Em um experimento para se determinar como o comportamento de grandes grupos emerge, como o de cardumes e o de aves voando no céu, dois pesquisadores da Universidade de Leeds fizeram um experimento interessante: eles pegaram pessoas e pediram para que elas andassem aleatoriamente por uma área (tipo, a Bienal). A única orientação dada foi para as pessoas não se afastarem muito uma das outras.

Os pesquisadores, então, inseriram no grupo, pessoas que possuíam comunicadores que diziam para onde elas deveriam se dirigir. O que els descobriram foi impressionante: em grupos de mais de 200 pessoas, é necessário controlar a direção na qual apenas 5% das pessoas andava para detarminar o comportamento do grupo inteiro! As outras 95% das pessoas inconscientemente seguiam os “formadores de opinião”.

Dá ou não dá para explicar o comportamento do pessoal que está participando da Campus Party?

Fonte: Science Daily

Aprendemos nas aulas de ecologia que os ecossistemas funcionam assim: i) o tipo de solo determina os tipos de nutrientes disponíveis para as plantas. ii) O tipo de nutrientes disponíveis para as plantas determina que tipos de plantas crescem neste sole. iii) O tipo de planta determina o tipo de comedor de folhas que vive na região e iv) o tipo de herbívoro determina o tipo de carnívoro que vive na região. Muito simples, fácil e lógico né? Pois não é que a coisa, para variar, é mais complexa que isso?

Um estudo que saiu na Science deste mês sugere que, em alguns casos, a história pode inverter o seu rumo. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores acompanharam a dinâmica dos vegetais que crescem em campos norte-americanos por 3 anos. O que eles observaram foi interessantíssimo: às vezes o tipo de solo e vegetação podem ser determinados pelos predadores e não o contrário!

Tome o caso de duas espécies de aranhas: uma que sai andando (ou saltando) por aí atrás de suas presas e uma que fica em apenas um local à espera das suas vítimas passar na sua frente. Em ambiente no qual a primeira aranha se encontra, os gafanhotos não se movimentam muito, a fim de evitar encontrar seu predador móvel. Em um ambiente no qual a aranha fica à espreita, os gafanhotos se movimentam mas evitam os locais onde as aranahs se encontram.

Os gafanhotos que não se movimentam, acabam se refugiando em uma planta que domina o ambiente. Esta planta, por conseguinte, acaba sendo devorada com maior intensidade. O sumiço da planta dominante permite a colonização do ambiente por outras espécies de plantas. No entanto, a planta dominante do local, a goldenrod acumula muito nitrogênio e, sem ela, este nitrogênio é perdida. O resultado é um aumento da diversidade de plantas e uma redução dos nutrientes do solo.

Se os gafanhotos evitam as áreas onde as aranhas sentam e esperam pelos seus predadores, o goldenrod é comido menos e continua a dominar o terreno, resultando em uma diversidade baixa sobre um solo rico em nitrogênio!

Portanto, a diversidade em uma região e a concentração de nutrientes do solo podem ser reguladas por algo tão simples quanto o comportamento das aranhas presentes na região.

Os pesquisadores ainda citam um segundoe exemplo: veados são herbívoros vorazes que ficam em movimento constante para evitar uma emboscada de um puma mas ficam em um mesmo lugar procurando por matilhas de lobo. Se eles ficam em um mesmo local, eles acabam devorando todos os indivíduos de suas folhas favoritas, alterando a paisagem local e a dinâmica de nutrientes.

Fonte: Science, Science Daily

Você já deve ter ouvido que o Google, Twitter, Flickr, You Tube e outros sites foram bloquados pela organização do evento. Muitos estão revoltados dizendo que houve censura. Eu estou cético quanto a isso. Acho que a organização não seria BURRA a ponto de dar um tiro de bazuca no próprio pé. Aposto que alguém hackeou o sistema e colocou as mensagens. Se eu estiver certo já sabem: ouviram primeiro no Brontossauros. Se eu estiver errado… eu nem sei nada de computadores mesmo!

Quem quer saber como evitar o bloqueio: Tecnocracia

UPDATE: AHÁ!

Estou acompanhando o Campus Party de longe mas sempre de olho na cobertura da imprensa. Uma coisa que eu achei engraçado foi a ausênica da Revista Superinteressante, que sempre associei à Ciência e tecnologia. Mais elucidador foi o post que apareceu no blog mais acessado da Superinteressante: Campus Party: tô fora no qual o blogueiro desdenha da Campus Party. Na minha opinião foi uma comida de bola imensa do autor pois o evento está repercutindo bastante, principalmente entre os que, supostamente, são o público alvo do blog.

Outra coisa curiosa é o Planeta Sustentável que prometeu cobrir o Campus Party mas publicou poucos textos. A cobertura do Campus Verde, aliás, deixa a desejar. Leio pouco sobre esta área importante do Campus Party.

Nunca achei que isso fosse acontecer: minha esposa me abandonou pelo Campus Party.

Sempre fui nerd. Meus filmes, livros, gibis e inúmeros gadgets espalhados pela casa não me deixam mentir. Se posses materiais não te convencem, a própria existência deste blog ou 5 minutos conversando comigo já me denunciariam. Só que a minha esposa ultrapassou a minha nerdice. Logo ela que não gosta de quadrinhos, não sabe a diferença entre vulcanos e romulanos, acha Lost sem graça e, quem joga RPG, meio estranho. Mas ela tem um blog. E o blog dela a apresentou ao Campus Party.

