A pergunta é: qual é o segredo do sucesso dos jamaicanos?
Os 100 metros rasos do atletismo são uma prova que exige explosão muscular. Nos poucos segundos que se seguem, os atletas têm que contrair seus músculos o mais rapidamente possível. Nestas provas, um tipo de músculo especializado em contrações rápidas é particularmente útil. A proporção de músculos de contração rápida em comparação com os músculos de contração lenta é particularmente favorável entre os negros mas isso não explica por que uma pequena ilha no meio do Caribe teria tanta vantagem.
Uma das respostas sugeridas é genética: existe uma proteína chamada ACTN3 que possui uma variante associado à uma maior explosão na contração muscular. O jornal Daily MAil diz que 70% dos jamaicanos possuem duas cópias da variante “forte” da ACTN3, comparando com 30% dos australianos, e sugere que esta é uma das chaves de seu sucesso.
Seriam os genes a causa do sucesso jamaicano? Provavelmente não.
O blog Genetic Future, escrito por um pesquisador do ACTN3, desmonta toda a teoria do jornal.
Ele diz que a variante “forte” do ACNT3 realmente está envolvida na melhora da explosão muscular e que praticamente todos os atletas de 100 metros rasos possuem esta variante. No entanto, a melhora na perfornance só explica 2-3% do maior rendimento muscular. Coisas como treinamento adequado, alimentação, história de vida, portanto podem explicar muito mais sobre o rendimento dos jamaicanos.
Além disso, ter duas cópias da variante “forte” do ACNT3 não é melhor do que ter apenas uma. Se considerarmos apenas a presença de uma cópia deste variante, descobrimos que 98% dos jamaicanos a possuem, mas 82% dos europeus também. Nem por isso vemos finlandeses correndo um monte nos 100 metros rasos.
A explicação, obviamente, é muito mais simples, e é a mesma que explica o alto rendimento dos quenianos em corridas de longa distância: os vencedores dos 100 metros rasos são considerados verdadeiros heróis na Jamaica e incentivam toda uma geração de crianças a seguir os seus ídolos.
Correr bem significa uma melhoria na qualidade de vida, o que leva a muitas crianças se dedicarem à atividade. Se adicionarmos à equação programas do governo para selecionar este talento temos o que vimos nestas e outras Olimpíadas: atletas top de linha.
Por isso não dá pra se discutir um Brasil olímpico sem se discutir investimento na imagem dos atletas e nos programas de incentivo à talentos. É muito mais produtivo do que tentar atrair as Olimpíadas pro país.
Fontes: Daily Mail, The Slate e Genetic Future.
No final do meu post sobre as pimentas, deixei uma provocação sobre a relação entre países quentes e o uso da pimenta na culinária (Bahia, Índia, México). Houve muitas respostas interessantes, que vou discutir agora.
O leitor Léo Polito, mandou um email com uma sugestão (editado para ficar menor):
(…)
A explicação foi dada a mim por um amigo que morou lah.
Ele me explicou que as pessoas, naqueles lados, ingerem comida BEM condimentada pra provocar a sudorese, dando um alívio na sensação de calor do ambiente.
Claro que, aqui no brasil, com temperaturas quentes, mas não tanto, esse efeito eh meio bobo, mas, se pensarmos nas condições das regiões, eh muito plausível.
(…)
Esta explicação é bem perto da que eu acreditava ser a mais provável, no entanto, a Lúcia Malla pôs a teoria em teste nos atentando para um outro fato:
Carlos, um dos países onde eu vi a pimenta mais onipresente nas refeições foi a Coréia. Eles não conseguem nem imaginar um prato de comida sem pimenta, até no café da manhã. E lá faz frio. Exceção à regra?
Seria a Coréia um excessão? Na dúvida, fui atrás de mais informações.
Um estudo de 1998 sugeriu que a preferência dos humanos por alguns condimentos podem ter bases biológicas. Os condimentos são, de modo geral, substâncias produzidas por plantas contra a herbivoria ou contra microorganismos. Nós utilizaríamos estas substâncias para evitar que a comida se estrague ou para esterilizá-la. Isto também explicaria a nossa preferência por sal.
