…ou meus 5 segundos de fama.
Ninguém sabe mas eu sou pesquisador. Ninguém sabe mas eu estudo relógios biológicos em plantas. Ninguém sabe, aliás, que as plantas têm relógios. Ninguém sabe mas eu acabei de publicar um artigo na Science!
Assim como quase todos os organismos que vivem sob o sol, as plantas possuem mecanismos para medir a passagem do dia. Um relógio interno as permite antecipar a chegada do sol e preparar a maquinaria necessária para fazer a fotossíntese. Um relógio interno permite as plantas perceberem que hoje fez menos claro do que ontem e anteontem e, por isso, o inverno deve estar chegando (é hora de perder as folhas e armazenar energia nas raízes).
Pois é, os relógios biológicos das plantas é tão importante que plantas que não o possuem crescem menos, têm menos clorofila e usam água mais ineficiente. Por isso entender o funcionamento do relógio das plantas pode ter impacto profundo na agricultura e no melhoramento de plantas.
Então, nós acreditávamos que os relógios biológicos eram feitos via controle da expressão gênica. No entanto, duas pesquisas recentes sugerem que moléculas pequenas de sinalização também regulam o relógio. No caso das plantas, quando esta molécula é inibida, o relógio anda mais devagar. O interessante é que esta molécula, o ADPR cíclico, está relacionada à sinalização de estresses nas plantas. Esta molécula ajuda a estabilizar o relógio, tornando-o mais resistentes à pertubações.
Parece pouco mas esta descoberta muda o modo que percebemos a arquitertura dos relógios biológicos em plantas… e foi o suficiente para colocar o nosso trabalho em um dos meus blogs favoritos: Blog around the clock!
Fontes: Science para o texto original, Science Daily para uma explicação menos egocêntrica.
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Plantas carnívoras todos conhecem mas acabei de ficar sabendo da existência de fungos carnívoros! Hoje saiu na revista Science um artiguinho falando que foi achada evidência do mais antigo fungo carnívoro preservado em âmbar do Cretáceo (o legal de se ler estas revistas científicas é que o que mais chama atenção nem é o objeto da notícia).
Procurando no Google descobri que existem mais de 200 espécies de fungos carnívoros que, assim como as plantas carnívoras, podem capturar presas de formas passivas ou ativas.
O fungo Arthrobotrys anchonia faz pequenos anéis com o seu corpo que inflam quando estimulados, estrangulando vermes inocentes que passem pelo seu interior. As células do anel conseguem inflar até três vezes o se volume em um décimo de segundo! Quando um verme se enrosca em um anel, ele começa a tentar se soltar e freqüentemente acaba se enroscando em outros anéis! Após a captura, o fungo cresce extensões para dentro do corpo do verme, absorvendo-o em um ou dois dias.
No caso da foto, o fungo está nos estágios iniciais da captura e o verme ainda não está estrangulado. Ah! E o fungo é microscópio (os anéis têm 20 a 30 mícrons de diâmetro) então nada de “Ataque dos Fungos Carnívoros Gigantes” por aí…
Mundo doido esse, não?
Fontes: Science, Neatorama, George Barron’s Website on Fungi
As nossas faculdades cognitivas nos destacam dos outros animais mas o que será que o nosso cérebro tem que o de outros animais não têm? Tenho pensado bastante neste assunto, principalmente diante de pesquisas publicadas recentemente.
Em uma postagem anterior, discuti brevemente sobre dois estudos cognitivos (um de memória instantânea e outro de superimitação) nos quais os chimpanzés tiveram melhor perfomance do que adultos. Tudo bem, os chimpanzés são nossos parentes próximos e qualquer um que já foi ao zoológico sabem como eles lembram alguns tipos humanos…
Porém, nesta semana, um outro estudo me chamou a atenção: os tentilhões expressam um gene chamado FoxP2 em uma área do cérebro quando estão aprendendo uma canção ou mudando sua canção antiga. Mais: pássaros com defeitos na expressão deste gene não aprendiam direito as canções dos outros pássaros e apresentavam maior variabilidade na hora de cantar as suas. O interessante é que este gene FoxP2 também está associado à nossa vocalização e defeitos desse gene em nós levam à problemas de fala e linguagem. Ou seja, parte da maquinaria que nos permitiu desenvolver a fala já se encontrava no ancestral comum entre primatas e pássaros (digressão: os Neandethais também possuíam este gene mas agora isso não me surpreende mais)!
