Olha, eu achava que biólogo era um bicho estranho, comprando vírus da gripe de pelúcia e tudo mais. Para a minha surpresa (ok, nem tanto), não é que os físicos conseguem ser piores?
O site Particle Zoo vende subpartículas atômicas de pelúcia! Você que sempre quis uma partícula de Boson-Higgs, seus problemas acabram! A gama de partículas incluem até neutrinos, matéria escura e grávitons!
A nerdice é tanta que até existe uma seção de partículas de antimatéria! Devidamente separada, para não haver o aniquilamento das partículas!
Libere o Sheldon de dentro de você e compre!
Fonte: S1mone via Twitter

No Rainha de Copas tem um post interessante sobre um experimento que prova que as sépias, um animal parecido com a lula, consegue aprender coisas ainda dentro do ovo. As sépias geralmente preferem caçar camarões a outros animais. No entanto, quando as sépias fossem expostas a siris quando estivessem dentro do ovo, elas começavam a preferir caçar siris! Este foi o primeiro caso de aprendizado visual dentro do ovo mas, aparentemente, sapos e salmões podem perceber sinais químicos na agua antes de sair de seus ovos.
Coincidentemente, hoje me deparei com a noticia de que crocodilos conseguem se comunicar entre si quando estão para sair dos ovos. Os cientistas já haviam notados que os crocodilos vocalizavam logo antes de nascer. No entanto, não se sabia a razão destes chamados.
No trabalho publicado na Current Biology, os cientistas pegaram um grupo de ovos de crocodilos e os dividiram em três grupos. Um grupo foi exposto a uma gravação com a vocalização feita pelos crocodilos-bebês antes de eclodir. O segundo grupo foi exposto a ruídos quaisquer enquanto o terceiro grupo foi exposto ao nada.
Praticamente todos os crocodilo-bebês que foram expostos aos chamados gravados respondiam com chamados próprios e com movimentos dentro dos ovos (mais de 80%). Dos crocodilos-bebês que foram expostos aos ruídos, apenas 20% se movimentaram ou fizeram sons enquanto apenas 7% dos crocodilos-bebês que não foram expostos a sons fizeram o mesmo. Mais importante, 10 minutos depois que os chamados foram tocados, os ovos começaram a eclodir enquanto os outros ovos, que ficaram no silêncio ou receberam apenas ruídos, demoraram mais 5 horas para fazer o mesmo.
Os chamados que os crocodilos-bebês fazem de dentro do ovo, portanto, servem para sincronizar a saída do ovo. Desta forma, os pequeninos têm mais chances de sobreviver a ataques de predadores oportunistas. Também ajuda o fato das crocodilos-mamães responderem a estes chamados cavando seus ninhos. Assim, se todos os crocodilos-bebês nascerem juntos e fizerem sons ao mesmo tempo, maiores serão as chances de todos serem desenterrados.
Fontes: Science Daily, Rainha de Copas, Current Biology
Foto: Nigel Dennis
Domingo passado eu estava passeando com a minha esposa e sogros na Liberdade, quando ouvi um vendedor ambulante gritando: “Olha a flor-de-lótus! Olha a flor-de-lótus!”. Todos os que passavam, olhavam para as flores do vendedor. Muitas paravam, para conversar com ele, e algumas compravam as flores. Foi somente quando me aproximei do vendedor que notei as tais “flores-de-lótus”:
A primeira coisa que pensei foi: mentira! As flores lilases que o senhor vendia eram de ninféas e não de lótus! As ninféas são as flores prediletas de Monet, enquanto as flores-de-lótus são um ícone da Ioga. As ninféas pertencem à família Nympheaceae enquanto as flores-de-lótus são da família Nelumbonaceae.
