Nem sempre armas biológicas são eficientes para matar baratas. Particularmente, opto sempre por métodos físicos, que evitam surpresas desagradáveis (apesar de fazer sujeira). No entanto, causar achatamento dorso-ventral nestes animais exige agilidade: por que é tão difícil dar uma boa pisada em uma barata?
A resposta é bastante conhecida: assim que sentem deslocamentos de ar repentinos, como os causados por suas Havaianas (não é um publieditorial), as baratas saem correndo como loucas para uma direção imprevisível. O interessante é que pesquisadores ingleses descobriram, em um artigo publicado no final do ano passado na Current Biology, que as direções que as baratas correm são pré-determinadas.
Para descobrir isto, os pesquisadores pegaram cinco baratas e assopraram ar em sua direção entre 70 e 95 vezes. Curiosamente, a rota de fuga de 4 das 5 baratas formava ângulos de 90, 120, 150 ou 180 graus em relação ao vento. No gráfico abaixo, podemos notar os ângulos de fuga utilizado por um dos indivíduos (quanto maior a barra, mais vezes este indivíduo fugiu por este ângulo).
Além de fazer o teste da fuga muitas vezes em um indivíduo, os pesquisadores fizeram o teste uma vez só em 94 baratas diferentes. O resultado (abaixo, à direita) foi comparável aos dados obtidos com os cinco indivíduos somados (abaixo, à esquerda).
Estes dados sugerem que as baratas, ao sentir o apocalipse emborrachado aproximando o seu ser, correm em ângulos determinados. A quantidade de ângulos e sua distribuição é suficiente para tornar a resposta das baratas imprevisível, apesar de eu recomendar sempre pisar na barata um pouco atrás e à sua esquerda, para aumentar as chances de matá-la.
Os dados também permitem concluir que as baratas devem ter um número determinado de “programas” ativados na hroa da fuga. Provavelmente, dependendo de como ela sente a aproximação de perigo, ela ativa o programa “90 graus”, “120 graus”, “150 graus” ou “180 graus”. A existência de programas determinados também significa que pode ser possível identificar as redes neurais responsáveis pela fuga nas baratas. Um projeto que, por mais interessante que possa parecer para uns, não seria para mim.
Foto: FLICKR (prashanthks)
Participei da ScienceOnline’09 que aconteceu nos dias 17 e 18 de janeiro no Research Triangle Park, Carolina do Norte. O encontro, inicialmente entre editores de blogs de Ciência, explorou os diversos aspectos da Ciência na Internet.
O que mais me impressionou no encontro foi o nível das discussões. Não se falava em visitas, rankings, relevância ou monetização afinal eles já perceberam que essas coisas são apenas perfumaria que escondem o real sentido dos blogs: dar uma voz a todos que têm algo a falar. E eles têm o que falar: cada blog tenta trazer uma visão única para a Blogosfera, ninguém discute conteúdo inédito. Se cada procura a sua própria voz em um blog, não há o que copiar.
O que se discutiu, enfim? Como transformar seu blog em um livro, como transformar seu post em uma matéria, como se proteger de ataques vindos por causa de seu blog. Discutiu-se, portanto, as conseqüências do conteúdo gerado no seu blog. Aqui usa-se o blog para noticiar injustiças, para criticar o que foi mal feito, para corrigir o errado e divulgar o certo. Quando se faz isso de forma correta, inimigos são feitos, às vezes eles são o seu chefe.
Quais são as razões da diferença entre a blogosfera americana/internacional para a brasileira? Eu vejo três possibilidades não exclusivas: a idade dos nossos blogueiros, o número de blogs no Brasil e o modo no qual os blogs são vistos como negócios por aqui.
A idade dos blogueiros reflete diretamente na maturidade das discussões. Lembro que maturidade nem sempre é proporcional à idade mas saber que a maioria dos blogueiros brasileiros têm menos de 25 anos de idade enquanto a maioria dos blogueiros do mundo têm mais do que 35 anos certamente impacta o comportamento de cada blogosfera. Minha opinião é simples: precisamos exigir mais seriedade dos blogs e das discussões que os rodeia. Não podemos deixar qualquer celeuma sobre uma votação ou sobre uma ação de marketing dominar a nossa comunidade. Certas discussões merecem ser ignoradas e devem ser tratadas com o respeito que merecem.
Além da curta idade de nossos blogueiros, há a curta idade e tamanho da comunidade. Os blogs no Brasil ainda não se popularizaram da mesma forma que têm o potencial de se popularizar, nem a comunidade teve tempo de se organizar e criar uma espécie código de conduta - não me refiro a algo formalizado - entre os blogueiros. Vejo que o tempo deve ajudar na maturação da comunidade mas também podemos criar iniciativas para tornar o processo mais rápido.
