com bebidas”, declara uma sinopse do estudo. “Embora os anúncios não fosse dirigidos às mulheres, em particular, a linguagem, as imagens e os temas claramente eram direcionados ao grupo étnico dos afro-americanos”.

“Descobrimos que, na média, a exposição a cada anúncio de bebida alcoólica por quarteirão aumentava o fator de risco em 13 % para as mulheres”, declarou Naa Oyo Kwate, a principal autora do estudo. “A descoberta é significativa para a saúde pública porque os residentes nessa área estão altamente expostos a anúncios de bebidas alcoólicas e as associações entre essa exposição e os resultados persistiram, mesmo depois de filtradas as outras causas potenciais para o excesso na bebida”, acrescentou ela. Ilan Meyer, uma cientista socio-médica e co-autora, disse que os anúncios “podem tornar as pessoas inclinadas ao consumo de álcool e, por sua vez, altos níveis de consumo podem aumentar o risco de abuso e dependência”.


Este texto é fornecido para a media pelo Inside Science News Service, que é apoiado pelo Instituto Americano de Física (American Institute of Physics), uma editora sem fins lucrativos de periódicos de ciência. Contatos: Jim Dawson, editor de notícias, em jdawson@aip.org.

Principalmente se for uma morte particularmente dolorosa… como uma crucificação! Foi o que descobriu o Reverendo Ewen Souter (que é biólogo), vigário da Igreja de São João em Horsham, West Sussex, na Inglaterra.

Segundo uma notícia publicada no The Guardian online de hoje, intitulada: “Vigário manda remover estátua da crucificação “horripilante” da Igreja”, ele mandou recolher (sem maiores cerimônias) ao Museu Horsham a estátua extremamente realística de Jesus Crucificado, feita pelo escultor Edward Bainbridge Copnall, um antigo  presidente da Royal Society of British Sculptors, com mais de 3 metros e feita de resina e cinzas de carvão, e vai substituí-la por uma cruz de aço inox, da artista Angela Godfrey.

Segundo o pároco: “O crucifixo expressava sofrimento, tormento, dor e angústia. Era uma imagem assustadora,  particularmente para as crianças. Os pais não gostavam de passar por ela com seus filhos, porque eles a achavam muito terrificante.” Segundo o jornal, ele prosseguia, dizendo que “Não era uma imagem adequada para uma igreja que quer dar as boas-vindas aos crentes. Na verdade, ela os afastava”.

“Nossa mensagem é toda acerca de esperança, encorajamento e a alegria da fé Cristã. Nós queremos dar boas notícias, não más notícias, portanto precisamos de um símbolo mais enlevante e inspirador do que uma execução por crucificação”, completa o vigário.

O Museu Horsham recebeu com alegria a “doação” que, segundo um porta voz, “é um exemplo da maravilhosa habilidade de Copnall”.

Um membro da freguesia de São João (que pediu para permanecer anônimo) teria declarado sua repulsa ao gesto do pároco ao The Guardian, dizendo: “O crucifixo é o símbolo mais antigo e famoso da Igreja Cristã (…) Daqui a pouco vão trocar os bancos da igreja por sofás e jogar fora as bíblias e substituí-las por laptops…”

Deus te ouça, irmão! Deus te ouça!… De preferência laptops com acesso à Internet onde as criancinhas possam acessar algo mais do que o ranço bíblico e alguma ciência de verdade! E possam se concentrar na mensagem atribuída a Jesus de “igualdade, fraternidade e amor”, em lugar de querer insistir em fazer ∏ = 3, só porque na descrição do Templo aparece essa asneira…

Para não batizar este post na mesma série “Lá, como cá…”, porque o assunto é de grande gravidade, eu optei por dar esse título mais piegas. Via EurekAlert:

University of Montreal

Jovens de bairros pobres apresentam uma tendência 4 vezes maior para cometer suicídio

Pesquisadores canadenses e americanos publicam estudo em Psychological Medicine

Montreal, 24 de outubro de 2008 — Jovens no final da adolescência que vivem em bairros pobres apresentam uma tendência quatro vezes maior a tentar o suicídio do que seus pares que vivem em bairros mais abastados, de acordo com um novo estudo da Université de Montréal e do Centro de Pesquisas do Hospital Sainte-Justine, do Canadá, bem como da Universidade Tufts nos EUA. Os pesquisadores descobriram também que os jovens de bairros pobres relatam duas vezes mais pensamentos suicidas.

