Todos já tiveram a sensação de comer aquela comida que “não está tão apimentada” e foi punido com uma sensação horrivelmente boa de ardência. Esta sensação é causada pela interação de uma molécula presente em volta das semnetes das pimentas, a capsaicina, com os nossos receptores sensoriais. Os sensores ativados pela capsaicina, no caso, são os responsáveis por codificar sensações de queimaduras e abrasão, explicando a nossa reação em resposta à ingestão de pimentas.
Além disso, uma pesquisa publicada recentemente no Journal of Biological Chemistry, sugere que, além do efeito sensorial, a capsaicina induz a geração de calor por músculos. Ela faz com que proteínas quebrem moléculas de energéticas, os ATPs, sem gerar trabalho, somente calor. Este efeito deve contribuir com as sensações causadas pela pimenta.
O engraçado é que as aves não são afetadas pela capsaicina, apenas mamíferos. Isso pode ser uma estratégia para evitar que as sementes das pimentas sejam ingeridas por mamíferos. Por que seria favorável às pimentas serem ingeridas apenas por aves? Simples: o sistema digestório dos mamíferos destrói as sementes das pimentas, enquanto o sistema digestório das aves as mantêm intactas!
Uma última curiosidade: a capsaicina não dilui bem na água, por isso tomar leite, que possui um teor mais alto de gorduras, deve ajudar a combater a ardência de certas comidas. Se você for vítima de spray de pimenta, que usa altas quantidades de capsaicina, tente remover a molécula com óleos ou sabões (mas cuidados com o que for botar nos olhos!).
Por fim, uma pergunta para discussão: por que pessoas que moram em regiões quentes (México, Índia, e baianos) gostam de comida apimentada? Será apenas coincidência?
Fontes: Science Daily, Wikipedia e Molecule of the Day.
Foto: Ian Ramsley
Em um post anterior, falei de como as melancias poderiam atuar na mesma via de sinalização do Viagra. Esta notícia, como espero ter mostrado, continha muitos exageros e era mais um golpe de RP do que de PD (relações públicas X pesquisa e desenvolvimento). Fica a pergunta: como funciona o Viagra mesmo?
Durante o meu doutorado, parte do meu projeto estudava como um gás poderia ser usado na sinalização das células da planta. Este gás é o óxido nítrico (NO), que também é usado como sinal por células animais. A vantagem de se usar um gás, ainda mais um bastante reativo como o NO, como sinal, são muitas: o NO se difunde rapidamente, atravessa as membranas das células e tem um raio de ação pequeno (por ser reativo). Isso torna o NO ideal para sinalizar eventos locais que necessitam resposta rápida. Um destes eventos é o relaxamento dos músculos lisos dos vasos sangüíneos.
Durante a ereção, músculos lisos se relaxam e deixam os corpos cavernosos se encham de sangue. Assim como o NO relaxa os músculos dos vasos sangüíneos, ele também relaxa o músculo que provocam a ereção. Controlando-se o NO, pode-se controlar ereções! Só que mexer no NO, como as melancias supostamente podem mexer, provoca inúmeros efeitos colaterais, como a dilatação dos vasos sangüíneos. Um remédio inespecífico não é um remédio tão bom assim.
Vamos voltar à ação do NO no relaxamento dos músculos: quando ele atinge as células musculares, elas começam a produzir um sinal chamado GMPc. O sinal da ereção começa quando o GMPc é produzido e termina quando ele é destruído. O Viagra atua inibindo a destruição do GMPc, ou seja, o Viagra (sildenafil) inibe a inibição e favorecendo o acúmulo de GMPc (conseqüentemente, a ereção).
Logo, o Viagra não provoca ereções, ele apenas as facilita. Portanto, se nem Viagra funcionar, isso pode indicar que o problema é psicológico, no processo de indução da ereção.
O Levitra e o Cialis, remédios de marcas diferentes, seguem o mesmo princípio ativo do Viagra, com modificações estruturais que podem diminuir efeitos colaterais ou prolongar o efeito.
Dr. Bhimu Patil, diretor do Centro de Melhoramento de Vegetais da Texas A&M University, anda impressionado com as melancias. “Quanto mais estudamos as melancias, mais percebemos o quão maravilhosa esta fruta é ao prover o corpo humano com melhoramentos naturais.” disse à Science Daily.
