E eis que, depois de uma semana do anúncio da clonagem de macacos (mais precisamente, da formação de células-tronco embrionárias de macacos), mais um anúncio agita a área das células-tronco.
As células-tronco são células indiferenciadas que, em teoria, podem ser utilizadas para fazer outros tipos de células, como músculos ou neurônios. Os seres humanos (e muitos outros) possuem inúmeros tipos de células diferentes, todas descendentes de um punhado de células embrionárias totalmente indiferenciada (e todas estas, descendentes de uma célula só, o zigoto). Estas células se diferenciam em músculos, neurônios, células epiteliais, etc. ao longo do desenvolvimento só que o caminho de volta, de uma célula diferenciada para uma não diferenciada, ou célula-tronco, é um fenômeno que não conseguimos reproduzir.
Agora, os grupos de Shinya Yamanaka da University of Kyoto (Japão) e James Thomson da University of Wisconsin (EUA) anunciaram que foi possível tornar células da pele humana em células-tronco. Ambos laboratórios utilizaram para esta proeza, um vírus que introduziu quatro genes novos, conhecidos por expressarem em alta quantidade em células-tronco, nas células da pele. O problema é que a técnica é ainda mais ineficiente que a da clonagem de macacos: apenas 10 em 5.000 células se tornam não-diferenciadas. Além do mais, alguns dos genes utilizados têm associação com o aparecimento de tumores. Um outro problema, ainda mais sério, é que o vírus possa se espalhar pelo corpo após a injeção das células-tronco em um paciente. Por fim há a dúvida se estas células são realmente pluripotentes, ou seja, se elas podem realmente ser utilizadas para se diferenciar novamente.
É claro que estes problemas foram colocados de lado para os mais conservadores jogarem as técnicas de clonagem terapêutica para escanteio, dizendo que esta alternativa, que não usa embriões, é mais factível e “moralmente” correta, se esquecendo que a clonagem terapêutica deixa as células prontas para serem usadas. Rejeitar a clonagem terapêutica, neste estágio, é precipitado. E sempre que colocamos todos os óvulos na mesma cesta tecnológica corremos o risco de ficar sem omelete…
Macacos me mordam! Dez anos após a Dolly, anuciaram que já existem técnicas viáveis para se clonar macacos Rhesus! Mais uma barreira paras e clonar humanos é derrubada… Na verdade ainda não se criou um macaco inteiro, só células-tronco embrionárias.
A técnica, assim como todas as outras, é terrivelmente ineficiente: de cerca de 300 tentativas, somente duas vingaram (0,7%). Só isso é justificativa para não se fazer em humanos (nem em macacos, por sinal). O pior é que nem se sabe o porquê destas duas linhagens de células vingarem! O time do pesquisador Shoukhrat Mitalipov, da Universidade do Oregon, já vem fazendo experimentos há dez anos e já usaram mais de 15.000 óvulos de macacos no processo!
A finalidade das células-tronco clonadas é terapêutica. Prevê-se que seria possível criar órgãos inteiros a partir de células clonadas, ou regenerar órgãos danificados, usando estas células-tronco.
Fontes: Ciência em Dia, Nature e Com a pulga atrás da orelha.
Nos meus últimos dias no Reino Unido, houve muita preocupação com a notícia de que houve casos de gripe aviária no leste da Inglaterra, em Suffolk. Na fazenda, 60 perus de uma população de 1000 morreram com a gripe. Agora acabei de ler que a causa da morte foi confirmada como a versão mais patogênica do vírus H5N1. As evidências apontam que o vírus veio de aves selvagens contaminadas. Estas aves já foram encontradas na França, República Tcheca e Alemanha.
A epidemia da gripe entre as aves preocupa porque este vírus pode vir a se mudar e começar a infectar humanos. Até agora cerca de 206 pessoas morreram por causa deste vírus. A nossa sorte é que o vírus ainda não é muito eficiente na hora da transmissão. O nosso azar é que as proteínas responsáveis pela ligação do vírus às células estão ficando cada vez mais parecidas com as proteínas de vírus que contaminam humanos.
A pergunta é: estamos preparados para uma nova gripe espanhola? A resposta é sim e não. Sim porque temos muito mais ferramentas de vigilância para detectar pandemias. Não, porque as doenças podem se transmitir muito mais rápido hoje em dia e haja remédio e vacinas para tomo mundo. No final das contas, o desastre vai ser proporcional à rapidez com que os governos vão tomar providências. Para a nossa sorte, a epidemia deve começar no outono ou inverno europeu, quando é primavera ou verão no Brasil o que limita a velocidade de transmissão.
Quando houver uma nova pandemia de gripe, a recomendação é essa: saia de casa o mínimo possível, redobre os cuidados com a higiene e evite grandes aglomerações de pessoas. O mais importante é: NÃO ENTRE EM PÂNICO!
Fonte: New Scientist
Um tempo atrás eu me envolvi em uma discussão sobre o Harry Potter e a existência de um gene da magia. A polêmica girou em torno de um grupo de cientistas que queria usar Harry Potter para ensinar genética. O problema foi que eles argumentavam que as evidências apontavam para a existência de um gene para a Magia, o que eu e meus colegas não acreditamos.
