O título completo do famoso livro do Darwin é: “On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life” que traduzirei como “Sobre a origem das espécies através da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida”. Bonito né?

A primeira edição teve cerca de 1250 cópias, todas vendidas antes do lançamento do livro (viu dona J.K. Rowling?). A segunda edição teve cerca de 300 cópias, também esgotadas.

Muitos sabem que Alfred Russel Wallace teve idéias semelhantes às de Darwin, alguns até acreditam que Darwin sacaneou com o Wallace para conseguir a fama só para ele. É possível, mas alguns anos antes do Origem, os dois cientistas publicaram um artigo científico explicando suas principais idéias sobre seleção natural. Ironicamente, o artigo foi ignorado pelos cientistas da época. O livro foi um sucesso devido à estratégia de marketing da editora, que ficou divulgando que o livro iria ser muito polêmico.

Darwin não entendia muito de genética, ninguém na época entendia. Os conceitos de Mendel só foram integrados aos de Darwin tempos depois, por heróis como R. A. Fisher, Theodosius Dobzhansky, J.B.S. Haldane, Julian Huxley, Ernst Mayer e John Maynard Smith.

Darwin não parou de adicionar dados ao livro, a sexta edição é cerca de um terço mais longa que a primeira.

O filósofo Herbert Spencer que cunhou a expressão “sobrevivência dos mais adaptados”, que foi adicionada por Darwin na quinta edição.

Há 148 anos a “Origem das Espécies” de Charles Darwin foi publicada. O livro pode conter idéias recicladas, conceitos já abandonados, exemplos incorretos e tudo mais que seus críticos escrevem mas ele com certeza foi um dos mais importantes da nossa história moderna.

Infelizmente a Origem é um livro muito citado mas pouco lido atualmente. Talvez se os seus críticos realmente sentassem e lessem o Livro, eles aprenderiam como se constrói uma teoria com argumentos e exemplos. Pode-se citar mil exemplos (pseudo-exemplos) de como a seleção natural é incompleta ou inválida mas nenhuma outra teoria consegue explicar tanto quanto a de Darwin (e seus anexos).

Viva a Origem das espécias! Viva a Seleção Natural! Viva Darwin!

Agora que durmo percebo - eu sonho quando estou acordado.

Pedro Calderón de la Barca

Fonte: Blog Around the Clock

Plantas-filhas podem responder à luz de forma diferente dependendo de como suas plantas-mães cresceram.
Na Science da semana passada, um artigo mostrou que a planta mãe consegue passar para seus descendentes informações sobre o ambiente na qual elas viveram. Esta é mais uma evidência que não são somente os genes que são herdados das plantas ancestrais.

Os pesquisadores chegaram a tal conclusão ao estudar a Campanulastrum americanum, uma planta que cersce tanto em locais sombreados por árvores quanto em clareiras. Quando os pesquisadores cresciam as plantas-filhas nas mesmas condições de luz que as mães, as plantas-filhas cresciam melhor do que se fossem plantadas em condições opostas (mãe crescendo na sombra e filhas crescendo na luz).

Isso sugere que as mães, de alguma forma, passam informações sobre seus arredores para suas filhas (provavelmente pela metilação de genes). Acontece que há uma vantagem evolutiva para tal fato: as descendentes da Campanulastrum americanum geralmente cerscem nos arredores da planta progenitora e o mecanismo de transmissão de informação entre as gerações revela uma plasticidade maior do que os mecanismos genéticos, pois podem mudar de geração para geração.

Fonte: Science

E eis que, depois de uma semana do anúncio da clonagem de macacos (mais precisamente, da formação de células-tronco embrionárias de macacos), mais um anúncio agita a área das células-tronco.

As células-tronco são células indiferenciadas que, em teoria, podem ser utilizadas para fazer outros tipos de células, como músculos ou neurônios. Os seres humanos (e muitos outros) possuem inúmeros tipos de células diferentes, todas descendentes de um punhado de células embrionárias totalmente indiferenciada (e todas estas, descendentes de uma célula só, o zigoto). Estas células se diferenciam em músculos, neurônios, células epiteliais, etc. ao longo do desenvolvimento só que o caminho de volta, de uma célula diferenciada para uma não diferenciada, ou célula-tronco, é um fenômeno que não conseguimos reproduzir.

