1- Sem condições atualizar o blog com a internet do hotel. Ela até funcionava mas se recusava a rodar qualquer script mais rebuscado.

2- Gostei de um tal de Cuscuz de Tapioca coberto de leite de côco. Alguém tem a receita?

3- Etiqueta de congresso: coma o quanto puder durante as pausas pro café. Mesmo que isso signifique encher um guardanapo com biscoitinhos, devidamente coletados com o auxílio de uma colher.

4- Em Salvador, se hidrate muito. A água sai do corpo aos baldes.

5- Saí do congresso feliz. Consegui um contato muito bom, que deve render boas colaborações por muito tempo.

6- O segredo de um bom congresso é a busca do equilíbrio perfeito entre o turismo, o social e o científico. Acho que uma proporção 1:3:1 é a próxima do ideal.

7- Deixei uns folders do Lablogatórios do lado do garrafão de água. As pessoas bebiam a água com tanta ânsia que não olhavam para os folders.

8- Vou falar de Ciência? Hoje não, amanhã, talvez. Na verdade o congresso me deu idéia para inúmeras pautas mas todas me exigirão um tanto de pesquisas…

Hoje o dia foi de chegada. Saímos de Sampa na hora do almoço, chegamos no hotel de Salvador às 17hs. Na programação oficial, só a abertura (chaaaaaaaata…). Algumas notinhas rápidas:

- na esteira das malas, no aeroporto uma festa: nunca vi tantos tubos de pôsteres ao mesmo tempo. Uma festa.

- estampa dos assentos: Deus é Fiel. Ironia a mil, se considerarmos que o ônibus estava cheio de geneticistas.

- comemos um monte de coisas, escondidinho, peixe frito (de 30cm) e carne de sol de porco. Eu ainda comi dois carangueijos.

- usar uma marretinha para comer é legal. Não é necessário dizer que fui a atração da janta. Conhecimentos de Biologia foram fundamentais.

- os locais, é claro, não precisam (ou aparentantemente não precisam) da marreta. Preciso treinar isso.

Nesta semana teremos o 54o. Congresso da Sociedade Brasileira de Genética, um dos grandes congressos científicos brasileiros.

Um congresso é uma ótima oportunidade de conhecer pesquisadores novos, linhas de pesquisas interessantes e conversar com os pesquisadores que já conhecíamos.

Se vc por acaso for, ou é de Salvador, dê um toque.

Um post interessante no ótimo De Rerum Natura discutindo se há um conflito real entre religião e ciência. Ele identifica quatro fontes interessantes de tensão.

Toda vez que pego um livro novo, sigo o mesmo ritual: antes de começar a lê-lo, abro-o no meio e encho os meus pulmões: adoro cheiro de livro novo, aquele cheiro de possibilidades que me lembra de todos os outros livros que li e das horas de prazer que me proporcionaram.

Ontem ganhei o livro “O cheiro das coisas”[bb] (Ed. Vieira & Lent) para escrever uma resenha. O livro tem um cheiro mais-que-novo, pois só será lançado na semana que vem (convite abaixo). A autora é a Dra. Bettina Malnic, uma cientista do Instituto que trabalho que estuda os mecanismos por trás do olfato.

Acho que não valorizamos muito o olfato, no entanto, tente imaginar como conseguimos identificar milhares de cheiros diferentes, lembre-se como é comer com nariz entupido por causa de uma gripe ou note quantas memórias um simples cheiro pode trazer.

Quando cheirei este livro na primeira vez que o abri, moléculas se desgrudaram de suas páginas. As mesmas foram carregadas para dentro do meu nariz e lá identifiquei o seu cheiro. O que me levou a identificar o cheiro e me lembrar dos livros que já li é o tema central do “O cheiro das coisas”[bb].

