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Biocombustíveis, a princípio, podem vir de qualquer organismo vivo. A madeira é um dos biocombustíveis mais antigos utilizados pelos humanos. No entanto, o que faz sucesso atualmente é fazer combustíveis líquidos a partir de plantas. Já falei antes do porquê utilizar plantas como fonte de energia é vantajoso, agora vou digredir um pouco para dizer da importância de se fazer combustíveis líquidos.
Muitas pessoas falam que deveríamos desencanar dos biocombustíveis e investir em energia solar e eólicas, etc. No entanto, estas fontes de energia não são adequadas em aparelhos móveis: são necessárias formas de se armazenar energia para se utilizar em máquinas menores. Uma alternativa é investir em baterias, como as que temos em celulares e brinquedos eletrônicos. Outra é usar um motor de combustão e queimar combustíveis. No caso de carros, as baterias desenvolvidas atualmente ainda são caras, além de poluir o ambiente ao longo prazo por causa de seus metais pesados, por isso ainda usamos combustíveis líquidos. Historicamente, utilizamos derivados de petróleo em nossos carros e, por isso, é mais fácil procurar combustíveis líquidos para substituí-los. Além da história, existe toda uma tecnologia desenvolvida para se transformar açúcar em álcool.
Para se transformar açúcares em álcool, utiliza-se um tipo de fungo unicelular muito famoso: as leveduras. As leveduras podem viver na presença e na ausência de oxigênio. Quando elas estão na presença de oxigênio, elas quebram açúcares em CO2 e água. Na ausência de oxigênio, esta quebra é incompleta e álcool é o produtos resultante. Na indústria sucroalcooleira, a conversão dos açúcares em álcool acontece com uma eficiência enorme, chegando a ser superior a 98%.
Geralmente se usa açúcares extraídos de plantas para o processo de fermentação. A cana-de-açúcar e o milho são as principais culturas utilizadas como fonte de açúcar para a produção de álcool. A cana tem a vantagem de armazenar suas moléculas de carbono em sacarose, que é a união de uma molécula de glicose com uma de frutose. O milho, assim como a grande maioria das plantas, armazena suas moléculas de carbono em amido, que é uma cadeia enoooorme de moléculas de glicose ligadas umas às outras.
No caso da cana, geralmente extraímos o suco de seu caule e o utilizamos diretamente como alimento para as leveduras. No caso do milho, a loooooonga molécula de amido precisa ser trasnformado em açúcares menores para ser utilizado pelas leveduras. Este processo é caro, tanto monetariamente quanto energeticamente, o que praticamente inviabiliza o milho como fonte de biocombustíveis.
A utilização de cultivares para a produção de combustíveis é bastante polêmica, com problemas ambientais e econômicos sendo pauta constante na imprensa. Discutiremos isso nos próximos posts. Aproveito a oportunidade para dar um cronograma, mesmo que provisório, das próximas postagens:
Cana-de-açúcar no Brasil
As polêmicas em torno dos biocombustíveis
Os problemas dos biocombustíveis
O programa BIOEN do Estado de São Paulo
O futuro dos biocombustíveis
Se houver mais algum tópico que vcs queiram que eu discuta, pode pedir nos comentários.
Todos os posts da série:
Biocombustíveis: cana-de-açúcar vs. milho
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar e o milho
Biocombustíveis: uma introdução
O Biocombustível 2.0
Brontossauros em meu jardim » Biocombustíveis: Brasil, o país do etanol? em 18/ Aug/ 2008
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