Dr. Bhimu Patil, diretor do Centro de Melhoramento de Vegetais da Texas A&M University, anda impressionado com as melancias. “Quanto mais estudamos as melancias, mais percebemos o quão maravilhosa esta fruta é ao prover o corpo humano com melhoramentos naturais.” disse à Science Daily.
De acordo com os estudos de seu centro, a melancia contém muitas substância que afetam o funcionamento do corpo, incluindo o licopeno, o beta-caroteno e a citrulina. O licopeno é uma substância vermelha que é encontrada no tomate enquanto o beta-caroteno é uma substância alaranjada presente nas cenouras. Ambos são anti-oxidantes, substâncias que evitam o dano celular causado por radicais livres e o conseqüente processo de envelhecimento.
Mas a estrela dos três é a citrulina. A citrulina é convertida no aminoácido arginina no corpo. A arginina, por sua vez, pode ser quebrada em uma reação que libera óxido nítrico no corpo. O óxido nítrico, por sua vez, ajuda na dilatação dos vasos sangüíneos. Citrulina, portanto, melhora a circulação sangüínea.
O pulo do gato está no fato do óxido nítrico também atuar na sinalização da ereção! Logo, a citrulina, que está em grandes quantidades na parte mais verde da melancia, pode ativar a mesma via de sinalização do Viagra! Assim como o Viagra, a citrulina pode ajudar na ereção! Veja bem que não falamos de quanta melancia uma pessoa há de comer para que este efeito seja observado…
Fica como lição a esperteza do Dr. Bhimu Patil que conseguiu fazer a melancia virar notícia associando-a ao sexo! Se bem que no Brasil existem mulheres que fazem o mesmo e melhor…
Fonte: Science Daily
“Até deus tem senso de humor: veja os ornitorrincos.” Dogma, 1999
E veja só: sequenciaram o genoma dos ornitorrincos! Acabaram-se os genomas para se sequenciar? De jeito nenhum. Os ornitorrincos são um grupo interessante para ter o genoma sequenciado exatamente porque eles são estranhos.
Para os que não conhecem o animal, os ornitorrincos vêm da Austrália (o que já lhes garante um atestado de peculiariedade). Eles nascem de ovos, no entanto, eles possuem pêlos e produzem leite. Pois então: eles são aves, répteis ou mamíferos? Por incrível que pareça eles são considerados mamíferos, uma vez que pêlos e lactação são características bem exclusivas desse grupo.
Essa mistura de características, ovos e leite, indica que os ornitorrincos são mais parecidos com primeiros mamíferos a surgirem no planeta do que nós. Isso quer dizer
que, se compararmos o nosso genoma e de outros mamíferos, como o gato e o cachorro, com o do ornitorrinco, podemos descobrir quais genes estavam presentes no mamífero-primordial e saber o foi mantido em nós.
E as surpresas foram muitas: os ornitorrincos possuem genes semelhantes ao dos répteis como os de fazer ovos e veneno (os ornitorrincos machos são venenosos). Ainda assim os ornitorrincos possuem 80% dos genes em comum com os demais mamíferos, como por exemplo, os genes da lactação dos mamíferos.
Assim como os cachorros, os ornitorrincos possuem duplicações nos genes responsáveis pelo olfato, o que não é de se espantar já que este sentido é bastante importante pro animal. Além disso, o bico do ornitorrinco contém uma extensa rede de sensores elétricos que o ajudam a caçar debaixo da água.
Viva o ornitorrinco! Bem-vindo ao exclusivo clube dos organismos com genoma sequenciado!
Fontes: Nature, BBC e Science Daily.
Fotos: Science Photo Library
A maioria dos organismos possuem um relógio interno. Este relógio os permite acompanhar a progressão das horas sem precisar ficar medindo o ângulo do sol ou olhando pro relógio. Por causa deste relógio, se nos colocarmos em uma caverna escura, por exemplo, sem relógio ou outro mecanismo de medição de tempo, continuaremos a comer e dormir em intervalos próximos a 24 horas.
