O João Carlos gentilmente deixou a porta entreaberta, eu fingi que não era comigo mas não resisti e resolvi entrar na Roda!

O tema da Roda de Ciência deste mês que fecha em algumas horas me interessa muito. Nos últimos meses tenho lido quase todos os blogs de Ciências da língua portuguesa (com ênfase no Brasil). Um trabalho facilitado pela boa iniciativa do Prof. Osame: o Anel de Blogs Científicos.

O que mais me agrada nos blogs de Ciências brasileiros é a sua diversidade: há professores, jornalistas, cientistas blogando e também há muitos entusiastas da Ciência cujas carreiras não exigem treinamento científico (apesar de sempre ajudar). O que menos me agrada é o seu tamanho, não porque eu acho que sejam poucos os blogs, mas é que eu quero mais!

Eu quero mais blogs de Ciência porque gostaria de ler mais sobre temas relevantes na política científica brasileira. Gostaria de ler mais sobre outras vidas acadêmicas. Amaria que um laboratório tivesse um blog para divulgar os seus resultados. E quero aprender mais e mais sobre as áreas da Ciência que eu não domino!

No começo do mês escrevi um post entitulado “Deveríamos educar com blogs de Ciência?”. Foi uma provocação feita para saber como cada blogueiro via o seu papel como editor de um blog de Ciências. E a provocação deu certo…

A diversidade mencionada anteriormente também apareceu ali: alguns acham que o papel dos blogs de Ciência não é educar, outros acham que os blogs podem ser uma ferramenta adequada para isso, etc. É claro: blogs são apenas ferramentas de publicação de conteúdos, cada um usa a sua ferramenta como ebm entender. Eu escrevo meus posts sempre pensando que eles podem ensinar algo a alguém, por isso acabo evitando coisas muito específicas. Na minha visão, a divulgação científica é um tipo de educação, mesmo que não-formal.

Por fim, nestas minhas andanças por blogs de Ciências vejo que é uma área que cresce bastante. Espero que continue se diversificando, preenchendo todos os nichos possíveis e que use a ferramenta dos blogs para educar, divertir, informar e divulgar, que os posts continuem frequentes, que nunca tenhamos que lidar com problemas nas qualidades dos blogs e, é claro, que a Roda continue…

Ah, este texto faz parte da Roda de Ciências. Comente lá.

Quer fazer crianças se interessarem por Ciências? Que tal colocar um dinossauro vivo no meio do museu?

Esta ação do Museu de História Natural de Los Angeles, que não usa computação gráfica nem robôs (é bem mais simples), é certamente uma experiência inesquecível!


Extinct, my ASS! from The Original Joe Fisher on Vimeo.

Meu amigo Cristiano viu no Gizmodo que viu no Random Good Stuff (que viu no Unique Daily).

Este é o segundo post de uma série. Se os outros posts, clique aqui
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Biocombustíveis, a princípio, podem vir de qualquer organismo vivo. A madeira é um dos biocombustíveis mais antigos utilizados pelos humanos. No entanto, o que faz sucesso atualmente é fazer combustíveis líquidos a partir de plantas. Já falei antes do porquê utilizar plantas como fonte de energia é vantajoso, agora vou digredir um pouco para dizer da importância de se fazer combustíveis líquidos.

Muitas pessoas falam que deveríamos desencanar dos biocombustíveis e investir em energia solar e eólicas, etc. No entanto, estas fontes de energia não são adequadas em aparelhos móveis: são necessárias formas de se armazenar energia para se utilizar em máquinas menores. Uma alternativa é investir em baterias, como as que temos em celulares e brinquedos eletrônicos. Outra é usar um motor de combustão e queimar combustíveis. No caso de carros, as baterias desenvolvidas atualmente ainda são caras, além de poluir o ambiente ao longo prazo por causa de seus metais pesados, por isso ainda usamos combustíveis líquidos. Historicamente, utilizamos derivados de petróleo em nossos carros e, por isso, é mais fácil procurar combustíveis líquidos para substituí-los. Além da história, existe toda uma tecnologia desenvolvida para se transformar açúcar em álcool.

