Foto de thormatt, via Flickr

Foto de thormatt, via Flickr

Os jamaicanos levaram todas as medalhas de ouro nos 100 metros rasos para casa nestas olimpíadas. Após levar brincando a medalha de ouro no masculino (Usain Bolt levou o 100 m individual, revezamento 4×100 e 200 m), junto com o recorde mundial, eles ainda levaram TODAS as medalhas nos 100 m feminino (o que torna em duas provas os corredores jamaicanos acima do Brasil no quadro de medalhas…). Já em 2004, os atletas jamaicanos possuíam 495 dos 500 melhores tempos na prova. No total, são 45 medalhistas olímpicos!

A pergunta é: qual é o segredo do sucesso dos jamaicanos?

Os 100 metros rasos do atletismo são uma prova que exige explosão muscular. Nos poucos segundos que se seguem, os atletas têm que contrair seus músculos o mais rapidamente possível. Nestas provas, um tipo de músculo especializado em contrações rápidas é particularmente útil. A proporção de músculos de contração rápida em comparação com os músculos de contração lenta é particularmente favorável entre os negros mas isso não explica por que uma pequena ilha no meio do Caribe teria tanta vantagem.

Uma das respostas sugeridas é genética: existe uma proteína chamada ACTN3 que possui uma variante associado à uma maior explosão na contração muscular. O jornal Daily MAil diz que 70% dos jamaicanos possuem duas cópias da variante “forte” da ACTN3, comparando com 30% dos australianos, e sugere que esta é uma das chaves de seu sucesso.

Seriam os genes a causa do sucesso jamaicano? Provavelmente não.

O blog Genetic Future, escrito por um pesquisador do ACTN3, desmonta toda a teoria do jornal.

Ele diz que a variante “forte” do ACNT3 realmente está envolvida na melhora da explosão muscular e que praticamente todos os atletas de 100 metros rasos possuem esta variante. No entanto, a melhora na perfornance só explica 2-3% do maior rendimento muscular. Coisas como treinamento adequado, alimentação, história de vida, portanto podem explicar muito mais sobre o rendimento dos jamaicanos.

Além disso, ter duas cópias da variante “forte” do ACNT3 não é melhor do que ter apenas uma. Se considerarmos apenas a presença de uma cópia deste variante, descobrimos que 98% dos jamaicanos a possuem, mas 82% dos europeus também. Nem por isso vemos finlandeses correndo um monte nos 100 metros rasos.

A explicação, obviamente, é muito mais simples, e é a mesma que explica o alto rendimento dos quenianos em corridas de longa distância: os vencedores dos 100 metros rasos são considerados verdadeiros heróis na Jamaica e incentivam toda uma geração de crianças a seguir os seus ídolos.

Correr bem significa uma melhoria na qualidade de vida, o que leva a muitas crianças se dedicarem à atividade. Se adicionarmos à equação programas do governo para selecionar este talento temos o que vimos nestas e outras Olimpíadas: atletas top de linha.

Por isso não dá pra se discutir um Brasil olímpico sem se discutir investimento na imagem dos atletas e nos programas de incentivo à talentos. É muito mais produtivo do que tentar atrair as Olimpíadas pro país.

Fontes: Daily Mail, The Slate e Genetic Future.

No blog Neurophilosophy tem uma galeria incrível de crânios perfurados por objetos. O caso mais famoso de acidentes que perfuram o cérebro é o de Phineas Gage. Phineas trabalhava com explosivos e, em um acidente, com a pólvora, uma barra de metal acabou atravessando a cabeça dele. O mais curioso é que Phineas acordou logo após o acidente e ficou esperando o médico sentado e conversando com seus colegas. Após um período complicado de recuperação por causa de infecções, Phineas voltou à sua vida mas nunca mais foi o mesmo. Até hoje é incerto se o acidente causou alguma modificação no comportamento de Phineas além da cegueira no olho esquerdo.

A foto acima é de um cara que se envolveu em uma briga e seis horas depois (seis horas!) deu baixa no hospital com dor de cabeça. Para a sua surpresa, haviam enfiado um pincel inteiro no olho do cara!!!! O cara que enfiou a ferramenta no outro foi tão profissional que o cara nem havia notado, sem contar que não foi detectada nenhuma infecção ou dano neurológico.

A foto abaixo mostra um raio-X de uma pessoa que tentou se suicidar com uma pistola de pregos (que usa ar comprimido para pregá-los). Pistolas de prego são uma opção comum entre os suicidas, aparentemente.