Ainda nas aves, este grupo é o único além dos primatas a classificar fotos em categorias (como os pombos que reconhecem as pinturas do Monet). Só que agora existem evidências que cachorros também possuem esta habilidade, indicando que eles também podem ter pensamentos abstratos.
Tudo isso pode fazer algumas pessoas a pensar que nós não somos tão inteligentes assim. Na verdade, a proximidade do funcionamento de nosso cérebro com o de outros animais nos faz ainda mais notáveis: por quê só os humanos acumulam conhecimento na velocidade que acumulam? Outros animais também têm cultura mas por quê a nossa é capaz de mudar e acumular tão mais rápido? O que, parafraseando o título de um livro de Foley, nos faz apenas uma espécie única?
Fontes: Science Daily e New Scientist
Um curta de animação de Till Nowak pela Framebox. Maravilhoso e contemplativo. Será que só assim salvaremos o mundo?
Fonte: Bafana Ciência
No meu primeiro ano eu morei em uma casa com mais 13 pessoas (a casa, a propósito, havia sido do famoso estatístico/evolucionista Ronald Fisher). O engraçado é que eu mal encontrava as outras pessoas da casa pois ela era muito grande e ninguém cozinhava (ou tomava banho, eu acho). Neste período fiz dois amigos: um luso-suíço chamado Phillipe e um russo chamado Alex, duas figuraças. Phillipe era um veteranossauro e parecia estar na universidade fazia tempos. Ele era um desses caras com opiniões fortes e um tanto maluco (no sentido de psicopata mesmo). Ele tinha uma barba enorme e só usava calças marrons e suas duas camisas de flanela que o faziam parecer um lenhador (”Os suíços que sabem fazer roupas! Eu comprei estas camisas faz cinco anos e ainda me servem!”).
Uma das suas histórias mais famosas aconteceu no refeitório. Nós estávamos jantando quando chegou um americano, desses de filmes teens de Hollywood. Ele sentou-se ao nosso lado e serviu-se de água, esvaziando a jarra de água. Phillipe, com seu jeito meio rude, disse:
“Aqui na Inglaterra a gente tem o costume de encher o jarro de água após esvaziá-lo.”
O americado nem tchuns e ignorou o Phillipe, que se levantou bruscamente e foi encher o jarro no bebedouro. Quando o Phillipe voltou, batendo as suas botas de caminhada no piso de madeira do refeitório, ele serviu todo mundo de água, encheu o seu copo e esvaziou o resto na cabeça do americano!!! Foi demais! Não precisa dizer que a coisa desandou depois… mas tudo bem, “O Phillipe é assim mesmo”.

Eu sei que não é um assunto científico mas… acabou de sair o trailer do filme live-action (atores reais) do Speed Racer!
Go Speed Racer! Go!
Fonte: Omelete
Algumas notícias da semana são dignas de nota, principalmente pela convergência dos temas.
1- um dinossauro mumificado foi encontrada por um adolescente, várias partes moles, como a pele, foram preservadas. Ao mesmo tempo, foi anunciada a descoberta de um fóssil de um predador gigante dos mares. Sempre que leio estas notícias me lembro que um amigo me perguntou uma vez: como eles sabem que estes dinossauros não eram cor rosa choque e tinham plumas enormes que não são preservadas no registro fóssil? Só sei qeu antes os velociraptors não tinham penas e agora têm (ou não). Quem disse que elas não eram coloridas como a dos pavões? Imagine só o desbunde que seria uma gangue de raptors-pavões correndo pela grama alta?
2- chimpanzés derrotam os humanos em algumas tarefas de memorização. Chimpanzés treinados conseguiam melhores resultados em testes de memória. Eu achei que era exagero até ver a velocidade na qual eles respondem ao teste! Junto com esta notícia, um estudo mostrou que crianças são excelentes imitadoras de adultos, melhores que os chimpanzés. Issoq uer dizer que, se elas virem um adulto dar dois pulinhos antes de abrir uma porta, elas vão tenatr abrir a porta do mesmo jeito, mesmo sabendo que os pulos não contribuem com o processo de abertura! Os chimpanzés, mais objetivos, abrem a porta sem pular…
3- no blog do Marcelo Leite, covergindo com um post meu, tem uma notícia obre um estudo que procurou descobrir por que os vírus da gripe se espalham mais no inverno. Um dos motivos é que eles contamiam outras pessoas viajando por gotículas produzidas pela respiração, tosse e espirros. Em condições mais secas e frias, estas gotículas ficam mais tempo no ar do que em condições quentes e úmidas.
