Saiu no Globo que César Maia sancionou a Lei 4.685/2007, que estabelece multa para maus-tratos a animais. Vejamos o primeiro artigo:

Art 1º Fica estabelecida multa para maus-tratos e crueldade contra animais e sanções administrativas a serem aplicadas a quem as praticar, sejam essas pessoas físicas ou jurídicas, munícipes ou estabelecimentos comerciais, industriais, instituições de ensino, laboratórios ou instituições de pesquisa.

Veja que os laboratórios e instituições de pesquisa estão incluídos na lei, o que é razoável pois eles não estão acima de ninguém e maus-tratos a animais devem ser combatidos. O grande problema está na definição de maus-tartos e crueldade no segundo artigo da lei:

Art. 2º Define-se como maus-tratos, e crueldade contra animais ações diretas ou indiretas capazes de provocar privação das necessidades básicas, sofrimento físico, medo, stress, angústia, patologias ou morte.

Oras, isso inviabiliza quase toda pesquisa em laboratório pois qualquer manipulação de cobaias já provoca medo e stress no animal. Sem contar que também são incluídos na qualificação de maus-tratos cirurgias e injeções. Isso tem impacto direto, por exemplo, no teste de medicamentos e na produção de vacinas pelos laboratórios Fiocruz e a FarManguinhos. Sem contar as pesquisas sobre câncer e outras doenças.

Acho que ninguém é contra a regularização do uso de animais de laboratório. O uso excessivo de animais em experimentos e experimentos que causam sofrimento de animais devem ser diminuídos a um mínimo. Para isso já existem conselhos de ética nos centros de pesquisa! Ele verificam se há alternativas que evitem o uso de cobaias e verificam se o protocolo utilizado esteja correto e se o número de animais utilizados seja grande o suficiente para que o experimento não tenha que ser repetido e pequeno o suficiente para não se “maltratar” animais em demasia.

Chefe de gabinete do marido, na Câmara dos Vereadores, a ex-secretária municipal de Proteção e Defesa dos Animais, Maria Lúcia Frotta, confirmou ontem que uma das intenções da lei é banir o uso de animais nas pesquisas. Ela espera que isso fique claro na regulamentação do projeto e conta que ambos já contavam com a reação negativa dos cientistas: — A nossa plataforma política é a defesa dos direitos dos animais, que devem ser tratados como sujeitos de direito e não apenas como coisas.

A intenção da lei foi abranger qualquer tipo de maus-tratos e crueldade contra esses seres. Pesquisas com animais estão obsoletas e podem ser substituídas por outros recursos — diz Maria Lúcia.

Maria-Lúcia Frotta revela uma ignorância sem tamanho sobre a Ciência ao dizer que é possível substituir pesquisas de animais por alternativas. Se isso fosse verdade, já teria acontecido pois o uso de animais em laboratório é caro e de difícil manutenção. Eu até gostaria de saber da Sra. Frotta como como pode-se pesquisar sobre o câncer, doença de Chagas, malária, esquistossomose, testar toxicidade de drogas ou até drogas novas, fazer vacinas, descobrir como funciona o cérebro, etc. sem usar animais de laboratório? Espero que a gente consiga ouvir a resposta dela do alto de seu pedestal moral. Que tal também proibir o mau-trato de plantas e bactérias?

Fontes: Jornal da Ciência e Luis Nassif.

Um dia reunimos os brasileiros de Cambridge para um jantar formal, conversávamos animadamente quando um casal virou para mim e perguntou, com toda polidez inglesa: “Por favor, em que língua vocês estão conversando?”. Respondi que era português brasileiro, para o espanto do casal. Eu achei que eles estavam espantados por ver “alemães”, “japoneses”, “espanhóis”, “italianos” e “portugueses” falando a mesma língua e logo falei da diversidade étnica brasileira. No entanto, eles estavam espantados porque eles achavam que a gente estava falando russo ou outra língua do leste europeu!

O mais engraçado é que, nos quatro anos em que vivi entre os ingleses, este comentário foi feito mais de meia dúzia de vezes: que o português (principalmente o europeu) soa como uma língua eslava para que não fala uma língua latina ou eslava. Aparentemente o português, mesmo sendo uma língua latina, tem fonemas parecidos com os das línguas eslavas, principalmente os sons nasais (os estrangeiros ficam fascinados com o som de “mãe”, “anã” e “não”). Além disso, dizem os gringos, tudo o que eles ouvem é um monte de shhhh e chhhhh cantados!