Para se transformar açúcares em álcool, utiliza-se um tipo de fungo unicelular muito famoso: as leveduras. As leveduras podem viver na presença e na ausência de oxigênio. Quando elas estão na presença de oxigênio, elas quebram açúcares em CO2 e água. Na ausência de oxigênio, esta quebra é incompleta e álcool é o produtos resultante. Na indústria sucroalcooleira, a conversão dos açúcares em álcool acontece com uma eficiência enorme, chegando a ser superior a 98%.

Geralmente se usa açúcares extraídos de plantas para o processo de fermentação. A cana-de-açúcar e o milho são as principais culturas utilizadas como fonte de açúcar para a produção de álcool. A cana tem a vantagem de armazenar suas moléculas de carbono em sacarose, que é a união de uma molécula de glicose com uma de frutose. O milho, assim como a grande maioria das plantas, armazena suas moléculas de carbono em amido, que é uma cadeia enoooorme de moléculas de glicose ligadas umas às outras.

No caso da cana, geralmente extraímos o suco de seu caule e o utilizamos diretamente como alimento para as leveduras. No caso do milho, a loooooonga molécula de amido precisa ser trasnformado em açúcares menores para ser utilizado pelas leveduras. Este processo é caro, tanto monetariamente quanto energeticamente, o que praticamente inviabiliza o milho como fonte de biocombustíveis.

A utilização de cultivares para a produção de combustíveis é bastante polêmica, com problemas ambientais e econômicos sendo pauta constante na imprensa. Discutiremos isso nos próximos posts. Aproveito a oportunidade para dar um cronograma, mesmo que provisório, das próximas postagens:

Cana-de-açúcar no Brasil
As polêmicas em torno dos biocombustíveis
Os problemas dos biocombustíveis
O programa BIOEN do Estado de São Paulo
O futuro dos biocombustíveis

Se houver mais algum tópico que vcs queiram que eu discuta, pode pedir nos comentários.

Todos os posts da série:
Biocombustíveis: cana-de-açúcar vs. milho
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar e o milho
Biocombustíveis: uma introdução
O Biocombustível 2.0

Existe muita discussão por aí sobre biocombustíveis. No entanto, muito pouco se encontra sobre o que são os biocombustíveis e por que eles são tão importantes e polêmicos atualmente. Por isso vou (tentar) iniciar uma série de posts que vão esclarecer e debater alguns pontos importantes para se entender este assunto.

Os combustíveis são substâncias que queimamos para se utilizar a energia neles armazenada. Os biocombustíveis são os combustíveis que são obtidos de organismos recém-mortos, geralmente plantas.

As plantas fazem fotossíntese. A fotossíntese é o conjunto de reações químicas que permitem as plantas converter a energia solar em energia química. Neste processo, a planta combina moléculas de água com o gás carbônico (dióxido de carbono ou CO2) da atmosfera. Enfim, esta energia química, armazenada principalmente na forma de moléculas de carbono, é utilizada pela planta para crescer e se sustentar. Não só as plantas, aliás, mas de todos organismos que se alimentam delas e dos que se alimentam dos que se alimentam delas e assim por diante.

A sacada dos biocombustíveis é utilizar a energia química armazenada pelas plantas como combustível. Na verdade isso não é novidade alguma, uma vez que o petróleo é uma mistura de organismos mortos, algas principalmente, cujos corpos se depositaram milhões de anos atrás no fundo de lagos e oceanos em condições de pouco oxigênio e que sofreram inúmeras transformações debaixo da terra.

Se os combustíveis que vêm do petróleo e os biocombustíveis têm origem biológica, qual é a diferença?

A grande diferença entre os dois tipos de combustíveis é a origem do carbono. No caso do petróleo, estamos tirando uma quantidade enorme de carbono que estava presa no solo e estamos liberando-o na atmosfera. No caso dos biocombustíveis, as plantas retiram o CO2 da atmosfera, que depois é liberado de volta na atmosfera. No primeiro caso, aumentamos a concentração de CO2 na atmosfera, no segundo caso, a quantidade de CO2 na atmosfera não aumenta.

Além da questão do balanço de CO2, ainda tem o fato do petróleo ser um recurso limitado. Uma vez que acabou, só daqui a milhões de anos! Já os biocombustíveis são uma fonte de energia renovável.