Olhando para trás vejo que não deveria ter ficado surpreso com o abandono. Os sinais estavam na minha cara antes mesmo do #cparty começar: o tempo gasto fazendo sacolas reutilizáveis e canetas recicladas com a marca do blog, a inscrição no Twitter, os emails constantes com outros blogueiros… mas sabe como é: a gente prefere ignorar tudo e achar que nada vai acontecer com vc.

E segunda-feira eu perdi a minha esposa. Note que eu até entrei no site da SPTrans para planejar a rota de ônibus para ela. E ainda desenhei o percurso no GoogleEarth, mostrando landmarks e tudo mais. Às 23hs, quando fui buscá-la, era uma pessoa mudada. Ela nunca entendia porque eu ficava lendo tantos posts em blogs, dando F5 no Twitter aviamente, checando as estatísticas do blog a cada minuto e comemorava cada aumento de Authority no Technorati mas quem fazia estas coisas agora era ela, enquanto eu esquentava o jantar dela.

Eu realmente a febre do Campus Party ia ser uma coisa única, uma experiência que ela queria ter e que iríamos voltar ao nosso cotidiano matrimonial no dia seguinte. Ontem, terça-feira, foi pior: se ontem ela me mandou um Twitter quando chegou, hoje eu tive que ligar para ela do laboratório para saber se estava tudo bem. Daí ela começou a aparecer nas fotos do Flickr de outros campuseiros, outros blogs começaram a falar das coisas que elas está fazendo no Campus Party, os posts do Twitter dela estão menos frequente, o blog dela tem amis acessos que o meu e, pior, acho que ela fez amizade com a LuFreitas e a Nospheratt. E eu em casa, assistindo o Radar Cultura ao vivo do #cparty enquanto passo as roupas.

E depois que ela voltou para casa, eu nem consegui acessar o meu Twitter e email (o que é #eamob, afinal?). Tenho medo dos próximos dias (até o fim-de-semana ela ainda vai passar a noite na Bienal, aposto).

No fundo, no fundo, eu acho que não estou triste com o abandono. O meu lado nerd está cheio de orgulho e inveja, ao invés de ciúmes. Ela parece mais feliz e ainda acho que ela vai voltar, apesar de saber que o dia-a-dia da relação não vai ser mais o mesmo (com certeza vou ter que instalar um roteador para dividirmos a interrnet).

O que mais me deixa p… da vida mesmo é que ela levou o meu Mac.

Foi há dois anos que fiz a minha peregrinação para a Down House, a casa de Darwin. Geralmente não ligo muito para estas coisas mas entrar no escritório onde Darwin trabalhou por grande parte de sua vida foi a experiência religiosa mais significativa da minha vida. Custei para sair de lá.

Down House parece uma casa de campo inglesa e aristocrática como outra qualquer, tem um jardim bonito, uma sala de bilhar, uma sala de música, coisa e tal. Lindo mesmo é o escritório de Darwin. Lá é possível ver muitos de seus espécimes armazenados, mapas de suas viagens (um desenhado à mão com o percurso do Beagle), seu microscópio, sua lupa, seus livros (uma primeira edição de “O Capital” assinada por Karl Marx!), anotações. Foi lá que ele se correspondia avidamente com outros cientistas para refinar as suas idéias (Darwin adoraria blogs, twitters, emails e orkut). Foi lá que ele se debateu por anos se devia publicar ou não a Origem, escreveu sobre minhocas, pombos, cracas e tudo mais. Foi lá que ele escreveu e reescreveu o Livro.

A Origem das Espécies é um trabalho surpreendente. Tem uma quantidade de informações imensa que procuram corroborar uma idéia simples: a de que ocorre evolução através de mecanismos de seleção natural. Darwin conseguiu unir inúmeros dados geológicos, geográficos e biológicos para ilustrar as suas idéias e isso tornou a vida dos críticos muito difícil, pois, por mais que um exemplo seja falho ou incompleto, ele é complementado por outro, e outro, e outro. O Livro não é perfeito (a qualidade varia de edição para edição) mas escrever tudo o que Darwin escreveu sem contradições ou erros, seria impossível.

Há muitos críticos ao trabalho de Darwin. Dizem que não explica como surgiram as espécies, que sua teoria é tautológica, que é incompleta, que não tinha nada de original, que é epistemologicamente falha (seja lá o que isso signifique). Isso é tudo bobagem. Isto é, eles podem até se mostrarem certos no fim das contas, não descarto isso, mas desprezar o meticuloso trabalho científico de Darwin em sua obra máxima, “Sobre a origem das espécies através da selecção natural ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida” ou somente “A Origem das Espécies”, é desonesto, para falar o mínimo.

Na minha opinião, se algum dia o paradigma estabelecido por Darwin for substituído, a mudança será mais no estilo Física Newtoniana para Física Relativista do que “a Terra é plana” para “a Terra é redonda”. Basicamente, o paradigma que substituir a Teoria Sintética da Evolução (que é uma derivação da teoria inicial de Darwin) irá demonstrar que a Seleção Natural explica praticamente todos os casos evolutivos mas que ela falha em poucos aspectos, corrigidos pelo novo paradigma.

Enfim, hoje comemoramos o Dia de Darwin. Queira ou não ele teve uma importância histórica, seja na academia, seja na sociedade como um todo, imensa. Ele mudou a forma que as pessoas enxergavam o mundo e a si próprias.

Três vivas para o Darwin.

Mais um filme da Pixar para se esperar ansiosamente. Wall-e é um robô deixado na Terra para dar conta do lixo que tomou conta do planeta enquanto os humanos levam suas vidinhas em uma arca em órbita do nosso planeta. Um filme sobre solidão e a nossa possível herança neste pálido planeta azul…

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