Não se esqueçam da Blogagem Coletiva de terça-feira (o dia em que os ETs nos visitarão).

Escreva um texto sobre uma (ou mais) Grande Descoberta Científica. Pode ser sobre qualquer área da Ciência e coloque um comentário no Raio-X.

Dois livros “As 100 maiores descobertas científicas de todos os tempos”, de Kendall Haven, sorteados para dois blogueiros que participarem do Carnaval Científico.

Blogagem Coletiva - Descobertas Científicas

Blogagem Coletiva - Descobertas Científicas

No Desertores da escada tem um vídeo mostrando o desenvolvimento de um ovo de paulistinha, aquele peixe listradinho (zebrafish, em inglês).

No vídeo, que tem uma visão “por cima” e “por baixo” (termos que não fazem sentido em uma esfera). Dá para ver o ovo cheio de células (os pontinhos brancos são os núcleos) que começam a se migrar para uma região do ovo, formando um anel. Este anel é o corpo do peixe, que abraça as substância nutritivas da gema do ovo. Depois é possível ver a formação da cabeça na esquerda (com dois olhões) e das vértebras, na direita.

Veja lá o vídeo, depois compare com este de baixo, que tem a visão lateral.

O vídeo acima começa antes e está mais acelerado. Nele, é possível ver as células se proliferando e cobrindo toda a gema (círculo interno). Esse é o começo do vídeo que está nos Desertores. Daí é só comparar e ver o mesmo fenômeno acontecendo.

Este vídeo também saiu na Science de hoje, que está divertidíssima (momento Sheldon).

Parece um camarão...

Parece um camarão...

Saiu na Science desta semana um artigo que sugere que uma espécie de artrópode (invertebrados articulados, como insetos e crustáceos, foto acima) tinha um comportamento de viver em grupos já no Cambriano (só 525 milhões de anos atrás).

A grande pergunta é: como saber que estes organismos tinham um comportamento social analisando-se um registro fóssil[bb]? Não é como se você pegasse os pré-camarões jogando pôquer ou algo que o valha. No entanto, algumas evidência são difíceis de negar, como a foto dos demais fósseis encontrados:

Trenzinho de artrópodes

Trenzinho de artrópodes

A primeira foto deste texto mostra o único espécime encontrado sozinho. Os demais 22 registros fósseis chineses mostram os camarões Neanderthais formando trenzinhos de 2 a 20 indivíduos! Trenzinhos!

Este comportamento lembra algumas taturanas que seguem ficam uma seguindo o rastro da outra. Os cientistas responsáveis pela descrição do material até especulam que um indivíduo se agarrava no corpo do outro, assim como observado na figura abaixo:

Um artrópode atrás do outro

Um artrópode atrás do outro

Uma possibilidade é a de que estes organismos moravam em túneis compartilhados, no entanto, o material geológico ao redor do fóssil não sugere a existência de túneis. Ao contrário: ele sugere que os organismos nadavam desta forma!

O engraçado é que, em um trenzinho deste, somente o primeiro indivíduo pode comer, uma vez que a boca dos demais parece ser usada para se prender no corpo do anterior. Qual seria a lógica disto? Três possibilidades existem: sexo (para variar), migração ou defesa contra predadores. O que dificulta a análise é que este comportamento nunca foi observado em um artrópode adulto moderno.

Provavelmente nunca descobriremos a razão desta conexão. Acho que isso que me fascina na Paleontologia: tentar descobrir coisas somente através de fotografias borradas que ficaram enterradas no fundo do baú.

Fonte: Science

Evidência de comportamento social em cães

Evidência de comportamento social em cães

Eu nem falei do Nobel de Literatura 2008, que saiu ontem. Não é preconceito, é ignorância minha mesmo, que nem sabe o que o cara escreveu.

O prêmio Nobel de Literatura foi para o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, que desconheço. Ele é descrito pela fundação Nobel como: “author of new departures, poetic adventure and sensual ecstasy, explorer of a humanity beyond and below the reigning civilization.” Se nem consigo entender a descrição dada pela Fundação, que o dirá a importância do prêmio…

Já o prêmio Nobel da Paz foi dado a Martti Ahtisaari, mediador de conflitos. Martti foi presidente da Finlândia e agora trabalha como mediador de conflitos internacionais. O trabalho de Martti consiste em reunir as partes em conflito e traçar meios de se terminar os conflitos. Minhas fontes dizem que a Paula está escrevendo um post mais detalhado.