No entanto, foi somente aproximando mais que notei a real magnitude do golpe:
O senhorzinho estava vendendo flores de ninféas amarradas à aguapés dizendo que eram flores-de-lótus! Aguapés são plantas aquáticas que crescem rapidamente e chegam a ser problemáticas em rios e lagos! O cidadão que compra as plantas do ambulante coloca os aguapés no seu laguinho, esperando que eles floresçam e acaba com um problemão quando eles tomarem conta do lago.
Para quem conhece ninféias, o golpe é fácil de se identificar: as folhas das ninféas são achatadas e bóiam sobre a lâmina d´agua (abaixo), assim como a vitória-régia que é da mesma família. As raízes desta planta se prendem no fundo da água, lançando longos caules cheios de ar até a superfície. Os aguapés (acima), ao contrário, fica boiando na água, com suas raízes soltas na água.
As flores-de-lótus (abaixo) realmente lembram as ninféas, trocar seus nomes pode até ser um erro honesto. Juntar flores de uma planta com as folhas de outras, no entanto…
Modelos sofrem com a sua má reputação.
Já vi muita gente dizendo que não acredita em aquecimento global porque os modelos matemáticos que os cientistas geraram são muito imprecisos e não prevêem nada. Já muita gente criticar modelos matemáticos porque estão sempre errados. Seria a culpa dos modelos?
Na verdade a culpa é dos cientistas que trabalham com os modelos matemáticos, não por fazer modelos ruims mas por não divulgarem a real serventia dos modelos. Pois bem: modelos matemáticos tentam descrever o comportamento de um sistema através de uma linguagem matemática. Este sistema pode ser o crescimento populacional de um país, o comportamento de peixes em um cardume, as oscilações da bolsa, etc. Para se fazer um bom modelo, você deve ter bons dados iniciais e bons pressupostos (não adianta tentar faezr um modelo onde a população de gatos em Tóquio depende do número de jujubas vendidas na escócia). Uma maneira de se testar modelos é tentar prever o que acontecerá no futuro, como no caso do aquecimento global.
Um modelo serve, portanto, para prever o futuro? Sim e não.
Um modelo pode servir para tentar simplificar um sistema complexo. Desta forma, apesar do modelo não mostrar exatamente o que acontece na realidade, ele dá uma boa idéia do que está acontecendo. É como um mapa: o mapa mais completo que existe, com amis detalhes, é do tamanho da coisa que ele mapeia. Só que não precisamos de um mapa tão completo (nem conseguimos segurá-lo), logo fazemos mapas (e modelos) mais simples mas com as informações que nos interessam.
Da mesma forma, pode-se fazer um modelo para se verificar se os seus pressupostos são o suficiente para prever o comportamento do sistema, ou para testar se a qualidade dos dados permitem tal abordagem.
No caso do aquecimento global, muitos criticam que os modelos prevêm aumentos de temperatura nos próximos anos que variam entre 2 a 20 graus Celsius e isso é um erro enorme. Mas notem que todos os modelos indicam a subida da temperatura. É claro que é difícil dizer o quanto mas isso não quer dizer que os modelos são inúteis. Neste caso, os cientistas estão se esforçando em melhorar suas coletas de dados, além de melhorar os seus pressupostos.
Logo, modelos amtemáticos são muito mais do que um simples exercício de futurologia barato: eles têm muitas utilidades. Alguns, inclusive, são feitos para darem resultados errados, indicando o caminho para se chegar a um modelo mais preciso.
Acho que foi Carl Sagan que disse que ele confiava nos meteorologistas porque, se eles errassem mais de 50% das vezes, eles iriam fazer as suas previsões e divulgar o resultado oposto. A coisa é semelhante no mundo da modelagem matemática…
Eu e o Atila organizamos uma Blogagem Coletiva, que chamamos de Carnaval Científico, com o tema “Um cientista em minha vida”. A proposta era que cada um escrevesse sobre um cientista que tivesse marcado a sua vida. Poderia ser parente, amigo, personagem fictício, professor, supervisor, autor, desde que cientista.