De acordo com os estudos de seu centro, a melancia contém muitas substância que afetam o funcionamento do corpo, incluindo o licopeno, o beta-caroteno e a citrulina. O licopeno é uma substância vermelha que é encontrada no tomate enquanto o beta-caroteno é uma substância alaranjada presente nas cenouras. Ambos são anti-oxidantes, substâncias que evitam o dano celular causado por radicais livres e o conseqüente processo de envelhecimento.
Mas a estrela dos três é a citrulina. A citrulina é convertida no aminoácido arginina no corpo. A arginina, por sua vez, pode ser quebrada em uma reação que libera óxido nítrico no corpo. O óxido nítrico, por sua vez, ajuda na dilatação dos vasos sangüíneos. Citrulina, portanto, melhora a circulação sangüínea.
O pulo do gato está no fato do óxido nítrico também atuar na sinalização da ereção! Logo, a citrulina, que está em grandes quantidades na parte mais verde da melancia, pode ativar a mesma via de sinalização do Viagra! Assim como o Viagra, a citrulina pode ajudar na ereção! Veja bem que não falamos de quanta melancia uma pessoa há de comer para que este efeito seja observado…
Fica como lição a esperteza do Dr. Bhimu Patil que conseguiu fazer a melancia virar notícia associando-a ao sexo! Se bem que no Brasil existem mulheres que fazem o mesmo e melhor…
Fonte: Science Daily
Domingo passado eu estava passeando com a minha esposa e sogros na Liberdade, quando ouvi um vendedor ambulante gritando: “Olha a flor-de-lótus! Olha a flor-de-lótus!”. Todos os que passavam, olhavam para as flores do vendedor. Muitas paravam, para conversar com ele, e algumas compravam as flores. Foi somente quando me aproximei do vendedor que notei as tais “flores-de-lótus”:
A primeira coisa que pensei foi: mentira! As flores lilases que o senhor vendia eram de ninféas e não de lótus! As ninféas são as flores prediletas de Monet, enquanto as flores-de-lótus são um ícone da Ioga. As ninféas pertencem à família Nympheaceae enquanto as flores-de-lótus são da família Nelumbonaceae.
No entanto, foi somente aproximando mais que notei a real magnitude do golpe:
O senhorzinho estava vendendo flores de ninféas amarradas à aguapés dizendo que eram flores-de-lótus! Aguapés são plantas aquáticas que crescem rapidamente e chegam a ser problemáticas em rios e lagos! O cidadão que compra as plantas do ambulante coloca os aguapés no seu laguinho, esperando que eles floresçam e acaba com um problemão quando eles tomarem conta do lago.
Para quem conhece ninféias, o golpe é fácil de se identificar: as folhas das ninféas são achatadas e bóiam sobre a lâmina d´agua (abaixo), assim como a vitória-régia que é da mesma família. As raízes desta planta se prendem no fundo da água, lançando longos caules cheios de ar até a superfície. Os aguapés (acima), ao contrário, fica boiando na água, com suas raízes soltas na água.
As flores-de-lótus (abaixo) realmente lembram as ninféas, trocar seus nomes pode até ser um erro honesto. Juntar flores de uma planta com as folhas de outras, no entanto…
No blog Neurophilosophy tem uma galeria incrível de crânios perfurados por objetos. O caso mais famoso de acidentes que perfuram o cérebro é o de Phineas Gage. Phineas trabalhava com explosivos e, em um acidente, com a pólvora, uma barra de metal acabou atravessando a cabeça dele. O mais curioso é que Phineas acordou logo após o acidente e ficou esperando o médico sentado e conversando com seus colegas. Após um período complicado de recuperação por causa de infecções, Phineas voltou à sua vida mas nunca mais foi o mesmo. Até hoje é incerto se o acidente causou alguma modificação no comportamento de Phineas além da cegueira no olho esquerdo.
A foto acima é de um cara que se envolveu em uma briga e seis horas depois (seis horas!) deu baixa no hospital com dor de cabeça. Para a sua surpresa, haviam enfiado um pincel inteiro no olho do cara!!!! O cara que enfiou a ferramenta no outro foi tão profissional que o cara nem havia notado, sem contar que não foi detectada nenhuma infecção ou dano neurológico.
A foto abaixo mostra um raio-X de uma pessoa que tentou se suicidar com uma pistola de pregos (que usa ar comprimido para pregá-los). Pistolas de prego são uma opção comum entre os suicidas, aparentemente.
Mais bizarro é o caso abaixo de um homem de 44 anos que se automutilou inserindo diversos pregos no seu crânio em um período de 3 meses. Ele escapou de infecções passando um antisséptico caseiro. Ele acabou sendo interando quando começou a perder os movimentos do lado esquerdo após colocar um prego bem maior. Para as pessoas não notarem suas mutilações, o homem usava um chapéu para andar na rua.