Aproveito a oportunidade de lançar o Presidente Lula como mediador internacional depois de seu mandato. Gostem de suas políticas ou não, o presidente chegou onde chegou por suas habilidades na mediação de conflitos. Eu acho que o Lula demora para tomar decisões importantes talvez mesmo porque ele goste de ouvir muitos lados, porém a função do mediador não é tomar decisões, é orientar a quem as toma a decidir-se por opções que levem à resolução de conflitos e não à sua escalagem.

Acho que seria a aposentadoria perfeita para Lula, ainda mais em um continente que vira-e-mexe decide ficar explosivo. E seria ótimo ver o Lula se tornar um ganhador do Nobel. Conhecimento não se adquire apenas na escola e inteligência não é só a acadêmica.

Dias 11-12 de Dezembro de 2008 acontecerá, em Riberão Preto, o I Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa. O Lablogatórios estará lá, apresentando palestra e participando de mesa-redonda. É uma ótima iniciativa do pessoal do Anel de Blogs Científicos. Só acho que um nome mais fácil, tipo BlogCamp Ciência, é urgente!

Osamu Shimomura, Martin Chalfie, Roger Y. Tsien pelo desenvolvimento de tecnologias baseadas na GFP!!!!!!!!!! Meus desejos se realizaram!

Núcleo das células da raíz marcados com GFP

Núcleo das células da raíz marcados com GFP

A GFP, ou Green Fluorescent Protein, é uma proteína presente em algumas águas-vivas que absorve luz ultravioleta e libera luz verde.

E daí? Imagine que vc tenha que achar os torcedores do Palmeiras que estão assistindo um jogo do Coríntias contra o São Paulo no Morumbi lotado. Tarefa impossível certo? Não devem ser muitos e devem estar escondidos. Agora imagine que você consiga colocar aquela linda camisa verde-limão-radioativo em todos eles. Fica mais fácil de achá-los, certo? Agora coloque um filtro na sua câmera que isole todos os comprimentos de ondas que só deixe passar o verde. Daria para contar todos os Palmeirenses do estádio em uma foto aérea! Daria até para seguir o seu movimento! Um exemplo pode ser visto abaixo:

Células de cebola marcadas com GFP, seriam palmeirenses?

Células de cebola marcadas com GFP, seriam palmeirenses?

Osamu Shimomura foi quem primeiro clonou a GFP. Martin Chalfie foi quem aprendeu a colocá-la em células e ainda a prendê-las em proteínas. Proteínas que possuem a GFP presa, brilham em verde se jogarmos luz ultravioleta. Usando filtros que só deixam passar verde combinados com microscópios cada vez mais sofisticados, podemos ver onde as proteínas estão e para onde elas estão indo! Isso revolucionou a Biologia Celular, que avançou anos-luzes com esta tecnologia.

Já Roger Tsien é um caso especial. Ele fez carreira estudando formas de se aplicar fluorescência em pesquisa (e pode ganhar um outro Nobel por isso). O que ele fez foi pegar as GFP e, com o poder da EVOLUÇÃO e da SELEÇÃO NATURAL (toma anti-evolucionistas!!!!!!!). Desenvolveu proteínas que brilham de outras cores!!!!! Agora não precisamos marcar coisas em verdes, mas também em outras cores. Os corintianos podem ser marcados de roxo (naquela cor horrenda de camisa) e os são-paulinos, de rosa choque (hehehe). Podemos, portanto, medir os movimentos das três torcidas e podemos até ver eventos que antes não perceberíamos, como um bando de corintianos rodeando um palmeirense para… dar um abraço.

As técnicas que usam GFP são inúmeras. Em alguns estudos com células-tronco, por exemplo, marca-se estas células com GFP que depois são injetadas em ratos para saber onde elas vão parar. Depois, é só procurar por células fluorescentes.

Fiquem com um vídeo de uma água-viva fluorescente sob luz negra:

PS: em uma nota relacionada, esses animais brilhantes que surgem na televisão, como o GloFish, são animais que expressam GFPs!

Imagens: Jim Hasselof Lab

Comentei sobre a interessante exclusão do cientista Robert Gallo do prêmio Nobel de Medicina. O Labrother Igor Zolnerkevic escreveu um excelente artigo na Folha dissecando a questão.

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