“Vamos fazer o que fazemos todas as noites: tentar salvar o mundo!”
Ontem o @markun chegou no Twitter como sempre chega: trazendo deliciosas polêmicas. A pergunta dele era, mais ou menos: “é bonito ver toda a comoção e mobilização em relação às chuvas em Santa Catarina, mas é só isso que podemos fazer? Estamos em um mundo colaborativo, com novas tecnologias! Quando vamos usar estas tecnologias para agir no mundo offline?”
Quando vamos usar as tecnologias desenvolvidas na Web 2.0 para mudar o mundo?
E não digo somente chamar um palestrante para tomar um chopp mas sim ações efetivas que tornem o mundo ao nosso redor um pouco mais civilizado, um pouco mais justo e sutentável, talvez. A Web 2.0 é o local perfeito para mobilizar estranhos em torno de uma causa, identificar problemas reais e coordenar ações para resolvê-los.
Uma iniciativa acabou de ser lançada com este propósito: a Aldeia Sustentável. O objetivo da rede, feita na plataforma Ning, é divulgar online ações sustentáveis feitas offline durante os dias 1 a 7 de dezembro. Os idealizadores do projeto são próximos da nossa família Lablog: Paula do Rastro de Carbono, Clau Chow do Ecodesenvolvimento e Ricardo Zylbergeld, nosso programador.
O sistema Ning permite o compartilhamento de textos, imagens e vídeos entre os participantes da rede. Por isso, durante a próxima semana, espero ver muitas ações individuais postadas por lá. As ações podem ser simples: ir para o trabalho de transporte coletivo, plantar árvores, levar sacos plásticos para o mercado, reclamar com aquela loja que lava a calçada com a mangueira…
Entrem lá e participem! Quem sabe este é o início de uma rede social mais extensa?
Este texto foi traduzido/reescrito a partir de um texto no dia 23/09/2008 chamado “Genoma pessoal: o mapa astral do futuro” para ser submetido ao OpenLabs 2008.
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Companies that promise to analyse your genome are getting more and more popular. Today, you may hire one for only U$399. The company will send you a kit for you to collect your own DNA and send it for analysis.
The promise is to give you your own personal genome. However, instead of sequencing all your DNA, what those companies actually do is look for thousands of molecular markers in you DNA and throw back a bunch of random information (to which race your sequences are associated, the chances of developing certain diseases, how similar you are to your relatives and other people on their database, etc.).
These molecular markers are natural variations on certain DNA sequences of a given population. For example: the hypothetical gene XTX may have the sequence AATTCCGG or ATTTCCGG in it. The change in the second A to a T may not change anything in your physiology but it might give a clue about your genetic background. Having the first sequence may indicate an association to an Asian heritage or it may be associated to a high prevalence of breast cancer.
What should be noted is that the presence of a certain molecular marker in your genome does not determine your fate. For example, a molecular marker that is associated with breast cancer only suggests that you have an increased chance to develop this disease. If you were a 1000 individuals, we could say most of them will have breast cancer. But you are only one and these statistics apply poorly to individuals. You could end up dying of cancer but you a meteor could also fall in your head tomorrow.
Of course there are markers that are strongly correlated to important and fatal diseases. However, these markers are probably patented and the personal genomic company wouldn’t have screened for those in order to reduce the cost of the analysis. One cheap alternative to personal genome is what doctors do nowadays: look to your relatives and their medical records. If all your first-degree relatives wear glasses, guess what are your chances to use as well? If a lot of ancestors have died of due to diabetes complications, guess who has to pay attention to their own blood sugar? When doctors ask all those questions when you first meet them they are cheaply analysing your genetic background and looking for markers.
Thus, paying for your personal genome today has no practical finality other than personal curiosity (How similar am i to my brother? Do I have more African or Asian genes?). For me, it is like a modern astrological chart. Indeed, I predict that, in the next few months, a Hollywood star will say in national TV that he stopped eating sugar because his personal genome told him that he WILL have diabetes. Another one will end her career earlier to prepare herself for her Alzheimer years. In a few years we may read in the cover of some magazines things like: “Test whether your MHC is compatible with your fiancee’s” or even “If you carry the BZDDE marker, take care of your stomach this month. Beware: someone will cheat on you.”
Welcome to the Age of the Genome Horoscope.
Depois que escrevi o texto sobre a Gromia, um ser de uma só célula que tem cerca de 3 cm, comecei a pensar comigo mesmo sobre células grandes. Quais seriam as maiores células entre os seres vivos?
Vamos começar pelo mais próximo: nós. Uma célula realmente grande é o óvulo feminino (120 um)., como ela é esférica, seu volume é gigantesco (na escala das células humanas). Uma célula que pode ser maior que um óvulo é o adipócito, responsável por armazenar gordura. Um adipócito é basicamente um saco de gordura mas seria ele maior que um óvulo? O wikipedia diz que podem chegar até 200 um de diâmetro… mas quando falamos de “maiores células”, falamos necessariamente de volume celular? Por que, se for em comprimento temos outros concorrentes: os neurônios!