Uma das funções menos conhecidas, e talvez a principal, do relógio é o de organizador das atividades diárias do corpo. No nosso caso, isso inclui dormir e comer. No caso das plantas, isso inclui fazer fotossíntese. Qual seria a razão de ter suas atividades diárias organizadas? Uma delas pode ser vista em um artigo recente que saiu na revista científica PNAS.
Estudando as bactérias Cyanothece (também conhecidas como cianobactérias), os pesquisadores descobriram que existiam dois processos vitais para a sua sobrevivência: a fotossíntese e a fixação de nitrogênio. O problema é que a fotossíntese produz oxigênio enquanto a fixação de nitrogênio é inibida pelo mesmo! Ambos processos vitais são, portanto, incompartíveis!
A solução encontrada na bactéria é bastante simples: os processos são separados no tempo. Durante o dia as bactérias fazem fotossíntese usando a luz do sol e produzindo oxigênio e, durante a noite, elas fixam nitrogênio. De forma semelhante, nosso organismo está programado para sentir fome ao meio-dia e não no meio da noite (não, eu não consigo fazer boquinhas noturnas). Estes processos estão sob a batuta do relógio biológico, que possui propriedades semelhantes em humanos, bactérias e todos os outras seres vivos que possuem um relógio.
Fontes: Science Daily e PNAS
Olhe bem para esta mariposa, o que te chama mais atenção? Provavelmente seus olhos foram imediatamente atraídos para os dois círculos enormes nas asas da mariposa.
Sempre expliquei, e me explicaram, que os círculos serviam para imitar os olhos de grandes pássaros e, com isso, espantar predadores. Pois então: um estudo recente põe esta explicação em xeque.
Os pesquisadores criaram asas de mariposas artificais e prenderam uma larva no centro. As asas possuíam padrões diversos: desde dos círculos imitando olhos até quadrados e listras. Colocando-se as mariposas artificiais nas florestas inglesas, os pesquisadores mediram a freqüência na qual as falsas-mariposas foram comidas. A conclusão foi impressionante: as mariposas com círculos foram atacadas em igual frequência que as mariposas com círculos!
Eles concluíram que o que determinava se as mariposas eram atacadas ou não era o quão conspícuas as mariposas eram, ou seja, quanto mais fáceis elas eram de se encontrar, menos elas eram atacadas! A explicação dos pesquisadores, é que os predadores evitam presas muito visíveis pois elas tendem a ser venenosas. Os círculos, pelo menos nas asas das mariposas, portanto, não têm nada a ver com a sua semelhança com olhos.
Mudem os livros didáticos! E o caso da borboleta Atília tb… (Tim, 2008).
Fonte: Professor Rô Hirata e Behavioural Ecology.
Pergunta simples mas de uma elegância incrível: será que uma borboleta ou uma mariposa, após todas as transformações que ela passa durante a sua metamorfose, se lembra de sua vida como larva? Afinal, as borboletas criam asas, olhos, pernas e órgãos completamente novos e muito pouco da lagarta resta no novo corpo.
Um estudo que saiu no mês passado descreve um experimento que sugere que algumas lembranças são mantidas após a metamorfose.
Os pesquisadores submeteram lagartas a choques elétricos enquanto liberavam um odor específico. Após este tratamento, eles observaram que as lagartas passavam a evitar este odor ou seja, criaram uma aversão a este odor baseado em experiências desagradáveis.
O mais interessante é que esta aversão se manteve após a metamorfose destas lagartas! Enquanto mariposas que não foram expostas ao odor ao tomar choque simplesmente ignoravam a presença do odor, as que eram aversas ao odor como lagartas também o evitavam quando mariposas.
Esta pesquisa é importante porque mostra que borboletas e mariposas podem se lembrar coisas aprendidas como lagartas. Antes acreditava-se que elas começavam uma vida totalmente nova ao sair da pupa.
