Hoje foi a prova da Biologia na FUVEST, na segunda fase do exame de ingresso para a USP. Eu, que critico bastante vestibulares em geral, resolvi dar uma olhada e comentar as questões. A prova pode ser encontrada aqui. Vou atualizando o post aos poucos, portanto, dá-lhe F5 (reload).

Questão 1 - A questão oferece duas curva de taxas de glicose no sangue ao longo do tempo. Uma curva sobe mais alto que a outra e desce mais lentamente (curva A). É perguntada qual das duas curvas representa um paciente com diabetes e por que a curva menor (curva B) se estabiliza após 3 horas. Achei a questão muito boa, que exige a interpretação de um gráfico e o conhecimento de uma doença que atinge muitas pessoas no país. A diabetes é caracterizada por altos níveis de glicose no sangue e uma dificuldade de se retornar aos níveis basais após a alimentação (curva A). Uma das causas da diabetes é a intolerância à insulina, hormônio que provoca a absorção de glicose pelas células do corpo, o que explica a estabilização dos níveis de glicose na curva B. O hormônio glucagon atua de forma contrária à insulina, ajudando a estabilizar a taxa de glicose.

Questão 2 - A questão trata de um problema sério e algumas populações: a contaminação dos rios por mercúrio provocada prinicpalmente pela mineiração acaba intoxicando os seres vivos, homens inclusos, que vivem ao redor do rio. A tabela em anexo mostra a concentração de mercúrio em diversas espécies de peixes e na população ribeirnha. O mercúrio é um metal que acumula no organismo e pode trazer problemas neurológicos. Na primeira parte, pode-se desenhar a cadeia alimentar da região ordenando-se os animais pela concentração de mercúrio presente em seu corpo. A espécie C deve se alimentar apenas de plantas; a espécie B da espécie C; a espécie A das espécies B e C e os homens de todas as espécies. Outras cadeias são possíveis mas não com as opções dadas pela folha de resposta.

A segunda parte da questão pergunta se seria possível sugerir às populações deixar de comer peixes e só comer aipim. O problema é que o aipim é basicamente carboidrato e a população careceria de uma fonte de proteínas e outros nutrientes. Esta é outra questão bem razoável.

Questão 3 - Esta questão discute um problema sério que enfrentamos atualmente: a acentuada taxa de extinção de anfíbios no mundo inteiro. A primeira parte da questão pede ações humanas que possam estar diminuindo o pH das águas ou aumentando a incidência de luz ultravioleta. As respostas mais fáceis são: chuvas ácidas provocadas pela poluição e o aumento do buraco da camada de ozônio. A segunda parte pergunta como o parasitismo de um fungo que ataca a pele do sapo pode prejudicar o animal. A resposta é fácil: a pele de muitos sapos é a uma importante mucosa de trocas gasosas dos animais. Alguns sapos também têm respiração pulmonar (alguns nem respiração cutânea têm). Até agora estou curtindo bastante a prova, questões bem gerais que exigem conhecimentos gerais do aluno.

Questão 4 - primeira parte da prova pede para que se desenhe um gráfico a partir de uma tabela. Ótimo! A segunda parte achei meio estranha. Eu não entendi o que a produção mundial de oxigênio do fitoplâncton tem a ver com o gráfico desenhado… de qualquer forma, por menor que seja a taxa fotossintética de um fitoplâncton, existem tantos deles (zilhões!) que eles acabam contribuindo com a maior parte do oxigênio liberado na atmosfera. Achei a segunda parte da questão mal formulada…

Questão 5 - Olha só, uma questão sobre a conquista do ambiente terrestre pelas plantas!!!! Ontem mesmo estava pensando nisso… No entanto também não gostei da formulação da pergunta. Eles querem que o aluno saiba que órgãos as plantas da época possuíam e mencionam que existiam gimnospermas na época. Só que eles começam o texto mencionando a transição do Ordoviciano para o Devoniano e, até onde eu sei, as gimnospermas só surgiram no final do Devoniano… isso pode mudar a resposta de raízes, caules e folhas para ou raízes, caules, folhas, semnetes e estróbilos (será que estróbilos contam?)! A segunda parte também é meio estranha… dá vontade de reponder algo como: a disponibilidade de água permitia a sobrevivência das plantas e, portanto, a sua variabilidade :) A resposta que eles querem (acho) é: as plantas terrestres da época dependiam da água para realizar a reprodução sexuada, processo fundamental para o aumento da variabilidade genética de uma população.