No próximo post, falarei sobre duas fontes de biocombustíveis: o milho e a cana-de-açúcar.

Todos os posts da série, aqui.

Em um post anterior, falei de como as melancias poderiam atuar na mesma via de sinalização do Viagra. Esta notícia, como espero ter mostrado, continha muitos exageros e era mais um golpe de RP do que de PD (relações públicas X pesquisa e desenvolvimento). Fica a pergunta: como funciona o Viagra mesmo?

Durante o meu doutorado, parte do meu projeto estudava como um gás poderia ser usado na sinalização das células da planta. Este gás é o óxido nítrico (NO), que também é usado como sinal por células animais. A vantagem de se usar um gás, ainda mais um bastante reativo como o NO, como sinal, são muitas: o NO se difunde rapidamente, atravessa as membranas das células e tem um raio de ação pequeno (por ser reativo). Isso torna o NO ideal para sinalizar eventos locais que necessitam resposta rápida. Um destes eventos é o relaxamento dos músculos lisos dos vasos sangüíneos.

Durante a ereção, músculos lisos se relaxam e deixam os corpos cavernosos se encham de sangue. Assim como o NO relaxa os músculos dos vasos sangüíneos, ele também relaxa o músculo que provocam a ereção. Controlando-se o NO, pode-se controlar ereções! Só que mexer no NO, como as melancias supostamente podem mexer, provoca inúmeros efeitos colaterais, como a dilatação dos vasos sangüíneos. Um remédio inespecífico não é um remédio tão bom assim.

Vamos voltar à ação do NO no relaxamento dos músculos: quando ele atinge as células musculares, elas começam a produzir um sinal chamado GMPc. O sinal da ereção começa quando o GMPc é produzido e termina quando ele é destruído. O Viagra atua inibindo a destruição do GMPc, ou seja, o Viagra (sildenafil) inibe a inibição e favorecendo o acúmulo de GMPc (conseqüentemente, a ereção).

Logo, o Viagra não provoca ereções, ele apenas as facilita. Portanto, se nem Viagra funcionar, isso pode indicar que o problema é psicológico, no processo de indução da ereção.

O Levitra e o Cialis, remédios de marcas diferentes, seguem o mesmo princípio ativo do Viagra, com modificações estruturais que podem diminuir efeitos colaterais ou prolongar o efeito.

Caro leitor ou leitora que entrou neste blog procurando por: “onde comprar ornitorrincos de pelúcias”. Se vc encontrar, me manda o endereço. Grato.

Dr. Bhimu Patil, diretor do Centro de Melhoramento de Vegetais da Texas A&M University, anda impressionado com as melancias. “Quanto mais estudamos as melancias, mais percebemos o quão maravilhosa esta fruta é ao prover o corpo humano com melhoramentos naturais.” disse à Science Daily.

De acordo com os estudos de seu centro, a melancia contém muitas substância que afetam o funcionamento do corpo, incluindo o licopeno, o beta-caroteno e a citrulina. O licopeno é uma substância vermelha que é encontrada no tomate enquanto o beta-caroteno é uma substância alaranjada presente nas cenouras. Ambos são anti-oxidantes, substâncias que evitam o dano celular causado por radicais livres e o conseqüente processo de envelhecimento.

Mas a estrela dos três é a citrulina. A citrulina é convertida no aminoácido arginina no corpo. A arginina, por sua vez, pode ser quebrada em uma reação que libera óxido nítrico no corpo. O óxido nítrico, por sua vez, ajuda na dilatação dos vasos sangüíneos. Citrulina, portanto, melhora a circulação sangüínea.

O pulo do gato está no fato do óxido nítrico também atuar na sinalização da ereção! Logo, a citrulina, que está em grandes quantidades na parte mais verde da melancia, pode ativar a mesma via de sinalização do Viagra! Assim como o Viagra, a citrulina pode ajudar na ereção! Veja bem que não falamos de quanta melancia uma pessoa há de comer para que este efeito seja observado…

Fica como lição a esperteza do Dr. Bhimu Patil que conseguiu fazer a melancia virar notícia associando-a ao sexo! Se bem que no Brasil existem mulheres que fazem o mesmo e melhor…

Fonte: Science Daily

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