Sempre quando eu fazia trilhas por regiões com rios, eu gostava de ficar olhando as águas correndo, fazendo diversos padrões de correnteza. Algo que sempre me chama atenção é que as águas às vezes, formam redemoinhos que concentram objetos flutuantes em seu centro. Não sei se vocês já notaram esse fenômeno mas certamente não é difícil imagina-lo: as águas da periferia do redemoinho passam tão rápidas que não carregam as águas do seu centro daí, qualquer objeto flutuante que fique preso no centro do redemoinho não consegue sair mais de lá. Imaginou?
Agora vamos ampliar um pouco esta cena: ao invés de um pequeno redemoinho em um riacho, imaginemos um corpo d´agua um pouco maior: o Oceano Pacífico. O Oceano Pacífico possui correntes que passam às margens dos continentes que o delimitam. Assim como no caso do riacho, estas correntezas deixam uma área central onde a água quase não é movimentada. Assim como no caso do riacho, esta área acumula objetos flutuantes na água. Mas que objetos seriam estes? A chocante resposta, meus caros, é plástico!
Sim, a região chamada de Giro Subtropical do Norte do Pacífico está tomada por plástico (mais ou menos 34 milhões de km2, clique aqui para ver uma animação interessante)). Plásticos vindos de cidades que atiram seu lixo nos mares e nos rios, plásticos daquele banhista da praia e muito plástico vindo dos milhares de cargueiros que cruzam os nossos oceanos e representam 5% das emissões de CO2 globais. E pior: plástico de todos os tipo e tamanhos. Porque plástico exposto à radiação UV se quebra e some da nossa vista mas, o que acontece é que ele vira milhões de pedacinhos… de plástico. E o que é pequeno para nós é grande para outros animais marinhos, grande o suficiente para bloquear o seu sistema digestivo. Não são raros os casos de carcaças de aves marinhas contendo uma miríade de plástico em seu tubo digestivo. Outras vezes o pequeno é realmente pequeno, o suficiente para entrar na corrente sangüínea e, aos poucos, envenenar o animal.
Mas e as fotos de tal lixão? Muitas pessoas pensam no Lixão do Giro Subtropical do Norte do Pacífico como se fosse uma ilha de lixo flutuante. Na verdade ela está mais para uma sopa de plástico. Para percebê-la é preciso utilizar redes coletoras como estas. Ao se passar estas redes pelo mar, o resultado esperado é este aqui, uma mistira de pequenos crustáceos e outros animais e algas. Quando se passa as redes pela Sopa de Plástico do Pacífico, a coisa fica assim, assim e assim. Deu para entender? O mais alarmante é que a proporção plâncton (pequenos seres vivos que pululam no mar)/pedaços de plástico é de 1:6!!!!! Tem seis vezes mais plástico do que plâncton! E existe plâncton pra dedéu no mar, mesmo em uma região com poucos nutrientes como o Giro.
Quando eu li pela primeira vez sobre o Giro, eu fiquei chocado e olha que eu não me choco fácil. Me veio à cabeça a vez que eu estava andando na praia (Ilha do Cardoso, talvez?) e me deparei com uma bobina de filme plástico de uns 1.5 m de diâmetro por 2 metros de altura (note que a memória pode ter aumentado, ou diminuído o tamanho da bobina). A bobina tinha sido carregada pelas ondas e parado na praia e, de acordo com os moradores locais, não era a primeira a aparecer. O que me espanta mais é que estas coisas vieram para ficar e, provavelmente, ficarão envenenando os mares e o resto do planeta por séculos depois de nós deixarmos de existir.
Mais informações em português: Cais de Gaia, informações em inglês, consulte as fontes.
Fontes: The Oyster´s Garter, Oceanographic Research Vessel Alguita, Wikipedia, L.A. Times, Best Life.
O Átila me mandou um meme científico. Nas palavras dele:
Gostaria de convidar os autores de blogs de ciência a descreverem algum acontecimento ou pessoa em especial que os levaram a se dedicar à ciência.