Questão 6 - Não gosto de questões sobre parasitologia, como esta. São doenças importantes para a nossa realidade? Sim. É bom conhecê-las. Sim. Precisa perguntar na segunda fase da FUVEST. Não, questões de múltipla escolha são melhores para testar coisas mais decorebas. Enfim, malária, febre amarela, leishmania e dengue são transmitidas por mosquitos e doença de Chagas, por um percevejo. Destas, Chagas, malária e leishmania são causados por protozoários e dengue e febre amarela, por vírus. Questão idiota que não exige muito do cérebro do aluno.

Questão 7 - Um opilião na FUVEST! Já até sei quem fez a questão :) Opiliões são aracnídeos (também são quelicerados, as quelíceras são os dois cotocos na frente da boca do animal), é só contar o número de pernas. Me incomoda um pouco o fato de colocarem um aracnídeo que não possui um cefalotórax e abdômen bem desenvolvidos: entre os opiliões, estas estruturas são fundidas em um escudo. Essa diferença pode ter confundido uns (será?). Algumas espécies de opiliões têm cuidado parental por machos, que podem proteger os ovos de predadores. As fêmeas que escolherem machos que cuidam de ovos podem ter uma garantia de que seus ovos serão protegidos. Será que o fato de eles já terem ovos para cuidar também idica seu fitness? Questão bem intencionada mas tem pegadinha.

Questão 8 - Genoma! Outro assunto que tem ocupado meu processamento mental. A primeira parte queria saber se você sabe que o material genético é igual em todas as células (não contem para eles mas existem mutações mesmo em tecidos somáticos e também existe um fenômeno estranhíssimo de planats com diferentes genomas em diferentes tecidos). A segunda parte da questão queira saber se você entende que, embora o material genético seja o mesmo, nem todos os genes são expressos em todas as células. Diferenças na expressão gênica, refletidas na população de RNAm nas células, são a razão de termos células diferentes. Pergunta decente para uma segunda fase da FUVEST.

Questão 9 - Confesso que nunca ouvi falar de rickétsias. Nunca. Agora sei, via Wikipedia, que essas bactérias causam o tifo em homanos e são transmitidas pelas picadas de ácaros. Também aprendi que estas bactérias são os organismos mais parecidos com as nossas mitocôndrias, que podem se multiplicar dentro das células e possuem seu genoma próprio (circular, como o das bactérias). Gostei da questão pois aprendi algo!

Questão 10- Afe, ciclo celular! Uma questão chata mas que toca em um ponto central da Biologia, e que muitos alunos erram: como se comportam os cromossomos na mitose e na meiose. Em um indivíduo heterozigoto (Mm), na fase g1, as células possuem uma cópia de cada alelo, na fase de síntese esse número é duplicado e, no final da meiose, há duas células com uma cópia de cada alelo. Mitose clássica. Na segunda parte da pergunta a pergunta é basicamente a mesma mas para a meiose. Atenção! Os alelos se segregam primeiro, ou seja, na primeira divisão, vc tem duas células diferentes: uma MM e uma mm. Depois vc tem a separação das cópias dos alelos, resultando em quatro células haplóides: duas M e duas m.

Considerações finais: três questões excelentes no começo, três boas mas sem graça, uma de decoreba, uma com pegadinha e duas com enunciado mais ou menos. Acho que é uma melhora! Nota 7 para a prova. O que vc achou?