Os primeiros capítulos do livro passam rápidos. O jeito de escrever da autora, leve e interessante, aliado ao meu interesse no assunto, explicam. Mas é a partir do Capítulo 5 que o livro me conquistou de vez: Bettina dá um toque mais pessoal ao assunto ao descrever um pouco da pesquisa que desenvolveu em seu pós-doutorado em Harvard. É neste momento, assim como um perfume, que mais um tom se revela: passamos a acompanhar como se deu a pesquisa que resultou em importantes descobertas sobre o olfato.

O capítulo 6 é tão emocionante como o anterior: ele começa com uma ligação telefônica no meio da noite e chega em Estocolmo, na entrega do prêmio Nobel de 2006, quando as pesquisas sobre o olfato foram premiadas. A perspectiva da autora é única, e este capítulo apenas vale o preço do livro.
Aos poucos fica claro que o “O cheiro das coisas”[bb] não fala somente sobre o olfato mas também sobre a Ciência e como ela é feita. Aos poucos o texto te envolve, mostrando as pesquisas que estão acontecendo agora na área, os grandes mistérios e os resultados que devem ser obtidos nos próximos anos.

Acabo o livro pensando que ele deveria ser reescrito todos os anos: sempre acrescentando-se as novas descobertas, as novas teorias e as surpresas. Esse é um de seus méritos. É um livro sobre o olfato que deixa um gostinho de quero mais.

Não se esqueçam de ir ao lançamento! Dia 17 de Setembro, 19hs, na livraria Cultura do Villa Lobos (Sampa).

Ou do começo do mundo…

Retângulo: 13.8 bilhões de anos atrás, alguns segundos antes da criação do nosso Universo…

Balão: Tudo certo. Vamos ligar o LHC e ver o que acontece!

Dica do Graveheart via Twitter.

Spore[bb] foi lançado semana passada. Infelizmente não vou jogá-lo no futuro próximo mas venho acompanhado todo o hype com interesse. Este jogo possui uma mecânica revolucionária onde você cria uma civilização inteira a partir de uma só célula.

O jogo muda sua lógica diversas vezes no seu curso: do controle de um organismo unicelular, você controla organismos maiores, de indivíduos para uma tribo, de uma tribo para uma civilização e da civilização para a colonização de outros planetas. A cada passo, o jogo te da controle sobre o design do seu personagem, que pode ganahr membros, garras, espinhos, etc. a cada rodada.

Spore[bb] tem sido vendido como um simulador de Evolução. Isso tem gerado muito debate na área.

O problema é que as pessoas se esquecem que Spore[bb] é só UM JOGO. Assim como não vamos virar terroristas jogando Counter-Strike; não ficaremos viciados em pílulas, trabalharemos em lugares apertados ouvindo música repetitiva jogando Pac-man (ops!) nem queimaremos carros na rua jogando GTA!

O mais engraçado é ver evolucionistas metendo o apu no jogo porque a “evolução” de lá é dirigida e defende o design inteligente e ver os criacionistas metendo o pau no jogo porque ele estpa difundindo a idéia de “evolução” nas cabeças das pessoas. O lablother RNAm discute mais detalhadamente alguns pontos do jogo.

Will Wright, o deus design do jogo, também fez Sim City e Civilization, jogos fenomenais que colocaram muita coisa na minha cabeça sobre história e admnistração de cidades. Não, senhores mal-humarados, evolucionistas ou não, não acredito que os Aztecas lutaram com os Japoneses usando marines nem que seja possível criar uma cidade só usando linhas do trem. Jovem e crianças,a o contrário de vocês, sabem a diferença entre jogo e realidade!

O que vocês têm que fazer é aproveitar os esporos da curiosidade que o jogo pôs nestas mentes incautas e transformá-los em conhecimento formal. Mostrar que a evolução não tem direção, que “design” realmente tem a ver com função e que mudanças drásticas na forma do corpo nem são tão comuns assim. Quem sabe, desta forma, os jogadores não percebam que a realidade pode ser ainda mais elegante do que um jogo?

UPDATE: Como notaram nos comentários, Will Wright não fez o Civilization! Ele fez o Sims. O argumento se sustenta mesmo assim…

Página 2 de 4«1234»