Por quê os quenianos dominam a São Silvestre?

… e quase todas as provas de corrida a longa distância?

A resposta mais frequentemente ouvida e a mais simplória é a de que quenianos possuem um biotipo mais favorável para se tornarem corredores de alta performance a longas distâncias. É só ver os corpos esguios dos ganhadores da São Silvestre, tradicional corrida de São Paulo que ocorre no último dia do ano, para comprovar isso, certo?

Sim, mas não. Os ganhadores da São Silvestre podem até ter um corpo biomecanicamnete mais favorável às corridas de longa distância quiçá podem ser fisiologicamente mais adaptados para correr no calor úmido que fez no último dia 31. Porém o que explica o sucesso de uma nação inteira nesta categoria do atletismo não é a genética que determina tais corpos mas sim fatores ambientais, mais especificamente, culturais.

Algumas estatísticas tiradas do blog do Malcolm Gladwell sugerem que há cerca de um milhão (!!!) de jovens entre 10 e 17 anos que correm de 16 a 19 quilômetros por dia (!!!). Em média um queniano de 18 anos já correu de 24 a 29 mil quilômetros a mais que um estadosunidense médio. O resultado é que existem cerca de 100 atletas que já bateram a casa das 2 h 11 min na maratona contra cerca de cinco nos Estados Unidos.

Basicamente se corre no Quênia porque é uma maneira de se fugir da pobreza, assim como o futebol no Brasil. Isto resulta em uma quantidade enorme de jovens com talento apra correr sendo selecionados por técnicos que podem exigir o máximo de seus atletas. Um atleta se machucou? Chame o próximo. O resultado é a dominância deste país nas corridas de longa distância, assim como a nossa dominância no futebol. Ou iremos argumentar que o brasileiro é geneticamente predisposto a jogar bola?

Fonte: gladwell.com

PS: para os que vão continuar batendo na tecla das causas genéticas para o sucesso em corridas a longa distância as seguintes perguntas: por quê os países vizinhos do Quênia não são tão bem sucedidos? Por quê a outra potência das corridas de grande distância, a Etiópia, possui corredores com um biotipo tão distinto?

3 Comentários

  1. Atila I. em 4/ Jan/ 2008

    Seria como afirmar que os cubanos têm uma propensão genética para quase qualquer esporte, visto o que eles conseguem de medalhas em proporção (com uma população bem menor que a dos EUA por exemplo)

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  2. João Carlos em 4/ Jan/ 2008

    O Biotipo tem muito a ver com isso, mas os fatores ambientais, culturais e sociais, também. Talvez não vejamos grandes fundistas Sudaneses e Ugandenses por conta da falta dos dois últimos.

    Será mera coincidência que nossos melhores fundistas sejam, em sua maioria, oriundos das Alterosas e do Planalto Central?

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  3. Brontossauros em meu jardim » Por que os jamaicanos dominam as corridas? em 22/ Aug/ 2008

    [...] explicação, obviamente, é muito mais simples, e é a mesma que explica o alto rendimento dos quenianos em corridas de longa distância: os vencedores dos 100 metros rasos são considerados verdadeiros heróis na Jamaica e incentivam [...]

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