Desde o meio do ano tenho visto notícias incomuns sobre mariposas que chupam sangue chegando à Suécia ou Finlândia. Aproveitando a proximidade do Dia do Saci, vou falar um pouco sobre elas.
Mariposas e borboletas geralmente se alimentam de néctar das flores. Para isso elas se utilizam de um aparelho bucal especializado, que parece um canudinho, que as permite atingir as entranhas das flores para sugar o seu néctar em troca de favores sexuais (no caso, transporte de pólen). Algumas mariposas possuem um aparelho bucal tão robusto que conseguem perfurar frutas para absorver seus açúcares.
Já as mariposas do gênero Calyptra desenvolveram um hábito alimentar incomum: sugar sangue. O salto de sugar néctar/açúcares para sugar sangue, diga-se de passagem, também feito pelos mosquitos (os pernilongos machos, inclusive, não chupam sangue ficam apenas com sua dieta vegetariana). O curioso é que a transição entre as dietas parece ser coisa recente entre estas mariposas: pelo que entendi, este hábito está se propagando entre a população da espécie Calyptra thalictri recentemente.
Entre as mariposas vampiras, apenas os machos se alimentam de sangue. Só que eles não aparentam ganhar nada com esta alimentação pois seu peso corporal ou sobrevida não se alteram: acredita-se que os nutrientes extra obtidos pela ingestão do sangue são dados para as fêmeas como prenda. Assim as fêmeas conseguiriam colocar ovos com mais nutrientes armazenados de onde se desenvolveriam lagartas mais saudáveis.
No entanto, não é preciso se preocupar com as mariposas-vampiras: apenas poucos casos de pessoas sendo picadas pelos insetos foram reportados (elas provavelmente atacam outros animais). Será que pessoas atacadas por mariposas vampiras viram vampiros ou mariposas? Maiores estudos revelarão como as mariposas conseguem perfurar a nossa pele grossa e como elas conseguem digerir o nosso sangue.
Fonte: National Geographic
O Everton já havia comentado e agora o Cardoso deu uma ótima esculachada no caso de homofobia na Veterinária da USP. Casos assim deveriam ser duramente investigados pela Reitoria para saber o que realmente aconteceu na festa… é mais fácil fingir que anda aconteceu, é claro.
Só para constar: a campanha para colocar propagandas ateístas em ônibus já arrecadou 111,510.43 libras! Lucrativo esse negócio de ateísmo, não? Daqui a pouco estarão cobrando dízimo…
Quando vamos comprar aspirinas nas farmácias, é possível comprar a regular e a tamponada. A aspirina tamponada, mais cara, promete uma maior protecão do estômago. Não caia nessa: é furada.
Quem toma estes medicamentos frequentemente já sabe: aspirinas podem trazer problemas de estômago. Muita gente acha que isto acontece porque a aspirina é ácida (afinal, ela se chama ácido acetilsalicílico, não?). Logo, se tomamos muita aspirina, sua acidez machuca as paredes do estômago, certo? E se tomarmos uma aspirina tamponada, o tampão ajuda a controlar a acidez, certo?
ERRAAAAAAAAADO!!!!!!!
Meu amigo, o pH dentro do estômago varia entre 1 e 2! Se o ácido acetilsalicílico tivesse um pH parecido, ele queimaria os seus dedos! Logo, não faz sentido algum tentar proteger o seu estômago de uma aspirina. A acidez da aspirina, se tanto, tornaria o estômago, no máximo, mais alcalino…
No entanto, é verdade que aspirinas causam queimação no estômago. Este medicamento funciona diminuindo a febre, diminuindo a sensibilidade à dor, e inibindo inflamações. Só que ela também inibe enzimas que regulam a secreção de muco no estômago. Muco que protege as suas paredes estomacais do ácido gástrico. O mesmo vale para as aspirinas com capa protetora, que prometem fazer a aspirina só ser ativada no intestino (tem essas no Brasil?).
Assim, ao tomar uma aspirina, que seja tamponada, ela vai tornar o estômago mais sucetível ao seu próprio ácido. Se o uso da aspirina for prolongado, é possível ter problemas sérios de estômago, como úlceras. Outro processo importante inibido pela aspirina é a coagulação do sangue. Por isso é perigoso tratar a dengue hemorrágica com este remédio.
O pior é ver as empresas farmacêuticas vendendo aspirinas como se fossem balas e não tivessem efeitos colaterais. Duas vezes pior é vê-las triplicar o seu lucro vendendo “versões melhoradas” da aspirina que não têm efeito nenhum! Diante disso, às vezes é melhor agüentar aquela febre por mais um tempinho antes de se medicar, não?
Vou avisar desde já: estou no meu modo chato. Este texto é chato e intolerante, se você continuar a lê-lo, não diga que não foi avisado.