Agora, os grupos de Shinya Yamanaka da University of Kyoto (Japão) e James Thomson da University of Wisconsin (EUA) anunciaram que foi possível tornar células da pele humana em células-tronco. Ambos laboratórios utilizaram para esta proeza, um vírus que introduziu quatro genes novos, conhecidos por expressarem em alta quantidade em células-tronco, nas células da pele. O problema é que a técnica é ainda mais ineficiente que a da clonagem de macacos: apenas 10 em 5.000 células se tornam não-diferenciadas. Além do mais, alguns dos genes utilizados têm associação com o aparecimento de tumores. Um outro problema, ainda mais sério, é que o vírus possa se espalhar pelo corpo após a injeção das células-tronco em um paciente. Por fim há a dúvida se estas células são realmente pluripotentes, ou seja, se elas podem realmente ser utilizadas para se diferenciar novamente.

É claro que estes problemas foram colocados de lado para os mais conservadores jogarem as técnicas de clonagem terapêutica para escanteio, dizendo que esta alternativa, que não usa embriões, é mais factível e “moralmente” correta, se esquecendo que a clonagem terapêutica deixa as células prontas para serem usadas. Rejeitar a clonagem terapêutica, neste estágio, é precipitado. E sempre que colocamos todos os óvulos na mesma cesta tecnológica corremos o risco de ficar sem omelete…

Macacos me mordam! Dez anos após a Dolly, anuciaram que já existem técnicas viáveis para se clonar macacos Rhesus! Mais uma barreira paras e clonar humanos é derrubada… Na verdade ainda não se criou um macaco inteiro, só células-tronco embrionárias.

A técnica, assim como todas as outras, é terrivelmente ineficiente: de cerca de 300 tentativas, somente duas vingaram (0,7%). Só isso é justificativa para não se fazer em humanos (nem em macacos, por sinal). O pior é que nem se sabe o porquê destas duas linhagens de células vingarem! O time do pesquisador Shoukhrat Mitalipov, da Universidade do Oregon, já vem fazendo experimentos há dez anos e já usaram mais de 15.000 óvulos de macacos no processo!

A finalidade das células-tronco clonadas é terapêutica. Prevê-se que seria possível criar órgãos inteiros a partir de células clonadas, ou regenerar órgãos danificados, usando estas células-tronco.

Fontes: Ciência em Dia, Nature e Com a pulga atrás da orelha.

Nos meus últimos dias no Reino Unido, houve muita preocupação com a notícia de que houve casos de gripe aviária no leste da Inglaterra, em Suffolk. Na fazenda, 60 perus de uma população de 1000 morreram com a gripe. Agora acabei de ler que a causa da morte foi confirmada como a versão mais patogênica do vírus H5N1. As evidências apontam que o vírus veio de aves selvagens contaminadas. Estas aves já foram encontradas na França, República Tcheca e Alemanha.

A epidemia da gripe entre as aves preocupa porque este vírus pode vir a se mudar e começar a infectar humanos. Até agora cerca de 206 pessoas morreram por causa deste vírus. A nossa sorte é que o vírus ainda não é muito eficiente na hora da transmissão. O nosso azar é que as proteínas responsáveis pela ligação do vírus às células estão ficando cada vez mais parecidas com as proteínas de vírus que contaminam humanos.

A pergunta é: estamos preparados para uma nova gripe espanhola? A resposta é sim e não. Sim porque temos muito mais ferramentas de vigilância para detectar pandemias. Não, porque as doenças podem se transmitir muito mais rápido hoje em dia e haja remédio e vacinas para tomo mundo. No final das contas, o desastre vai ser proporcional à rapidez com que os governos vão tomar providências. Para a nossa sorte, a epidemia deve começar no outono ou inverno europeu, quando é primavera ou verão no Brasil o que limita a velocidade de transmissão.

Quando houver uma nova pandemia de gripe, a recomendação é essa: saia de casa o mínimo possível, redobre os cuidados com a higiene e evite grandes aglomerações de pessoas. O mais importante é: NÃO ENTRE EM PÂNICO!

Fonte: New Scientist

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