A preferência por condimentos e comida com sal, teria sido incorporada à nossa cultura e, possivelmente, aos nossos genes, pois os Antigos que colocavam tais condimentos na comida tinham menor chance de ter uma infecção alimentar. Afinal, desde que passamos a estocar alimento, uma das grandes batalhas que travamos é contra os microorganismos, por isso salgamos, defumamos, temperamos as carnes (que são aprticularmente amis sucetíveis a microorganismos).
Outro argumento utilizado é o de a quantidade de condimentos utilizados por uma cultura é diretamente proporcional à quantidade de carne consumida pelo seu povo e pela temperatura média de seu ambiente. Além disso, nem todo condimento provoca aquela suadeira que associamos à pimenta.
Esta pesquisa observou que os melhores condimentos, do ponto de vista antimicrobiano, são o alho, a cebola e o orégano (matam 100% das bactérias); seguido pelo tomilho, canela, estragão e cuminho (80%); pelas pimentas vermelhas (75%) e, por último, pimentas-do-reino, gengibre, sementes de anis e suco de limão ou lima (25%).
A relação entre os alimentos que consumimos e nossa história evolutiva é tema de uma área chamada Gastronomia Darwiniana (que merece um post só pra ela).
Fontes: Science Daily e National Geographic.
Um jabuti ajudou a polícia estadosunidenses a encontrar uma plantação de maconha no meio de um parque florestal no Rock Creek Park, Maryland.
O parque estava estudando os movimentos de jabutis no parque afixando aparelhos de GPS nos seus cascos. De vez em quando, os funcionários do parque procuravam os jabutis para checar se o aparelho estava funcionando. Qual foi a supresa quando o funcionário encontrou um dos jabutis no meio de uma plantação de maconha!
A polícia acabou prendendo o pequeno produtor, de 19 anos e sua gangue de tartarugas ninjas.
É a Ciência a serviço da comunidade!
Fontes: Neatorama e Bioephemera
O Brasil não é o maior produtor de etanol (=álcool) a partir de biomassa no mundo. Alguns anos atrás, os EUA nos ultrapassaram em produção por litro. A diferença é que aqui a gente lucra com esse mercado. Lá só se sobrevive com altos subsídios do governo.
A cana-de-açúcar é misturada à gasolina brasileira desde 1929. Depois da explosão fomenatda pelo programa pró-álcool nos anos 70s e 80s, o uso de álcool deu uma estagnada até o lançamento de carros Flex. Atualmente, 90% dos veículos novos possuem esta tecnologia. Na verdade, mesmo os veículos que usam apenas gasolina acabam queimando álcool que está misturado na gasolina (cerca de 25%).
Dentro do Brasil, em particular, o Estado de São Paulo é um dos grandes produtores de cana-de-açúcar do mundo. Com uma produção de 11 bilhões de litros em 2006 e 62% do etanol brasileiro, o Estado de São Paulo pode ser considerado o terceiro maior produtor de etanol no mundo, atrás dos EUA e Brasil.
Outras regiões onde a cana-de-açúcar é plantada incluem Minas Gerais, a região Centro-Oeste e o Nordeste.
A pergunta que muitos fazem é: seria o etanol da cana-de-açúcar o responsável pelo aumento do preço dos alimentos e pelo desmatamento na Amazônia? A minha resposta pessoal para a primeira pergunta é não, para a segunda pergunta, eu responderia: talvez mas provavelmente não.
O aumento do uso do etanol de cana-de-açúcar não deve estar aumentando o preço dos alimentos porque ele ainda é uma gotinha no oceano agriculturável brasileiro. Ele ocupa cerca de 2% das terras aráveis no Brasil. Para se ter uma idéia, a soja ocupa quase 10% das terras aráveis do Brasil e 49% delas são usadas para PASTOS!!!! Levando em conta esta estatística, junto com o aumento do consumo mundial de carne, temos que quem desmata é o consumo de carne (grande parte da soja é usada para fazer ração no exterior). Além disso, o preço do açúcar, que concorre diretamente com o etanol pela matéria prima não disparou como o preço dos outros alimentos, ou seja, não há falta de matéria-prima.
