Saiu na Science desta semana um artigo que sugere que uma espécie de artrópode (invertebrados articulados, como insetos e crustáceos, foto acima) tinha um comportamento de viver em grupos já no Cambriano (só 525 milhões de anos atrás).
A grande pergunta é: como saber que estes organismos tinham um comportamento social analisando-se um registro fóssil? Não é como se você pegasse os pré-camarões jogando pôquer ou algo que o valha. No entanto, algumas evidência são difíceis de negar, como a foto dos demais fósseis encontrados:
A primeira foto deste texto mostra o único espécime encontrado sozinho. Os demais 22 registros fósseis chineses mostram os camarões Neanderthais formando trenzinhos de 2 a 20 indivíduos! Trenzinhos!
Este comportamento lembra algumas taturanas que seguem ficam uma seguindo o rastro da outra. Os cientistas responsáveis pela descrição do material até especulam que um indivíduo se agarrava no corpo do outro, assim como observado na figura abaixo:
Uma possibilidade é a de que estes organismos moravam em túneis compartilhados, no entanto, o material geológico ao redor do fóssil não sugere a existência de túneis. Ao contrário: ele sugere que os organismos nadavam desta forma!
O engraçado é que, em um trenzinho deste, somente o primeiro indivíduo pode comer, uma vez que a boca dos demais parece ser usada para se prender no corpo do anterior. Qual seria a lógica disto? Três possibilidades existem: sexo (para variar), migração ou defesa contra predadores. O que dificulta a análise é que este comportamento nunca foi observado em um artrópode adulto moderno.
Provavelmente nunca descobriremos a razão desta conexão. Acho que isso que me fascina na Paleontologia: tentar descobrir coisas somente através de fotografias borradas que ficaram enterradas no fundo do baú.
Fonte: Science




