Este post faz parte da blogagem coletiva “Pela Valorização da Mulher Brasileira”. O tema da blogagem coletiva foi devidamente apropriado e modificado para atender os interesses do autor deste blog.
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“Fazer Ciência é um ofício muito exigente. Exige 100% de tempo e dedicação. Se você não está preparado para isso, sinto muito, a academia não é para você.”
Esta é a impressão que a muitos dos meus professores passam da Ciência. Ela é o resultado da impressão de que fazer Ciência exige sacrifícios. Ela também é usada por muitos como argumento do por quê não existem tantas mulheres no meio científico. “Como afinal seria possível conciliar a carreira científica com coisas como a maternidade?” Besteira pura. Fazer Ciência exige sim disciplina, organização e dedicação mas estas qualidades podem (e deveriam) ser confinadas em 40 horas semanais ou menos. Afinal, tempo de trabalho nem sempre se correlaciona positivamente com produtividade.
Este argumento, o de que mulheres não conseguem se dedicar o suficiente à Ciência nem é o mais fraco dos que já ouvi. Já ouvi de uma cientista que mulheres não se davam bem na área porque eram muito emocionais e misturavam a vida pessoal e a profissional. Engraçado é que eu ouvi o mesmo argumento ser utilizado por cientistas europeus para os cientistas latino-americano. Porque profissionalismo é exclusividade dos homes e poucas mulheres, aparentemente.
Mais um argumento é o de que mulheres possuem menos habilidades lógico-matemáticas que os homens e, por isso, existiriam mais homens cientistas. Mais besteira. Não nego que inexistam diferenças entre os cérebros masculinos e femininos mas estas diferenças não são maiores doq ue as diferenças dentro da população. Explico: em média homens possuem melhor cognição lógico-matemática mas as mulheres com mais inteligência lógico-matemática ainda são mais inetligentes que o homem médio. E depois, inteligência lógico-matemática é só uma parte das habilidades necessárias em um bom cientista. Boa capacidade admnistrativa, inteligência interpessoal, motivação e criatividade são características importantíssimas para um bom cientista.
Eu também ouvi o argumento de que mulheres não se interessam por Ciência. Retruco: esta é uma diferença biológica ou cultural? Será que mulheres se interessam menos por Ciência porque não se mostra mulheres cientistas? Aliás, será que é verdade que mulheres se interessam menos por Ciências?
Na minha opinião, existe menos mulheres cientistas famosas, como a Mayana Zatz, por puro sexismo mesmo. Os cientistas que estão nas faculdades são machistas e são eles que selecionam a próxima geração de cientistas (seleção por pares). Logo, os critérios de seleção já começam enviesados pelos mitos que citei até agora (e retruquei porcamente).
Vários estudos sugerem que artigos escritos por mulheres são considerados de menor qualidade do que artigos escritos por homens. Esta diferença aparece mesmo utilizando-se a mesma quantidade de avaliadores homens e mulheres. Curiosamente, a diferença desaparece se o nome do autor é omitido (referência aqui e aqui)
Um estudo de caso revelou que, depois que a revista Behavioral Ecology passou a usar um sistema duplo-cego em sua análise por pares (isto é, os avaliadores não sabem os nomes dos avaliados), a participação de mulheres como primeiro autor mais que duplicou. Apesar de haver críticas a este estudo de caso, esta diferença é encontrada mesmo se considerarmos a participação de mulheres de modo geral na área de Ecologia.
Todo este preconceito contra as mulheres leva à Síndrome do Impostor na qual a pessoa acredita que é bem sucedida por sorte ou outros fatores independentes da competência. Esta síndrome gera ansiedade por fazer a pessoa acreditar que ela vai ser “desmascarada” no primeiro erro, sendo que erros são frequentes na área. Esta síndrome é o resultado de se conviver em um ambiente onde a impressão é de que seu sucesso é improvável (não duvidaria se cotistas também soferem desta síndrome mas esta é outra briga minha) e é muito triste saber que muitas mulheres sofrem com isso na Ciência.