Este é o quarto post de uma série. Se vc quiser ler a série, clique aqui.
Posts anteriores:
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar vs. o milho
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar e o milho
Biocombustíveis: uma introdução
O Biocombustível 2.0
Utilizar energia luminosa para sustentar o próprio corpo não é exclusividade de plantas, humanos iluminados e bactérias.
Algumas lesmas do mar (do grupo Sacoglossa) chupam células de algas a fim de incorporar os cloroplastos destas algas em suas células. Desta forma, estas lesmas adquirem das algas a capacidade de fazer fotossíntese e se sustentar de luz! Sem contar que, cheias de cloroplastos, estas lesmas se mesclam perfeitamente no meio das algas.
Os cloroplastos podem manter as lesmas vivas sem se alimentar de algas por meses, além de fornecer outros compostos químicos que atuam na defesa das lesmas do mar contra predadores.
O uso da fotossíntese de algas para se sustentar não é incomum entre os animais. Corais e cnidários interagem com zooxantelas para se aproveitar de sua capacidade fotossintética. O que impressiona nestas lesmas-do-mar é a incorporação dos cloroplastos em suas células! No caso da Elysia chlorotica, que se alimenta da alga Vaucheria litorea, os cloroplastos continuam ativos por até 9 meses!
Fonte: Sea Slug Forum e Plant physiology.
Acabamos de estreiar o Lablogatórios, o primeiro condomínio de blogs científicos do Brasil. Neste site, teremos 15 blogs no condomínio (mais ou menos 2) cujos temas variam de Psicologia até Astronomia.
A lista de blogs atuais é:
Incríveis aventuras das Supercordas
Se você quer saber quem somos, clique aqui. Se você quer saber da história do Lablogatórios, clique aqui.
Por favor, visitem todos os blogs, comentem e disperse o site!
Todos já tiveram a sensação de comer aquela comida que “não está tão apimentada” e foi punido com uma sensação horrivelmente boa de ardência. Esta sensação é causada pela interação de uma molécula presente em volta das semnetes das pimentas, a capsaicina, com os nossos receptores sensoriais. Os sensores ativados pela capsaicina, no caso, são os responsáveis por codificar sensações de queimaduras e abrasão, explicando a nossa reação em resposta à ingestão de pimentas.
Além disso, uma pesquisa publicada recentemente no Journal of Biological Chemistry, sugere que, além do efeito sensorial, a capsaicina induz a geração de calor por músculos. Ela faz com que proteínas quebrem moléculas de energéticas, os ATPs, sem gerar trabalho, somente calor. Este efeito deve contribuir com as sensações causadas pela pimenta.
O engraçado é que as aves não são afetadas pela capsaicina, apenas mamíferos. Isso pode ser uma estratégia para evitar que as sementes das pimentas sejam ingeridas por mamíferos. Por que seria favorável às pimentas serem ingeridas apenas por aves? Simples: o sistema digestório dos mamíferos destrói as sementes das pimentas, enquanto o sistema digestório das aves as mantêm intactas!
Uma última curiosidade: a capsaicina não dilui bem na água, por isso tomar leite, que possui um teor mais alto de gorduras, deve ajudar a combater a ardência de certas comidas. Se você for vítima de spray de pimenta, que usa altas quantidades de capsaicina, tente remover a molécula com óleos ou sabões (mas cuidados com o que for botar nos olhos!).
Por fim, uma pergunta para discussão: por que pessoas que moram em regiões quentes (México, Índia, e baianos) gostam de comida apimentada? Será apenas coincidência?
Fontes: Science Daily, Wikipedia e Molecule of the Day.
Foto: Ian Ramsley