A nossa sociedade é cheia de preconceitos: somos machistas, racistas, homofóbicos, contra uma religião, contra uma região, tudo mais. Eu, você, todos nos incluimos neste grupo. Está na nossa cultura e, possivelmente, até em nossos genes.
Só que esse não é o tipo de sociedade na qual eu queira viver. Eu quero viver em uma sociedade onde igualdade de tipos e opiniões não seja somente um slogan. Eu quero democracia de verdade, eu quero direitos iguais de verdade. O problema é claro: como chegar nesta utopia?
Durante o tempo em que estive na Inglaterra vislumbrei tentativas de se chegar lá. A resposta é até contraditória: temos que ser chatos e intolerantes.
Sim, temos que ser chatos com aquele cara que faz um comentário que denigre as mulheres, temos que chamar atenção do outro, que fez uma piada sobre nordestinos, etc. Tolerância zero. Porque, se nossa criação nos torna preconceituosos, precisamos lutar ativamente contra este impulso. É uma luta eterna e chata, mas acho que vale a pena.
Isso explica por que eu achei a iniciativa de se fazer o concurso Miss Blog Brasil 2008 o fim da picada. Não porque ele procura dar um prêmio somente para mulheres mas sim por fazer referência a um concurso de beleza onde o conteúdo da caixa craniana é o que menos importa! Um concurso que valoriza as mulheres por se parecerem uns bibelôs e por dar respostas como: “paz mundial”, “pequeno príncipe” ou “precisamos dar mapas aos iraquianos”. Como fazer um concurso que valorize o conteúdo escrito pelas nossas blogueiras com este nome? Por que não chamá-lo de Nobel da Blogosfera Feminina ou algo que o valha?
O pior é que muita gente não vê nada de mal no nome, ou que é uma brincadeira e tudo mais. Só que, se a gente não evitar este tipo de coisa, NUNCA nos livraremos do machismo et al.! E isso me entristece.
Deixo claro que eu não creio que o dono do site seja machista, ele somente fez uma escolha machista. Não é um ataque pessoal. Sou contra pessoas que ficam patrulhando as outras o tempo todo. Aconeteceu de eu estar com a pá virada hoje. Afinal, também esclareço que faço piadas machistas e comentários preconceituosos mas eu realmente me esforço para evitá-los. Eu sei, é hipócrita da minha parte mas isso também faz parte da nossa natureza.

Eu e a Paula podemos ser ouvidos no divertido Decodificando, “um podcast que fala de código genético, jurídico e código fonte”. Nós demos o nosso pitaco sobre o Brasil ser ou não ser um estado laico.
A gravação foi aqui em casa e foi fascinante ver todos os bastidores de um dos podcasts que eu mais curto. O pior mesmo é ouvir as besteiras que falo durante o podcast: é impossível falar idéias de forma clara e coerente sob pressão (nunca mais reclamarei do candidato X em debates).
O melhor é me ver tentando explicar idéias complexas utilizando um vocabulário de um Neanderthal e evitando ao máximo preservar a estrutura gramatical das frases…
Os erros que eu me lembro:
1. “Galileu Galileu” - sem comentários. Matei a fascinante história escrita por Brecht em um parágrafo.
2. “risco de vida” - não né?
3. “benzeDOUres” - minha dislexia leve não me permite falar algumas palavras de foma correta
4. “Deus seja louvado” - na nossa nota de real, não é que tem mesmo? Pelo menos não confiamos nele, como no dólar! A propósito, Jonny, o peixe-boi não está em uma nota de real…
5. ouça o podcast e adicione o meu erro aqui.
Em mais um capítulo da “batalha” religiosos vs. ateístas que acontece no mundo inteiro, os ateístas resolveram usar uma estratégia utilizada tradicionalmente pelo outro lado: a propaganda.
A campanha, entitulada “the Atheist Bus Campaign”, e organizada pela British Humanist Foundation, tem como objetivo arrecadar fundos para comprar espaços publicitários em ônibus que percorrem Londres. A peça publicitária é provocativa: “Deus provavelmente não existe. Então para de se preocupar e aproveite a sua vida.”
O movimento esperava arrecadar 5 mil libras em seis semanas. Se isso acontecesse, o raivoso
ateu Richard Dawkins contribuiria com mais 5 mil dinheiros. Este total possibilitaria a compra de dois espaços em ônibus por 4 semanas. O objetivo foi alcançado às 10 da manhã do primeiro dia. Até agora, no meio do segundo dia, a campanha já arrecadou mais de 72 mil libras!!!!!
Mais do que um ataque, a campanha procura fazer as pessoas pensarem e discutirem o assunto: pensar e discutir, segundo Dawkins, é a maldição da religião. Dawkins sempre pregou a necessidade dos ateus saírem do armário a fim de encorajar a todos fazerem o mesmo e mostrar a sua força.
Não se esqueça de fazer a sua parte!
Fonte: The Guardian



