Assista o vídeo abaixo e descubra o que acontece quando um ornitólogo esquece de tomar seu gardenal. Espero não chegar lá um dia…

Não é só no Animal Planet, Discovery Channel e National Geographic que as pessoas encontram serpentes em casa e ligam para algum Super Biólogo ou  Super Veterinário resgatá-las. A “pequenina” jibóia,  Boa constrictor, com quase 2,5 metros, das fotos acima foi resgatada em uma oficina mecânica na periferia da cidade pela equipe do Setor de Animais Peçonhentos e Sinantrópicos do Centro de Controle de Zoonozes de Campos dos Goytacazes - RJ. Depois de resgatada a serpente foi libertada em uma área de restinga conservada distante da civilização.

O Caapora aproveita o ensejo para parabenizar os profissionais do Setor de Animais Peçonhentos e Sinantrópicos pelo excelente trabalho da equipe, que nos últimos meses vem resultando no resgate e reintrodução no ambiente natural de diversas serpentes que vez ou outra vão buscar abrigo em lugares não muito convencionais.

Vale lembrar que a maior parte das serpentes, como a jibóia das fotos, são inofensivas ao ser humano pois não são venenonas. E que, venenosas ou não, as serpentes desempenham um papel importantíssimo na natureza e são predadores indispensáveis em diversos ecossistemas.

Depois de um dia inteiro de trabalho monitorando aves marinhas nas praias de Quissamã - RJ, eu me preparava para entrar no carro e me refugiar do sol escaldante quando vi de relance um inseto pequeno, um tanto quanto esquisito, passar correndo do lado do meu pé. O bicho parou em um pequeno monte de conchas a uns dois metros de mim e desapareceu da minha vista. Curioso, dei dois passos para frente e lá se foi o bicho correndo de novo, me aproximei com mais cautela e tive a felicidade de descobrir que o tal “inseto esquisito” era, na verdade, um casal de besouros-tigre (Família Carabidae, Subfamília Cicindelinae) acasalando a beira mar.

Máquina em punho, fui cuidadosamente me aproximando, já estava com o dedo no disparador quando o casal de besouros apaixonados partiu em correria de novo, tentei me aproximar mais algumas vezes, mas os besouros pareciam ser bastante tímidos e não quereriam ter a sua intimidade registrada. Foi quando um dos meus amigos se aproximou para ver o que eu estava fazendo ajoelhado na areia, os besouros partiram em correria de novo, só que desta vez pararam bem do lado do meu joelho. Virei meu corpo com todo cuidado do mundo, me aproximei mais um pouco, prendi a respiração, estiquei o pescoço e CLICK!

Sempre gostei muito de ler OECO, mas nunca imaginei que um dia eu pudesse virar reportagem.

Clique aqui e leia o texto escrito por Bernado Camara diretamente no site do OECO e veja também uma galeria com algumas das minhas fotos.

Gostaria de aproveitar o ensejo e agradecer a todos aqueles que contribuíram ao longo destes dez anos para que “o menino passarinho virasse ornitólogo”. Não vou citar nomes para não correr o risco de esquecer ninguém, mas estejam certos que cada um de vocês foi indispensável ao longo da caminhada.

Ornitólogos são criaturas que quase sempre andam olhando para cima. Se por um lado este hábito nos auxilia na hora de encontramos nossos objetos de estudo, por outro, pode ocasionar alguns efeitos colaterais indesejados. Não me importo muito com os torcicolos que vez ou outra me deixam de pescoço duro, especialmente em área de florestas na Amazônia com copas de árvores de 40 metros de altura, afinal,  são os “ossos do ofício”. O que me incomoda mesmo é a sensação constante de passar batido por muito bicho pra lá de interessante.

O belíssimo sapo-flecha da foto acima, um Adelphobates quinquevittatus, é endêmico da região próxima ao rio Madeira, e ia ser mais um animal incrível que ia me passar despercebida se ela não tivesse pulado em cima da minha bota durante um trabalho de campo em Rondônia. Sempre quis muito ver um dendrobatídeo ao vivo e a cores e acabou que não fui eu que o encontrei, mas ele que pulo em cima de mim.

Da bota ele pulou de volta para o chão e logo me apressei em tirar a máquina da mochila, quando olhei para o chão de novo ele havia sumido. Passaram-se alguns desesperadores segundos até encontrá-lo novamente e quando o achei lá estava ele fazendo pose no meio dos fungos, só faltou pedir: “ei macaco esquisito, tira uma foto minha aqui!”.