O pior é que este nem é o caso mais bizarro: no caso abaixo o paciente, com histórico de automutilação, abriu um buraco no cérebro e inseriu um arame de caderno por ele!!!
Para terminar, um caso brazuca, de um acidente envolvendo um disco de polir feito de pedra sabão. De novo, apesar de ser uma recuperação complicada, o paciente teve poucos problemas neurológicos (será que o cérebro é menos importante ou mais impressionante do que achamos?).
Fonte: Neurophilosophy, dica da Taninha

Os cientistas vivem procurando inspirações na natureza para desenvolver novas tecnologias. Dois exemplos famosos são os sonares e radares, baseados nos sistemas de ecolocalização dos golfinhos e morcegos (o ultrasom também é filho desta tecnologia). Outro exemplo clássico é o velcro, inspirado no modo que carrapichos se grudam nos pêlos de animais (mais detalhes aqui). Menos conhecido é o caso das flores de lótus que se mantêm limpas mesmo em águas lamacentas e inspiraram a criação de vidros autolimpantes.
Exemplos mais simples são a legião de pássaros e peixes anônimos que tiveram suas asas e nadadeiras reviradas para o design de novas asas de avião. Ou até as plaquinhas olhos-de-gatos, que são autoexplicativas.
A ciência que estuda a natureza para inspirar novas tecnologias tem até um nome: Biônica ou Biomimética. Atualmente, esta área está em franca expansão: algum tempo atrás foi anunciado um breakthrough na síntese de teias artificiais, um sonho de muitos engenheiros. Há pesquisas que descrevem os pés de lagartixas para desenvolver novos adesivos. Até os discretos mexilhões entraram nesta: o sistema que utilizam para fixar-se às pedras, a despeito das ondas, pode ser usado para se fazer colas novas. Os bivalves também estão sendo estudados para se descobrir os segredos da madrepérola, um material resistente e flexível ao mesmo tempo.
Isso sem contar a modelagem de comportamentos de animais e outros sistemas, como o de cardumes, que ajudam os cientistas a criar algoritmos que resolvem muitos problemas na computação. A locomoção de alguns robôs projetados para explorar outros planetas foi baseada na locomoção de insetos e aracnídeos. Redes neurais artificias também são a esperança para se criar robôs capazes de aprender.
Agora saiu uma notícia que um besouro brasileiro pode inspirar uma nova geração de computadores fotônicos. A tecnologia de computadores fotônicos não avança por causa da necessidade de gerar “cristais fotõnicos” porém, aparentemente, as incrustações presentes nas asas iridescentes do besouro Lamprocyphus augustus poderiam sugerir meios de se fabricar novos cristais. A tecnologia de computadores fotônicos é uma das maneiras de se fazer computadores mais rápidos, seria legal saber que um simples besouro poderia revolucionar esta área.
Fontes: Science Daily, Wikipedia, New Scientist e Mongabay.
As fotos deste post foram retiradas do marvilhoso slideshow da National Geographic em homenagem aos nudibrânquios.
Os nudibrânquios são um grupo interessante de moluscos marinhos. Muitas vezes eles são chamados pelo genérico nome de lesmas-do-mar, que também incluem animais de outros grupos.
Uma característica interessante dos nudibrânquios é a sua variedade de formas e cores. Estas extravagâncias não são por acaso: elas anunciam que, embora bonitos de se ver, estes animais não devem ter sabor agradável. Inclusive, os nudibrânquios são conhecidos por pegar emprestado as substâncias tóxicas e pigmentos dos organismos que eles comem, como algumas anêmonas. As formas bizarras também se explicam pelo fato das suas brânquias ficarem expostas (brânquias nuas = nudibrânquios, pescou?).
As extravagâncias dos nudibrânquios é tão grande, que até seus ovos são malucos, colocados após uma dança elegante dos nudibrânquios machos/fêmeas (são hermafroditas). Dança, aliás, é o que melhor descreve o nado dos nudibrânquios, que parecem planar nas profundezas do mar.
Para mais informações, e fotos, dê uma visitada no post da Lucia Malla sobre os bichinhos. De lá também fiquei conhecndo esta galeria aqui, com mais fotos destes maravilhosos seres.
Fontes: National Geographic, Uma Malla pelo Mundo e Pondering Pikaia.

