Chegamos ao ducentésimo post, neste blog que - logo, logo - completará um ano. Para comemorar, um link para o artigo que saiu no Diário do Nordeste sobre o Lablogatórios.

Além de ornitorrincos e brontossauros, um outro animal que sempre me fascinou quando criança eram as girafas.
Eu morava perto do zoológico de São Paulo quando criança e minha mãe sempre me levava lá para tomar sol (coisa de cidade grande). Eu adorava as girafas, que sempre vinham acompanhadas de Amendocrem. Acho que eram as mascotes da manteiga de amendoim, então sempre tinha amostras grátis no recinto das girafas.
Pois bem, o blog Tetrapod Zoology, do ScienceBlogs, começou a catalogar mortes bizarras de girafas. É incrível como estes animais conseguem se meter em enrascadas (trocadilho explicado a seguir):

Girafa morta por pescoçadas

Girafa morta por pescoçadas

5- Morte por pescoçadas - girafas machos costumam brigar por parceiras com brigas de pescoçadas. Não é incomum o resultado desta bizarra briga terminar em morte.

Girafas atacadas por leões

Girafas atacadas por leões

4- Morte por ataque de leões - as girafas são animais difíceis de se predar. Imagine um coice de cavalo multiplicado pelo tamanho das pernas das girafas. Além disso elas conseguem correr em uma velocidade considerável, além das pescoçadas. No entanto, no vídeo abaixo, temos exemplos de como os leões fazem para caçar girafas, a sua insistência, e como elas conseguem se defender.

3- Morte por raios - acreditem se quiser, mas girafas são comumente atingidas por raios em tempestades. Não tenho imagens nem vídeos, mas faz todo o sentido.

2- Morte por avião - a foto é auto-explicativa!

Girafa atingida por avião

Girafa atingida por avião

1- Morte por enforcamento - imagine ter que andar por aí com um pescoço gigantesco! Há muitos relatos de girafas que enroscam os pescoços e acabam quebrando-os. A foto abaixo é de uma girafa que deve ter tropeçado ao tentar alcançar as folhas no alto de uma árvore. O corpo foi encontrado pendurado na forquilha da árvore.

Girafa entalada

Girafa entalada

Fonte: Tetrapod Zoology

Existe uma acusação de plágio no Instituto de Física da USP que aconteceu no ano passado. Descobriu-se que um artigo escrito por um par de professores continha parágrafos inteiros de outros artigos sem menção clara da fonte (alguns artigos foram citados mas não fica clara que o texto foi copiado deles).

Duas foram as desculpas dadas pelos pesquisadores: uma é a de que o artigo foi mandado sem o consentimento do autor e a outra é a de que houve um “erro de referenciamento” e que os trechos plagiados deveriam estar entre aspas. Só que o uso de parágrafos inteiros de outros textos em um artigo próprio na area de biológicas (e, acredito que também seja na área de exatas) é muito incomum para ser considerado apenas uma falha no referenciamento (falha esta que deve ter acontecido múltiplas vezes para se explicar o caso).

Uma nova cópia do artigo foi mandada, cheia de aspas e referências ao texto original. É uma evidência de que houve mesmo o uso impróprio de textos de outros autores.

Misturado a isto há todo um contexto de disputa política no Instituto. Há moções de censura, há acusações descabidas e há relatos de ameaças de dossiês contendo outros casos de plágio.

Adiciona-se uma certa lerdeza na apuração de um caso que pode ser gravíssimo, além da falta de uma divulgação adequada do resultado final e tem-se uma sensação de que a USP está preocupada em proteger a sua imagem, ao invés de tentar apurar a verdade e punir os culpados (de forma exemplar, de preferência). Só se esquece que a imagem que ela deveria ter não é a de “pureza”, como se não pudesse errar, mas sim a de “justa”, que corrige seus erros ao serem detectados.

Eu acredito que casos de plágio devam ser condenados de forma rigorosíssima. Plágio é uma forma de desosnestidade intelectual incompartível com a vida acadêmica.

Uma das conclusões da sindicância é a de que não houve má-fé e, por isso as punições seriam brandas. Não concordo com ela. O artigo foi publicado por pesquisadores sêniores, com cargos importantes na universidade, não foi um pesquisador em seu início de carreira ou um aluno. Mesmo se fosse, plágio ainda é desonesto mas a inexperiência abranda a culpa.

Um segundo ponto: o professor alega que não tinha consciência do artigo. Se assim o fosse, este não seria citado em seu currículo online. Ele foi citado? Se ele não aprovava o conteúdo do artigo e não tinha conhecimento de sua publicação, não seria sua obrigação pedir a retirada de seu nome? Novamente a expressão “desosnestidade intelectual” me vem à cabeça.

Uma das poucas coisas que os cientistas têm na academia que faz valer todo o esforço sem retorno é a credibilidade. Toda esta confusão, a apuração, a impunidade, a desonestidade só abala ainda mais a imagem da universidade, já considerada elitista e corporativista. Talvez esta imagem nem seja tão distante da realidade.

===================================

Abaixo tem um apanhado do que foi publicado sobre o tema. Note o excelente esforço da Folha, em particular o Marcelo Leite, para que todo o processo acontecesse às claras e rapidamente, que culminou em um artigo-desabafo do jornalista.

Read the rest of this entry »

Quanto tempo você sobreviveria acorrentado a um beliche com um Velocirraptor? (acho que eles superestimaram a resposta em uns 50 segundos….).

I could survive for 51 seconds chained to a bunk bed with a velociraptor

Página 5 de 5«12345