O vídeo abaixo foi tirado sem dó nem piedade de um excelente post do Kentaro Mori lá no Sendentário & Hiperativo. Além de escrever em diversos lugares, o Kentaro publica aqui no Lablogatórios o 100nexos, uma das grandes adições ao nosso coletivo Borg.

Eu TINHA que colocar o vídeo no meu blog, simplesmente porque ele TEM que estar em todos os blogs do mundo!


túrána hott kurdís by hasta la otra méxico! from Till Credner on Vimeo.

Outro dia, em um momento de iluminação, percebi que não há muitos insetos marinhos por aí (ouso a dizer que não existem mas a Biologia adora exceções). Intrigado, fui tentar descobrir o porquê. Já aviso que este é mais um daqueles posts cheios de especulações e achismos que deve estar cheio de maluquices e meias-verdades tiradas dos macaquinhos do meu sótão.

Vamos aos fatos: os insetos são o grupo de animais mais bem sucedidos no ambiente terrestre. A combinação da metamorfose, vôo, metabolismo baixo e polinização explicam parte da enorme diversidade de insetos que encontramos fora do mar. Em ambientes marinhos, no entanto, os artrópodes dominantes são os crustáceos, grupo dos camarões, siris e lagostas. Apesar de existirem crustáceos terrestres (tatuzinhos de jardim) e aracnídeos marinhos e terrestres, não há insetos marinhos. Eu creio que esta é uma conseqüência da história evolutiva deste grupo.

Os primeiros insetos devem ter surgido uns 400 milhões de anos atrás, no período Devoniano. Este período foi caracterizado pela conquista do ambiente terrestre por vertebrados e artrópodes, seguindo o caminho trilhado pelas plantas no período Siluriano. Nesta época, os crustáceos já dominavam os mares e os insetos acabaram conquistando o ambiente terrestre por falta de competidores. Isto explica, no entanto, somente por que os insetos não eram marinhos no começo, no entanto depois eles poderiam ter voltado ao mar e reconquistado os seus nichos, assim como baleias, focas, etc.

Um dos motivos dos insetos nunca terem voltado ao mar deve ser alguma limitação fisiológica. Uma delas é o seu sistema respiratório, baseado em canais espalhados pelo corpo do animais pelo qual o ar entra. Este sistema não permitem insetos viverem em profundidades muito altas, uma vez que eles necessitam do oxigênio do ar. Porém existem insetos de água doce que possuem estratégias próprias de sobrevivência que poderiam ser aplicados no ambiente marinho.

Uma outra razão para os insetos nunca terem invadido os mares são que dois de seus triunfos: o vôo e a polinização, não funcionam no mar. O vôo, por motivos óbvios. A polinização por que não há plantas com flores no mar (por que não há plantas com flores no mar? próximo post, talvez?). A ausência de flores no mar, cuja associação com os insetos explica o sucesso evolutivo de ambos grupos, explicaria a ausência de insetos marinhos.

Uma última razão para a inexistência de insetos é a ação de predadores. Grupos que evoluíram concomitantemente com os predadores, como os crustáceos e aracnídeos, teriam estratégias para evitar a predação enquanto insetos, recém chegados ao ambiente seriam comidos rapidamente.

No fim, a pergunta no início do post é mais uma que vou ficar devendo uma respsota. Independente da razão para o grupo com maior número de espécies entre os animais estar excluído no maior ambiente do planeta, é algo a se pensar. A evolução das espécies neste planeta tem muito mais histórias para serem descobertas.