Enfim, uma das conseqüências da existência de um gene da Magia é o preconceito com os humanos que não o possuem. De fato, muitas famílias tradicionais de magos se consideram “puro-sangue” e são contra o casamento com trouxas, pois isso “contamina o sangue” dos magos e diminui o seu poder. Inclusive no último livro vemos algumas das conseqüências da tomada do poder por magos racistas. Algumas das medidas incluíam a perseguição e enclausuramento de magos mestiços. E isso não é exclusividade da ficção, já existiram muitos cientistas famosos que foram a favor da seleção por caracteres “desejáveis”, como a inteligência (James Watson?).
Esse é só um exemplo de como conceitos científicos mal-entendidos podem ter conseqüências sociais graves. Eu acredito piamente que os defensores da eugenia não entendem nada de Genética. Primeiro porque selecionar casais pela inteligência (ou pelos genes) leva à diminuição da variabilidade genética. Depois que esta seleção pode levar ao acúmulo de alelos defeituosos (aumento da carga genética). Quem tem cão de raça sabe os problemas genéticos resultantes da intensa seleção. Por último, a inteligência depende tanto da carga genética quanto do ambiente. Basicamente, quanto mais iguais as pessoas são geneticamente, mais o ambiente tem um papel para explicar as diferenças de inteligência e, quanto mais o ambiente for igual, mais os genes têm um papel para explicar as diferenças na inteligência. Dessa forma, os defensores da eugenia acabariam caindo do cavalo, pois não haveria mais o que selecionar.
Voltando ao Harry Potter, os magos que acreditam em raças puro-sangue iriam cair da vassoura se soubessem que, na verdade, o que determina os dons mágicos das pessoas é a quantidade de leite de vacas mágicas que suas crianças bebem. A magia, portanto é determinada pelo ambiente e nada tem a ver com os genes (as vacas mágicas, no entanto, são determidadas geneticamente e selecionadas por elfos-domésticos). Viagem? leia mais aqui.
No blog The Loom, há a dica de um maravilhosos slideshow com fotos de esqueletos de animais. Assim como o autor do blog, acho que ossos são fascinantes. O estudo de ossadas humanas antigas nos permite descobrir se os indivíduos eram macho ou fêmea, se morreram de doença, se quebraram ossos ou se alimentavam bem. O estudo de crânio nos permite estimar as áreas das diferentes partes dos cérebros. Marcas de nervos músculos nos ossos nos sugerem as funções de estruturas, espessuras de partes dos dentes sugerem hábitos alimentares.
Isso sem contar as semelhanças. Note o número de membros dos animais (tirando a cobra), será que é coincidência que todos possuem quatro? E o número de dedos do morcego? Ou compare o crânio do macaco com o nosso…
E se você pudesse, ainda veria que todos os mamíferos possuem 7 vértebras do pescoço! A evolução justifica? Provavelmente não pelas vantagens reprodutivas dadas pelo mágico número 7 no pescoço mas sim pelo parentesco em comum.
Veja o slideshow aqui.
Se as pessoas usassem as baterias certas e não tentassem improvisar…
Se elas fizessem a manutenção das baterias improvisadas corretamente…
Se elas dessem um número adequado de baterias e não somente três…
Se a bateria não tivesse caído no chão…
Se eu não tivesse tentado consertar a bateria…
Se eu não tivesse notado que os fios da bateria estavam trocados…
Se a temperatura da estufa não estivesse a 40 oC…
Se a gente tivesse o bom senso de deixar a bateria que caiu de lado…
Se nós não tivéssemos testado a bateria remendada…
… talvez a fonte de energia do equipamento caro (e emprestado) não tivesse queimado.
Eu acredito que os sonhos são o efeito colateral da manutenção dos neurônios (reeforçando ligações, desligando outras, etc.) durante o nosso sono. É sintomático que os meus sonhos são muito bizarros, provavelmente resultado de minhas neuroses e excesso de informações coletadas durante o dia. Hoje eu tive um sonho engraçado, tão engraçado que eu acordei a minha esposa com as minhas gargalhadas (eram uma 4 da manhã). Obviamente o sonho nem é tão bom assim:
Eu entrei em um táxi desses de Nova Iorque. O motorista era gordo, mau humorado, com um cavanhaque e muitas marcas de ruga. Ele começou a dirigir e falou para mim, com um sotaque russo (detalhe que eu sonhei em inglês): “Eu não gosto de falar com meus clientes. Eles só falam besteira.”
“Então tá” - eu respondi - “Vou ficar aqui quieto.”
O motorista retrucou: “Mas eu odeio mais ainda quando eles ficam calados, eu detesto quando eles ficam só sentados aí atrás! Eles ficam lá se achando o máximo enquanto eu fico pensando: eu te odeio! Eu vou te matar e te deixar aí pelado vestindo as minhas cuecas sujas!”
“Mas o senhor não deveria pensar isso de seus clientes.” - disse.
“Eu odeio quem eu quiser!” - gritou o motorista.
E eu respondi: “É, mas se você me matar e eu aparecer pelado no seu táxi vestindo as suas cuecas suja, você vai ter problamas com a polícia.”
“Isso não tem nada a ver com o meu argumento!”
E daí eu acordei, gargalhando…
