Lago Termal em YellowStone (jurek.d)

Lago Termal em YellowStone (jurek.d)

O Parque Nacional Yellowstone é bastante peculiar devido aos seus gêisers e lagos superaquecidos. A intensa atividade geotermal da área também aquece o solo, matando muitos seres vivos. Curiosamente, neste parque exite uma planta - a Dichanthelium lanuginosum, se vc fizer questão - que consegue viver em solos de até 65oC!

Melhor ainda: esta planta somente sobrevive à estas temperaturas se ele estiver contaminada por um fungo (Curvularia protuberata). Tanto a planta quanto o fungo, quando estão sozinhos, não sobrevivem à temperaturas maiores que 38oC.

Árvores mortas pelo calor (DirectDish)

Árvores mortas pelo calor (DirectDish)

Só que a dança ainda não está completa e mais um parceiro é necessário na história: a proteção mútua apenas acontece se os fungos estiverem contaminados com um vírus (foto Wt, abaixo)! Quando as plantas eram infectadas com fungos “curados” (VF), elas morriam ou ficavam amareladas à 65oC, assim como as plantas que não tinham o fungo (NS). Se os fungos “curados” fossem reinfectados, o efeito protetor retornava (An). O efeito protetor também se mantinha, com menos eficiência, se o fungo fosse inoculado em outras plantas.

Experimento quente

Experimento quente

Esta interação vírus-fungo-planta é mais um exemplo de quão complexo interações biológicas podem se tornar apenas para um fim: a sobrevivência. Muito melhor do que usar líquens como exemplo de simbiose, não?

Fonte: Science

Fotos: DirectDish e jurek d., via Flickr.

Buracos causados pela chuva?

Buracos causados pela chuva?

Quando eu fazia caminhadas por esse Brasil afora, era muito emocionante se deparar com um pedaço de terra com pegadas de animais. Às vezes identificávamos veados, antas, lobos-guarás e muitos outros grandes animais somente olhando suas impressões. Imaginem agora a emoção de se deparar com pegadas feitas milhões de anos atrás?

É o que devem ter sentido os geólogos Marjorie Chan e Winston Seiler ao perceber que os buracos no chão presentes em uma plataforma rochosa não eram feitos pela chuva mas sim por dinossauros que cruzavam dunas arenosas mais de 190 milhões de anos atrás, no começo do período Jurássico.

O que fazia muitas pessoas pensar que os buracos eram formados pela chuva é a sua densidade e quantidade, incomuns para serem pegadas fossilizadas. No entanto, os geólogos notaram que os buracos só apareciam naquele plano rochoso e não nos arredores. Uma análise mais de perto revelou marcas de dedos e que se repetiam de forma regular.

Não parece um buraco feito pela chuva...

Não parece um buraco feito pela chuva...

Winston Seiler estimou que há cerca de 12 pegadas por metro quadrado, totalizando milhares de impressões na rocha! Acredita-se que as pegadas foram feitas em um oásis no meio de um deserto maior do que o Saara, que existia na região de Utah (EUA), o que explicaria a quantidade de pegadas no local. As impressões fossilizadas teriam sido feitas em areia molhada e preservadas até hoje. Além das pegadas, existem marcas de caudas no chão, algo incomum de se encontrar uma vez que dinossauros não arrastavam suas caudas pelo chão.

Winston identificou pelo menos quatro tipos diferentes de pegadas: animais bípedes grandes, como os T-Rex; animais bípedes pequenos; dinossauros com menos de um metro de altura e saurópodes, os meus prediletos, como os Brontossauros.

Análises posteriores poderão revelar algo sobre o comportamento destes animai. É possível estimar o tamanho dos dinossauros pelo tamanho das pegadas, o seu peso, pela profundidade, a direção que os animais percorriam e até a sua velocidade. É assim que acabamos descobrindo muitas coisas sobre estes bizarros animais, que deixaram uma calçada da fama disfarçados de buracos feitos pela chuva.

Imagens e fonte: EurekAlert!

Dica do Luiz Bento, do excelente Discutindo Ecologia.

Começa hoje, meio silenciosamente, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. A Semana vai até o dia 26 de outubro e conta com inúmeros eventos que visam mobilizar a população em torno de atividades científicas.

É possível ver as atividades cadastradas para a sua cidade, apesar de ser um pouco deorganizado.

Primeira casa dos Brontossauros.

Primeira casa dos Brontossauros.

Este blog orgulhosamente comemora o seu primeiro aniversário. Um ano atrás eu estreiava este blog no blogspot, inspirado pelo blog da minha esposa e o Guto e Dadá. Desde então foram 216 textos publicados (!!!) sobre diversos aspectos da Vida, Universo e Tudo mais.

