A questão do meio ambiente permeia todas as discussões atuais: o crescimento da China, a urbanização da Índia, o preço do eptróleo e dos alimentos, aquecimento global, escassez de água potável, tudo está relacionado à nossa relação com o planeta no qual vivemos.
Diante destes problemas, o Brasil está em uma situação relativamente tranquila: temos o maior aquífero de água doce, grande parte da maior floresta tropical do mundo, terras agriculturáveis, biocombustíveis E petróleo e uma população já urbanizada. Logo, o Brasil teria tudo para se tornar um líder na causa ambiental, o que o impulsionaria para um papel de destaque no mundo futuro, certo? Nem tanto.
Ao invés de impressionar o mundo ao adotar políticas fortes de proteção da Amazônia, temos o resultado do abandono do Estado nestas regiões e uma taxa de desmatamento que não diminui. Ao invés do país discutir formas de proteger a floresta, discutimos formas de ocupá-la e desenvolvê-la através do Programa Amazônia Sustentável. Será que a melhor forma de proteger tal patrimônio é discutir formas de explorá-lo? Vc pode até falar que o desenvolvimento será sustentável (e até pode ser no papel) mas realmente devemos acreditar que isso funcionará na prática?
Ao invés de discutir a exploração dos recursos naturais amazônicos, ou da formação de novos reservatórios de hidrelétrica, deveríamos discutir a sua ocupação através do turismo e da ciência. O ministro Mangabeira Unger diz que a Amazônia não é um santuário… porque não?
E tem a questão do biocombustível. O país tem a oportunidade de gerar energia transportável para grande parte do mundo. No entanto, isso somente acontecerá se os novos campos de cana-de-açúcar ocuparem pastagens. Se começar a ficar comprovado que a cana está desmatando novas áreas, o resultado será um só: embargos contra o etanol brasileiro. Por que cana deveria ocupar pastagens? Porque o número de cabeças de gado por hectare no Brasil é baixíssimo e pode aumentar, e muito, para abrir áreas de plantação de cana.
Mas tudo isso pode ser colocado a perder se o país não investir alto em pesquisa e inovação. Temos que desenvolver novas tecnologias verdes para fornecer estes produtos para o mundo, cuja demanda por produtos mais ecológicos só aumenatrá. Temos que estudar fontes de energia renováveis. A china, por exemplo, pretende dominar a área de usinas eólicas: quantos empregos e investimento isso não irá gerar para ela nos anos futuros? Que tal investirmos em energia solar?
E temos que parar de abrir novas hidrelétricas, pelo menos no curto prazo. O custo é gigante e os benefícios não se comparam ao de simplesmente renovar as usinas já existentes!
Enfim , o Brasil tem a estrutura e a conjuntura ao seu aldo para se tornar uma potência ecológica nas próximas décadas. No entanto ainda insistimos no modelo antigo de desenvolvimento X ambiente e insistimos em valorizar o desenvolvimento em detrimento do ambiente. O momento está passando,s erá que chagaremos atrasados novamente?
Não percam! Na entrevista de amanhã do programa Roda Viva (TV Cultura, 22h40), com o Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc contará com os meus comentários via Twitter. Junto comigo estará Lúcia Malla que deve garantir comentários de qualidade.
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