Finalizando, eu sei que tudo isso que escrevi pode ser aplicado a outras áreas mas me aborrece muito que isso aconteça denro da minha realidade. Cientistas, afinal, deveriam saber sobre as coisas da vida! Eles deveriam também conseguir ver as coisas de forma objetiva, despindo-se de qualquer pré-conceito e atentando-se aos fatos e o fato é: homens e mulheres são diferentes entre si estas diferenças não são maiores do que as diferenças dentro de cada gênero.
Que nos próximos dias inetrnacionais das mulheres eu ainda esteja blogando, e com melhores prognósticos.
Fontes: Living the Scientific Life
Saiu um trabalho que me deixou excitadíssimo mas não tenho competência de discutí-lo aqui no blog, a não ser que você tenha noções de zoologia no nível de faculdade. Foi publicado, ainda somente na parte eletrônica, uma das mais extensas tentativas de se desenhar uma árvore da vida para os animais. O melhor é que este estudo trouxe uma ou duas surpresas cujas implicações são fenomenais, só que não faz sentido nenhum para a grande maioria das pessoas do mundo. É como explicar a alguém quão genial o final de “Os suspeitos” é para quem nunca ouviu falar de Keiser Soze.
Uma das maiores surpresas, foi que os ctenóforos e não as esponjas revelaram ser o grupo-irmão do resto dos animais. Note que o grupo usou poucas espécies de esponjas na árvore então usaremos esta infromação com cuidado. Se o achado for verdadeiro, e esta não é uma sugestão nova, isso tem duas implicações fantásticas: ou as esponjas descendem de organismos mais complexos e se simplificaram OU os ctenóforos correspondem à uma linhagem evolutiva diferente dos outros animais! Deu arrepios? Em mim deu.
Outras coisas menores incluem os Ornichophora sendo grupo irmão de Artópodes e não Tardigrada, a aproximação das centopéias dos aracnídeos e não dos insetos e a sugestão de que o celoma surgiu (e desapareceu) mais de uma vez na evolução (arrepios bem menores agora)!
Mais informações, em ordem de dificuldade: Science Daily, Nimravid’s Weblog e o artigo original.
Identificar a presença de presas é uma habilidade essencial para qualquer predador. Qualquer um que só comprou pãezinhos na padaria porque sentiu o cheiro de uma fornada nova sabe disso. No mar isso também pode ocorrer. Pesquisadores descobriram que o Dimetil-sulfoniopropionato (DMSP, para íntimos), produzido por algas pode ser usado como indicador da presença de alimentos, assim como o cheiro dos pãezinhos.
Os pesquisadores chegaram a esta conclusão colocando garrafões na borda de recifes de corais contendo DMSP ou somente água. Os pesquisadores, então, contaram por 60 min a quantidade e tipo de peixes que eram atraídos pelos garrafões e perceberam que os que liberavam DMSP atraíam mais peixes herbívoros que o que só liberava água. Na figura abaixo,modificada do artigo original, é possível ver que o Clepticus parrae (nome popular, alguém?) aparecia em quantidade até dez vezes maiores nos garrafões que liberavam DMSP (barras em preto)!
A lógica, segundo eles, é que o DMSP é liberado na água quando as algas são comidas por zooplâncton. O DMSP, então, funciona como um indicador das atividades gastronômicas do zooplâncton e, então, é usado por carnívoros maiores, peixes, para a detectar a presença de pãezinhos, digo, zooplâncton na área. O interessante é que, a longo prazo você atrai outros carnívoros, causando o agregamento de cadeias tróficas inteiras em algumas áreas. Isso acontece, sem muita surpresa, em recifes de corais, que também mantêm quantidades maiores de DMSP ao seu redor (seriam os recifes de corais, as padarias do mar?).
Fonte: Science
UPDATE: de acordo com o Atila, o DMSP tem cheiro de… mar! Demais, não?
UPDATE 2: na verdade o certo seria dizer que o mar tem cheiro de DMSP, senão é como dizer que os pãezinhos têm cheiro de padaria…
UPDATE 3: o que eu tenho com pçaezinhos hoje, hein?
O vídeo da palestra do Edward O. Wilson que originou a idéia da Encyclopedia of Life.
