Ligaram o LHC, até que enfim. Os 9000 cientistas que estavam lá presentes estão analisando os dados para ver se o mundo acabou ou não.

6 bilhões de doletas. Se ele entregar só uma parte do que promete, já justifica a grana. Se ele entregar chaves para se unificar as teorias da Física, foi uma pechincha. No Glúon há uma comparação do preço do LHC com outras estruturas construídas pelo homem.

 
 

Existem algumas coisas que fazem a sua cabeça explodir. Lesmas que fazem fotossíntese é uma delas. Outra explosão memorável na minha vida foi quando eu descobri sobre os kefir.

O kefir é uma bebida fermentada de leite típica dos Cáucasos (tradução: um tipo de iogurte). Assim como iogurtes, é necessário incubar leite de cabra, vaca ou ovelha junto com os microorganismos que irão fermentá-los durante a noite e transformar o leite em kefir. O resultado é uma bebida azeda, levemente gaseificada e alcóolica com propriedades nutritivas.

Os microorganismos que fazem o kefir se organizam em grãos brancos e viscosos de mais ou menos 1 cm de diâmetro. Ao deixar os kefir (os grânulos têm o mesmo nome da bebida) incubando no leite, eles começam a se multiplicar: um vira dois, dois viram quatro, etc.

O incrível é saber que os grãos de kefir são compostos de microorganismos de inúmeras espécies de bactérias e fungos! Ou seja: os kefir não são colônias de um só organismo mas sim uma comunidade! Até onde eu vi, já foram descritos mais de 9 espécies de leveduras (os fungos) e mais de 6 espécies de lactobactérias. O incrível é que a composição de microorganismos se mantêm quase que inalterada de kefir para kefir. O que mantêm os microorganismos juntos é uma matriz de proteínas e polímeros de açúcar produzida pelos próprios.

Fungos:
Candida kefir, Candida holmii
Saccharomyces cerevisiae (essa é a levedura que usamos no pão, cerveja e outros), Saccharomyces delbrueckii, Saccharomyces unisporus,Saccharomyces lipolytica

Bactérias:
Lactobacillus brevis, Lb. viridescens, Lb. casei (essa é a do Yakult), Lb. kefir, Lb. kefiranofaciens, Lb. kefirgranum, Lb. parakefir
Leuconostoc spp.
Lactococcus lactis

Quando as condições de crescimento dos kefir fogem das ideais, os grânulos se desfazem e um forte cheiro começa a ser exalado: o delicado equilíbrio é desfeito e os microorganismos crescem de forma desordenada, “estragando” a bebida.
É interessante pensar que a composição do kefir é o fruto da seleção artificial de centenas de anos. Os nativos do Cáucaso multiplicavam os kefir que resultavam em um kefir mais gostoso (dar o mesmo nome para a bebida e para os grãos não é bom para o andamento do texto).

Coisas como estas me fazem pensar nos primórdios da vida multicelular: como indivíduos semelhantes começaram a se organizar em seres com mais de uma célula? Será que o segredo de tal transformação pode ser encontrada em um iogurte?

Fontes: Wikipedia, Journal of Dairy Research e o livro “As coisas são assim” (Companhia das letras).

Alguém sabe se existe algo parecido para comprar por aqui? Preguiça de fazer…

Estávamos conversando com os viajantes conscientes do Vida de Viajante sobre como as coisas mudaram rápido do final dos anos 80 para cá, principalmente no que se refere à manipulação de informações (mais especificamente nas áreas Biológicas).

Uns 20 anos atrás, era comum os Departamentos de Pesquisa terem um pesquisador especialista em análise de dados. Os outros laboratórios chegavam no pesquisador, que cuidava de toda análise de dados, tratamento estatístico, etc. este pesquisador tinha um caríssimo terminal de computadores, onde ele usava sua complicadíssima planilha do Lotus 1-2-3 para chegar à conclusões que os outros não conseguirriam sozinhos.

Com a popularização dos computadores, Windows, Excel, etc. os cientistas começaram a assumir cada vez maiso trabalho de analisar seus próprios dados. Os PCs permitiam a rápida análise de uma quantidade imensa de dados.