Quando pensei nesta proposta, queria um conjunto de histórias mostrando o impacto dos cientistas nas nossas vidas e que mostrasse a variedade de formas que eles podem apresentar. Para a minha felicidade, o número de posts já é maior que 1! Este post serve para agregar todas estas inspirantes histórias:
- No Brain Dump temos um post interessante de como um colunista de uma revista pode despertar o interesse em uma área com histórias e problemas interessantes.
- Igor Santos, do 42, lembra do cientista que tem a melhor cor de jalecos do mundo (Baddadi-Badabam)… Beakman! (apesar de todos saberem que o Lester era o cérebro do programa).
- No Girino.org nos lembramos que os cientistas estão por toda a parte, inclusive contribuindo com o nosso pool genético!
- Luciano do Crash Computer se lembra de um cientista que trouxe luz a todos nós: Tomas Edison!
- Começando uma sequência de posts de divulgadores científicos, Renan do N-dimensional fala do cara que despertou a faísca da Ciência em bilhões e bilhões de jovens mentes: Carl “Cosmos” Sagan!
- Mais divulgadores: Stephen Jay Gould, outro monstro da divulgação científica (e outro grande admirador dos brontossauros) é o cientista escolhido pela Lucia Malla, que cruzou com o cara em boston (ainda tem uma foto de livro autografado de lambuja).
- Ciência pode ser escrita de forma competente por não-cientistas? O Átila fala de Carl Zimmer um excelente divulgador de ciências não-cientista que também inspira muita gente.
- Por fim, temos a minha contribuição com o grande Edward O. Wilson, que eu considero um dos grandes biólogos da atualidade!
Termino o post na esperança de atualizá-lo muitas vezes mais durante o dia. E você, qual é o cientista da sua vida?
Mais posts:
- Isis do Xis-xis dá uma de fiha-coruja e fala de seu pai, hidrogeólogo.
- Claudia Chow do Ecodesenvolvimento/Sustentabilidade fala de Alfred Nobel, desenvolvedor da dinamite e do prêmio Nobel.
- A nossa estatística predileta, Tine, do Este ou aquele? fala da ausência de figuras científicas na sua vida…
- E Dedalus, do Atlas, fala de Carl Sagan que assume a liderança entre os “cientistas de minha vida” (junto com meu pai).
- NeLas dá sua original contribuição ao falar de Élie Metchnikoff e suas contribuições à imunologia. Quem? Leia mais no OrgaNeLaS.
- E o Ibrahim Cesar do ótimo 1001gatos de Schrödinger manda Steve Pinker, mais um mega divulgador científico. Quem curte o Steve Pinker tem que ouvir um Nature Podcast Extra dele que pode ser baixado aqui.
- No RNAm, tem uma questionamento do Rafael se ele poderia ser o cientista da vida dele…
- Opa! Um post atrasado do Glúon, que escreveu sobre um dos cientistas mais divertidos e sagazes que eu já li: Richard Feynman!
Este post foi escrito como parte do Carnaval Científico cujo tema é: “Um cientista na minha Vida”.
Houve um tempo em que eu conseguia viver sem estudar a Vida. Nesta época eu cursava o Ensino Médio (chamava-se colegial na época, rs!) e meu curso era voltado para as Ciências Exatas. Me preparava para me tornar um Engenheiro, quiçá um farmacêutico. Sim, me interessava por Ciências mas não havia uma matéria que me interessasse a ponto de elegê-la como carreira.
Foi quando uma cópia do livro “Diversidade da Vida”, de Edward O. Wilson caiu nas minhas mãos. Me lembro da sensação de ler as suas primeiras páginas no ônibus: era um relato de uma noite na Amazônia, enquanto E. O. Wilson observava a floresta e pensava na multitude de sua diversidade e como ele gostaria de passar sua vida lá, observando e catalogando todas as suas espécies. As páginas que se seguiram foram consumidas com a mesma fascinação que as primeiras. Estava decidido: eu me tornaria biólogo.