Os neurônios possuem três partes básicas: os dendritos, que recebem informação; o corpo celular, que é basicamente a célula, e o axônio, que leva informações para as células-alvo. Existem neurônios que começam na base de nossa cabeça e mandam axônios pela medula espinhal. Se os axônios descerem até a região sacral ou até os intestinos, isso dá várias centímetros de extensão! Outros neurônios saem da medula e vão até as pontas dos dedos, o que pode ser ainda mais longo.
Mas por que nos delimitarmos aos humanos? A gema do ovo de galinha não fertilizado é uma célula só, batendo fácil o óvulo humano. Nesta lógica, a gema do avestruz tem o potencial de ser a maior célula, existente em volume. No quesito comprimento, imagine um neurônio que vai da cabeça da girafa até o fim de sua medula? Melhor! Um neurônio de baleia azul (uns 30 metros)? Isso que nem vou contar aqueles animais extintos que têm um pescoção…
Tá, por enquanto a coisa está fácil. Que tal olharmos as céulas vegetais? Dizem que as garrafinhas cheias de suco de uma laranja correspondem a uma só célula (não consegui confirmar). UPDATE: de acordo com uma amiga minha, as garrafinhas são feitas de múltiplas células! Se cortarmos um tomate, dá para ver um monte de pontinhos: cada um é uma céula de mais ou menos 1 mm. Há céulas ainda maiores, uma vez que elas podem absorver uma quantidade imensa de água antes de se inviabilizarem. Mas tem mais um detalhe que detona todo o nosso exercício: a maioria das células vegetais são interligadas por poros (plasmodesmos, se vc quer saber). As células vegetais chegam a trocar muitas substâncias através destes poros, não há nem interrupção de membrana plasmática… seria muita viagem considerar que todas as células interligadas de uma planta são uma só?
Daí chegamos aos fungos! Muitos fungos formam colônias que dividem citoplasma livremente, apesar de possuírem núcleos independentes. Seriam a mesma célula? O maior organismo do mundo é considerado um fungo que vive nas raízes das árvores de uma floresta no Oregon (EUA) que chega a 9 quilômetros quadrados. No entanto, não é realmente possível afirmar que seja o mesmo organismo muito menos uma única célula. Parece que ta,bém existem algas que partilham destas características…
No fim acabei levantando uma pergunta que não tem resposta. Vou desconsiderar células com mais de um núcleo da minha análise e vou ficar com o neurônio da baleia azul como vencedor (só porque é mais legal que gema do avestruz). O que vcs me dizem?
PS: Sabia que a Gromia de 3 cm é maior que o menor animal (cheers, Atila) vertebrado que existe? Um sapo que, adulto, chega a 2 cm?
Ficção:
Quadrinho 1: “Sim, pósdocs são as pessoas invisíveis do Campus…”
Quadrinho 2: “… se status oficial, nós vagamos por aí como fantasmas…”
Quadrinho 3: “… presos nesta realidade até sermos chamados para o próximo mundo!”
Quadrinho 4: “Eu achava que a pós-graduação fosse o Limbo.”
“Existe um outro depois daquele.”
Realidade:
Pósdoc novato entra na secretaria: “Então, estou com uma dúvida: o que eu sou neste Instituto? Não sou aluno… então sou funcionário?”
Secretária, séria: “Você não tem vínculo empregatício com o Instituto.”
Pósdoc: “Posso falar que sou Pesquisador Associado ao Instituto?”
Secretária: “Não existe tal categoria.”
Pósdoc: “Como a minha categoria é definida pelo Instituto, então?”
Secretária: “…”
Pósdoc: “…”
Secretária: “…”
Existe um site de indexação de blogs chamado BlogBlogs. Este site possui um ranking de blogs brasileiros. O ranking do BlogBlogs sempre foi utilizado como um indicador de relevância de um blog. Para calcular a posição de um blog no ranking, o BlogBlogs apenas computava quantos links de quantos blogs diferentes cada blog possuía. Quanto mais blogs linkavam um outro, mais relevante este blog era considerado.
Antes de continuar vou explicar um pouco o conceito de indicadores. Um indicador é algo que você pode medir facilmente (número de links que um blog recebe) para se estimar algo difícil de ser medido (relevância). Notem a diferença: o número de links que um blog recebe não significa, necessariamente, que um blog é relevante mas funciona como um bom indicador.
Indicadores têm um problema: todos podem ser manipulados e esta manipulação pode acabar inviabilizando o indicador. Um exemplo: podemos usar como indicador de violência de uma região, o número de boletins de ocorrência registrados na delegacia mais próxima. Só que, se uma delegacia se recusar a fazer BOs, ela vai aparentar ser menos violenta do que ela realmente é.