Por fim há a velha discussão sobre o modelo de negócios da nossa blogosfera. Enquanto as agências de publicidade valorizarem as visitas e não o conteúdo, elas somente vão atrapalhar a nossa comunidade. Aqui o blogueiro é valorizado pelo seu conteúdo e não pelo seu potencial financeiro. A PLoS (Public Libray of Science) contratou um blogueiro para servir de relações públicas. O que ele tem que fazer? Ele definitivamente não é contratado para ficar falando bem de seu chefe: ele deve somente existir. As pessoas leem o blog do Bora porque gostam. Ao mesmo tempo ficam sabendo que ele é funcionário da PLoS, aumentando o valor da marca. O conteúdo de outros blogueiros trouxeram propostas de empregos, oportunidade de resenhar livros e outros produtos, abriram canais de comunicação em sua comunidade, coisas muito menos valoráveis do que um cheque no fim do mês. Mais importante: coisas que não se consegue comprar com o seu cheque no fim do mês.
Todo este manifesto, se é que pode ser qualificado como um, é apenas para chamar os blogueiros para aumentar o nível de nossa comunidade e exigir o aumento do nível de quem usa os nossos serviços. As empresas que contratam os blogueiros têm que tratá-los como profissionais e, por que não, exigir a contrapartida. Nós, como blogueiros, temos que exigir maturidade de nossos pares e de nossos leitores. Se começarmos a agir como adultos e como profissionais, nada do outro mundo, veremos que o que vale mesmo em um blog é a sua opinião publicada em um local de fácil acesso. Isso é mais poderoso do que você pensa e certamente garantirá mais do que uns trocados no final do mês.
Foto: 5′2”’s FLICKR
Anúncio de última hora em um domingo antes da Campus Party!
Hoje de manhã anunciei oficialmente que o Lablogatórios vai fechar nas próximas semanas…
… para imediatamente se transformar em algo totalmente novo!
É com prazer que finalmente posso dizer que português será a terceira língua a ter seu ScienceBlogs! O ScienceBlogs Brasil faz parte de uma tentativa de tornar o ScienceBlogs uma marca internacional e multicultural. O projeto inclui o estreitamento das relações entre as comunidades de blogueiros pelo mundo, provavelmente traduziremos alguns de nossos posts para o português (traduziremos alguns posts deles para o português, tb?).
Entrar para o time do ScienceBlogs é um destes sonhos impossíveis realizados pelo trabalho de todos no Lablogatórios e pelos nossos leitores. Mais informações em breve!
O genoma de um organismo é a seqüência de nucleotídeos encontrada em cada um dos cromossomos de uma de suas células. Para os cientistas, esta informação pode ser importantíssima para entender a evolução deste organismo, para descobrir mais sobre o seu funcionamento ou para entender como manipulá-lo. Sequenciar um genoma completo é um desafio enorme: por exemplo, ainda não se conhece TODAS as 3 bilhões de bases do genoma humano (apesar de todo o hype).
Parte do problema vem das técnicas utilizadas para se sequenciar um genoma. Imagine que você tem que determinar a sequência de letras de uma Bíblia. Uma maneira de se fazer isso é ir linha a linha, copiando as letras. O problema é que é impraticável isso com o genoma. Uma das estratégias que geralmente se adota é o equivalente a rasgar várias Bíblia aleatoriamente em partes menores, contendo algumas páginas cada, colocar estas partes em fichários separados, fazer várias cópias em uma máquina de xerox e mandar todo o pacote para os diversos laboratórios envolvidos no projeto sequenciarem.
Quando um laboratório pega um fichário para sequenciar, a primeira providência é pegar todas as páginas e picá-las em pedaços menores e tirar mais cópias: algo equivalente a tirinhas de papel. Então, pega-se as tirinhas e anota-se as sequências de letras presentes em cada uma. A tarefa seguinte é para os computeiros: tentar montar, a partir da informação contida em pequenas tirinhas de papel, o conteúdo de um fichário. Depois, tentar montar a Bíblia novamente a partir do conteúdo de todos os fichários. O problema surge ao se perceber que, ao montar os fichários, você não colocou todas as partes da Bíblia: agora você terá quie tentar achar todas as partes para completar o livro. Um segundo problema, que não está presente na Bíblia, é que o genoma tem inúmera regiões repetitivas! Como saber a ordem destas sequências repetidas? E é aí que a coisa engasga. O bom é que estas regiões repetitivas são menos interessante, biologicamente falando, do que as não repetitivas. Mas ainda não sequenciamos o Genoma completo…
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- a outra estratégia que adotamos para se sequenciar um Genoma é ainda mais radical! Os livros são picados sem serem separados em fichários! É mais rápido mas a dor-de-cabeça na hora de montar os pedaços de volta é muito maior. O povo da Celera só conseguiu montar o Genoma Humano com a ajuda do consórcio internacional!