Mais bizarro é o caso abaixo de um homem de 44 anos que se automutilou inserindo diversos pregos no seu crânio em um período de 3 meses. Ele escapou de infecções passando um antisséptico caseiro. Ele acabou sendo interando quando começou a perder os movimentos do lado esquerdo após colocar um prego bem maior. Para as pessoas não notarem suas mutilações, o homem usava um chapéu para andar na rua.

O pior é que este nem é o caso mais bizarro: no caso abaixo o paciente, com histórico de automutilação, abriu um buraco no cérebro e inseriu um arame de caderno por ele!!!

Para terminar, um caso brazuca, de um acidente envolvendo um disco de polir feito de pedra sabão. De novo, apesar de ser uma recuperação complicada, o paciente teve poucos problemas neurológicos (será que o cérebro é menos importante ou mais impressionante do que achamos?).

Fonte: Neurophilosophy, dica da Taninha

Vi no Omedi, o link para uma impressionante notícia: 30% dos macacos do parque Ohama, perto de Osaka, têm problemas de peso que dificultam a sua movimentação! Os macacos, que vivem recebendo comida dos visitantes, serão colocados em uma dieta rígida. Um macaco saudável pesa cerca de 5 a 11 quilos enquanto um dos maispesados pesa até 30 quilos!!!!

Apesar de existirem placas proibindo a alimentação dos animais, de 10 a 20 visitante por dia dão comida aos macacos. Um deles disse que tem dó dos macacos menores porque os maiores roubam comida deles.
Fonte: Omedi e Daily Mail e Asahi

Eu vi uma reportagem no jornal que me deixou muito aborrecido: a manchete falava que “Pessoas saudáveis custam mais que obesas a serviços de saúde”, o que dá a entender que, do ponto de vista econômico, pessoas obesas e fumantes usam menos os serviços de saúde do que as que levam um modo de vida saudável. Uma besteira sem tamanho.

O que mais me irritou foi que a pesquisa foi publicada em uma revista respeitável, a PLoS Medicine e nem há a desculpa de que a mídia deturpou o artigo.

Resumidamente, os autores criaram um modelo que simulava os gastos de saúde em um grupo de fumantes, um grupo de pessoas obesas e um grupo de pessoas que não fumavam nem apresentavam peso acima do normal. A conclusão foi esta: as pessoas saudáveis custavam U$ 417 mil para o Estado, as pessoas obesas custavam U$ 371 mil e os fumantes, U$ 326 mil. O que os autores só mencionaram em letras miúdas é que este é o gasto total durante a vida inteira do grupo! Ou seja, os gastos das pessoas saudáveis só é maior porque elas vivem em média 4 anos a mais que os obesos e 7 anos a mais que os fumantes e, por isso, gastavam amis com doenças associadas à idade avançada!

Os autores também não destacaram o fato dos fumantes e dos obesos gastarem mais com saúde por ano em todas as idades acima de 50 anos! Isso quer dizer que eles ficam mais doentes durante toda a vida, o que interfere também na sua produtividade. Ou seja, uma pessoa saudável produz mais durante a vida e gasta menos por ano que os demais grupos mas os pesquisadores, talvez para chamar atenção, colocam como conclusão final do texto que não há benefícios econômicos, do ponto de vista dos gastos coms saúde, na prevenção da obesidade e combate ao fumo!

Acho que é isso que o Luis Nassif chama de cabeças-de-planilha… daqui a pouco um burocrata tenta passar uma lei para tornar as pessoas obesas e obrigá-las a fumar (ou, quem sabe, exterminar os velhos) como medida para cortar gastos com saúde…

Durante as minhas navegações por essa web sem fronteiras, me deparei com a informação de que humanos podem ser tetracrômicos (tetracromatas?). Em um post anterior, eu expliquei que nós geralmente vemos o mundo através da estimulação de três receptores: verde, vermelho e azul, por isso somos tricrômicos. Daltônicos podem ser dicrômicos, etc. Agora leio que presença de pigmentos alterados podem permitir algumas pessoas enxergar quatro comprimentos de ondas diferentes, levando a uma maior distinção entre tonalidades de cor!