Com certeza, a melhor coisa que colhi deste blog foram as pessoas que conheci e as portas que se abriram. Para mencionar alguns, cito o Atila Iamarino, Lucia Malla, Claudia Chow, Maria Guimarães além de reencontrar o Igor Zolnerkevic.

Não posso deixar de destacar o lançamento do Lablogatórios. Um projeto que se construiu rápido e não era nem um sonho um ano atrás. Mal posso esperar para ver os sonhos que ainda não tenho e que se realizarão daqui a um ano.

Parabéns! Foto de roland, no FLICKR.

Parabéns! Foto de roland, no FLICKR.

Vaga-lume por SantaRosa OLD SKOOL, FLICKR

Vaga-lume por SantaRosa OLD SKOOL, FLICKR

Antes de 1995 sabia-se que as plantas possuíam relógios biológicos mas não se tinha idéia de como ele funcionava. Sabia-se, por exemplo, que a quantidade de clorofila - pigmento verde essencial para a fotossíntese - nas folhas variava ao longo dos dias. Junto com a quantidade de clorofila, também sabia-se que a quantidade de uma proteína chamada CAB2, que se liga à clorofila, também variava durante o dia. A quantidade de proteína CAB2 depende da expressão do gene CAB2.

Após 1995 passamos a saber que o relógio biológico dependia da ação de genes. O primeiro deles, chamado TOC1 foi descoberto de uma maneira extremamente engenhosa.

Alguns anos antes, em 1992, Steve Kay e seu aluno, Andrew Millar, tiveram a idéia de construir um gene que é expresso do mesmo jeito que o gene CAB2 mas que, ao invés de fazer proteínas CAB2, faz LUCIFERASE, a proteína que produz luz em vaga-lumes. Desta forma, sempre que CAB2 é feito, também é feita LUCIFERASE. Se conseguirmos medir a quantidade de luz produzida pela LUCIFERASE, usando uma câmera ultra-sensível por exemplo, sabemos quanto CAB2 existe. Se a a quantidade de CAB2 varia ao longo do dia, também irá variar a quantidade de LUCIFERASE e, consequentemente, a quantidade de luz pr0duzida por ela.

As plantas que possuíam este gene, portanto, brilham e seu brilho varia durante o dia. Abaixo, podemos ver uam animação mostrando o brilho da planta variando ao longo do dia (fonte). A animação mostra a variação de luz liberada pela planta ao longo do dia.

Plantas que brilham!

Plantas que brilham!

Bem, tais plantinhas-vagalumes são interessantes por si só mas a coisa é mais embaixo: Millar e Kay usaram-nas para se medir a função do relógio biológico. E mais: foram atrás de plantas que possuíam defeitos no relógio. Para isso, eles pegaram uma população imensa de plantas e provocaram mutações. Após checarem os ritmos de luz em milhares de indivíduos, eles identificaram um que tinha defeitos no relógio biológico: o período de seu brilho era de 21 h e não 24 h. Eles deram a este mutante o nome de toc1-1.

A descoberta do toc1-1 trouxe o estudo de relógios biológicos para a modernidade. Hoje sabemos que este mutante possui a proteína TOC1 defeituosa e este defeito faz com que o relógio corra mais rápido. Após a identificação de TOC1, vieram outros, CCA1, LHY, etc. Hoje em dia sabemos quase tudo sobre o relógio de plantas. Graças à plantas que sabem brilhar.

Fonte: Millar A.J., Straume M., Chory J., Chua N.-H. and Kay S.A. (1995) The regulation of circadian period by phototransduction pathways in Arabidopsis. Science, 267, 1163-1166.

Este post faz parte da Blogagem Coletiva: Descobertas Científicas e foi escrito com MUITO sono. Me perdoem qq coisa….

Na verdade, seu alter-ego.

Na Revista Pesquisa FAPESP deste mês tem uma reportagenzinha legal, “Engrenagens do tempo” sobre o meu trabalho de doutorado, feito em Cambridge (Inglaterra).

É muito legal ter seu trabalho divulgado desta maneira.

“Já sabíamos que a ADPRc era responsável por ativar parte dos mecanismos de proteção da planta, entre eles o fechamento de pequenos poros existentes nas folhas para evitar a perda de água”, diz Hotta, que teve papel fundamental no planejamento, na condução e na análise dos resultados da pesquisa realizada durante seu doutorado em Cambridge entre 2003 e 2007. “Agora vimos que a ADPRc também pode incorporar informações sobre mudanças ambientais ao relógio biológico que regula a fisiologia das plantas”, afirma o biólogo, que faz pós-doutorado no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), um dos autores do artigo que descreveu o achado em dezembro passado na Science.

9 razões para não namorar um tiranossauro. Hilário!

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