Fim de ano é época de rankings e eu não poderia deixar de fazer o meu. Escolhi fazer os 5 grandes momentos da história evolutiva dos organismos fotossintetizantes (que vou chamar tudo de planta). Este ranking foi realmente difícil de se fazer. resumir 3.5 bilhões de anos de história evolutiva em apenas 5 eventos obviamente levará a algumas injustiças como a ausência das macadâmias ou aspargos do ranking (em um Top 10, talvez). Enfim, o critério de escolha utilizado é o meu nariz, portanto podem meter o de vocês à vontade nos comentários. Vamos ao ranking, mais ou menos em ordem cronológica:

1. Surgimento da fotossíntese

Evento obrigatório em qualquer lista que se preze, o surgimento da fotossíntese mudou a cara do mundo. Para trás ficaram os tempos onde energia era um luxo: ao conseguir converter a energia solar em ligações químicas, as células fotossintetizantes abriram um mundo de possibilidades bioquímicas interessantes. É claro que isso encheu a atmosfera de gás oxigênio, elemento mega-reativo que causou a extinção de quase todos os seres vivos do planeta mas ninguém mais se lembra que disso e, convenhamos, ninguém pretende voltar ao que era antes. Ah, é por causa da foossíntese que uma coisa chamada respiração aeróbica existe.


2. A conquista do ambiente terrestre

by revjim5000 (FLICKR)

by revjim5000

A vida começou na água e por lá ficou por milhões de anos. Foi quando um grupo de plantas pioneiras foram jogadas para fora de um rio ou um lago e por lá ficaram (os detalhes são meio confusos mas sabemos que deve ter sido de um corpo de água doce). No início as plantas se restringiam aos arredores dos corpos d’agua, úmidos o suficiente para sua sobrevivência, mas depois uma onda verde varreu os continentes do planeta. Conquistar o ambiente terrestre não foi um único evento: foi uma série de pequenas e grandes mudanças que permitiram a migração da comodidade das águas para o inóspito ambiente terrestre. Em terra é necessário evitar a perda de água, sustentar-se no ar, prender-se à terra, absorver água e nutrientes da terra e ainda trocar gases com o ar. A conquista do ambiente terrestre pelas plantas e por outros organismos é um verdadeiro épico que exige um post mais detalhado.

3. Sementes protegem o embrião

by pinksherbet (FLICKR)

by pinksherbet (FLICKR)

Por muito tempo após as primeiras plantas se fixarem em um ambiente terrestre ainda havia uma limitação: a necessidade de umidade para a reprodução e manutenção do embrião. Ambientes mais secos só puderam ser realmente conquistados após o surgimento da semente: um invólucro que protege o embrião mais um tanto de material nutritivo do mundo lá fora. As sementes garantem que o embrião só germine após certas condições ambientais serem atingidas. Alguns só germinam após passarem pelo sistema digestivo de um animal, outros somente se forem chamuscadas. As sementes menos sofisticadas deixam o embrião germinar após receber água e luz, mesmo após ficar centenas de anos debaixo do solo.

4. As árvores buscam os céus

by srboisvert (FLICKR)

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Plantas coletam luz para viver, algumas plantas até conseguem viver sombreadas (outras só conseguem viver sombreadas) mas é fato: em uma população, a planta que conseguir coletar mais sol terá descendentes com maiores condições de sobrevivência e em maior quantidade. Logo, não é muito surpreendente saberq ue plantas competem selvagemente pela luz. Uma maneira de se conseguir mais luz que as demais plantas é ter mais altura. Só que não adianta crescer indefinidamente: o máximo que vai acontecer é você se esparramar pelo chão feito batatinha quando nasce. Para se crescer em altura, muitos desafios estruturais devem ser resolvido como o transporte de substâncias, a construção de uma base firme, a síntese de materiais mais resistentes, o espessamento do tronco, etc.

O fato é que o surgimento de florestas aumentou e muito a complexidade dos ecossistemas, gerando novos ambientes a serem colonizados como a copa das árvores, os troncos, a região sombreada, etc. Além disso, as florestas fixaram muito do carbono atmosférico em seus troncos, aumentando ainda mais o teor de gás oxigênio na atmosfera, e permitindo o surgimento de organismos com metabolismo ainda mais exigente.