Estudos recentes que saíram na revista científica GEOPHYSICAL RESEARCH LETTERS sugerem que o Giro Subtropical do Pacífico Norte está aumentando. Na verdade não só esta região específica mas outras semelhantes também estão aumentando. O problema é que estas regiões, além de acumular lixo, também possuem baixíssima produtividade primária (para leigos, poucos organismos fotossintetizantes, a base de quase todos os ecossistemas do planeta). Baixa produtividade primária é sinônimo de ecossistemas menos complexos e menos abundantes em seres vivos. A causa deste aumento é um só: o aquecimento do planeta.
Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores utilizaram imagens de satélite que detectam o comprimento de onda refletido por organismos fotossintetizantes. Comparando-se os dados obtidos em duas épocas diferentes, porém próximas (1998/1999 e 2005/2006) eles descobriram que as áreas de baixa clorofila (indício de fotossíntese) que só apareciam em 1998/1999 (em azul na figura abaixo) são menos frequentes do que as que só apareciam em 2005/2006 (em vermelho). O aumento das regiões de baixa produtividade chega à 4% ao ano! Isso tem implicações muito grandes na dinâmica dos mares e no clima dos continentes, a Inglaterra é um exemplo.
Todos sabem que a Inglaterra é um país frio e úmido certo? Só que a Inglaterra nem é tão fria assim. É só pegar as regiões do mundo que estão na mesma latitude da ilha da rainha para ver que a Inglaterra é quentíssima. Afinal, a temperatura lá quase nunca cai abaixo de zero enquanto as nevascas dominam as regiões respectivas no Canadá e Rússia.
A Inglaterra é um local “quente” por causa da corrente do Golfo, que vem desde o Golfo do México aquecendo as regiões que ela influencia. O problema é que o mesmo aquecimento global que está aumentando o Giro subtropical do Pacífico pode começar a afetar a Corrente do Golfo, resultando no congelamento da Inglaterra. E essa provavelmente nem será a pior das consequências decorrentes das mudanças das correntes marítimas (mas eu não tenho bagagem nesta área para comentar).
Uma vez eu juro que eu vi uma reação química que oscilava entre trâs cores diferentes sem a adição de novos compostos. Acho que é a coisa mais incrível que você pode presenciar em um laboratório de Química.
Veja esta reação e outros fenômenos químicos e físicos aqui: TOP 10 reações em laboratórios.
Das que eu não conhecia, eu gostei bastante do vídeo com o barquinho de alumíneo que flutua no ar. Alguém sabe que gás foi usado?
UPDATE: Hexafluoreto de Enxofre (SF6). Obrigado Veronica por indicar o post do Atila.
Já passei por semanas estranhas mas a semana passada bateu um recorde de coisas estranhas acontecendo:
SEGUNDA (25/02) - A esposa troca uns emails rápidos e arranja um emprego para começar o dia seguinte.
TERÇA (26/02) - Um carro pára do meu lado e a passageira do banco de trás começa a abrir a janela. Eu me aproximo pois sempre tem alguém me perguntando o caminho para alguma faculdade. A velhinha olha para mim e diz: “Não é nada não, eu só parei para o gato olhar a paisagem!”. E o gato realmente estava olhando a paisagem.
QUARTA (27/02) - Assistimos “Onde os fracos não têm vez”. Nada bizarro aconteceu, só o vilão do filme. Esposa comeu coxinha com catupiry no almoço e por quilo na janta.
QUINTA (28/02) - A esposa tem intoxicação alimentar (coxinha ou arroz à grega? vc decide o vilão). Levo-a pro pronto-socorro e, enquanto a espero tomar 1,5 l de soro fisiológico, ouço alguém chamar o nome da minha mãe. Minha mãe? Sim, encontro os meus pais no PS. Eles foram para lá porque minha mãe levou uma mordida de rotweiller de manhã. Não foi nada demais: eles foram pro cinema e pro hospital, nesta ordem.
SEXTA (29/02) - Ouvimos um barulho de freio na Corifeu. Eu e a esposa olhamos um carro detonar o guard-rail da avenida lá do alto do 7o. andar. O carro tentar fazer uma conversão sobre a calçada mas fica preso. Uma viatura chega e eles trocam tiros!!!! A Corifeu ficou para um tempão e vimos mais de 8 viaturas chegar. No dia seguinte, o barbeiro diz que foi um sequestro relâmpago que deu errado.