O estudo mostrou que os jovens no final da adolescência dos bairros mais carentes apresentam maiores níveis de sintomas de depressão, juntamente com níveis menores de apoio social, mas que esses fatores não explicam suficientemente o motivo desses correrem um maior risco de pensar em dar cabo das próprias vidas. “Em lugar disso, eles estão mais vulneráveis por causa de eventos difíceis, tais como conhecer pessoalmente alguém que tenha cometido suicídio, ou passado por uma experiência penosa de ruptura de laços amorosos com um parceiro, o que, aparentemente  leva ao aumento de pensamentos sobre e até tentativas de suicídio”, diz Véronique Dupéré, autora principal e pór-doutorada na Universidade Tufts que completou a pesquisa na Université de Montréal. “Em outras palavras, eventos difíceis parecem ter tido um impacto mais dramático sobre esses adolescentes”.

Para este estudo, foram acompanhados 2779 adolescentes, como parte do Estudo Nacional Longitudinal de Crianças e Jovens do Canadá. Os níveis de pobreza nas vizinhanças foram medidos no início e nos meados da adolescência, com base nos dados do Censo. Os pensamentos e tentativas suicidas foram avaliados posteriormente, quando os participantes tinham 18 ou 19 anos. Perguntavam aos participantes: “Durante os últimos 12 meses, você pensou seriamente em cometer suicídio?” Aos que respondiam afirmativamente, era perguntado, então: “Durante os últimos 12 meses quantas vezes você tentou se suicidar?”

Entre os adolescentes de todos os perfis socioeconômicos, a equipe de pesquisa descobriu que hiperatividade e impulsividade, depressão, uso de substâncias, pouco apoio social, exposição ao suicídio e eventos negativos na vida aumentavam a vulnerabilidade aos pensamentos e impulsos suicidas. “Porém entre os jovens de comunidades carentes, a hiperatividade e impulsividade era ainda mais associada a comportamentos suicidas”, explica Éric Lacourse, autor-senior do estudo e professor de sociologia na Université de Montréal. “Nós observamos que a adversidade na comunidade podia amplificar a vulnerabilidade de um jovem a considerar o suicídio”.

O Dr. Lacourse, que também é um cientista do Centro de Pesquisas do Hospital Sainte-Justine, declara que ampliar o acesso a serviços de saúde ou comunitários em comunidades carentes pode reduzir o comportamento suicida entre os jovens. “Este é o primeiro estudo a examinar o papel independente que a vizinhança carente exerce como fator de risco no comportamento suicida de jovens”, acrescenta o Dr. Dupéré. “Nosso estudo sugere que os esforços de intervenção e prevenção, para serem eficazes, devem alcançar os adolescentes vulneráveis que vivem em comunidades pobres”.

###

Acerca do estudo: “Neighbourhood poverty and suicidal thoughts and attempts in late adolescence,” publicado em Psychological Medicine, autores: Véronique Dupéré e Eric Lacourse da Université de Montréal, e Tama Leventhal da Universidade Tufts.

Apoio à pesquisa: Véronique Dupéré recebeu apoio do Conselho de Ciências Sociais e Humanidades do Canadá (Social Sciences and Humanities Research Council of Canada = SSHRC).

