“Me contaram” que no último episódio de Big Bang Theory, Sheldon e Raj tentam resolver uma contenda com um jogo de pedra-papel-tesoura (Jokempô). Só que Sheldon argumenta que, se os jogadores se conhecem bem, o jogo tem uma chance de 75 a 80% de terminar empatado (estatística inventada, aposto). Logo, eles deveriam jogar pedra-papel-tesoura-lagarto-Spock!
O jogo é perfeito pois cada um dos cinco elementos derrota dois elementos e é derrotado por dois pois:
Tesoura corta o papel que cobre a pedra que esmaga o lagarto que envenena Spock que destrói a tesoura que decapta decapita o lagarto que come o papel que refuta Spock
que vaporiza a pedra que amassa a tesoura.
O número de opções reduz drasticamente as chances de haver um empate, o que torna este jogo mais eficiente para se resolver uma contenda (a não ser que os envolvidos sejam nerds, o que serão sempre). Só para constar, os roteiristas do episódio retiraram a idéia do Sam Kass’s Blogs, até onde eu pude checar.
Vida longa e próspera!
Uma das coisas que eu mais gostava de fazer enquanto trabalhava na Ilha do Cardoso (SP) ficar observando carangueijos chama-maré andando pelas areias lamacentas do mangue. Estes carangueijos têm este nome porque possuem uma pinça gigantesca, que chamamos de quelas. Um comportamento comum destes carangueijos é ficar levantando e abaixando sua pinça, como se chamassem alguém (a maré, por exemplo).
Os chama-maré têm este comportamento como uma forma de defender o seu território. As fêmeas escolhem os seus parceiros pela sua toca. Por isso, as melhores tocas são as mais disputadas pelos machos. As disputas envolvem uma espécie de queda de braços usando suas pinças. No entanto, na maior parte das vezes tudo se resolve sem luta: os carangueijos evitam as lutas exibindo a sua pinça, tentando convencer o outro a nem tentar lutar. Assim como os humanos, quem se exibe melhor às vezes nem precisa mostrar que é melhor.
Uma conseqüência engraçada desse comportamento é que os carangueijos possuem pinças gigantescas, às vezes maior do que seu próprio corpo, pois esta é uma maneira de se ganhar as lutas sem ter que lutar. Lutas exigem energia e podem ferir, diminuindo as chances de um carangueijo se reproduzir. Por isso é melhor desistir de lutar com um carangueijo que parece ser muito melhor que você pois as conseqüência podem ser desfavoráveis demais.
Só que fazer pinças grandes também exige energia. Se já é difícil fazer uma pinça gigante, imagina ter que refazê-la se o carangueijo for atacado por um predador ou se machucar em uma luta? Daí vem a segunda conseqüência engraçada da exibição de pinças: quando um carangueijo perde sua pinça original, ele a regenera do mesmo tamanho mas sem a mesma força e habilidade. Ou seja: ele apenas finge ser um oponente difícil! O melhor é que o blefe vale a pena: estes carangueijos continuam as ganhar lutas que se restringem à exibição mas perdem sempre que têm que lutar!
Assim como os humanos, quem se exibe melhor nem sempre é o melhor.
Fotos: Wikipedia
Fonte: Science Daily, The Loom, Functional Ecology
UPDATE: acabei de encontrar dois vídeos interessantes. Um mostra uma luta brutal entre dois carangueijos e o outro o comportamento de exibição.
A Revista Época desta semana tem uma matéria sobre “80 blogs que você não pode perder”, que contou com a ajuda de 25 blogueiros brasileiros para ser feita. A lista contém 50 blogs brazucas e 30 estrangeiros.
E não é que, junto a blogs que respeito muito, como o Contraditorium e Bichinhos de Jardim, está lá - quase que por acidente - o Brontossauros em meu Jardim? \o/
Eu fiquei extremamente feliz com a indicação (obrigado mesmo). Mesmo assim fico me sentindo deslocado na lista, ainda mais com ausência de blogs excelentes, como o Digital Drops. É um ótimo incentivo para continuar a escrever por mais algum tempo (talvez um pouco de Ciência, para variar)!
UPDATE: aparentemente a imagem da capa que usei foi tirada do Brogui
a ovelhinha dele está até circulada! Eu me defendo dizendo que era 3 da manhã e não respondia pelas minhas ações!
Notícia velha: Jimmy Wales, o criador (ou um dos criadores) da Wikipedia esteve no Brasil. Na segunda-feira passada, ele fez uma série de entrevistas, começando no Programa Roda Viva e terminando em um evento no Centro Cultural, aqui em São Paulo, o qual tive a oportunidade de presenciar.
O debate em si não foi um evento legal. Além de Jimmy Wales, havia sete outros debatedores. Os debatedores dominaram a discussão, falando de seus projetos pessoais, e simplesmente se esuqeceram da existência da estrela do debate! Sim, supostamente estávamos lá para discutir “WikiBrasil: Mutirão de Conhecimentos Livres” mas praticamente todos estavam interessados em ouvir o Jimbo.