A coisa fica melhor: aparentemente a maior parte dos tetracrômicos são mulheres, a porcentagem varia de 8% em um estudo a 50% em outro! Eu tendo a acreditar no segundo estudo pois isso explicaria como elas sabem a) combinar roupas, b) a diferença entre pink, rosa-shock e fúcsia e c) as diferenças entre as dezenas tonalidades de tintas de cabelo enquanto os homens só distinguem loiras, morenas e ruivas.

Fontes: Wikipedia, Post Gazetee NOW, HHMI News, Science

PS: estas informações têm bases científicas muito fracas, no entanto, há um artigo da Science onde pesquisadores conseguiram fazer com que camundongos, que só vêem duas cores, conseguissem distinguir três cores, assim como nós.

… e quase todas as provas de corrida a longa distância?

A resposta mais frequentemente ouvida e a mais simplória é a de que quenianos possuem um biotipo mais favorável para se tornarem corredores de alta performance a longas distâncias. É só ver os corpos esguios dos ganhadores da São Silvestre, tradicional corrida de São Paulo que ocorre no último dia do ano, para comprovar isso, certo?

Sim, mas não. Os ganhadores da São Silvestre podem até ter um corpo biomecanicamnete mais favorável às corridas de longa distância quiçá podem ser fisiologicamente mais adaptados para correr no calor úmido que fez no último dia 31. Porém o que explica o sucesso de uma nação inteira nesta categoria do atletismo não é a genética que determina tais corpos mas sim fatores ambientais, mais especificamente, culturais.

Algumas estatísticas tiradas do blog do Malcolm Gladwell sugerem que há cerca de um milhão (!!!) de jovens entre 10 e 17 anos que correm de 16 a 19 quilômetros por dia (!!!). Em média um queniano de 18 anos já correu de 24 a 29 mil quilômetros a mais que um estadosunidense médio. O resultado é que existem cerca de 100 atletas que já bateram a casa das 2 h 11 min na maratona contra cerca de cinco nos Estados Unidos.

Basicamente se corre no Quênia porque é uma maneira de se fugir da pobreza, assim como o futebol no Brasil. Isto resulta em uma quantidade enorme de jovens com talento apra correr sendo selecionados por técnicos que podem exigir o máximo de seus atletas. Um atleta se machucou? Chame o próximo. O resultado é a dominância deste país nas corridas de longa distância, assim como a nossa dominância no futebol. Ou iremos argumentar que o brasileiro é geneticamente predisposto a jogar bola?

Fonte: gladwell.com

PS: para os que vão continuar batendo na tecla das causas genéticas para o sucesso em corridas a longa distância as seguintes perguntas: por quê os países vizinhos do Quênia não são tão bem sucedidos? Por quê a outra potência das corridas de grande distância, a Etiópia, possui corredores com um biotipo tão distinto?

No site Critique Wall existe um conjunto de fotos que simulam como alguns daltônicos vêem o mundo. São daltônicos aqueles que enxergam certos comprimentos de onda com menos intensidade do que a média da população. A consequüência disto é uma inabilidade em se distinguir certas cores. O tipo mais comum de daltonismo afeta de 5 a 8% da população amsculina do mundo.

De acordo com os comentários, as fotos simulam bem diversos tipos de daltonismo, com vários relatos de pessoas que não conseguem ver diferenças entre as fotos. Isto provavelmente varia com o grau de seu daltonismo pois há outros tantos relatos de daltônicos que conseguem perceber diferenças entre as duas fotos.

Nós enxergamos através do estímulo de dois tipos de células: os cones e os bastonetes. De modo geral, os cones são mais importantes na presença de muita luz enquanto os bastonetes são mais importantes no escuro. Existem três tipos de cones, cada um com um tipo de pigmento. Quando estes pigmentos absorvem a luz, ocorre um estímulo que gera o sinal que faz o nosso cérebro “ver” a cor. Como cada tipo de pigmento absorve comprimentos de onda diferentes (com picos em azul, verde e amarelo), o cérebro ineterpreta os sinais dos três tipos de cones para concluir a cor dos objetos.

Aplicando-se isto ao daltonismo, o tipo mais comum envolve uma menor estimulação do cone “amarelo”, que leva a uma menor percepção do componente vermelho do espectro. Como conseqüência, as cores avermelhadas, amareladas e alaranjadas se deslocam para o verde, ficando mais pálidas enquanto as cores violetas e lavandas ficam simplesmentes azuladas.

Existem vários testes online para chegar se você é daltônico. Tente este aqui.

Fontes: Inusitatus, Wikipedia e Colorblind HomePage.

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