Na Web:
Acerca da publicação Psychological Medicine: http://journals.cambridge.org/action/login
Acerca da Université de Montréal: www.umontreal.ca/english/index.htm
Acerca da Universidade Tufts: www.tufts.edu
Acerca do Centro de Pesquisas do Hospital Sainte-Justine: http://www.recherche-sainte-justine.qc.ca/en/

*********

Comentários do Tradutor:

Apesar de dizer o que já devia ser mais ou menos óbvio, o estudo põe em números algo que já era evidente: os adolescentes de comunidades pobres têm menos perspectivas de sucesso na vida e são mais vulneráveis, do ponto de vista psicológico. O número realmente importante que esta pesquisa traz em seu bojo é a constatação de que não é só uma questão de “perspectivas de vida”: o fator mais presente é a exposição a atos e situações onde há “desprezo pela vida”.

Em outras palavras, quando o ato de tirar a própria vida se torna comezinho, essa atitude é “contagiosa”. Os adolescentes — em função da tempestade hormonal a que estão sujeitos — já são mais propensos a atitudes extremadas e ousadas (vide “Adolescentes e Riscos”, neste mesmo Blog). A banalização da vida — aqui considerada apenas a própria vida, mas eu pergunto: quem despreza a própria vida, que valor dá à alheia?… — esse sentimento de ser “dispensável” em um mundo onde tudo é “descartável”, é um fator que estimula a violência.

E isso foi constatado no Canadá, onde os Serviços Públicos de Assistência Social são de qualidade infinitamente melhor do que no Brasil.

Ficou mais claro entender de onde surgem os “Lindembergs” da vida?…

Agora, comparem com o estudo da Universidade do Minnesota apresentado neste post aqui.

E me respondam se os pilantras que fizeram fortuna especulando com títulos podres em Wall Street não merecem a mesma acusação de “Crimes Contra a Humanidade” que imputaram aos nazistas…

Também via EurekAlert:

Temple University

A “espiritualidade” é uma proteção melhor contra a depressão do que “ir à Igreja”

Aqueles que cultuam um “poder maior” freqüentemente o fazem de diversas maneiras. Existe uma diferença entre ser um membro ativo de uma comunidade religiosa, ou preferir apenas orar ou meditar, e uma nova pesquisa da Universidade Temple sugere que a religiosidade de uma pessoa pode dar indícios sobre os riscos dessa pessoa entrar em depressão.

A pesquisadora-chefe Joanna Maselko, Sc.D., caracterizou as religiosidade dos 918 participantes do estudo em termos de três domínios de religiosidade: participação em serviços religiosos, que se refere a estar envolvido com uma Igreja; bem-estar religioso, que se refere à qualidade do relacionamento da pessoa com esse “poder superior”; e bem-estar existencial, que se refere à sensação pessoal de ter um significado e um propósito na vida.

Em um estudo publicado on-line neste mês em Psychological Medicine, Maselko e seus colegas pesquisadores compararam cada domínio da religiosidade a seus riscos de depressão, e ficaram surpresos em descobrir que que os grupos com altos níveis de bem-estar religioso apresentavam 1,5 vezes mais riscos de apresentar depressão do que aqueles que se diziam com menos bem-estar religioso.

Maselko teoriza que isso se deve ao fato de pessoas com depressão tenderem a usar a religião como mecanismo de “ajuda”. Como resultado, elas se relacionam mais com Deus e rezam mais.

Os pesquisadores também descobriram que aqueles que freqüentam serviços religiosos tinham um risco 30% maior de passar por depressões durante suas vidas, e que aqueles que tinham altos níveis de bem-estar existencial tinham menos 70% de chance de entrarem em depressão do que os que tinham baixos níveis neste quesito.

Maselko diz que o envolvimento com uma Igreja fornece a oportunidade para a interação comunitária, o que pode ajudar a criar laços com outras pessoas, um fator importante na prevenção da depressão. Ela acrescentou que aqueles com maiores níveis de bem-estar existencial têm uma forte noção de seu lugar neste mundo.

“Pessoas com altos níveis de bem-estar existencial tendem a ter bases sólidas o que os torna emocionalmente bem centrados”, argumenta Maselko. “Pessoas que não têm essas coisas, correm um risco maior de depressão e essas mesmas pessoas podem se voltar para a religião como um meio de ajuda”.