Fontes: PLoS One e Science Daily
Saiu um trabalho que me deixou excitadíssimo mas não tenho competência de discutí-lo aqui no blog, a não ser que você tenha noções de zoologia no nível de faculdade. Foi publicado, ainda somente na parte eletrônica, uma das mais extensas tentativas de se desenhar uma árvore da vida para os animais. O melhor é que este estudo trouxe uma ou duas surpresas cujas implicações são fenomenais, só que não faz sentido nenhum para a grande maioria das pessoas do mundo. É como explicar a alguém quão genial o final de “Os suspeitos” é para quem nunca ouviu falar de Keiser Soze.
Uma das maiores surpresas, foi que os ctenóforos e não as esponjas revelaram ser o grupo-irmão do resto dos animais. Note que o grupo usou poucas espécies de esponjas na árvore então usaremos esta infromação com cuidado. Se o achado for verdadeiro, e esta não é uma sugestão nova, isso tem duas implicações fantásticas: ou as esponjas descendem de organismos mais complexos e se simplificaram OU os ctenóforos correspondem à uma linhagem evolutiva diferente dos outros animais! Deu arrepios? Em mim deu.
Outras coisas menores incluem os Ornichophora sendo grupo irmão de Artópodes e não Tardigrada, a aproximação das centopéias dos aracnídeos e não dos insetos e a sugestão de que o celoma surgiu (e desapareceu) mais de uma vez na evolução (arrepios bem menores agora)!
Mais informações, em ordem de dificuldade: Science Daily, Nimravid’s Weblog e o artigo original.
Aprendemos nas aulas de ecologia que os ecossistemas funcionam assim: i) o tipo de solo determina os tipos de nutrientes disponíveis para as plantas. ii) O tipo de nutrientes disponíveis para as plantas determina que tipos de plantas crescem neste sole. iii) O tipo de planta determina o tipo de comedor de folhas que vive na região e iv) o tipo de herbívoro determina o tipo de carnívoro que vive na região. Muito simples, fácil e lógico né? Pois não é que a coisa, para variar, é mais complexa que isso?
Um estudo que saiu na Science deste mês sugere que, em alguns casos, a história pode inverter o seu rumo. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores acompanharam a dinâmica dos vegetais que crescem em campos norte-americanos por 3 anos. O que eles observaram foi interessantíssimo: às vezes o tipo de solo e vegetação podem ser determinados pelos predadores e não o contrário!
Tome o caso de duas espécies de aranhas: uma que sai andando (ou saltando) por aí atrás de suas presas e uma que fica em apenas um local à espera das suas vítimas passar na sua frente. Em ambiente no qual a primeira aranha se encontra, os gafanhotos não se movimentam muito, a fim de evitar encontrar seu predador móvel. Em um ambiente no qual a aranha fica à espreita, os gafanhotos se movimentam mas evitam os locais onde as aranahs se encontram.
Os gafanhotos que não se movimentam, acabam se refugiando em uma planta que domina o ambiente. Esta planta, por conseguinte, acaba sendo devorada com maior intensidade. O sumiço da planta dominante permite a colonização do ambiente por outras espécies de plantas. No entanto, a planta dominante do local, a goldenrod acumula muito nitrogênio e, sem ela, este nitrogênio é perdida. O resultado é um aumento da diversidade de plantas e uma redução dos nutrientes do solo.
Se os gafanhotos evitam as áreas onde as aranhas sentam e esperam pelos seus predadores, o goldenrod é comido menos e continua a dominar o terreno, resultando em uma diversidade baixa sobre um solo rico em nitrogênio!
Portanto, a diversidade em uma região e a concentração de nutrientes do solo podem ser reguladas por algo tão simples quanto o comportamento das aranhas presentes na região.
Os pesquisadores ainda citam um segundoe exemplo: veados são herbívoros vorazes que ficam em movimento constante para evitar uma emboscada de um puma mas ficam em um mesmo lugar procurando por matilhas de lobo. Se eles ficam em um mesmo local, eles acabam devorando todos os indivíduos de suas folhas favoritas, alterando a paisagem local e a dinâmica de nutrientes.
Fonte: Science, Science Daily

