A pergunta foi feita para os blogueiros do Lablogatórios por uma revista especializada e lanço agora o meme: o que nós desejamos blogar e o que tememos ter que blogar em 2009?
As minhas respostas foram:
“Desejo blogar sobre as estranhas maravilhas que a diversidade da vida possui.”
“Temo blogar sobre atos violentos contra cientistas e laboratórios no Brasil e no mundo.”
E você, o que vc deseja/teme blogar em 2009?
Vou avisar desde já: estou no meu modo chato. Este texto é chato e intolerante, se você continuar a lê-lo, não diga que não foi avisado.
A nossa sociedade é cheia de preconceitos: somos machistas, racistas, homofóbicos, contra uma religião, contra uma região, tudo mais. Eu, você, todos nos incluimos neste grupo. Está na nossa cultura e, possivelmente, até em nossos genes.
Só que esse não é o tipo de sociedade na qual eu queira viver. Eu quero viver em uma sociedade onde igualdade de tipos e opiniões não seja somente um slogan. Eu quero democracia de verdade, eu quero direitos iguais de verdade. O problema é claro: como chegar nesta utopia?
Durante o tempo em que estive na Inglaterra vislumbrei tentativas de se chegar lá. A resposta é até contraditória: temos que ser chatos e intolerantes.
Sim, temos que ser chatos com aquele cara que faz um comentário que denigre as mulheres, temos que chamar atenção do outro, que fez uma piada sobre nordestinos, etc. Tolerância zero. Porque, se nossa criação nos torna preconceituosos, precisamos lutar ativamente contra este impulso. É uma luta eterna e chata, mas acho que vale a pena.
Isso explica por que eu achei a iniciativa de se fazer o concurso Miss Blog Brasil 2008 o fim da picada. Não porque ele procura dar um prêmio somente para mulheres mas sim por fazer referência a um concurso de beleza onde o conteúdo da caixa craniana é o que menos importa! Um concurso que valoriza as mulheres por se parecerem uns bibelôs e por dar respostas como: “paz mundial”, “pequeno príncipe” ou “precisamos dar mapas aos iraquianos”. Como fazer um concurso que valorize o conteúdo escrito pelas nossas blogueiras com este nome? Por que não chamá-lo de Nobel da Blogosfera Feminina ou algo que o valha?
O pior é que muita gente não vê nada de mal no nome, ou que é uma brincadeira e tudo mais. Só que, se a gente não evitar este tipo de coisa, NUNCA nos livraremos do machismo et al.! E isso me entristece.
Deixo claro que eu não creio que o dono do site seja machista, ele somente fez uma escolha machista. Não é um ataque pessoal. Sou contra pessoas que ficam patrulhando as outras o tempo todo. Aconeteceu de eu estar com a pá virada hoje. Afinal, também esclareço que faço piadas machistas e comentários preconceituosos mas eu realmente me esforço para evitá-los. Eu sei, é hipócrita da minha parte mas isso também faz parte da nossa natureza.

Eu e a Paula podemos ser ouvidos no divertido Decodificando, “um podcast que fala de código genético, jurídico e código fonte”. Nós demos o nosso pitaco sobre o Brasil ser ou não ser um estado laico.
A gravação foi aqui em casa e foi fascinante ver todos os bastidores de um dos podcasts que eu mais curto. O pior mesmo é ouvir as besteiras que falo durante o podcast: é impossível falar idéias de forma clara e coerente sob pressão (nunca mais reclamarei do candidato X em debates).
O melhor é me ver tentando explicar idéias complexas utilizando um vocabulário de um Neanderthal e evitando ao máximo preservar a estrutura gramatical das frases…
Os erros que eu me lembro:
1. “Galileu Galileu” - sem comentários. Matei a fascinante história escrita por Brecht em um parágrafo.
2. “risco de vida” - não né?
3. “benzeDOUres” - minha dislexia leve não me permite falar algumas palavras de foma correta
4. “Deus seja louvado” - na nossa nota de real, não é que tem mesmo? Pelo menos não confiamos nele, como no dólar! A propósito, Jonny, o peixe-boi não está em uma nota de real…
5. ouça o podcast e adicione o meu erro aqui.