Maselko admite que os pesquisadores ainda têm que estabelecer o que vem primeiro: a depressão ou a religiosidade, porém está, correntemente, investigando o histórico de vida dessas pessoas para descobrir a resposta.

“Para médicos, psiquiatras e psicólogos, é difícil desemaranhar esses elementos quando se está tratando de distúrbios mentais”, disse ela. “Não se pode apenas perguntar a um paciente se ele ia à Igreja, para medir seu grau de religiosidade e comportamentos de busca de ajuda. Existem outros componentes a considerar quando se trata pacientes e essa é uma informação importante para os terapeutas”.

###

Os outros autores do estudo são Stephen Gilman, Sc.D., e Stephen Buka, Sc.D., do Departamento de Saúde Pública da Universidade Harvard e da Escola de Medicina da Universidade Brown. A pesquisa foi patrocinada por verbas dos Institutos Nacionais de Saúde Mental e pelo Prêmio Jack Shand da Sociedade para o Estudo Científico da Religião.

*********************

Comentário do tradutor: pessoas “bem resolvidas” são menos passíveis de cair em depressão?… Isso eu podia dizer de graça…

E eu bem gostaria de saber que instrumentos de medição foram usados na aferição de conceitos tais como “bem-estar religioso” (se é que isso quer dizer alguma coisa, além de: “você está em dia com seu dízimo, cara?…”)

Também gostaria de saber quais as “religiões” que os participantes dessa pesquisa professam, porque existe uma enorme diferença entre o “relacionamento com Deus” de um Buddhista (uma religião que não tem um “Deus”) e um “fundamentalista” bíblico ou islâmico… Ou uma bruxa Wiccan…

E - apenas para criar um “grupo de controle” - por que não foram acompanhados alguns ateus, também?… Eu acredito que conheço um monte de ateus com altíssimos níveis de “bem-estar existencial”.

Ah!… Sim, eu ia me esquecendo: o título do artigo fala que “espiritualidade é mais eficaz do que ‘ir à Igreja’ (no original: Spirituality protects against depression better than church attendance). De onde se infere isso no texto?

.

Foi só eu mencionar a utilização dos embriões humanos criogenizados em pesquisas (em uma discussão no “Roda de Ciência”) que descobri esse novo dado no EurekAlert:

University of Illinois at Chicago

O que fazer com as sobras de embriões nas clínicas de fertilização?

A maioria dos pacientes de tratamentos de infertilidade são favoráveis ao uso dos embriões que sobram para a pesquisa com células-tronco e também apoiariam a venda dos embriões excedentes para outros casais, de acordo com uma recente pesquisa

A pesquisa foi publicada em dois estudos relacionados na edição de setembro de Fertility and Sterility.

Os pesquisadores entrevistaram 1.350 mulheres que se apresentaram em um centro de fertilização de um  grande hospital universitário em Illinois. A pesquisa incluiu 24 perguntas acerca da origem demográfica dos pacientes, histórico de obsetetrícia e infertilidade, e opiniões acerca do uso dos embriões extra para pesquisa com células-tronco e a venda dos embriões excedentes para outros casais.

A tecnologia de reprodução assistida resultou na criação e criopreservação de embriões extra nos centros de fertilidade ao longo do país. A estimativa de 2002 era de que 396.526 embriões estavam armazenados em clínicas de fertilização nos EUA, de acordo com pesquisas previamente publicadas.

Esses embriões podem ser usados para futuras tentativas de implante, doados a outros casais ou agências, dados aos pesquisadores ou descartados.

Uma vez que os pacientes de infertilidade são os “guardas do portão” desses embriões excedentes, é importante compreender suas opiniões, de acordo com o Dr. Tarun Jain,  professor assistente de endocrinologia reprodutiva e infertilidade, diretor da clínica de IFV da Universidade de Illinois em Chicago e principal autor do estudo.

Quando perguntados se o uso de embriões excedentes para pesquisas com células-tronco deveria ser permitido, 73% dos 636 entrevistados que deram uma opinião definida, responderam que sim.