E isso aconteceu com o ranking Blogblogs, que usa o frágil sistema de links como indicador: uma campanha entitulada “Mamãe, quero subir no ranking do BlogBlogs” chamou blogs para se linkarem indiscriminadamente. Os muitos blogs que participaram da campanha subiram rapidamente no ranking do BlogBlogs. Um deles chegou a tomar um indiscutível primeiro lugar. O problema é que estes links não são acompanhados de relevância, ou seja, o ranking do BlogBlogs deixa de ser um indicador de relevância e passa a ser somente uma medida do número de links que um blog recebe (ou seja, não serve para nada).
Muitos deverão notar, neste momento, que o ranking do BlogBlogs nunca serviu para nada e essa campanha só serviu para mostrar isso. Eu discordo! Ninguém nunca considerou este ranking como absoluto, as regras usadas sempre foram transparentes e suas fragilidades também! Contudo, ele poderia servir, por exemplo, para convencer anunciantes a colcoar propagandas em seu blog. Ele era uma métrica, mesmo que falha, que podia ser usada com os leigos. A blogosfera carece de boas métricas.
Qual a razão de uma métrica dessas? Por exemplo, eu gostaria de usar o BlogBlogs para mostrar o aumento de relevância dos blogs do Lablogatórios. Era significativo para mim colocar blogs de ciência entre os primeiros blogs do ranking. Não só por ego mas também para mostrar que divulgação científica na rede também pode ter alguma relevância em um mundo de piadas prontas e conteúdo copiado. Agora, a métrica do BlogBlogs não serve para isso.
A solução para este problema é inexistente. Métricas como a do BlogBlogs necessitam da honestidade da comunidade medida. Fórmulas mais elaboradas só darão mais trabalho para serem burladas, mas serão. É fácil evitar isso mantendo-se as fórmulas secretas mas isso sacrificaria a transparência do processo, tornando o ranking Blogblogs só mais um.
Por fim, a questão da métrica e dos indicadores é antiga. Tenho discussões muito semelhantes em relação à qualidade da produção científica de um cientista ou na validade do Vestibular como método de seleção de alunos. Na verdade, se este texto tiver repercussão o suficiente, volto a discutir estes dois casos.
Nesta semana correu por aí uma notícia interessante. Um cientista da Universidade do Texas descobriu alguns exemplares do protozoário Gromia sphaerica lá no fundo do mar das Bahamas. A Gromia, como bom protozoário, é um organismo que possui apenas uma célula. No entanto, estas células são enormes: chegam a 3 cm de diâmetro!
O interessante é que, no quieto fundo oceânico do local onde estas células foram achadas, as Gromia deixavam rastros de até 50 cm de comprimento na areia!
Tá, eu sei, você deve estar pensando: “Putz, da hora, um protozoário minúsculamente gigante brincando de Padre Anchieta nas Bahamas, será que tem notícia nova no Meio Bit?”. Calma Gafanhoto, tem a melhor parte: existe uma infinidade de registros fósseis que não passam de trilhas compridas. Paleontólogos sempre consideraram isto um indício de seres vivos grandes, com muitas células. Ninguém seria maluco o suficiente de intrepretar estes rastros de outra forma. Afinal, seres unicelulares não deixam rastros no fundo do oceano, não é? o__O
No vídeo abaixo, tem uma amostra dos tribbles:
Fonte: NBC e University of Texas.
O que mais parece o nome de um filme B é uma realidade. Um tempo atrás falei sobre uma lesma que comia algas e retia os cloroplastos em suas células para que eles fotossintetizassem para ela.
Uma coisa que me incomodava nesta história é que cloroplastos dependem de proteínas feitas pelas células vegetais para sobreviver. No entanto, os cloroplastos sobrevivem até 9 meses dentro das células das lesmas. Como isto acontecia? Seriam os cloroplastos desta alga mais independentes de suas “células hospedeiras”?
Um estudo publicado nesta semana na PNAS, mostra uma possível resposta: as lesmas incorporaram DNA de algas em seu genoma!!!! São, portanto, lesmas transgênicas (como todos nós)! Um dos pedaços de DNA, proveniente das algas das quais as lesmas se alimentam, codifica uma proteína que é feita pela célula lesmal e é exportado para os cloroplastos.
O mais impressionante é que a transferência horizontal de genes, que é o nome chique para a incorporação de DNA de outras espécies, sempre foi considerada um evento raro. Será que este processo é mais comum do que imaginamos? Outra coisa: se o DNA foi incorporado pela lesma, porque os cloroplastos ainda não foram totalmente incorporados à lesma? Será que é só uma questão de tempo (geológico)?