Quando eu fazia caminhadas por esse Brasil afora, era muito emocionante se deparar com um pedaço de terra com pegadas de animais. Às vezes identificávamos veados, antas, lobos-guarás e muitos outros grandes animais somente olhando suas impressões. Imaginem agora a emoção de se deparar com pegadas feitas milhões de anos atrás?
É o que devem ter sentido os geólogos Marjorie Chan e Winston Seiler ao perceber que os buracos no chão presentes em uma plataforma rochosa não eram feitos pela chuva mas sim por dinossauros que cruzavam dunas arenosas mais de 190 milhões de anos atrás, no começo do período Jurássico.
O que fazia muitas pessoas pensar que os buracos eram formados pela chuva é a sua densidade e quantidade, incomuns para serem pegadas fossilizadas. No entanto, os geólogos notaram que os buracos só apareciam naquele plano rochoso e não nos arredores. Uma análise mais de perto revelou marcas de dedos e que se repetiam de forma regular.
Winston Seiler estimou que há cerca de 12 pegadas por metro quadrado, totalizando milhares de impressões na rocha! Acredita-se que as pegadas foram feitas em um oásis no meio de um deserto maior do que o Saara, que existia na região de Utah (EUA), o que explicaria a quantidade de pegadas no local. As impressões fossilizadas teriam sido feitas em areia molhada e preservadas até hoje. Além das pegadas, existem marcas de caudas no chão, algo incomum de se encontrar uma vez que dinossauros não arrastavam suas caudas pelo chão.
Winston identificou pelo menos quatro tipos diferentes de pegadas: animais bípedes grandes, como os T-Rex; animais bípedes pequenos; dinossauros com menos de um metro de altura e saurópodes, os meus prediletos, como os Brontossauros.
Análises posteriores poderão revelar algo sobre o comportamento destes animai. É possível estimar o tamanho dos dinossauros pelo tamanho das pegadas, o seu peso, pela profundidade, a direção que os animais percorriam e até a sua velocidade. É assim que acabamos descobrindo muitas coisas sobre estes bizarros animais, que deixaram uma calçada da fama disfarçados de buracos feitos pela chuva.
Imagens e fonte: EurekAlert!
Dica do Luiz Bento, do excelente Discutindo Ecologia.
Na verdade, seu alter-ego.
Na Revista Pesquisa FAPESP deste mês tem uma reportagenzinha legal, “Engrenagens do tempo” sobre o meu trabalho de doutorado, feito em Cambridge (Inglaterra).
É muito legal ter seu trabalho divulgado desta maneira.
“Já sabíamos que a ADPRc era responsável por ativar parte dos mecanismos de proteção da planta, entre eles o fechamento de pequenos poros existentes nas folhas para evitar a perda de água”, diz Hotta, que teve papel fundamental no planejamento, na condução e na análise dos resultados da pesquisa realizada durante seu doutorado em Cambridge entre 2003 e 2007. “Agora vimos que a ADPRc também pode incorporar informações sobre mudanças ambientais ao relógio biológico que regula a fisiologia das plantas”, afirma o biólogo, que faz pós-doutorado no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), um dos autores do artigo que descreveu o achado em dezembro passado na Science.
Chegamos ao ducentésimo post, neste blog que - logo, logo - completará um ano. Para comemorar, um link para o artigo que saiu no Diário do Nordeste sobre o Lablogatórios.
Um vídeo que eu coloquei, com um dinossauro animatronic, fez muito sucesso aqui no blog. Meio que sem querer, eu achei este vídeo mostrando o processo de produção de mais dinossauros em animatronic (inclusive um muito parecido com o do vídeo anterior). Dá pra notar um velociraptor, um triceratops e um anquilossauro. O método de controle do triceratops é fenomenal e funciona bem no palco!
Este vídeo é um making of de um show chamado Walking with Dinosaurs LIVE, inspirado em um documentário da BBC que até passava no Fantástico, com dinossauros criados com computadores e robôs.