“Os pacientes de infertilidade são, em geral, altruísticos e faz sentido que eles queiram ajudar a medicina a avançar e auxiliar os outros”, declarou Jain.

Os Afro-Americanos e Hispânicos deram menos aprovação ao uso de embriões excedentes para a pesquisa com células-tronco do que os Caucasianos. Os pacientes com menos de 30 anos, Protestantes, menos abonados e solteiros, também foram menos favoráveis ao uso de embriões excedentes para pesquisas com células-tronco.

Os pesquisadores também perguntaram aos pacientes de infertilidade se eles estariam dispostos a vender seus embriões excedentes para outros casais, uma prática considerada eticamente inaceitável pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.

Existe uma demanda crescente por parte dos pacientes de infertilidade que não podem conceber com o uso de seus próprios oócitos, ou células-ovo, para comprar os embriões excedentes pré-existentes, já que essa é uma opção mais barata do que o uso de um doador de células-ovo, de acordo com os autores.

Quando perguntados se vender embriões excedentes para outros casais deveria ser permitido, 56% dos 588 entrevistados que exprimiram uma opinião responderam que sim.

Os hispânicos foram os que menos aprovaram a venda dos embriões excedentes, em comparação aos caucasianos, porém todos os Leste-Indianos entrevistados aprovaram a prática [nota do tradutor: região da ìndia com centro em Bombaim, colonizada principalmente por cristãos portugueses]. Mulheres que nunca tinham conseguido ficar grávidas também foram menos dispostas a aprovar, revelou o estudo.

Os autores dizem que essa é a primeira pesquisa que examina as opiniões de uma população genérica infértil com relação à utilização dos embriões excedentes e a analisar os resultados com base nos aspectos sociodemográficos e histórico de reprodução dos pacientes.

“Dado ao potencial de um significativo aumento do tratamento dos embriões excedentes como uma commoditie, as sociedades médicas e os legisladores podem precisar prestar atenção especial a essa área controversa”,  concluem Jain e a co-autora Stacey Missmer do Brigham and Women’s Hospital e da Escola de Medicina de Harvard.

###

Para maiores informações sobre endocrinologia reprodutiva e infertilidade, no Centro Médico da Unioversidade de Illinois em Chicago, visite www.uicivf.org

Para maiores informações sobre a UIC, visite www.uic.edu

*************

Considerações do tradutor:

Parece que um dos receios dos “fundamentalistas” do White Power é totalmente infundado:a “ralé” negra e hispânica não está montando uma conspiração para espalhar seus “genes impuros” pela população WASP… Bem ao contrário!…

Sem dúvida, as questões de foro étnico-culturais-religiosas têm um impacto importante na predisposição dos possíveis doadores. Mas a mensagem do grupo Indiano introduz um “ruído” de origem local: talvez uma resposta instintiva para burlar o sistema de castas, apesar da influência do catolicismo na região.

Como eu observei no comentário ao post no “Roda de Ciência”, esses “gatos de Schrödinger humanos” não atraíram a atenção de “defensores dos direitos dos fetos”, até que os cientistas propuseram usá-los em pesquisas, em lugar de, simplesmente, descartá-los. O que traz dúvidas sobre a honestidade da argumentação desses “defensores da vida”…

E mais uma consideração final: o preço desses tratamentos e procedimentos continua extorsivo. Nada mais natural que quem pagou caro por esses embriões queira reduzir seu prejuízo, comercializando os “excedentes”…

Em tempo: “existem mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas”. Notem que os dados percentuais das respostas afirmativas se referem ao número de opiniões contra ou a favor, mas os números citados são apenas do número de entrevistados: não há qualquer dado sobre o número de indecisos. Portanto, o que quer dizer em termos numéricos absolutos a afirmativa:

Quando perguntados se o uso de embriões excedentes para pesquisas com células-tronco deveria ser permitido, 73% dos 636 entrevistados que deram uma opinião definida, responderam que sim.

