No blog Neurophilosophy tem uma galeria incrível de crânios perfurados por objetos. O caso mais famoso de acidentes que perfuram o cérebro é o de Phineas Gage. Phineas trabalhava com explosivos e, em um acidente, com a pólvora, uma barra de metal acabou atravessando a cabeça dele. O mais curioso é que Phineas acordou logo após o acidente e ficou esperando o médico sentado e conversando com seus colegas. Após um período complicado de recuperação por causa de infecções, Phineas voltou à sua vida mas nunca mais foi o mesmo. Até hoje é incerto se o acidente causou alguma modificação no comportamento de Phineas além da cegueira no olho esquerdo.

A foto acima é de um cara que se envolveu em uma briga e seis horas depois (seis horas!) deu baixa no hospital com dor de cabeça. Para a sua surpresa, haviam enfiado um pincel inteiro no olho do cara!!!! O cara que enfiou a ferramenta no outro foi tão profissional que o cara nem havia notado, sem contar que não foi detectada nenhuma infecção ou dano neurológico.

A foto abaixo mostra um raio-X de uma pessoa que tentou se suicidar com uma pistola de pregos (que usa ar comprimido para pregá-los). Pistolas de prego são uma opção comum entre os suicidas, aparentemente.

Mais bizarro é o caso abaixo de um homem de 44 anos que se automutilou inserindo diversos pregos no seu crânio em um período de 3 meses. Ele escapou de infecções passando um antisséptico caseiro. Ele acabou sendo interando quando começou a perder os movimentos do lado esquerdo após colocar um prego bem maior. Para as pessoas não notarem suas mutilações, o homem usava um chapéu para andar na rua.

O pior é que este nem é o caso mais bizarro: no caso abaixo o paciente, com histórico de automutilação, abriu um buraco no cérebro e inseriu um arame de caderno por ele!!!

Para terminar, um caso brazuca, de um acidente envolvendo um disco de polir feito de pedra sabão. De novo, apesar de ser uma recuperação complicada, o paciente teve poucos problemas neurológicos (será que o cérebro é menos importante ou mais impressionante do que achamos?).

Fonte: Neurophilosophy, dica da Taninha

Em um experimento para se determinar como o comportamento de grandes grupos emerge, como o de cardumes e o de aves voando no céu, dois pesquisadores da Universidade de Leeds fizeram um experimento interessante: eles pegaram pessoas e pediram para que elas andassem aleatoriamente por uma área (tipo, a Bienal). A única orientação dada foi para as pessoas não se afastarem muito uma das outras.

Os pesquisadores, então, inseriram no grupo, pessoas que possuíam comunicadores que diziam para onde elas deveriam se dirigir. O que els descobriram foi impressionante: em grupos de mais de 200 pessoas, é necessário controlar a direção na qual apenas 5% das pessoas andava para detarminar o comportamento do grupo inteiro! As outras 95% das pessoas inconscientemente seguiam os “formadores de opinião”.

Dá ou não dá para explicar o comportamento do pessoal que está participando da Campus Party?

Fonte: Science Daily

Durante as minhas navegações por essa web sem fronteiras, me deparei com a informação de que humanos podem ser tetracrômicos (tetracromatas?). Em um post anterior, eu expliquei que nós geralmente vemos o mundo através da estimulação de três receptores: verde, vermelho e azul, por isso somos tricrômicos. Daltônicos podem ser dicrômicos, etc. Agora leio que presença de pigmentos alterados podem permitir algumas pessoas enxergar quatro comprimentos de ondas diferentes, levando a uma maior distinção entre tonalidades de cor!

A coisa fica melhor: aparentemente a maior parte dos tetracrômicos são mulheres, a porcentagem varia de 8% em um estudo a 50% em outro! Eu tendo a acreditar no segundo estudo pois isso explicaria como elas sabem a) combinar roupas, b) a diferença entre pink, rosa-shock e fúcsia e c) as diferenças entre as dezenas tonalidades de tintas de cabelo enquanto os homens só distinguem loiras, morenas e ruivas.

Fontes: Wikipedia, Post Gazetee NOW, HHMI News, Science

PS: estas informações têm bases científicas muito fracas, no entanto, há um artigo da Science onde pesquisadores conseguiram fazer com que camundongos, que só vêem duas cores, conseguissem distinguir três cores, assim como nós.

… e quase todas as provas de corrida a longa distância?

A resposta mais frequentemente ouvida e a mais simplória é a de que quenianos possuem um biotipo mais favorável para se tornarem corredores de alta performance a longas distâncias. É só ver os corpos esguios dos ganhadores da São Silvestre, tradicional corrida de São Paulo que ocorre no último dia do ano, para comprovar isso, certo?

Sim, mas não. Os ganhadores da São Silvestre podem até ter um corpo biomecanicamnete mais favorável às corridas de longa distância quiçá podem ser fisiologicamente mais adaptados para correr no calor úmido que fez no último dia 31. Porém o que explica o sucesso de uma nação inteira nesta categoria do atletismo não é a genética que determina tais corpos mas sim fatores ambientais, mais especificamente, culturais.