O absurdo era tanto, que a platéia começou a se irritar: Jimmy Wales falava um ou dois minutos a cada rodada de meia hora. Em um certo momento, em uma discussão que fugia imensamente do assunto (além de ser pré-histórica: mídia x blogs), parte da platéia começamos a vaiar e gritar o nome do Jimmy Wales. Este ato de rebeldia não fez efeito algum, apenas causou a raiva de certo debatedor, por isso passamos para uma estratégia mais sutil de desobediência civil: o Twitter.
Outro problema da palestra: não havia rede wireless! Não podíamos comentá-la via internet, como bom evento sobre a rede. Sorte a nossa que o @fugita tinha seu smartphone, utilizando-o como um samurai moderno. Daí começamos a mandar mensagens de revolta pelo Twitter, mensagens que eram retransmitidas para um telão que ficava à frente do Jimmy.
Começamos com mensagens exigindo que se desse mais oportunidade para o Jimmy falar. Depois, criticando os debatedores. Tudo parecia um exercício fútil, até que fizemos uma brincadeira e convidamos o (já entediado) Jimmy Wales para uma cerveja depois do debate. Para a nossa surpresa, Jimmy Wales, o criador da Wikipedia, pegou o seu celular e… respondeu!!!!
Isso com certeza nos fez acalmar, de certa forma havíamos obtido algo melhor do que queríamos: poderíamos ouvir o convidado especial da noite a uma distância bem curta! O mais engraçado é que tudo isso aconteceu enquanto os inúmeros e falantes debatedores matavam lentamente um evento que poderia acontecer sem o Jimmy Wales. Vaias não resolveram: o Twitter sim, e de lá fomos para o bar!
Durante a conversa no bar pudemos fazer inúmeras perguntas, e até debater, com Jimmy Wales. Descobri que ele é vegan e que estava faminto (organizadores nunca pensam nisso)! Acabou bebendo uma Original, arrasou uma porção de batatas-fritas e uma salada mista!
Fotos: @fugita
Nunca ouvi falar de Keith Olbermann. Após este vídeo, tornei-me fã dele. Nunca vi um âncora se expressar tão enfaticamente e de forma tão coerente sobre seu comentário sobre a resolução 8, aprovada na Califórnia e que proíbe o casamento entre homossexuais.
UPDATE: Ulisses sugeriu um blog que tem a tradução. Obrigado, Kim, pela tradução parcial nos comentários!
O Lablogatórios tem muitos blogs de Ciências Exatas e Ciências Biológicas. Cadê as Ciências Humanas? Eu confesso minha ignorância na hora de identificar um bom blog de Humanas. Peço sugestões de blogs das Humanidades que combinariam com o nosso site.
Umas semanas atrás, publiquei uma notícia sobre uma coleção de pegadas de dinossauros encontradas nos Estados Unidos. O que impressionava da coleção era a quantidade de pegadas reunidas em um só local, o que levou os cientistas chamarem o local de “discoteca de dinossauros”, para o meu horror e o deleite da mídia internacional.
Obviamente, tal notícia chamou a atenção da comunidade de paleontólogos/geólogos, que foi investigar o tal local. De modo mais do que previsível, alguns dos especialistas discordam da conclusão dos geólogos e concluíram que os buracos devem ser mesmo buracos causados pela chuva. A controvérsia em torno do sítio foi tanta, que os cientistas que primeiro divulgaram as pegadas resolveram publicar outro press-release alertando sobre a possibilidade das “pegadas” não serem pegadas.
Este caso é emblemático de duas características da comunidade científica que geralmente passam despercebidas pelos civis:
1) Nenhuma conclusão científica é uma verdade absoluta e cientistas erram. Todas conclusões científicas são interpretações de resultados/observações. Se um grupo de cientistas interpretam um fato de uma forma, um outro grupo de cientistas podem interpretar de outra forma. Mais experimentos/observações podem ser feitas para saber quem está mais errado (provavelmente ambos grupos estão). O bom disso é que a Ciência possui mecanismos de auto-correção, e que são usados freqüentemente.
2) Cientistas são chatos, vaidosos e invejosos. Eles não podem ver um colega ou uma teoria se tornar popular sem tentar destruí-los (no bom sentido, é claro). Isso é importante ao se discutir com que acha que existem garndes conspirações científicas por aí: se um cientista vir uma oportunidade de destruir uma verdade científica, ele o fará imediatamente e com prazer. Seja por ser chato, por desejar fama ou por odiar os detendores da teoria vigente (às vezes é por ser um bom cientista e estar fazendo o seu trabalho). Ou seja: se uma teoria é amplamente aceita é porque, provavelmente, não há evidências suficientes para destruí-la (como a seleção natural, por exemplo).
Lembrem-se disso sempre que alguém vier falando das conspirações para a manutenção do status quo, da evolução, das mudança climáticass e tal.