E se dos 636 entrevistados, apenas 100 deram uma opinião definida?… A proporção resultaria em 73 favoráveis em um universo de 636 entrevistados, um dado pífio e sem significado…

“Torture bem seus dados e eles acabam confessando o que você quer”…

De vez em quando faz bem a nós terceiro-munidstas ler uma notícia triste, vinda do Primeiro-Mundo… O New York Times de hoje traz uma que me fez lembrar dos problemas tão comuns em nossas grandes cidades.

“Painéis solares estão desaparecendo, para reaparecerem, depois, na Internet”. É o seguinte: os cidadãos da Califórnia, empenhados em fontes alternativas de geração de energia, equipam suas casas com painéis solares. Só que os ladrões gostaram da idéia e roubam os painéis dos incautos, durante a noite… Já tem gente fazendo marcas visíveis em seus painéis solares, para facilitar a identificação deles quando forem roubados. O único recepotador preso até agora (em Santa Mônica), alegou ter comprado os painéis roubados pela internet e tentado revender com lucro…

Bom, né?… você faz uma bela economia em energia elétrica… e gasta seu ganho com um seguro contra roubo…

A Polícia lá, também dorme…

E a gente, aqui, fica indignado quando lê uma notícia sobre roubo de fios… “Só podia ser nessa terra sem-vergonha!…”

Ledo engano!…

Via EurekAlert:

American Friends of Tel Aviv University

To queue or not to queue? (o trocadilho é tão bom que eu resolvi não traduzir)



Professor Refael Hassin
Crédito: AFTAU


Se há alguma coisa que diferencia a humanidade dos animais, é que os humanos esperam em filas. Para fazer um depósito no banco, para pagar as mercadorias no armazém, até para votar — todos nós aprendemos a fazer fila, um atrás do outro. E aprendemos, mesmo que não gostemos disso, que é melhor sorrir e suportar.

No entanto, tempo é dinheiro, e tanto as pessoas como os negócios podem sofrer na medida em que as filas se tornam cada vez maiores, diz o matemático Prof. Refael Hassin, da Universidade de Tel Aviv. Ele empregou a Teoria dos Jogos para estudar o tempo de espera nas filas e compreender as conseqüências econômicas. Suas descobertas — muitas das quais contrariam totalmente o “senso comum” — podem também virar a indústria dos serviços de cabeça para baixo, porque ajudam os negócios a ficarem mais rentáveis e tornar o mundo um lugar mais agradável para todos viverem.

Os resultados da sua pesquisa foram recentemente publicados em Management Science.

Um “Espresso” enquanto você espera

Os negócios podem implementar sistemas para diminuir os tempos de espera e diminuir o número de consumidores frustrados que vão embora sem fazer uma compra. O Prof. Hassin nota que existem muitas soluções que as companhias poderiam adotar para melhorar o serviço ao consumidor. Uma taxa de entrada para uma fila mais rápida é uma das opções.

“Eu não sugiro que as companhias saiam contratando mais caixas, assim que virem as filas crescendo”, diz ele. “Mas com alguma análise básica os picos de tempo de espera nas filas podem ser estabelecidos e os negociantes podem se assegurar que os fregueses continuem felizes durante a espera, oferecendo serviços e distrações, tais como TV ou, quem sabe, cappuccinos”.

Mas algumas vezes as próprias filas são o problema, acredita o Prof. Hassin. Seu estudo sugere que os tempos de espera são afetados por um grande número de variáveis aleatórias e que as pessoas que se amontoam em um balcão podem ser servidas com mais eficiência do que pessoas que esperam na fila. Algumas vezes a desordem cria sua própria ordem.

Em uma sorveteria, por exemplo, um consumidor que se esprema no balcão, vai esperar por menos tempo do que se o mesmo número de fregueses esperassem pacientemente em uma fila. Isso significa que mais sorvetes serão servidos e mais dinheiro entrará no caixa. “Se houver 10 pessoas em uma sorveteria, na média você vai ser atendido depois da quinta, se não esperar em uma fila organizada”, diz o Prof. Hassin.