Cientistas têm um senso de humor bem peculiar, nunca neguei. Watson e Crick tinham gravatas com um DNA bordado como símbolo do “DNA club”. Já vi também um cientista com um relógio que tinha uma drosófila desenhada no fundo. No entanto, nada poderia me preparar com o cúmulo da nerdice: no congresso de Genomas que estou, que tem cerca de 10 mil participantes, eles servem M&Ms no intervalo. Só que os M&Ms não têm Ms impressos em sua superfície: têm C, A, T e G….
Outro grande mistério na minha cabeça é a ausência de Angiospermas no mar (tá, excessões são esperadas). Aliás, fora as plantas que sobrevivem na beira da praia e no mangue, o mar é uma grande barreira para plantas terrestres (cadê a baleia das Angiospermas?). Novamente vou usar especulações para responder essa pergunta.
Um dos grandes problemas na agricultura mundial é a salinização dos solos (na Austrália este problema é particularmente importante). Os agricultures irrigam suas plantas o tempo todo, a água evapora, o sal da água fica e acumula. De modo geral, plantas são bastante sensíveis a sais, em particular o sódio. O que acho curioso é que o sódio (Na+) é um íon importantíssimo para a nossa sobrevivência dos animais. Um exemplo: sódio é utilizado por nós como moeda de troca na hora de transportar moléculas para dentro da célula. Como existe uma enorme quantidade de sódio no líquido extracelular fora das células, o nosso corpo utiliza a tendência do sódio entrar nas células para carregar consigo moléculas como glicose. O sódio é bombeado para fora das células depois. O sódio também é essencial na geração de impulsos elétricos no nosso corpo e nos outros animais.
Curiosamente, plantas usa outro íon como moeda de troca: o H+. A lógica é parecidíssima mas há co-transportadores molécula/H+ no lugar de Na+ e bombas de H+. Nas células eletricamente excitáveis, o cloro (Cl-) é utilizado no lugar do sódio. Isso indica que as plantas e animais, apesar de possuírem muitas similaridades, têm uma lógica iônica própria indicando que esse negócio de não usar sódio pode ser coisa antiga.
Qual o efeito do sódio nas plantas? Aparentemente (não consegui confirmar com ninguém), a força iônica do sódio tem o poder de alterar a conformação protêica das plantas. Curiosamente isso não acontece nos animais! Por que?
A minha teoria é que tudo remete à conquista do ambiente terrestre: as plantas terrestres são o resultado de apenas uma transição água-terra (acredita-se a alga Chara é parecida com as primeiras palnats a dominarem a terra). Essa transição aconteceu na água doce, pobre em sódio. Imagino que estas planat já viviam na água doce faz um tempo, apresentando algumas adaptações à vida sem sódio (e outros sais). Depois, no ambiente terrestre, as plantas continuaram sua vida virtualmente sem sódio, construindo proteínas sem se importar se elas seriam sensíveis a sódio ou não.
Já os animais resolveram a saída do mar (para a terra e água doce) de outra maneira: eles passaram a “carregar o mar” dentro de seus corpos. Nós mantemos as nossas céluals banhadas em um líquido salino muito semelhante à composição do mar. Logo, todas as nossas proteínas são naturalmente resistente ao sódio, tendo sido selecionadas em um ambiente no qual este íon estava presente. Ao trazer o mar consigo, os animais também criaram uma limitação: a necessidade de se obter sódio de outras formas. Isso explica a distribuição geográfica de certas formigas (dependentes do borrifo de água que vem do mar) e até a razão do sal se usada como dinheiro no passado (será?).
Esta teoria é mais especulativa do que a anterior, por isso nãp acreditem no que lêem!
Este blogueiro está, neste momento, nos Estados Unidos tentando o sucesso em tempos de crise.
Primeiro, entre os dias 08 e 15 de janeiro, estarei em San Diego para a XVII Plant and Animal Genome Conference, discutindo métodos de análise do transcriptoma e estratégias a serem utilizadas no sequenciamento do genoma da cana-de-açúcar. Mais interessante é o meu plano de visitar o Zoológico de San Diego, um dos maiores do mundo.
Depois, entre os dias 15 e 19 de janeiro, me encontrarei com a Paula para a Science Online 09, um encontro internacional de blogueiros de Ciência. Uma das intenções é divulgar o Lablogatórios por lá e, quem sabe, dar uma dimensão mais internacional ao negócio.
Por fim, entre os dias 19 e 25 de janeiro, estaremos em Nova Iorque onde pretendemos ir ao Museu de História Natural e descansar um pouco. Também iremos conhecer os escritórios do ScienceBlogs.com!
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PS: isso quer dizer que, infelizmente, não estaremos na Campus Party mas teremos muitos membros do Lablogatórios por lá! Isso não quer dizer que desistimos do Best Blogs Brazil! Cadastre-se por lá e vote no Brontossauros em meu Jardim para a categoria Ciências
(ou outro blog do Lablogatórios
) e no Rastro de Carbono para a categoria Educação!