Eu andei pensando muito sobre isso nos últimos dias. Acho que sempre me interessei por Ciências, a memória mais antiga que eu tenho de algo relacionado à Ciência é um quebra-cabeça que meu pai mandou do Museu de História Natural de Londres quando eu tinha 3 ou 4 anos de idade. O quebra-cabeça mostrava uma cena pré-histórica com vários dinossauros e um iguanodon (será?) no centro. Eu adorava montar o quebra-cabeças, principalmente uma pecinha no centro, que só tinha o dedo do iguanodon. Eu sempre deixava a peça pro final. Mas seria isso o suficiente para me tornar um cientista?
Ou será que foi a coleção “O mundo animal” que minha mãe comprou quando eu tinha uns 5 ou 6 anos? Eram fascículos semanais que completavam um livro encadernado. Eu só tinha o volume dos mamíferos, que eu sabia praticamente de cor. Eu adorava os ornitorrincos, équidnas e pangolins. Talvez isso tenha sido o suficiente para me interessar pelas ciências da vida. Ou talvez os kits educativos da Fundec que ganhei de aniversário quando tinha uns 12 anos…
Algo que influiu muito na escolha da minha carreira foi ler “A Diversidade da Vida” de Edward O. Wilson no terceiro colegial. Na época eu estava pronto para fazer Farmácia/Bioquímica mas, após ler o livro, a minha decisão estava tomada: eu seria Biólogo. Já na faculdade de Ciências Biológicas, eu li um artigo na Scientific American sobre “Como e por quê as bactérias se comunicam”. A simples noção de que bactérias poderiam se comunicar entre si foi demais para mim. Foi este artigo que me fez interessar por sinalização celular, paixão que me segue até hoje.
Aproveito para continuar o meme e mandá-lo para Lúcia Malla (Uma Malla para o mundo), para o pessoal do Bafana Ciência (Ronaldo e Igor) e para o Mauro Rebelo do Você que é Biólogo.
Finalmente me veio a luz, como que eu nunca pensei nisso antes? Como algo tão fundamentalmente contra a Teoria da Evolução pode ter sido ignorada por tanto tempo? Com certeza deve ser alguma conspiração perpetrada por cientistas e a mídia!
A Teoria da Evolução não explica o aparecimento dos seres vivos e a sua diversidade porque ela desafia a Primeira Lei de Murphy! Ei-la:
“Se alguma coisa poderá dar errado, ela irá dar errado”
Logo, se uma mutação ocorrer durante a duplicação do genoma em células reprodutivas, ela nunca irá melhorar as chances deste organismo sobreviver pois, entre uma mutação favorável e uma mutação desfavorável, a primeira lei de Murphy irá sempre favorecer a mutação desfavorável.
Mas será que NUNCA ocorre uma mutação favorável? Sim, ela pode ocorrer pois a segunda Lei de Murphy, uma derivação da primeira, diz que:
“Se alguma coisa poderá dar errado, ela irá dar errado no pior momento possível.”
Ou seja, a mutação favorável pode acontecer mas ela irá se mostrar impraticável no pior momento possível. Algo do tipo: a mutação que fez surgir os olhos aconteceu ao mesmo tempo que as fêmeas mais feias surgiram E a cerveja acabou.
Espero, com este argumento, ter mostrado a impossibilidade da Evolução via mutação uma vez que o Acaso é insuficente para explicar o surgimento dos seres vivos e, portanto, é muito mais provável invocar um ser todo-poderoso e perfeito que direcionou a história evolutiva dos seres vivos.
Se eu não lhes conveci, o cara das laranjas te convecerá:
Em um experimento para se determinar como o comportamento de grandes grupos emerge, como o de cardumes e o de aves voando no céu, dois pesquisadores da Universidade de Leeds fizeram um experimento interessante: eles pegaram pessoas e pediram para que elas andassem aleatoriamente por uma área (tipo, a Bienal). A única orientação dada foi para as pessoas não se afastarem muito uma das outras.
Os pesquisadores, então, inseriram no grupo, pessoas que possuíam comunicadores que diziam para onde elas deveriam se dirigir. O que els descobriram foi impressionante: em grupos de mais de 200 pessoas, é necessário controlar a direção na qual apenas 5% das pessoas andava para detarminar o comportamento do grupo inteiro! As outras 95% das pessoas inconscientemente seguiam os “formadores de opinião”.