Prof. Hassin prossegue explicando: “É claro que eu poderia ser atendido primeiro, segundo ou mesmo em último lugar. Mas, na média, as estatísticas se baseiam nas estratégias de tomada de decisões humanas: se uma pessoa está decidindo se vai ou não entrar em uma loja e vê muitas pessoas já lá dentro, a maioria preferirá um atendimento desorganizado — porque existe a oportunidade de ser atendido antes do que se estivesse esperando pacientemente em uma fila”.

Para a Democracia, é necessário “esperar a sua vez”?

Tanto os fregueses como os comerciantes podem aprender com a pesquisa do Prof. Hassin. Embora pareça, intuitivamente, que a eqüidade seja observada quando as pessoas esperam pacientemente em filas, até que chegue sua vez, o Prof. Hassin diz que, quando se trata de fazer fila, a democracia é mais respeitada quando se fura a fila.

“As pessoas nas filas tendem a pensar somente em si próprias e ignorar o impacto que podem causar sobre as demais”, diz o Prof. Hassin. “Se eu cheguei na fila primeiro e você chegou depois, você vai esperar mais por minha causa. Os fregueses freqüentemente são egoístas e ignoram os efeitos que seu comportamento tem sobre os demais”. Por isso, em alguns casos, é melhor gerenciar uma fila de uma maneira desorganizada e não-democrática, atender na ordem inversa da chegada, ou esconder informações sobre o tamanho da fila a fregueses em potencial, explica ele.

###

A pesquisa do Prof. Hassin’s foi inspirada na ausência de um sistema de filas organizadas na sociedade Israelita. Suas descobertas estão disponíveis em “To Queue or Not to Queue” de autoria dos Professores Hassin e Moshe Haviv, no website do Prof. Hassin’s em http://www.math.tau.ac.il/~hassin/.

******************

Observações do tradutor:

Eu não poderia concordar mais com o Prof. Hassim! Basta se lembrar dos “profissionais de fila” nos postos de atendimento médico no Brasil… E lembrar quando foi a última vez (eu garanto que não foi há muito tempo…) em que você se viu em uma situação como a minha:

Eu precisava fazer um depósito mixuruca de R$ 50,00, diretamente na conta de meu filho (tinha que ser na boca do caixa, porque a agência bancária dele é de Macaé). Entrei no banco, apenas um caixa funcionando, mas apenas duas pessoas na fila, também. Uma hora de espera! As duas pessoas que estavam na minha frente eram dois “enrolados” que queriam porque queriam ser atendidos, mas não sabiam onde tinham guardado os documentos, se a conta que desejavam mexer era corrente ou de poupança, etc. Depois de esperar por uma hora, eu fui atendido em exatos 25 segundos! (Eu estava com o dinheiro e o número da conta na mão…) Que diferença faria para as tais duas pessoas me deixarem passar sua frente? Nenhuma!… Apenas “elas chegaram antes”…

Aliás, quem não “mofou” em uma fila, atrás de um contínuo de repartição pública ou office-boy com trocentos depósitos, cheques, pedidos de talão de cheques, extratos e outras mumunhas que eles levam naquelas malditas pastinhas?… Que se dane se “eles estão trabalhando”!… Os outros também têm mais o que fazer!

Outra coisa que não é novidade: quando o Prof. Hassim fala em “Uma taxa de entrada para uma fila mais rápida ”, ele só está falando da velha conhecida dos brasileiros: a “taxa de urgência”… Funciona em qualquer cartório, repartição pública e concessionária de serviços públicos. “Criar dificuldades para vender facilidades” sempre foi o lema de qualquer burocracia…

Mas você prefere um país “organizado” e “civilizado”?… Sem problemas!… Entre aí na fila…

University of Nottingham

Telefones celulares ajudam os alunos

Pergunte a um professor qual é invenção mais irritante dos últimos anos e eles, freqüentemente, vão dizer: o telefone celular.