Notícia publicada ontem na seção Ambiente da Folha Online.

Aquecimento global afeta habitats de aves, diz estudo

da France Presse, em Paris

Os habitats de espécies de aves selvagens estão mudando em razão do aquecimento global, mas não o suficiente para aliviar os efeitos das altas temperaturas. A informação é de um estudo publicado nesta quarta-feira (20).

“A flora e a fauna ao nosso redor estão mudando ao longo do tempo devido ao aquecimento global”, afirmou Victor Devictor, principal autor do estudo e pesquisador no Museu Nacional Francês de História Natural.

“O resultado é uma falta de sincronismo. Se pássaros e as espécies de que eles dependem não reagem do mesmo modo, nós rumamos para uma mudança drástica na interação entre as espécies”, afirmou o pesquisador.

O estudo mostrou que a área geográfica de 105 espécies de pássaros na França –o que representa 99,5% do total de aves selvagens do país– se moveu, em média, 91 km para o norte, entre 1989 e 2006.

Mas, as temperaturas médias, mudaram em uma área de 273 km ao norte durante o período –cerca de três vezes mais rápido.

O fato de alguns pássaros responderem à mudança climática já havia sido notada em algumas espécies. O que surpreendeu Devictor foi o fato de essas mudanças afetarem praticamente todos os pássaros na França, e o descompasso com a elevação das temperaturas está cada vez maior.

Esses “desencontros” tendem a se intensificar durante o tempo e podem levar algumas espécies de pássaros à extinção.

Migração do Caapora

21.Aug.2008

Como todos já devem ter percebido, o Caapora migrou em busca de condições mais favoráveis para sua sobrevivência, comportamento que não é de se estranhar em se tratando de um blog com “um leve viés ornitológico”.

O Caapora aceitou o irrecusável convite para se juntar ao portal de blogs científicos Lablogatórios e a partir de agora esse passa ser seu hábitat natural. Embora já com novo conteúdo, o blog ainda deve passar por algumas transformações no visual e ganhar novidades nas próximas semanas.

As postagens antigas continuarão disponíveis no endereço anterior (www.caapora.blogspot.com).

No último dia 14, pescadores de Palhoça, Santa Catarina, capturaram um peixe com aspecto de uma serpente e com nadadeiras cor de rosa. A história parece de pescador, mas abaixo seguem as fotos que comprovam a história.

Peixe-remo (Regalecus glens), capturado no litoral de Santa Catarina

Regalecus glesne é o nome científico da exótica criatura, que é popularmente conhecida como peixe-remo. A espécie detém o recorde de maior representante da classe Actinopterygii, da qual fazem parte todos os peixes ósseos, podendo atingir incríveis 11 metros de comprimeto e pesar até 270 kg!!! Se não bastasse o tamanho avantajado, Regalecus glesne possui ainda as nadadeiras e um extravagante “topete” cor de rosa pink, dando um aspecto ainda mais bizzarro ao animal.

<i>Peixe-remo </i>(Regalecus glens), <i>capturado no litoral de Santa Catarina</i>.

Peixe-remo (Regalecus glesne), capturado por pescadores no litoral de Santa Catarina.

O indivíduo capturado em Santa Catarina é um jovem, medindo “apenas” 1,66 metros de comprimento. Sua captura, no entanto, possui grande importância científica uma vez que trata-se da primeira prova documentada da ocorrência da espécie nos mares da América do Sul, segundo Jules Souto, do Museu Oceanográfico da Univali, intituição para onde o espécime foi depositado. Ainda segundo Souto o único registro anterior da espécie na América do Sul foi feito por ele mesmo há 20 anos atrás também na costa de Santa Catarina, mas naquela ocasião o peixe não foi fotografado e nem capturado.

Graças ao seu tamanho e aparência fora do comum o peixe-remo pode ser o responsável por boa parte dos antigos avistamento das mitológicas serpentes marinhas em mares de todo mundo, conforme demonstra a ilustração abaixo de um Regalecus glesne encalhado na costa das Bermundas em 1860 e que na ocasião foi descrito como uma serpente marinha.

<i>Ilustração de um </i>Regalecus glens <i>encalhado nas Bermudas em 1860, o espécime foi orignalmente descrito como uma serpente marinha</i>.

Ilustração de um Regalecus glesne encalhado nas Bermudas em 1860, o espécime foi originalmente descrito como uma serpente marinha.