Entre o português de Portugal e o nosso, o dos patrícios soam mais russo pois nós temos influência africana e índia em nosso sotaque. Ah! E, ao contar aos amigos, não se esqueça de mencionar que os vocabulários do português e do russo é bem diferente…

Fontes aqui.

Tirado do desenho que passou hoje de manhã, no SBT:

Patty Pimentinha: O que você acha que é Amor, Charlie?
Charlie Brown: Bem, anos atrás meu pai tinha um sedan preto, 1934 .
Patty Pimentinha: E o que isso tem a ver com Amor?
Charlie Brown: então, isso é o que ele me disse: tinha essa menina, sabe? Meu pai e ela passeavam juntos de carro e sempre que ele ia pegá-la, ele segurava a porta para ele. Depois que ela entrava no carro, ele fechava a porta e dava a volta por trás do carro para entrar do outro lado. Só que, antes de ele chegar, ela se esticava até a porta do motorista e apertava o botão, trancando-o para fora. Então ela ficava lá dentro, fazendo caretas e sorrindo para ele. Para mim, Amor é isso.

A National Geographic e a WWF lançaram uma página com o mapa de todas as ecoregiões do mundo. É muito legal viajar pelo mundo vendo os diversos ambientes. Notem que não existe mais aquela história da Amazônia homogênea, dá para contar pelo menos dez ecoregiões diferentes. O cerrado, no entanto, é uma mancha só.

Science is a lot like sex. Sometimes something useful comes of it, but that’s not the reason we’re doing it.
Richard Feynman (1918-1988)

Em 2001 eu e meu primo Dudu mochilamos de São Paulo até Cuzco passando pela Bolívia. Foi uma viagem incrível, de muito aprendizado pessoal. A viagem foi até bem tranqüila fora alguns sustos. Acho que um dos casos mais engraçados é o do “zorostro assado”.

Nós fomos para Oruro, uma cidade mineira, meio que por acaso. Em Oruro é celebrada a “Diablada”, festa bastante popular, só que não estávamos na época certa. A população meio que cultua a figura mística de um demônio por sua origem mineira: enquanto eles satisfizessem o diabo, ele permitiria que eles extraíssem a prata das minas. Por causa das minas, a Bolívia já teve um dos homens mais ricos do mundo: Simon Patiño, o tio Patinhas bolivianos. E foi no museu dele que fizemos amizade com um artista local. O artista, bastante entusiasmado, nos convidou para visitar o atelier dele.

Acontecimentos depois, que incluiram o furto de minha mochila, eu e Dudu apontamos na casa do artista. O cara realmente tinha talento, tinha até conseguido uma comissão para erguer uma estátua de bronze de 3 metros. Depois de conhecer suas obras, o artista nos levou para conhecer o seu mentor, “um dos maiores artistas bolivianos”. O mentor, tão empolgado quanto seu pupilo, nos mostrou todas as suas pinturas, explicando cada uma. Foi nessas que a gente notou que todas as pinturas continham um crânio. Ele nos explicou: “Este crânio representa o prato típico de Oruro: o Zorostro assado!”. Nós ficamos curiosos e o mentor mandou o artista nos levar para comer a iguaria. Este foi o nosso erro.

Nós não andamos muito nas escuras ruas de Oruro até chegar na rua no qual podíamos comprar o prato. Estranhamos que a rua não tinha nenhum restaurante, só uma velha sentada no chão com as pernas cobertas com uma lona de caminhão. O jovem artista pediu um zorostro para a gente, que estava excitado com tanta curiosidade. A velha levanta a lona e a gente eprcebeu que tinha um panelão entre as pernas dela, ela abre o panelão e tira uma CABEÇA DE CABRITO toda ensopada.

“Vocês querem com pele ou sem pele?” ela perguntou. Com a nossa negativa ela começou a arrancar a pele do crânio do cabrito, que estava cheio de pêlos. Foi quando a ficha caiu: o zorostro assado era, na verdade, ROSTRO ASADO! Eu e meu primo, diante dos olhares ansiosos do nosso amigo artista e da velha, começamos beliscar pedaços de carne do crânio, daí o nossoa amigo diz: “Os olhos são a melhor parte!”, e toca os dois japocas comerem os olhos do cabrito…

Lembrando-me da história eu ainda não entendi como a gente conseguiu comer o rostro asado. Acho que foi uma mistura do momento, curiosidade e um pouco do chá de coca com vodca que a gente havia tomado. Não foi uma pegadinha dos dois artistas pois o rostro asado - o crânio de um cabrito cozido com pêlo e tudo - é realmente uma iguaria de Oruro. Acho que esta foi a minha pior experiência culinária da minha vida. Qual é a sua?

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