Exasperados pelas distrações e os problemas que eles criam, muitos diretores determinaram que os alunos devem mantê-los desligados dentro da escola. Outros dizem para deixá-los em casa. [N.T: no Brasil, em diversas cidades, como o Rio de Janeiro, o uso deles em sala de aula é proibido por Lei]

Entretanto, pesquisadores de educação da Universidade de Nottingham acreditam que já é tempo de reavaliar o banimento dos celulares — porque, dizem eles, os celularer  podem se transformar em um poderoso meio auxiliar para o aprendizado.

A Dra. Elizabeth Hartnell-Young e seus colegas chegaram a esta conclusão depois de estudar as conseqüências de permitir aos alunos de cinco escolas secundárias a usarem seus próprios celulares ou a nova geração dos ’smartphones’ durante as aulas.

Durante a experiência de nove meses, alunos com idades de 14 a 16 anos usaram seus telefones para uma vasta gama de atividades educacionais, inclusive a criação de vídeos curtos, lembretes de trabalhos para casa, gravar um professor lendo um poema e cronometrando experiências com os cronômetros dos celulares. Os “smartphones”, que podem se conectar à Internet, também permitiram aos alunos acessar websites de revisão, logar no sistema de email da escola, ou transferir arquivos digitais entre suas casas e a escola.

A pesquisa envolveu 331 alunos de escolas em Cambridgeshire, West Berkshire e Nottingham.

“No começo do estudo, até os alunos freqüentemente se surpreendiam com a idéia de que celulares poderiam ser usados para aprender”. é que disse a  Dra Hartnell-Young na conferência anual da Associação Britânica de Pesquisa Educacional, em Edinburgo, no dia 11 passado. “Depois da experiência de mãos-à-obra, quase todos os alunos disseram ter gotado do projeto e se sentiram mais motivados”.

Alguns professores também tiveram que reavaliar seus pontos de vista, muito embora o pessoal que tomou parte no estudo já fosse defensor de novas tecnologias em seus colégios. “Os estudantes gostam de celulares e sabem como usá-los”, disse um deles. “Usar esta tecnologia deu a eles maior liberdade de se expressar, sem necessidade de constante supervisão”.

Outros professores descobriram que alunos a quem faltava autoconfiança foram os que mais ganhaream com o projeto. Mesmo assim, eles reconheceram que um maior uso de telefones celulares nas escolas pode se provar problemático.

O aumento na tentação de furtar telefones foi uma das preocupações. “Eu pensei: bem… quatro desses “smartphones” vão acabar no eBAY amanhã”, disse um dos professores.

O temor acabou por se mostrar infundado, mas alguns professores continuaram preocupados com o fato de que os telefones podem ser uma fonte de distração para alguns alunos. E permitir o acesso dos alunos ao sistema de emails da escola via celulares também apresenta problemas com a segurança dos dados, se houver vazamento das senhas, lembraram eles.

Os sindicatos dos professores tem receios similares e apoiou o banimento dos celulares nas escolar. “Os alunos, nos dias de hoje, vêm para escola com celulares, MP3 players e jogos portáteis, enquanto que os professores preferiam que eles trouessem uma caneta, apenas”, disse no mês passado Chris Keates, secretário geral do sindicato NASUWT.

A Dra Hartnell-Young diz que as preocupações dos professores são compreensíveis. “Embora o objetivo eventual seja levantar o banimento total dos celulares, não recomendamos uma mudança imediata e em todas as escolas”, disse elea.

“Ao contrário, nós acreditamos que os professores, alunos e toda a comunidade devem trabalhar em conjunto para o estabelecimento de políticas que venham a permitir o uso dessa poderosa ferramenta nova para o aprendizado, de maneira segura. Esperamos que, no futuro, o uso dos telefones celulares seja tão natural como o uso de qualquer outra tecnologia na escola”.

###

Observação do tradutor: é!… e o inferno pode congelar e o Capeta morrer de pneumonia….

Page 1 of 812345»...Last »