Dá ou não dá para explicar o comportamento do pessoal que está participando da Campus Party?
Fonte: Science Daily
Aprendemos nas aulas de ecologia que os ecossistemas funcionam assim: i) o tipo de solo determina os tipos de nutrientes disponíveis para as plantas. ii) O tipo de nutrientes disponíveis para as plantas determina que tipos de plantas crescem neste sole. iii) O tipo de planta determina o tipo de comedor de folhas que vive na região e iv) o tipo de herbívoro determina o tipo de carnívoro que vive na região. Muito simples, fácil e lógico né? Pois não é que a coisa, para variar, é mais complexa que isso?
Um estudo que saiu na Science deste mês sugere que, em alguns casos, a história pode inverter o seu rumo. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores acompanharam a dinâmica dos vegetais que crescem em campos norte-americanos por 3 anos. O que eles observaram foi interessantíssimo: às vezes o tipo de solo e vegetação podem ser determinados pelos predadores e não o contrário!
Tome o caso de duas espécies de aranhas: uma que sai andando (ou saltando) por aí atrás de suas presas e uma que fica em apenas um local à espera das suas vítimas passar na sua frente. Em ambiente no qual a primeira aranha se encontra, os gafanhotos não se movimentam muito, a fim de evitar encontrar seu predador móvel. Em um ambiente no qual a aranha fica à espreita, os gafanhotos se movimentam mas evitam os locais onde as aranahs se encontram.
Os gafanhotos que não se movimentam, acabam se refugiando em uma planta que domina o ambiente. Esta planta, por conseguinte, acaba sendo devorada com maior intensidade. O sumiço da planta dominante permite a colonização do ambiente por outras espécies de plantas. No entanto, a planta dominante do local, a goldenrod acumula muito nitrogênio e, sem ela, este nitrogênio é perdida. O resultado é um aumento da diversidade de plantas e uma redução dos nutrientes do solo.
Se os gafanhotos evitam as áreas onde as aranhas sentam e esperam pelos seus predadores, o goldenrod é comido menos e continua a dominar o terreno, resultando em uma diversidade baixa sobre um solo rico em nitrogênio!
Portanto, a diversidade em uma região e a concentração de nutrientes do solo podem ser reguladas por algo tão simples quanto o comportamento das aranhas presentes na região.
Os pesquisadores ainda citam um segundoe exemplo: veados são herbívoros vorazes que ficam em movimento constante para evitar uma emboscada de um puma mas ficam em um mesmo lugar procurando por matilhas de lobo. Se eles ficam em um mesmo local, eles acabam devorando todos os indivíduos de suas folhas favoritas, alterando a paisagem local e a dinâmica de nutrientes.
Fonte: Science, Science Daily
Você já deve ter ouvido que o Google, Twitter, Flickr, You Tube e outros sites foram bloquados pela organização do evento. Muitos estão revoltados dizendo que houve censura. Eu estou cético quanto a isso. Acho que a organização não seria BURRA a ponto de dar um tiro de bazuca no próprio pé. Aposto que alguém hackeou o sistema e colocou as mensagens. Se eu estiver certo já sabem: ouviram primeiro no Brontossauros. Se eu estiver errado… eu nem sei nada de computadores mesmo!
Quem quer saber como evitar o bloqueio: Tecnocracia
UPDATE: AHÁ!
Estou acompanhando o Campus Party de longe mas sempre de olho na cobertura da imprensa. Uma coisa que eu achei engraçado foi a ausênica da Revista Superinteressante, que sempre associei à Ciência e tecnologia. Mais elucidador foi o post que apareceu no blog mais acessado da Superinteressante: Campus Party: tô fora no qual o blogueiro desdenha da Campus Party. Na minha opinião foi uma comida de bola imensa do autor pois o evento está repercutindo bastante, principalmente entre os que, supostamente, são o público alvo do blog.
Outra coisa curiosa é o Planeta Sustentável que prometeu cobrir o Campus Party mas publicou poucos textos. A cobertura do Campus Verde, aliás, deixa a desejar. Leio pouco sobre esta área importante do Campus Party.