Hoje estamos nos direcionando para uma nova era: novamente a aquisição de dados supera a nossa capacidade de analisá-los. De novo, temos pesquisadores especialistas em analisar dados de outros (agora os chamamos de bioinformatas).  Aproveitem os últimos anos nos quais um cientista consegue obter e analisar todos os seus dados pois entraremos na era dos bioinformatas e programadores. 

Isto é, pelo menos até todo mundo aprender a progarmar antes mesmo de saber escrever… daí o pêndulo talvez mude novamente.

Uma aranha virtual para quem gosta e quer brincar com uma aranha virtual ou para quem não gosta e quer começar a perder o medo.

O nosso cético de plantão, Kentaro Mori, nos alertou recentemente para uma tentativa de se fundar aqui no Brasil um instituto com o intuito de estudar a Ufologia. Não tenho problemas com isso, cada um que gaste seu dinheiro como achar melhor (desde que não seja público). A coisa começa a pegar quando resolvem dar a esse instituto o nome de Instituto Carl Sagan, com foto e tudo.

Gevaerd, que divulgou a idéia na Revista Brasileira de Ufologia, diz:

De qq forma, esclareço a vc, e vc que esclareça a quem quiser, que o Instituto Carl Sagan é, sim, uma homenagem legítima que fazemos a um cientista brilhante, que, saiba vc ou não, realmente tinha excepcional conhecimento sobre UFOs, como é evidente. E é lógico que em suas obras ele fale o contrário, visto nelas ele jogar o jogo do ceticismo, parte de suas funções governamentais. 

Ou seja, eles fazem uma homenagem a um dos grandes cientistas divulagdores da Ciência porque ele evidentemente tinha conhecimentos formais sobre UFOs? E que nas suas obras, nas quais ele espinafra muita coisa vinda dos ufólogos, ele estaria fazendo joguinho? Grande homenagem…

A coisa piora  se considerarmos que a utilização do nome do Sagan não foi aprovada pela Fundação Carl Sagan, que segundo Ann Druyan, viúva de Sagan e presidente da Carl Sagan Foundation (que administra os direitos de imagem do cientista): “O uso das fotos do Carl não foi autorizado. Nós detemos os direitos sobre elas. Nós também temos direitos sobre o nome e imagem do Carl.” 

Note que não discuto o mérito do Instituto (quem me conhece sabe a minha opinião). Questiono o uso da imagem do Sagan em algo que ele dificilmente apoiaria sem ressalvas. Afinal, não me parece esperto associar um Instituto de pesquisa à Ufologia, que tem patrocinadores, a um cientista que já escreveu, no mundo assombrado pelos demônios (citação tirada do post do Mori):

Somos bombardeados regularmente com relatos extravagantes de UFOS divulgados por publicações sensacionalistas, mas é raro ouvirmos algo sobre a sua merecida reprovação. Isso não é difícil de compreender: o que vende mais jornais e livros, o que acumula ibopes mais elevados, o que é mais divertido de acreditar, o que repercute mais os tormentos de nosso tempo - naves alienígenas acidentadas outrapaceiros experientes pilhando os crédulos?

Por fim, deixo mais alguns trechos das mensagens mandadas pelos defensores do instituto em resposta aos argumentos do Kentaro:

“Quanto ao seu e-mail, acho que vc sabe o que Sagan pensava sobre Ann, mas isso é particular e não creio que devamos nos imiscuir nestas questões. Apenas acho que ela não tem exatamente a autoridade que vc acha que tem para pedir que extinguamos a homenagem (sem aspas, pois é verdadeira). De qq forma, legalmente, e ainda mais no Brasil, não tem mesmo. Nossos consultores estão absolutamente tranquilos quanto à legalidade disso, pois estudaram o caso detidamente. São todos muito bons advogados.”

“Aliás, não acho que devemos pedir a alguém para homenagear Sagan, especialmente já falecido, ainda mais e particularmente no caso de uma homenagem verdadeira, honesta, legítima, feita por — até agora – mais de 100 celebridades do mundo científico e espiritualista nacional, que oportunamente serão apresentados. “

“PS.: Seu material em inglês já está nas mãos de um tradutor juramentado. Em seguida, vai para o Jorge. Vc realmente se superou, aguarde reação na mesma medida.”

Não comentarei nada sobre o tom da mensagem e como ameaças  como essas devem mesmo ser argumentos pró-Instituto.
PS: O post do Mori foi até mencionado pelo grande PZ Meyers!

Página 3 de 4«1234»