5. Flores tornam o sexo mais fácil

by markhillary (FLICKR)

by markhillary (FLICKR)

Por último, escolhi a associação que começou com um acordo entre os feios besouros com os desajeitados estróbilos de uma cica foi tomando formas cada vez mais dignas de Clóvis Bornay (esse sim, entraria no Top 5 da evolução humana). O acordo é simples: te dou comida e, em troca, te sujo com meus gametas masculinos (e você me suja com os gametas masculinos de outra flor). Sim, se fôssemos antropomorfizar as flores, elas seriam um tiozinho pervertido. O negócio é que o acordo deu certo e as plantas com flores os insetos polinizadores conquistaram o mundo (já se perguntou por que não há insetos e flores no mar? tópico para mais um post…). O uso de insetos para espalhar o pólen é como anunciar em blog de nicho: é uma garantia de que o seu produto vai atingir alvo (hahahahahaha).

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Notas:

- devo ter utilizado termos antropomórficos ou errados em termos evolutivos uma dúzia de vezes, sintam-se à vonatde para apontar e tirar sarro.

- mal posso esperar pelo #mimimi, aquela salsinha blogueira do Japão com certeza vai odiar o ranking!

- Adeus 2008! Que entre 2009!

A pergunta foi feita para os blogueiros do Lablogatórios por uma revista especializada e lanço agora o meme: o que nós desejamos blogar e o que tememos ter que blogar em 2009?

As minhas respostas foram:

Desejo blogar sobre as estranhas maravilhas que a diversidade da vida possui.”

Temo blogar sobre atos violentos contra cientistas e laboratórios no Brasil e no mundo.”

E você, o que vc deseja/teme blogar em 2009?

Este blog, junto com mais 5 colegas de site e a página principal do Lablogatórios, foi indicado para o prêmio Best Blog Brazil 2008 na categoria Ciências. Serão dados dois prêmios, um dado pelo júri e outro dado por votos.

Para votar, é preciso se cadastrar primeiro mas vale a pena :). Por favor, votem em algum blog nesta categoria Ciências. Mais importante que algum de nós ganhar, é ter votos o suficiente para justificar a presença da categoria no prêmio.

É claro que não reclamarei se votarem neste blog.

Meus votos para as demais categorias foram:

Podcast - Decodificando (Nerdcast já ganhou prêmios demais… )

Educação - Rastro de Carbono (Educação Ambiental é importante!)

Política - O biscoito fino e a massa
(ótimas análises políticas)

Quadrinhos - Bichinhos de Jardim (Brontossauros são bichinhos de jardim)

Tecnologia - Digital Drops (Conteúdo original é improtante!)

Turismo - Vida de Viajante (O casal mais simpático da blogosfera)

Universo Feminino - A vida como a vida quer (ótimo exemplo de blog feminino que não é só diarinho)

Ao ler o blog de um entomólogo amador no qual ele descreve algumas mariposas que invadiram sua residência, lembrei-me de uma história fenomenal que um professor meu contava: em uma de suas saídas de campo, ele decidiu desviar de sua rota para ver como um aluno seu, que estudava mariposas, estava indo em suas coletas.

Coletar mariposas no campo é muito fácil: é só estender lençóis brancos no topo de um morro de noite e acender uma forte luz branca. As mariposas da região inteira vão acabar pousando no lençol, de onde podem ser facilmente coletadas.

Ao chegar na cidadezinha onde seu estudante estava fazendo seu trabalho, o meu professor foi pegar um quarto em uma pousadinha. Para a sua surpresa, a pousada estava lotada. Ele foi em outra e em outra e todas estavam lotadas! Quando ele conseguiu um quartinho, perguntou a razão da cidade estar lotada.

“É por causa das procissões! A cidade está cheia de fiéis.” respondeu o dono da pousada.

“Procissões? Não sabia que tinha esta cidade era conhecida por isso” disse o professor.

“Nada… isso é coisa recente! É que faz seis noites seguidas que aparece a Nossa Senhora lá em cima do morro…”

(E é por isso que existe a Primeira Diretriz.)

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