Durante a faculdade acabei descobrindo que Edward O. Wilson é provavelmente um dos maiores biólogos da atualidade. Sua especialidade, mirmecologia (o estudo das formigas) oculta o seu real impacto nas áreas da ecologia, comportamento, conservacionismo e evolução. Só para citar brevemente suas maiores contribuições, E. O. Wilson foi o responsável pela Teoria da Biogeografia das ilhas, pela descoberta da comunicação química entre formigas e pela controversa mas inovadora Sociobiologia. Afora sua brilhante carreira científica, Wilson sempre foi um grande ambientalista e humanista, tornando-se um símbolo na defesa da Biodiversidade e do ser humano. Seu poder de síntese é utilizado tanto em suas teorias quanto em seus livros, também espetacualres.
Mas voltemos ao tema e, com isso, à minha vida. Apaixonar-me pela Biologia lendo “A Diversidade da Vida” foi o início de uma jornada maravilhosa por este mundo. Meus anos como aprendiz de biólogo passaram rapidamente descoberta após descoberta, fascínio após fascínio. Até hoje eu me empolgo aprendendo novas coisas na Biologia, até hoje sou apaixonado pela área. E é essa paixão que tento passar neste blog. Afinal, foi Carl Sagan (outro gigante) que disse, explicando por que ele divulgava Ciências: “Não explicar Ciência me parece perverso. Quando você está apaixonado, você quer contar para o mundo. Este livro é uma declaraçaõ pessoal que reflete meu caso eterno com a Ciência.”
PS: se você pensa em fazer Biologia mas não tem certeza de que é uma decisão correta, leia a autobiografia do Edward O. Wilson, “Naturalista”. Se você adorar, siga em frente! Se você não gostar, mude de área. “Naturalista” é o meu remédio para crises de fé.
PS2: Aproveite para ver uma palestrinha do mestre no TED aqui. Foi desta palestra que surgiu a idéia do Enciclopedia of Life. Mais um ponto pro Wilson!
A aranha australiana Argiope keyserlingi é conhecida por fazer teias que possuem uma grossa cruz de seda desenhada no centro de suas teias.
Esta cruz no meio da teia sempre intrigou os cientistas: qual seria a sua função? Teorias para explicar a cruz incluem o aumento da estabilidade da teia, camuflagem, o aumento da captura de presas e a diminuição do número de grandes animais que destróem a teia acidentalmente.
Em um experimento, os cientistas retiraram as cruzes das teias e as colocaram em teias que não possuíam cruzes. Eles observaram que as teias cujas cruzes foram retiradas capturavam menos presas ao mesmo tempo que as teias que recebiam cruzes aumentavam a sua taxa de captura. Este experimento mostrou que uma das funções das cruzes é a captura de presas mas como isso aconteceria?
Na revista Biological Journal of the Linnean Society deste mês, pesquisadores australianos sugerem que as cruzes no meio da teia atraem os insetos via sinalização ultra-violeta, a mesma utilizada por algumas flores para atrair abelhas. Para testar esta hipótese, eles cobriram teias com plásticos que filtram luz ultravioleta (UV) .
Os pesquisadores observaram que o número de moscas, alguns mosquitos, abelhas e besouros capturados pelas teias diminuía se os filtros fossem usados. Curiosamente, alguns tipos de mosquitos que não enxergam luz UV não tiveram seus índices de captura diminuídos.
Portanto, os pesquisadores conseguiram mostrar que as cruzes desenhadas nas teias fncionam como armadilhas luminosas, que atraem os insetos que têm preferência pela luz UV. Este é um exemplo elegante de como um experimento simples pode trazer resultados que ajudam a aceitar ou rejeitar uma hipótese testável.
Fontes: Biological Journal of Linnean Society, National Geographic e o Atila, que teve preguiça de postar sobre isso.