Algumas estatísticas tiradas do blog do Malcolm Gladwell sugerem que há cerca de um milhão (!!!) de jovens entre 10 e 17 anos que correm de 16 a 19 quilômetros por dia (!!!). Em média um queniano de 18 anos já correu de 24 a 29 mil quilômetros a mais que um estadosunidense médio. O resultado é que existem cerca de 100 atletas que já bateram a casa das 2 h 11 min na maratona contra cerca de cinco nos Estados Unidos.

Basicamente se corre no Quênia porque é uma maneira de se fugir da pobreza, assim como o futebol no Brasil. Isto resulta em uma quantidade enorme de jovens com talento apra correr sendo selecionados por técnicos que podem exigir o máximo de seus atletas. Um atleta se machucou? Chame o próximo. O resultado é a dominância deste país nas corridas de longa distância, assim como a nossa dominância no futebol. Ou iremos argumentar que o brasileiro é geneticamente predisposto a jogar bola?

Fonte: gladwell.com

PS: para os que vão continuar batendo na tecla das causas genéticas para o sucesso em corridas a longa distância as seguintes perguntas: por quê os países vizinhos do Quênia não são tão bem sucedidos? Por quê a outra potência das corridas de grande distância, a Etiópia, possui corredores com um biotipo tão distinto?

No site Critique Wall existe um conjunto de fotos que simulam como alguns daltônicos vêem o mundo. São daltônicos aqueles que enxergam certos comprimentos de onda com menos intensidade do que a média da população. A consequüência disto é uma inabilidade em se distinguir certas cores. O tipo mais comum de daltonismo afeta de 5 a 8% da população amsculina do mundo.

De acordo com os comentários, as fotos simulam bem diversos tipos de daltonismo, com vários relatos de pessoas que não conseguem ver diferenças entre as fotos. Isto provavelmente varia com o grau de seu daltonismo pois há outros tantos relatos de daltônicos que conseguem perceber diferenças entre as duas fotos.

Nós enxergamos através do estímulo de dois tipos de células: os cones e os bastonetes. De modo geral, os cones são mais importantes na presença de muita luz enquanto os bastonetes são mais importantes no escuro. Existem três tipos de cones, cada um com um tipo de pigmento. Quando estes pigmentos absorvem a luz, ocorre um estímulo que gera o sinal que faz o nosso cérebro “ver” a cor. Como cada tipo de pigmento absorve comprimentos de onda diferentes (com picos em azul, verde e amarelo), o cérebro ineterpreta os sinais dos três tipos de cones para concluir a cor dos objetos.

Aplicando-se isto ao daltonismo, o tipo mais comum envolve uma menor estimulação do cone “amarelo”, que leva a uma menor percepção do componente vermelho do espectro. Como conseqüência, as cores avermelhadas, amareladas e alaranjadas se deslocam para o verde, ficando mais pálidas enquanto as cores violetas e lavandas ficam simplesmentes azuladas.

Existem vários testes online para chegar se você é daltônico. Tente este aqui.

Fontes: Inusitatus, Wikipedia e Colorblind HomePage.

As nossas faculdades cognitivas nos destacam dos outros animais mas o que será que o nosso cérebro tem que o de outros animais não têm? Tenho pensado bastante neste assunto, principalmente diante de pesquisas publicadas recentemente.

Em uma postagem anterior, discuti brevemente sobre dois estudos cognitivos (um de memória instantânea e outro de superimitação) nos quais os chimpanzés tiveram melhor perfomance do que adultos. Tudo bem, os chimpanzés são nossos parentes próximos e qualquer um que já foi ao zoológico sabem como eles lembram alguns tipos humanos…

Porém, nesta semana, um outro estudo me chamou a atenção: os tentilhões expressam um gene chamado FoxP2 em uma área do cérebro quando estão aprendendo uma canção ou mudando sua canção antiga. Mais: pássaros com defeitos na expressão deste gene não aprendiam direito as canções dos outros pássaros e apresentavam maior variabilidade na hora de cantar as suas. O interessante é que este gene FoxP2 também está associado à nossa vocalização e defeitos desse gene em nós levam à problemas de fala e linguagem. Ou seja, parte da maquinaria que nos permitiu desenvolver a fala já se encontrava no ancestral comum entre primatas e pássaros (digressão: os Neandethais também possuíam este gene mas agora isso não me surpreende mais)!

Ainda nas aves, este grupo é o único além dos primatas a classificar fotos em categorias (como os pombos que reconhecem as pinturas do Monet). Só que agora existem evidências que cachorros também possuem esta habilidade, indicando que eles também podem ter pensamentos abstratos.

Tudo isso pode fazer algumas pessoas a pensar que nós não somos tão inteligentes assim. Na verdade, a proximidade do funcionamento de nosso cérebro com o de outros animais nos faz ainda mais notáveis: por quê só os humanos acumulam conhecimento na velocidade que acumulam? Outros animais também têm cultura mas por quê a nossa é capaz de mudar e acumular tão mais rápido? O que, parafraseando o título de um livro de Foley, nos faz apenas uma espécie única?

Fontes: Science Daily e New Scientist

Por que as drogas viciam? Aliás, por que qualquer coisa vicia? Geralmente os vícios se originam através de alterações nas vias de recompensa no cérebro. Estas vias, mediadas pela dopamina, nos fazem se sentir bem depois de se completar uma atividade. As drogas de abuso mexem nestes vias (e em muitas outras no cérebro) levando ao vício.

Aprenda como as drogas levam ao vício vendo esta animação em Flash.

Página 1 de 212»